Risco Brasil!

Desde o início da pandemia, o que acarretou em uma valorização expressiva do dólar perante o real, ouve-se dizer que a bolsa brasileira está “barata” para os gringos. Se for feita uma avaliação do gráfico do Ibov dolarizado, fica evidente que a bolsa brasileira está realmente bastante descontada.

Considerando o topo formado antes da pandemia e a região de preços em que o índice se encontra agora, existe uma desvalorização de 34%.

Fazendo esta mesma análise com o gráfico do S&P 500, percebemos que o índice americano se encontra quase 34% acima dos preços negociados antes da pandemia.

Mas então porque o S&P 500 continua subindo e o Ibov continua caindo?

É óbvio que todo investidor procura comprar ações quando considera que os preços destas estão baratos, ou seja, que existe um potencial de valorização. Entretanto, sobre as ações das empresas brasileiras, existe um outro fator muito importante. Ou seja, o “risco Brasil”.

Este risco está atrelado ao cenário político/fiscal do país, o que vem se mostrando cada vez mais nebuloso. Durante esta semana isto pôde ser observado, por exemplo, na alta expressiva do dólar, que chegou a se valorizar mais de 5%.

Sexta-feira agitada!

Da mesma forma, nesta sexta-feira foi possível ver como as notícias do governo afetam o mercado. Com a suspeita, ontem, de que o ministro da economia Paulo Guedes poderia pedir demissão, os contratos futuros de índice e dólar iniciaram o dia em uma condição de bastante stress.

O índice futuro, que na quinta-feira já havia trabalhado em forte baixa, abriu as negociações nesta sexta-feira sobre a região de fundo. Ao longo do dia o ativo caiu bastante, chegando a recuar 4,5% e alcançando o primeiro alvo projetado pelo retângulo no qual vinha trabalhando.

O dólar futuro, havia trabalhando na véspera em forte alta, e nesta sexta-feira, deu continuidade ao movimento. Com isso o ativo chegou a superar, inclusive, o alvo de 100% do pivô semanal acionado a duas semanas atrás.

No entanto, durante a tarde o Ministro Paulo Guedes declarou que não tem a intenção de sair do governo. Isto fez com que os ativos rapidamente mudassem de direção. O dólar futuro recuou e acabou fechando o dia com uma queda de 0,30%. Enquanto o índice futuro se recuperou e chegou a trabalhar em terreno positivo, mas ao final do dia cedeu e fechou em -1,52%.

Uma vez que o Brasil apresenta esta condição, o investidor estrangeiro exige um prêmio maior para alocar o seu dinheiro em nosso país. Ou seja, por mais que a bolsa brasileira esteja descontada, não existe muito interesse por parte do investidor extrangeiro. Pelo menos não para investimentos a longo prazo. Prova disso é que a bolsa continua perdendo valor. Certamente, quando a bolsa chegar a um nível de preço que desperte o interesse dos investidores, começará a subir, ou, no mínimo, não cairá mais.

Atrasada, Cardano adota perfil mais discreto enquanto “arruma a casa”

Saldo é positivo, mas o tempo está passando

Não se enganem: o ano da Ada Cardano (ADA) segue sendo um enorme sucesso. A rede que nasceu com a proposta de desbancar a Ethereum (ETH) saiu de centavos de dólares no início do ano para bater a barreira dos US$ 3 no dia 2 de Setembro.

O bom desenvolvimento inicial da rede, associado a seu potencial e a sua boa colocação no mercado e na mídia (com esse último ponto sendo por conta do trabalho do CEO Charles Hoskinson), permitiram que investidores do mundo todo colocassem a Ada entre os principais artigos do mercado em tempo recorde.

A ascensão meteórica e o aumento drástico de demanda obrigaram os desenvolvedores da rede a prepararem o primeiro dos grandes passos da rede: o hard-fork realizado por meio da atualização “Alonzo” e a consequente abertura para o desenvolvimento de contratos inteligentes. O problema, entretanto, talvez tenha sido o timing.

Isso porquê logo depois da alta histórica, a já esperada correção de preço foi acompanhada das agressivas baixas sofridas pelos criptos após o turbulento início do Bitcoin (BTC) em El Salvador, no dia 7, e aos ataques da China aos ativos no decorrer dos dias seguintes.

