Além da Evergrande, agora temos a Fantasia

Segundo a mídia especializada, a incorporadora Fantasia acusou o não pagamento de obrigações que venceram na última segunda-feira.

Com isso, Fantasia tem 30 dias para tentar resolver o imbróglio para evitar o calote. Com a crise em mais uma incorporadora, as coisas podem começar a ganhar um contexto dramático na economia chinesa e mundial.

Crise sistêmica na China

Com mais uma incorporadora acusando problemas em conseguir quitar suas obrigações, fica evidente que o problema da Evergrande não é único.

Na verdade, a crise parece estar entrelaçada nas entranhas da China. Um efeito dominó não pode ser descartado.

Em uma crise sistemática com um potencial de efeito dominó, a quebra da Evergrande, ou até da própria Fantasia, podem desencadear a quebra de diversas outras empresas em pouco tempo.

Isso acontece porque tais incorporadoras possuem diversos credores e contra partes por toda a China e no mundo.

A falta de pagamento, ou a simples falta de credibilidade de tais instituições pode gerar um efeito catastrófico na economia.

Entre os efeitos que podem vir a ocorrer, nós temos a busca por dinheiro nos bancos (o que reduz a liquidez das instituições financeiras), a redução de investimentos e de compras por parte da população e das empresas (redução dos gastos).

Todo esse choque pode levar a China a enfrentar uma crise mais pesada do que a Covid-19 foi ou está sendo.

Como enfrentar uma crise sistêmica?

Observando crises passadas, existem alguns investimentos que podem ser feitos para tentar reduzir a volatilidade da carteira.

Dentre eles a aquisição de dólares. É importante manter parcela considerável do capital em dinheiro, ou seja, em títulos de liquidez diária atrelados ao juro (principalmente agora, onde o juro está em alta e tem a expectativa de terminar 2021, em no mínimo 8,25% ao ano).

Além disso, títulos de curto prazo atrelados ao IPCA podem ser uma alternativa interessante. Existem bons bancos oferecendo CDB, LCI ou LCA atrelados ao IPCA, com vencimentos curtos e pagando juros de até 4% ao ano.

Por último, o investimento em ouro deve ser cogitado. Se uma quebra realmente ocorrer na China, o mundo inteiro vai mergulhar em uma crise e isso vai despertar o investimento em ouro.

Esse investimento pode ser conduzido por meio de fundos de investimentos que possuem o ouro como benchmark e principal ativo da carteira.

Só para ter uma ideia, hoje, o USD/BRL fechou em R$ 5,48, alta de 0,40%. O EUR/USD fechou em 1,16 dólares, ou desvalorização de 0,14%.

Já o ouro vem sendo negociado em 1.758,00 dólares a onça, registrando queda de 0,55% no dia.

Banco Central e a inflação.

A relação entre a inflação e o juro é bem estreita. Normalmente, quando o juro sobe a inflação cai, quando o juro cai, a inflação tende a subir. Mas além da relação do juro e inflação, existe a parte fiscal.

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, até o presente momento não vem se manifestando a favor de subir ainda mais o juro.

Em outros tempos, seria difícil enxergar a inflação chegando aos 10%, ou mais, sem que a taxa de juro estivesse no mesmo patamar ou superior.

Caso o percurso do juro se mantenha inalterado, chegando aos 8,25% em dezembro, é provável que o ano termine com um juro real negativo e com a inflação em alta.

Relação da parte fiscal com o juro

Quando o país possui a parte fiscal bem controlada, com a dívida regulada, normalmente a inflação não oferece riscos à nação. Mas quando há um descontrole na parte fiscal, as coisas podem desandar de forma rápida.

O Brasil, até o presente momento, convive com a redução da dívida. A relação dívida/PIB tem tudo para terminar 2021 próxima dos 80%. Vale destacar que ainda em fevereiro de 2021, a dívida/PIB alcançou patamar acima dos 90%.

Boa parte dessa redução vem ocorrendo devido a alta inflação. Ou seja, com a desvalorização do real, o governo vem conseguindo contornar a própria dívida.

O problema da inflação alta fica na conta da população que vê o dinheiro se desvalorizar, perdendo o poder de compra.

Outro problema está baseado no juro “baixo”. O governo brasileiro vem trabalhando com a ideia de incrementar alguns programas sociais e isso vai gerar mais custos e despesas.

Sendo que o Brasil já tomou várias medidas que aumentaram os gastos da nação. Observando que a parte fiscal vem sofrendo bastante e o juro ainda não está em um nível restritivo, é possível que o IPCA se mantenha elevado por mais tempo, inclusive em 2022.

