Dólar zera alta após superar R$5,75; Guedes domina atenções

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) -O dólar à vista zerou os ganhos de mais cedo e esboçava queda na tarde desta sexta-feira, deixando para trás máximas do dia acima de 5,75 reais, com o noticiário em torno do ministro da Economia, Paulo Guedes, dominando o foco de participantes do mercado.

Às 14:26, o dólar recuava 0,08%, a 5,6640 reais na venda, depois de tocar 5,7551 reais no pico do dia, alta de 1,53%. Na B3, o dólar futuro de primeiro vencimento bateu mais cedo 5,7615 reais, pico desde 13 de abril, antes de zerar a alta e operar em torno de 5,6725 reais.

Participantes do mercado repercutiam informações de que Guedes não deixará o cargo, depois que o cancelamento de sua participação em evento nesta sexta-feira intensificou rumores sobre o descontentamento do ministro com os planos do governo de desrespeitar o teto de gastos.

Duas fontes do Ministério da Economia com conhecimento direto do assunto disseram à Reuters que Guedes não pediu demissão.

Mais cedo, o ministro havia cancelado participação que faria em evento da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) nesta sexta-feira, segundo a assessoria de imprensa da entidade. Na quinta, ele já havia cancelado participação em outro evento.

Os mercados seguem atentos ao rumo da política econômica, depois que a confirmação da intenção do governo de contornar o teto fiscal para financiar o Auxílio Brasil levantou temores de descontrole das contas públicas, com profissionais vendo a medida como populista.

Enquanto isso, os juros futuros também mostravam arrefecimento em suas altas, depois de as taxas de alguns vencimentos chegarem a disparar mais de 100 pontos-base mais cedo. As taxas mostravam alta de 15 a 42 pontos-base ao longo da curva até janeiro de 2027.

(Por Luana Maria Benedito; edição de José de Castro)

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Wall St vira para baixo após falas de Powell sobre corte de estímulos

O Dow e o S&P 500 bateram recordes no início da sessão, com ganhos da American Express, antes de Powell dizer que o banco central dos EUA está “no caminho certo” para começar a reduzir suas compras de ativos.

“Toda vez que ele (Powell) falou sobre a redução gradual de estímulos até agora, os mercados não ficaram incomodados com isso, mas agora, em níveis recordes, investidores tendem a ser um pouco mais sensíveis a essas notícias”, disse Randy Frederick, diretor administrativo de negociação e derivativos para a Charles Schwab em Austin, Texas.

O índice de referência S&P 500 ainda está a caminho de sua terceira semana consecutiva de ganhos, em alta de cerca de 1,4% no período.

Sete dos 11 principais índices setoriais do S&P 500 ainda estavam em alta no início da tarde, enquanto o setor de serviços de comunicação caía mais de 2% ao ser atingido por uma queda nos gigantes da mídia social.

Facebook Inc cedia 5,7%, e Twitter Inc perdia 4,4%, depois de o Snap Inc dizer que mudanças de privacidade da Apple Inc em dispositivos iOS prejudicaram a capacidade da empresa de direcionar e medir sua publicidade digital. As ações do Snap despencavam 25,3%.

Às 13:38 (horário de Brasília), o índice Dow Jones subia 0,1%, a 35.638 pontos, enquanto o S&P 500 perdia 0,369029%, a 4.533 pontos. O índice de tecnologia Nasdaq recuava 0,87%, a 15.083 pontos.

PESQUISA-Cresce aposta em alta mais forte da Selic em meio a temores fiscais

Por Gabriel Burin

O Comitê de Política Monetária (Copom) manterá sua postura agressiva, com seus membros possivelmente expressando preocupações sobre a introdução de novos planos de gastos sociais que podem minar o teto de gastos.

Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, se tornou o presidente de BC mais agressivo neste ano, elevando a Selic em 425 pontos-base, mesmo com a economia ainda se recuperando de uma recessão relacionada à pandemia do coronavírus.

Enquanto a mediana das estimativas de 31 economistas em pesquisa realizada de 18 a 22 de outubro refletia expectativa de aumento da taxa Selic de 6,25% para 7,25% na reunião de 27 de outubro, quatro bancos globais elevaram suas projeções em 25 pontos-base ou mais nas últimas 24 horas.