De quebra, comentários de programadores indicavam que a rede Cardano não vinha respondendo tão bem aos testes disponibilizados para a atualização, o que além de pesar para a manutenção da baixa, levantou dúvidas sobre o seu real potencial. A soma de todos estes fatores fez com o outrora promissor preço de US$ 3 fosse derrubado para a casa dos US$ 1,90 em algumas oportunidades (sendo efetivamente fechado em US$ 1,98 em 21 de setembro).

Esperança de dias melhores, mas com ciência do atraso

Ao menos a alta generalizada ocorrida na virada entre os meses de setembro e outubro voltou a estabelecer o ativo mais seguramente acima dos US$ 2, apesar de ainda ser pouco perto das previsões mais otimistas, que vislumbravam os US$ 10 até o final do ano.

E fato é também que a Cardano também arregaçou as mangas e mostrou ao mundo suas reais intenções durante o Cardano Summit, evento de palestras e anúncios de novidades, como o desenvolvimento de uma stablecoin própria, novas etapas de certificação de projetos interessados em integrar a rede, o andamento da dApp store e, principalmente, a chegada de oracles por meio de parceria com a Chainlink.

Mas com os “gatos escaldado” desenvolvendo “medo de água fria” – como diriam os mais experientes – será necessário mais para a Ada recuperar algo próximo do patamar que vinha sendo desenhado mais cedo em 2021.

Pensando nisso, Hoskinson aposta inicialmente em uma tour pela África. O continente apresentou grande adesão à rede e, além de ser mais um mercado consumidor em considerável potencial, chama a atenção pelo número de start-ups promissoras que se baseiam na Cardano para explorar o potencial das blockchains.

Em questões mais práticas e técnicas, os desenvolvedores da rede ainda fazem os ajustes necessários para lidar com os problemas ocorridos nas fases de testes. A situação ainda é vista como um dos principais empecilhos para a Ada voltar a disparar, mas apesar da resolução definitiva não ter ocorrido ainda, os relatórios mais recentes indicam avanços que se aproximam do final dessa “batalha”.

Apesar de todos os pesares, a Ada Cardano ainda conta com um potencial absurdo, o que tende a manter o preço relativamente estável mesmo enquanto o mundo aguarda quando será seu despertar.

Pode ser relativamente tarde para o milagre de crescimento até o final de 2021, mas não somente é cedo demais para desistir da ideia, como a manutenção de valores mais acessíveis permite mais tempo e adesão ao fenômeno que está por vir. Só nos resta saber se a espera será muito mais longa do que o esperado.

Ouro sobe com força nesta manhã de sexta-feira!

O ouro já vem trabalhando em um canal de baixa desde meados de junho. O ativo já chegou a perder o canal, mas se recuperou nos dias seguintes e voltou para dentro da consolidação. Ao final de setembro, os vendedores levaram o preço para baixo novamente, mas, após perder a linha inferior do canal, os compradores voltaram a agir levando o preço para cima.

Hoje, com a forte alta ocorrida pela manhã, o ouro chegou a tocar na linha superior do canal. Contudo, logo após alcançar a resistência, por volta das 12 horas (horário de Brasília), o ativo começou a recuar e o preço voltou ao nível em que estava trabalhando no início do dia. Esta movimentação é possível de ser observada no gráfico horário, abaixo.

A barra das 12 horas, mostra que ocorreu um forte movimento de baixa. Na barra seguinte é observado que o ativo recuperou apenas cerca de metade da queda. Isso mostra que existe uma maior pressão vendedora, fazendo com que o ouro volte a cair na sequência.

Mas por quê essa alta repentina do ouro?

O ouro é considerado um dos ativos mais seguros do mundo. Deste modo, quando o cenário macroeconômico apresenta muitas incertezas, é normal ver o ouro se valorizar.

Outro ativo que é usado pelos investidores como uma “segurança”, são os bonds americanos. Observando o gráfico dos bonds de 10 anos, é notado que hoje o ativo vem caindo com força.

De forma similar ao ouro, porém em movimentos inversos, os bonds americanos realizaram um forte movimento de queda entre 9 horas da manhã e meio-dia. Uma hipótese que poderia ser dada, é que a correlação entre os mercados acarretou nestas movimentações para os ativos. Ou seja, uma vez que os bonds americanos caíram, o ouro subiu.

E pelo que parece, foram os bonds que iniciaram o movimento.

Observando o gráfico diário dos bonds de 10 anos, é notado que o ativo fez um forte movimento de alta ao longo desta semana. Com essa movimentação o ativo alcançou o terceiro alvo de um retângulo no qual vinha trabalhando. Entretanto, hoje o ativo vem caindo, respeitando a resistência imposta pelo terceiro alvo.