Vale destacar que o juro maior, também serve de forma restritiva para o governo federal, uma vez que o juro da dívida aumenta junto da Selic.

De qualquer forma, o BC vem sinalizando que a inflação não está tão desregulada e que a alta da Selic, da forma que está, tem tudo para surtir o efeito necessário. Agora é aguardar e torcer para tudo dar certo.

Indicadores do dia

O Brasil ainda vem sofrendo com a volatilidade do dólar e hoje o USD/BRL terminou com valorização de 1,59%, cotado a R$ 5,46.

Já o EUR/USD teve alta de 0,11%, cotado a 1,16 dólares e por fim o USD/CNY cotado a 6,45 Yuan.

Inflação no mundo

A inflação vai afetar todos os países, mas aqueles que estão em desenvolvimento, como é o caso do Brasil, podem sofrer um impacto ainda maior.

Inflação alta no Brasil

O Brasil já vem vivendo a alta da inflação de forma recorrente em 2021. Segundo dados do próprio IBGE, o IPCA nos últimos 12 meses está em 9,68%, número que já está acima da meta e da faixa superior.

A meta para a inflação em 2021 é de 3,75%, sendo que a banda é de 1,5% para cima ou para baixo. Portanto, quando o IPCA chegou em 5,25%, ele já estava superando até a banda.

Se a China realmente reduzir sua produção isso vai gerar ainda mais impactos em nossa economia e na inflação.

Sendo assim, os investimentos precisam ser melhor avaliados no curto prazo a fim de reduzir eventual volatilidade.

O Ibovespa em 2021 já vem performando abaixo de outros índices, como é o caso do S&P 500. Já o real vem se depreciando frente ao dólar.

Em 2021, o USD/BRL vem se valorizando em 3,35%. Já outras divisas, como é o caso do USD/CNY, vem registrando desvalorização de 1,3% e o EUR/USD está em queda de 1,95%.

Mesmo com a crise energética provocada pela Evergrande, a China vem conseguindo se valorizar frente ao dólar.

Querendo ou não, isso mostra certa resiliência da economia e dos indicadores chineses frente a todas as adversidades.

O que fazer para se proteger?

Com a crescente alta da taxa de juro, Selic, um dos investimentos mais interessantes no Brasil são os CDBs e a letra do tesouro Selic.

Além disso, ainda há os fundos DI. Existem alguns fundos que possuem isenção da taxa administrativa e conseguem entregar resultados melhores, mais atraentes aos seus cotistas.

O investimento em dólar pode ser uma boa também. Ainda mais quando colocamos nessa análise a expectativa política do país.

O Brasil terá eleições presidenciais ano que vem e isso pode gerar ainda mais oscilações no mercado. Provavelmente, 2022, não será um ano bom para a bolsa.

Por último ainda existe uma menção ao ouro. Até o momento o ouro não vem performando de forma interessante, mas é notório que o metal se torna refúgio dos investidores quando as coisas pioram.

Principalmente quando algo sistêmico ocorre. Se a crise energética e uma eventual quebra da Evergrande ocorrerem simultaneamente, um pouco em ouro pode ser algo substancial, na hora de suavizar a volatilidade dos mercados.

Desemprego e expectativa do PIB.

Segundo dados do IBGE, o desemprego, dentro do período de maio a julho de 2021, ficou em 13,7%. A expectativa era de 13,9%, portanto o indicador surpreendeu positivamente.

Já o Banco Central divulgou suas expectativas para o PIB, segundo o BC o Brasil deve terminar 2021 com PIB de 4,7% e em 2022 de 2,1%. O BC previa uma alta do PIB de 4,6% anteriormente, agora a expectativa já é maior.

Com a melhora do mercado de trabalho e com as expectativas do BC convergindo para um PIB de 5% em 2021, as coisas parecem estar melhorando.

Boas notícias, mas o contexto ainda é preocupante.

Com mais pessoas empregadas e a redução gradual do desemprego ocorrendo, o consumo interno vai aumentar e isso pode impulsionar os negócios dentro do Brasil.

Por outro lado, há muitos ruídos do lado de fora do país, além da instabilidade política. A crise da Evergrande ainda não foi encerrada e os problemas de energia na China vêm preocupando os mercados.

Com eventuais apagões na China, a produção da segunda maior economia do mundo vai ser afetada e pode puxar para baixo todos os mercados do globo.