JPMorgan Chase & Co, Morgan Stanley e Credit Suisse agora estão prevendo aumento de 125 pontos-base. O UBS está mirando 150 pontos-base. Os quatro credores publicaram suas opiniões atualizadas entre a véspera e esta sexta-feira.

Powell diz ser hora de reduzir estímulos, mas não de subir juros

Por Lindsay Dunsmuir e Ann Saphir

“Acho que é hora de diminuir (estímulos); não acho que é hora de aumentar as taxas (de juros)”, disse Powell em fala antes de uma conferência. “Achamos que podemos ser pacientes e permitir que o mercado de trabalho se recupere.”

Essa perspectiva, enfatizou Powell, é apenas o caso mais provável, acrescentando que se a inflação –já mais alta e durando mais do que o esperado anteriormente– subir persistentemente, o Fed agirá.

“Nossa política (monetária) está bem posicionada para gerenciar uma série de resultados plausíveis”, disse ele.

O Fed está prestes a começar a retirar parte de seu apoio da era da crise quando iniciar a redução de seus 120 bilhões de dólares em compras mensais de títulos do Tesouro e títulos lastreados em hipotecas, medida que sinalizou que poderia acontecer no mês que vem.

O banco central, no entanto, está enfrentando um delicado equilíbrio em seu mandato duplo de buscar o pleno emprego e preços estáveis.

Os preços ao consumidor têm subido mais do que o dobro da meta de 2% do Fed, mas o emprego ainda está bem abaixo do nível pré-pandemia.

E, observou Powell, “as restrições de oferta e a inflação elevada provavelmente durarão mais do que o esperado anteriormente e até o próximo ano, e o mesmo se aplica à pressão sobre os salários”.

O caso mais provável é que as pressões inflacionárias diminuam e o crescimento do emprego retome seu ritmo do verão passado (nos EUA), disse ele, mas “se víssemos um risco de inflação subindo persistentemente, certamente usaríamos nossas ferramentas”.

Por enquanto, o Fed vai assistir e esperar, disse ele.

“Embora esteja próximo o momento de reduzirmos nossas compras de ativos, seria prematuro apertar a política monetária usando os juros agora, com o efeito e a intenção de desacelerar o crescimento do emprego, quando há boas razões para esperar que voltemos a um crescimento robusto do emprego e que as restrições de oferta diminuam; com ambos teríamos o efeito de aumentar o produto potencial da economia”, disse.

MG tem falta de combustível por bloqueio em distribuidoras; protesto acaba no Rio

Por Roberto Samora

Segundo ele, a escassez é mais sentida na região metropolitana de Belo Horizonte, onde filas de veículos se formam para abastecimento. Minas Gerais é o segundo maior mercado de combustíveis no Brasil, atrás de São Paulo, segundo a federação.

As ações das principais distribuidoras de combustíveis, incluindo Vibra e Raízen, apresentavam queda acentuada nesta sexta-feira, diante de preocupações com a abrangência dos protestos realizados pelos chamados “tanqueiros”, que são transportadores de combustíveis, cujos preços têm pressionado a inflação e custos no país.

“Tem uma quantidade grande de postos em Belo Horizonte que já estão secos, nos poucos que ainda tem (combustível), está ocorrendo uma corrida aos postos, está todo mundo rodando a cidade, e já formam filas enormes”, disse Soares.

Os “tanqueiros” reivindicam principalmente uma redução da alíquota do ICMS no diesel, para eventualmente conseguirem redução de custos. A bandeira é a mesma do presidente Jair Bolsonaro, que responsabiliza governos estaduais pelo aumento dos preços dos combustíveis devido ao tributo.

“Se não houver acordo imediato (com os tanqueiros), mais um dia vai estar todo mundo seco”, acrescentou o presidente da Fecombustíveis, que representa postos no Brasil.

O presidente da associação, ele próprio dono de postos que já estão com tanques secos, disse ainda em entrevista por telefone que as bases das distribuidoras em Betim, na região da refinaria Gabriel Passos, da Petrobras, estão fechadas desde quinta-feira às 6h.

“Não saiu nenhum caminhão das bases, os que saíram foram com escolta policial”, disse ele, relatando informações de alguns veículos que tentaram sair e foram apedrejados.

O presidente da Fecombustíveis disse que as bases de Betim atendem a um raio de cerca de 350 km.

A assessoria de imprensa do sindicado dos tanqueiros de Minas Gerais (Sindtanque) confirmou que o protesto continuava nesta manhã de sexta-feira. Afirmou que os manifestantes só liberam a saída de combustíveis para hospitais e aeroportos.