É interessante notar como os ativos se correlacionam, pois assim como o ouro subiu devido a queda dos bonds de 10 anos, o S&P 500 também fez um movimento de alta pela manhã. Este tipo de movimentação está alinhado, pois a correlação entre o tesouro americano e o mercado de ações é inversa. Assim, quando um cai, se espera que o outro suba.

É preciso ressaltar, porém, que as correlações existem e se mostram verdadeiras na maior parte do tempo. No entanto, às vezes os ativos seguem por caminhos específicos, sem qualquer relação com o restante do mercado.

De qualquer forma, é interessante acompanhar as correlações entre os ativos que estamos analisando, pois elas contribuem para uma maior confiança nos padrões observados.

Dólar zera alta após superar R$5,75; Guedes domina atenções

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) -O dólar à vista zerou os ganhos de mais cedo e esboçava queda na tarde desta sexta-feira, deixando para trás máximas do dia acima de 5,75 reais, com o noticiário em torno do ministro da Economia, Paulo Guedes, dominando o foco de participantes do mercado.

Às 14:26, o dólar recuava 0,08%, a 5,6640 reais na venda, depois de tocar 5,7551 reais no pico do dia, alta de 1,53%. Na B3, o dólar futuro de primeiro vencimento bateu mais cedo 5,7615 reais, pico desde 13 de abril, antes de zerar a alta e operar em torno de 5,6725 reais.

Participantes do mercado repercutiam informações de que Guedes não deixará o cargo, depois que o cancelamento de sua participação em evento nesta sexta-feira intensificou rumores sobre o descontentamento do ministro com os planos do governo de desrespeitar o teto de gastos.

Duas fontes do Ministério da Economia com conhecimento direto do assunto disseram à Reuters que Guedes não pediu demissão.

Mais cedo, o ministro havia cancelado participação que faria em evento da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) nesta sexta-feira, segundo a assessoria de imprensa da entidade. Na quinta, ele já havia cancelado participação em outro evento.

Os mercados seguem atentos ao rumo da política econômica, depois que a confirmação da intenção do governo de contornar o teto fiscal para financiar o Auxílio Brasil levantou temores de descontrole das contas públicas, com profissionais vendo a medida como populista.

Enquanto isso, os juros futuros também mostravam arrefecimento em suas altas, depois de as taxas de alguns vencimentos chegarem a disparar mais de 100 pontos-base mais cedo. As taxas mostravam alta de 15 a 42 pontos-base ao longo da curva até janeiro de 2027.

(Por Luana Maria Benedito; edição de José de Castro)

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Wall St vira para baixo após falas de Powell sobre corte de estímulos

O Dow e o S&P 500 bateram recordes no início da sessão, com ganhos da American Express, antes de Powell dizer que o banco central dos EUA está “no caminho certo” para começar a reduzir suas compras de ativos.

“Toda vez que ele (Powell) falou sobre a redução gradual de estímulos até agora, os mercados não ficaram incomodados com isso, mas agora, em níveis recordes, investidores tendem a ser um pouco mais sensíveis a essas notícias”, disse Randy Frederick, diretor administrativo de negociação e derivativos para a Charles Schwab em Austin, Texas.

O índice de referência S&P 500 ainda está a caminho de sua terceira semana consecutiva de ganhos, em alta de cerca de 1,4% no período.

Sete dos 11 principais índices setoriais do S&P 500 ainda estavam em alta no início da tarde, enquanto o setor de serviços de comunicação caía mais de 2% ao ser atingido por uma queda nos gigantes da mídia social.

Facebook Inc cedia 5,7%, e Twitter Inc perdia 4,4%, depois de o Snap Inc dizer que mudanças de privacidade da Apple Inc em dispositivos iOS prejudicaram a capacidade da empresa de direcionar e medir sua publicidade digital. As ações do Snap despencavam 25,3%.

Às 13:38 (horário de Brasília), o índice Dow Jones subia 0,1%, a 35.638 pontos, enquanto o S&P 500 perdia 0,369029%, a 4.533 pontos. O índice de tecnologia Nasdaq recuava 0,87%, a 15.083 pontos.

PESQUISA-Cresce aposta em alta mais forte da Selic em meio a temores fiscais

Por Gabriel Burin

O Comitê de Política Monetária (Copom) manterá sua postura agressiva, com seus membros possivelmente expressando preocupações sobre a introdução de novos planos de gastos sociais que podem minar o teto de gastos.

Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, se tornou o presidente de BC mais agressivo neste ano, elevando a Selic em 425 pontos-base, mesmo com a economia ainda se recuperando de uma recessão relacionada à pandemia do coronavírus.

Enquanto a mediana das estimativas de 31 economistas em pesquisa realizada de 18 a 22 de outubro refletia expectativa de aumento da taxa Selic de 6,25% para 7,25% na reunião de 27 de outubro, quatro bancos globais elevaram suas projeções em 25 pontos-base ou mais nas últimas 24 horas.

JPMorgan Chase & Co, Morgan Stanley e Credit Suisse agora estão prevendo aumento de 125 pontos-base. O UBS está mirando 150 pontos-base. Os quatro credores publicaram suas opiniões atualizadas entre a véspera e esta sexta-feira.

Powell diz ser hora de reduzir estímulos, mas não de subir juros

Por Lindsay Dunsmuir e Ann Saphir

“Acho que é hora de diminuir (estímulos); não acho que é hora de aumentar as taxas (de juros)”, disse Powell em fala antes de uma conferência. “Achamos que podemos ser pacientes e permitir que o mercado de trabalho se recupere.”

Essa perspectiva, enfatizou Powell, é apenas o caso mais provável, acrescentando que se a inflação –já mais alta e durando mais do que o esperado anteriormente– subir persistentemente, o Fed agirá.

“Nossa política (monetária) está bem posicionada para gerenciar uma série de resultados plausíveis”, disse ele.

O Fed está prestes a começar a retirar parte de seu apoio da era da crise quando iniciar a redução de seus 120 bilhões de dólares em compras mensais de títulos do Tesouro e títulos lastreados em hipotecas, medida que sinalizou que poderia acontecer no mês que vem.

O banco central, no entanto, está enfrentando um delicado equilíbrio em seu mandato duplo de buscar o pleno emprego e preços estáveis.

Os preços ao consumidor têm subido mais do que o dobro da meta de 2% do Fed, mas o emprego ainda está bem abaixo do nível pré-pandemia.

E, observou Powell, “as restrições de oferta e a inflação elevada provavelmente durarão mais do que o esperado anteriormente e até o próximo ano, e o mesmo se aplica à pressão sobre os salários”.

O caso mais provável é que as pressões inflacionárias diminuam e o crescimento do emprego retome seu ritmo do verão passado (nos EUA), disse ele, mas “se víssemos um risco de inflação subindo persistentemente, certamente usaríamos nossas ferramentas”.

Por enquanto, o Fed vai assistir e esperar, disse ele.

“Embora esteja próximo o momento de reduzirmos nossas compras de ativos, seria prematuro apertar a política monetária usando os juros agora, com o efeito e a intenção de desacelerar o crescimento do emprego, quando há boas razões para esperar que voltemos a um crescimento robusto do emprego e que as restrições de oferta diminuam; com ambos teríamos o efeito de aumentar o produto potencial da economia”, disse.

MG tem falta de combustível por bloqueio em distribuidoras; protesto acaba no Rio

Por Roberto Samora

Segundo ele, a escassez é mais sentida na região metropolitana de Belo Horizonte, onde filas de veículos se formam para abastecimento. Minas Gerais é o segundo maior mercado de combustíveis no Brasil, atrás de São Paulo, segundo a federação.

As ações das principais distribuidoras de combustíveis, incluindo Vibra e Raízen, apresentavam queda acentuada nesta sexta-feira, diante de preocupações com a abrangência dos protestos realizados pelos chamados “tanqueiros”, que são transportadores de combustíveis, cujos preços têm pressionado a inflação e custos no país.

“Tem uma quantidade grande de postos em Belo Horizonte que já estão secos, nos poucos que ainda tem (combustível), está ocorrendo uma corrida aos postos, está todo mundo rodando a cidade, e já formam filas enormes”, disse Soares.

Os “tanqueiros” reivindicam principalmente uma redução da alíquota do ICMS no diesel, para eventualmente conseguirem redução de custos. A bandeira é a mesma do presidente Jair Bolsonaro, que responsabiliza governos estaduais pelo aumento dos preços dos combustíveis devido ao tributo.

“Se não houver acordo imediato (com os tanqueiros), mais um dia vai estar todo mundo seco”, acrescentou o presidente da Fecombustíveis, que representa postos no Brasil.