Por isso, o momento é de muita atenção. Mesmo com as boas notícias vindo de nossa economia, o dólar terminou o dia em alta.

Só em Setembro, a moeda norte-americana registrou alta de 5,17%. O USD/BRL valorizou em 0,51% hoje, cotado a R$ 5,44.

Em comparação com outras divisas, como é o caso do Euro, o Real registrou bastante volatilidade.

O EUR/USD desvalorizou em Setembro, perdendo 1,74% do seu valor. O Euro terminou cotado a 1,16 dólares.

Por fim nós temos o Yuan. A divisa chinesa registrou em Setembro valorização de 0,17% frente ao dólar. O USD/CNY ficou em 6,45 Yuan.

Mesmo com toda crise provocada pela Evergrande e o receio que a construtora possa mesmo dar um calote em seus credores, o Yuan se manteve frente ao dólar.

O que esperar de Outubro?

Se Setembro já foi turbulento, Outubro pode ser ainda mais. A Evergrande vai continuar tendo vencimentos de juros referentes às suas dívidas.

Esses vencimentos terão que ser pagos pela construtora a fim de evitar um abalo sistêmico em toda a economia mundial. A crise energética na China pode ganhar novos capítulos dramáticos além da crise hídrica brasileira.

Com as reservas de água caindo mais e mais, o sistema energético brasileiro pode ser comprometido, gerando ainda mais transtornos à nossa economia.

A inflação é outro ponto preocupante. O IPCA de Setembro será divulgado em Outubro. Com um IPCA mais controlado, o plano de “voo” do BC será mantido, mas, havendo aumento além do esperado, é possível que o BC seja obrigado a corrigir o seu plano.

Para o mercado interno, todos esses pontos vão fazer a diferença nos investimentos para o mês de Outubro e nos meses seguintes.

O negócio é ficar atento e começar analisar investimentos que possam gerar mais segurança à carteira.

O Brasil gerou mais de 370 mil empregos em Agosto.

No último mês, segundo dados do CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), o Brasil gerou 372.265 empregos com carteira assinada.

Em 2021, já foram criados mais de dois milhões de novos empregos. Mas, mesmo contando com a criação de novos empregos, o desemprego, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) referente ao segundo trimestre, ficou em 14,1%.

Economia em alta?

O aumento de empregos e consequente redução do desemprego vão de alguma forma, impulsionar a economia brasileira.

Mais pessoas tendo dinheiro na mão vão gerar impactos de curto, médio e longo prazo em nossa economia.

De certa forma, as empresas vão conseguir vender mais e lucrar mais. Ótima oportunidade para ver a bolsa de valores com outros olhos.

Por outro lado, os efeitos de mais procura podem provocar o encarecimento dos produtos e serviços, devido a pouca oferta.

Somado a isso, nós ainda temos a eventual crise de energia que vem assolando diferentes países, como a China e eventualmente o Brasil (caso não haja chuvas o suficiente para repor o sistema).

Mas de qualquer forma, os dados referentes à geração de novos empregos trazem boas notícias a todo o contexto. Quem sabe a previsão do PIB possa nos gerar uma boa surpresa logo mais.

Influência sobre os investimentos

O índice Ibovespa, hoje, fechou o dia marcando valorização de 0,89%. Já o S&P 500 registrou alta de 0,16%.

Na China, o Shanghai Composite registrou desvalorização de 1,83%. Vale destacar a boa notícia referente a construtora Evergrande. A empresa divulgou a intenção de vender uma determinada quantidade de ações referente ao banco Shengjing Bank.

O valor que será levantado com a venda da posição será de aproximadamente 1,5 bilhões de dólares.

Com tal montante, a Evergrande terá condições de arcar com suas obrigações já vencidas e com as próximas.

Lógico que a crise não estará encerrada e provavelmente terá novos capítulos logo mais. Além dos índices, o real registrou boa performance frente ao dólar.

USD/BRL registrou queda de 0,25%, cotado a R$ 5,42. Já o USD/CNY alcançou valorização de 0,16%, cotado a 6,47 dólares.

Por fim, o EUR/USD desvalorizou em 0,76%, ficando em 1,16 dólares. Mesmo com a notícia de mais empregos criados, o dólar ainda não perdeu força no Brasil.

Talvez, uma previsão mais forte do PIB, possa chamar atenção do mercado e atrair investidores. Fato que pode influenciar de forma positiva em nosso câmbio.

Vale mencionar que mesmo com as duas altas seguidas do Ibovespa, o índice ainda vem se desvalorizando em 0,90% nos últimos cinco dias.