A principal reivindicação é a redução da alíquota do ICMS do diesel de 15% para ao menos 12%.

Procurado, o governo de Minas Gerais não comentou o assunto imediatamente.

As grandes distribuidoras de combustíveis, como Vibra (ex-BR), Raízen, joint venture da Shell com Cosan, e Ipiranga, do grupo Ultra preferiram não comentar o assunto.

As empresas encaminharam o tema para o IBP, associação que representa as companhias, que não se manifestou imediatamente nesta sexta-feira após ser procurado.

As ações da Vibra tinham queda de quase 5% por volta das 11:20, as da Raízen caíam mais de 5%, assim como as da Ultrapar.

Um protesto semelhante realizado em importante base de distribuição de Duque de Caxias (RJ) foi encerrado na noite de quinta-feira, segundo o Sindcomb, entidade que representa revendedores de combustíveis do Rio de Janeiro.

“O risco de desabastecimento de combustíveis, por ora, está descartado na Cidade do Rio de Janeiro. As bases das companhias distribuidoras reabriram às 20h desta quinta-feira (21/10) e retomaram os carregamentos de gasolina, óleo diesel e etanol hidratado”, disse o Sindcomb.

Segundo o sindicato, o abastecimento aos caminhões FOB (“Free On Board”, de proprietários particulares) e CIF (“Cost, Insurance and Freight”, de propriedade das distribuidoras) vai seguir no fim de semana, “de modo a atender à demanda reprimida por conta da paralisação dos tanqueiros”.

 

(Por Roberto Samora; com reportagem adicional de Marta Nogueira)

Renault corta produção anual em 500 mil veículos devido à escassez de chips

Por Nick Carey

Falando com analistas, a diretora financeira da Renault, Clotlide Delbos, disse que a visibilidade da montadora sobre a escassez de chips no quarto trimestre “ainda era muito ruim porque as informações dos fornecedores eram incertas”.

Delbos disse que a escassez de chips deve diminuir um pouco até dezembro com o fim de um bloqueio por Covid-19 na Malásia, mas disse que permanecerá restrito durante grande parte de 2022.

Questionada sobre outras matérias-primas, ela disse que a Renault não enfrenta escassez, mas aumentos de preços.

A previsão da montadora francesa é mais do que o dobro das 220 mil unidades previstas no início de setembro e representa cerca de 13% dos 3,75 milhões de veículos vendidos pela Renault em 2019 antes da pandemia.

A lista de espera de pedidos atingiu um pico de 15 anos no final de setembro, para o equivalente a 2,8 meses de vendas.

No terceiro trimestre, os modelos elétricos, híbridos plug-in e híbridos representaram mais de 31% das vendas da Renault.

A Renault disse que a receita do terceiro trimestre caiu 13,4%, a 8,98 bilhões de euros, de 10,37 bilhões um ano antes, com os preços mais altos ajudando a compensar parte da queda de 22,3% nas vendas globais.

A empresa reiterou que sua margem operacional para o ano será de cerca dos 2,8% reportados no primeiro semestre.

Delbos disse que a empresa concluirá um plano de corte de custos de 2 bilhões de euros nas próximas semanas, mais de um ano antes do previsto.

A montadora disse que terá fluxo de caixa livre positivo para seus negócios automotivos em 2021, excluindo mudanças nas necessidades de capital de giro. Essa meta será impulsionada por um dividendo de 930 milhões de euros de seu braço financeiro RCI Banque, disse Delbos.

A Renault disse que os estoques de veículos caíram para 340 mil carros no final do trimestre, ante 470 mil no ano anterior.

(Reportagem de Nick Carey)

Bancos passam a ver alta mais forte do juro na próxima semana e taxa acima de 10% em 2022

Por José de Castro

O UBS BB foi o mais agressivo até o momento e passou a ver alta dos juros de 150 pontos-base nas duas últimas reuniões do Copom de 2021, ante 100 pontos-base para cada do cenário anterior.

Com mais aperto contratado para o começo de 2022, a taxa básica de juros da economia concluiria o ano que vem em 10,25% nominal, maior patamar desde julho de 2017 e 825 pontos-base acima da mínima histórica de 2% que vigorou entre agosto de 2020 e março de 2021. A Selic está atualmente em 6,25%.