O presidente da associação, ele próprio dono de postos que já estão com tanques secos, disse ainda em entrevista por telefone que as bases das distribuidoras em Betim, na região da refinaria Gabriel Passos, da Petrobras, estão fechadas desde quinta-feira às 6h.

“Não saiu nenhum caminhão das bases, os que saíram foram com escolta policial”, disse ele, relatando informações de alguns veículos que tentaram sair e foram apedrejados.

O presidente da Fecombustíveis disse que as bases de Betim atendem a um raio de cerca de 350 km.

A assessoria de imprensa do sindicado dos tanqueiros de Minas Gerais (Sindtanque) confirmou que o protesto continuava nesta manhã de sexta-feira. Afirmou que os manifestantes só liberam a saída de combustíveis para hospitais e aeroportos.

A principal reivindicação é a redução da alíquota do ICMS do diesel de 15% para ao menos 12%.

Procurado, o governo de Minas Gerais não comentou o assunto imediatamente.

As grandes distribuidoras de combustíveis, como Vibra (ex-BR), Raízen, joint venture da Shell com Cosan, e Ipiranga, do grupo Ultra preferiram não comentar o assunto.

As empresas encaminharam o tema para o IBP, associação que representa as companhias, que não se manifestou imediatamente nesta sexta-feira após ser procurado.

As ações da Vibra tinham queda de quase 5% por volta das 11:20, as da Raízen caíam mais de 5%, assim como as da Ultrapar.

Um protesto semelhante realizado em importante base de distribuição de Duque de Caxias (RJ) foi encerrado na noite de quinta-feira, segundo o Sindcomb, entidade que representa revendedores de combustíveis do Rio de Janeiro.

“O risco de desabastecimento de combustíveis, por ora, está descartado na Cidade do Rio de Janeiro. As bases das companhias distribuidoras reabriram às 20h desta quinta-feira (21/10) e retomaram os carregamentos de gasolina, óleo diesel e etanol hidratado”, disse o Sindcomb.

Segundo o sindicato, o abastecimento aos caminhões FOB (“Free On Board”, de proprietários particulares) e CIF (“Cost, Insurance and Freight”, de propriedade das distribuidoras) vai seguir no fim de semana, “de modo a atender à demanda reprimida por conta da paralisação dos tanqueiros”.

 

(Por Roberto Samora; com reportagem adicional de Marta Nogueira)

Renault corta produção anual em 500 mil veículos devido à escassez de chips

Por Nick Carey

Falando com analistas, a diretora financeira da Renault, Clotlide Delbos, disse que a visibilidade da montadora sobre a escassez de chips no quarto trimestre “ainda era muito ruim porque as informações dos fornecedores eram incertas”.

Delbos disse que a escassez de chips deve diminuir um pouco até dezembro com o fim de um bloqueio por Covid-19 na Malásia, mas disse que permanecerá restrito durante grande parte de 2022.

Questionada sobre outras matérias-primas, ela disse que a Renault não enfrenta escassez, mas aumentos de preços.

A previsão da montadora francesa é mais do que o dobro das 220 mil unidades previstas no início de setembro e representa cerca de 13% dos 3,75 milhões de veículos vendidos pela Renault em 2019 antes da pandemia.

A lista de espera de pedidos atingiu um pico de 15 anos no final de setembro, para o equivalente a 2,8 meses de vendas.

No terceiro trimestre, os modelos elétricos, híbridos plug-in e híbridos representaram mais de 31% das vendas da Renault.

A Renault disse que a receita do terceiro trimestre caiu 13,4%, a 8,98 bilhões de euros, de 10,37 bilhões um ano antes, com os preços mais altos ajudando a compensar parte da queda de 22,3% nas vendas globais.

A empresa reiterou que sua margem operacional para o ano será de cerca dos 2,8% reportados no primeiro semestre.

Delbos disse que a empresa concluirá um plano de corte de custos de 2 bilhões de euros nas próximas semanas, mais de um ano antes do previsto.

A montadora disse que terá fluxo de caixa livre positivo para seus negócios automotivos em 2021, excluindo mudanças nas necessidades de capital de giro. Essa meta será impulsionada por um dividendo de 930 milhões de euros de seu braço financeiro RCI Banque, disse Delbos.

A Renault disse que os estoques de veículos caíram para 340 mil carros no final do trimestre, ante 470 mil no ano anterior.

(Reportagem de Nick Carey)