Para aqueles que veem que o índice está “barato”, talvez  esse seja um bom momento para entrar.

Apagão na China e combustível em alta no Brasil

Ambos os dados têm em comum impacto na inflação. Com o mundo tentando voltar ao ritmo de crescimento de antes da pandemia, e já conseguindo fazer isso de certa forma, os apagões na China podem reduzir a produção do país.

Por outro lado, o combustível mais caro no Brasil, vai gerar ainda mais impactos nos preços. Esse impacto virá em forma de “efeito cascata”. Observando tudo isso, o IPCA pode ficar ainda maior em 2021.

Com uma inflação maior, será que haverá mais Selic?

Aparentemente a taxa Selic vai manter o ritmo de alta de 1% em outubro e mais 1% em dezembro.

Já quando olhamos as expectativas para a inflação, aparentemente o IPCA é para terminar o ano em 8,45%.

O indicador nesse nível, com uma queda para 4% em 2022, parece coerente com uma taxa de juro chegando a no máximo 8,5% em 2022.

Porém, a inflação pode ganhar mais força ultrapassando os 9% e de repente terminando o ano ainda em 10%. Manter uma taxa de juro em 8,25% em uma situação assim, não parece ser mais tão interessante.  Observando tudo isso, é prudente que a taxa de juro aumente ainda mais.

Dólar em alta

Com um cenário ficando mais crítico e perigoso, o dólar vem ganhando força. Hoje, o USD/BRL chegou a uma valorização de 0,68%, chegando a R$ 5,43.

Já o câmbio entre USD/CNY registrou valorização de 0,05% e EUR/USD ficou em 0,11% de desvalorização.

Observando o contexto desafiador que vem se instaurando no Brasil e no mundo, o Ibovespa registrou mais perdas, chegando a uma desvalorização de 3,05%.

O S&P 500 registrou queda de 2,04% e o Shanghai Composite alcançou uma alta de 0,54%. Ao analisar as oportunidades de investimentos, é possível determinar que a bolsa vem se tornando cada vez mais interessante, principalmente quando olhamos o Ibovespa.

Outra classe de investimento que vem ganhando notoriedade são os fundos imobiliários. Há fundos que vem entregando bons rendimentos a um preço atraente.

Fundos como CTPS11 vem registrando um dividend yield de 1,02% ao mês. Lembrando que as distribuições dos FII são isentas de Imposto de renda.

Outro fundo de fundo que vem entregando boa rentabilidade é IRDM11. O FII vem registrando um yield de 1,02% ao mês também.

Para aqueles que procuram alternativas para construir renda, os fundos de fundos, como CTPS11 e IRDM11, podem ser boas soluções.

Expectativa para inflação piora

Outros indicadores como o PIB e a Selic permaneceram no mesmo patamar. Respectivamente em 5,04% e 8,25% ao ano.

Inflação restritiva por si só

A alta dos preços de diferentes produtos e serviços já vem se tornando restritiva por si só. O dinheiro vem perdendo o seu poder de compra e isso pode ganhar ainda mais força no ano que vem.

Mesmo com as estimativas que a inflação possa perder força e se manter dentro da meta, a inflação no momento ainda mostra resiliência.

A alta de 1% na taxa Selic pode não surtir o efeito desejado e aumentos ainda maiores podem ser necessários para reduzir a inflação.

O cenário de “estagflação” é algo plausível. Em um contexto assim, o Brasil estaria vendo o seu PIB definhar junto de uma inflação alta.

Tecnicamente, a inflação é provocada pelo aumento dos preços, sendo que esse é influenciado por várias coisas.

Dentre elas o descontrole das contas públicas. Mesmo observando uma redução da dívida/PIB, o Brasil não vem conseguindo fazer o seu dever de casa no âmbito fiscal. Sendo que uma das evidências disso, é a tentativa de conseguir postergar parte dos pagamentos dos precatórios, uma vez que o teto de gastos impede o aumento do auxílio Brasil.

Ao analisar toda a situação, o ano de 2022 pode ser desafiador. Ainda mais quando existem eleições para o mesmo ano.

O que fazer para aproveitar as oportunidades ou se defender?

Olhando o cenário com certo pessimismo, o negócio seria alocar parte dos recursos em dólares ou remanejar parte do portfólio para atender uma proteção maior da carteira.

Hoje, o dólar, USD/BRL, já encerrou o dia em alta, cotado a R$ 5,39 (aumento de 1%). O contexto externo também é turbulento, porém, outras moedas não sofreram com a volatilidade.