“O que for preciso é, de fato, o que for preciso”, disse o UBS BB em relatório, fazendo referência a fala recente do presidente do BC, Roberto Campos Neto, de que a autarquia fará o “que for preciso” para a ancoragem da inflação no médio e longo prazos.

Ainda na quinta, o Morgan Stanley elevou a 125 pontos-base o prognóstico de aperto monetário na próxima reunião do Copom. Para a instituição financeira, “125 pontos-base agora são os novos 100 pontos-base” –referindo-se à indicação do BC de não antecipar aumentos de forma agressiva.

Para o Morgan, contudo, agora ser mais duro na política monetária seria elevar os juros em 150 pontos-base –número precificado na curva de DI.

O banco diz que vai monitorar quatro itens principais.

Qualquer pista sobre a magnitude do ritmo da próxima reunião em dezembro estará no foco, assim como se os membros do Copom mencionarão explicitamente os riscos específicos do regime fiscal –decorrentes do possível enfraquecimento da principal âncora fiscal do Brasil–, em vez da menção mais moderada de riscos às contas públicas que normalmente incluem nas comunicações.

Além disso, a atenção se volta também para as projeções de inflação do BC para o próximo ano com novas premissas de câmbio, juros e preços de energia, assim como para a deterioração de expectativas de inflação e indicadores centrais desde a reunião anterior.

A magnitude de aumento de 125 pontos-base para a próxima semana agora é prevista também pelo Credit Suisse, que calcula ainda outra elevação de 125 pontos-base em dezembro e mais duas altas adicionais no começo de 2022 –a primeira de 100 pontos-base e a segunda de 75 pontos-base, levando a Selic a 10,5% ao fim do ano que vem.

“Embora a decisão final (sobre o teto de gastos) ainda esteja para ser vista, em nossa opinião ambas as soluções (para o impasse) representam uma mudança no quadro fiscal do Brasil e uma piora dos fundamentos e vão exigir ação mais assertiva da política monetária para ancorar expectativas de inflação e reduzir o atual patamar de inflação para o centro da meta”, disse o Credit Suisse em nota.

Na véspera, outro grande banco estrangeiro, o JPMorgan, havia aumentado a 125 pontos-base sua projeção de adição da taxa Selic pelo Banco Central nas próximas duas reuniões do Copom, com o BC forçado a acelerar o ritmo de aperto monetário devido à deterioração do balanço de riscos para os preços.

A onda de ajustes foi ditada pela percepção de piora do cenário para as contas públicas –que impacta inflação– após o governo pressionar por uma aumento do Auxílio Brasil (novo Bolsa Família) em parte bancado com recursos fora do teto de gastos.

A perspectiva de fim da âncora fiscal provocou uma liquidação nos mercados brasileiros na quinta, que se estendia para esta sessão, com nova alta do dólar e dos juros futuros e queda da bolsa.

 

(Edição de Luana Maria Benedito)

Nasdaq abre em queda após alerta da Intel; Dow e S&P tocam máximas recordes

Às 10:45 (horário de Brasília), o índice Dow Jones subia 0,37%, a 35.736 pontos, enquanto o S&P 500 perdia 0,169679%, a 4.542 pontos. O índice de tecnologia Nasdaq recuava 0,38%, a 15.158 pontos.

Os índices Dow Jones e S&P 500 tocaram máximas recordes intradiárias pouco depois da abertura.

(Por Devik Jain)

Atividade empresarial nos EUA acelera em outubro; escassez prejudica fábricas, mostra IHS Markit

Por Lucia Mutikani

A provedora de dados IHS Markit informou nesta sexta-feira que a leitura preliminar de seu índice PMI composto, que rastreia os setores de manufatura e serviços, se recuperou para 57,3 na primeira metade deste mês, ante 55,0 em setembro. Leitura acima de 50 indica crescimento do setor privado.

O ressurgimento das infecções por coronavírus, impulsionado pela variante Delta, pesou sobre a demanda por serviços em empresas voltadas ao consumidor, como restaurantes, hotéis e viagens aéreas. Junto com a escassez em quase todos os setores, o surto de infecções restringiu a atividade econômica.

As estimativas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para o terceiro trimestre estão majoritariamente abaixo de uma taxa anualizada de 3%. A economia cresceu 6,7% no segundo trimestre.

O governo divulgará o dado preliminar do PIB do terceiro trimestre na próxima quinta-feira.