O USD/CNY registrou desvalorização de 0,1485% e o EUR/USD alcançou depreciação de 0,21%. Às vezes o ouro também pode ser cogitado como um investimento atraente para momentos de crise, mas, como o cenário se agravou no Brasil, o ouro aqui se valoriza devido ao dólar, mas não por motivos do aumento da procura do metal.

É claro que se o caso da Evergrande ganhar novidades piores, então o ouro pode sim fazer parte da proteção do investidor.

Para tentar captar oportunidades no momento, o investimento em renda fixa atrelada ao CDI, pode ser uma boa opção.

Outro investimento interessante é a bolsa. O S&P 500 vem se valorizando em 2021 em  20,06% enquanto o Ibovespa registra queda de 4,44%. Se o Ibovespa corrigir essa disparidade em algum momento, os ganhos serão ótimos.

Inflação em alta reduz a expectativa de consumo

Com a inflação ganhando força e passando para diferentes setores da economia, o consumo vem perdendo força.

O dinheiro recebido não consegue acompanhar a evolução dos preços e isso vai tirando o apetite do consumidor.

Selic não é o principal inimigo

Em momentos de inflação alta, normalmente o inimigo é a própria taxa de juro. A taxa de juro tem um caráter restritivo e pode reduzir o consumo de produtos de alto valor, como a compra de imóveis ou veículos.

Mas com a inflação mais “entranhada” em nossa economia, os preços que vem ganhando força são de produtos de consumo básico, como os alimentos e itens de higiene.

Isso tem influenciado no hábito de consumo de todas as famílias, sem exceção. Inclusive, observando o grau de aumento da inflação, é possível que a Selic chegue a um patamar ainda mais elevado até o final de 2021.

Lembrando que até o final do ano, ainda existem mais duas reuniões. Dependendo da alta do IPCA nos próximos meses, é possível que a taxa seja elevada em mais do que 1% por reunião.

Influência nos investimentos

Para a bolsa subir, o cenário político precisa dar sinais de calma e a economia precisa crescer. Outro indicador que influencia é o desemprego.

Um desemprego menor significa que há mais pessoas ocupadas e mais pessoas dispostas a consumir. O desemprego maior pode reduzir ainda mais a gama de pessoas consumidoras levando a mais aperto na economia.

Outro ponto é o dólar. Nos últimos cinco dias o dólar vem subindo em mais de 1,22%. Essa alta impacta combustíveis, preços de vários produtos e demais segmentos.

Querendo ou não, o dólar maior só vai municiar ainda mais a inflação. O USD/BRL no momento está em R$ 5,32. Enquanto isso, outros mercados convivem com uma taxa de câmbio muito mais estável.

Mesmo com toda a crise provocada pela construtora Evergrande, a paridade entre o dólar e Yuan continua bem equilibrada.

O USD/CNY nos últimos cinco dias vem marcando queda de 0,0046%, com a cotação em 6,47 Yuan.

Já o EUR/USD vem marcando desvalorização de 0,0014% com uma cotação em 1,17 dólares. Com a crise provocada pela Evergrande, índices chineses vêm sofrendo bastante e isso pode ser uma oportunidade de investimento.

Para aproveitar esse momento, no Brasil existem algumas alternativas, dentre elas o ETF XINA11. Para investir no mesmo basta ter pouco menos de R$ 10,00.

O ETF XINA11 vem registrando desvalorização de 17,5% em 2021. Vale destacar que ainda em 2021, antes de eclodir a crise da Evergrande, XINA11 tinha alcançado uma valorização de mais de 22%.

A Saga dos Precatórios.

Com a lei do teto de gastos, sancionada em 2016, o governo federal tem um limite de gastos, sendo que a peça orçamentária desenvolvida até o momento, não está fechando.

O que está por trás dos precatórios?

Sem um aumento de despesas ou investimentos, o governo federal não teria dificuldades para fechar o orçamento de 2022.

Porém, existe a intenção do governo federal em aplicar os programas sociais do governo. Isso vai gerar benefícios a milhões de pessoas que passam dificuldades.

Mas, devido ao custo do programa, o orçamento não fecha. Por isso, observando todos os empenhos que serão necessários fazer em 2022, o governo federal viu nos precatórios uma possibilidade de “ajustar” o orçamento e encaixar o aumento de despesas e investimentos.

Vale destacar que o total dos pagamentos em precatórios para 2022 está próximo dos 89 bilhões de reais e o governo federal está costurando um acordo com o congresso para reduzir o valor a 39.9 bilhões para 2022.

O restante do valor dos precatórios ficará para os anos seguintes. Assim, o governo federal consegue fechar o orçamento de 2022 sem ferir a lei de responsabilidade fiscal.

Precatórios influenciando o mercado

O Brasil, por ser um país considerado em desenvolvimento é por muitos, avaliado como um país de risco.

Portanto, questões políticas e fiscais são analisadas constantemente por grandes investidores, bancos e demais “players” do mercado.

Observando isso, no momento em que existe a possibilidade do orçamento estourar o teto ou de ocorrer algum ajuste no teto de gastos, a fim de encaixar as despesas e investimentos, os investidores ficam receosos. Será que isso não vai acontecer mais vezes?

Outro ponto que levanta dúvida no mercado está relacionado a uma espécie de “calote” que o governo está provocando com a postergação dos precatórios.

Como tais títulos tinham data para serem pagos em 2022, o fato de não cumprir com o pagamento, dá a entender que o governo federal está dando um pequeno calote nos credores dos precatórios.

As especulações sobre o tema vêm ganhando as notícias e o tema ainda não está encerrado. O ministério da economia ainda trata de uma solução para o impasse junto ao congresso nacional.

Enquanto isso, a quinta-feira foi boa para os mercados: USD/BRL registrou alta de 0,27%, USD/CNY desvalorizou em 0,05% e o EUR/USD obteve pequena valorização de 0,005%.

Com a taxa de juro maior, os títulos de renda fixa permanecem atraentes e vão continuar por um bom tempo.

Títulos prefixados não são uma boa alternativa agora, ainda mais que o juro pode subir e continuar subindo em 2022.

O Ibovespa registrou alta de 1,59%, já o S&P 500 obteve alta de 1,21% e o Shanghai Composite alta de 0,38%.

Taxa Selic em 6,25% ao ano.

Com o aumento do juro as aplicações em renda fixa, principalmente aquelas atreladas ao CDI (taxa do Certificado de Depósito Interbancário) e a própria Selic, vão gerar rendimentos ainda maiores.

Por outro lado, a captação de crédito, financiamentos e empréstimos vai ficar mais cara, fato que pode frear o ímpeto econômico nacional.

Quais os efeitos do juro maior sobre a economia?

Com o aumento do juro, o crédito vai ficar mais caro. Sendo que há dois ativos que são adquiridos por meio do crédito que podem sofrer grande impacto, eles são:

·         Os veículos;

·         E imóveis.

Boa parte da população não tem condições de efetuar a compra de um carro ou uma casa à vista. Normalmente é feito um financiamento e assim a pessoa consegue fazer a compra.

Com o juro maior, o financiamento também se torna mais oneroso e isso pode gerar impactos sobre a economia.

Se menos pessoas tiverem condições de conseguir um financiamento, menos pessoas vão trabalhar na construção civil e possivelmente, mais pessoas estão desempregadas.

Portanto, a alta do juro pode gerar impactos negativos no médio prazo. Aqueles que têm receio do futuro, ou que concordam que o juro pode continuar subindo nas próximas reuniões do COPOM, o negócio é construir uma boa reserva financeira, alocando os recursos em ativos atrelados ao CDI ou à Selic e com alta liquidez.

Juro alto e dólar

O BC divulgou o aumento do juro após o encerramento do mercado, por isso, ainda não há como mensurar os efeitos do juro maior no mercado.

Observando os últimos cinco dias, o USD/BRL vem se mantendo bem estável, na casa dos 5,29. Mesmo com a crise da Evergrande (incorporadora chinesa), o dólar não chegou a encerrar os últimos pregões acima dos R$ 5,35, por exemplo.

Em comparação a relação do dólar com outras divisas, como é o caso do EUR/USD, os últimos cinco dias do Euro vem mostrando performance negativa, com queda próxima de 0,3%.

Já o USD/CNY vem registrando desvalorização de 0,06%. Ou seja, mesmo com toda a crise da Evergrande, o Yuan ainda vem conseguindo se manter, ou até se valorizar frente ao dólar.

Com um cenário assim, o Brasil ainda possui uma divisa fragilizada que pode sofrer grandes oscilações caso a situação externa piore.

Portanto, a taxa Selic deverá crescer ainda mais para conseguir atrair os investidores externos. É claro, se a economia der sinais de melhora, com indicadores mostrando boa performance é possível que o capital externo entre no Brasil em maior volume, sem que a Selic seja o principal motivo.