O que esperar do petróleo em 2022?

De acordo com a International Energy Agency (IEA), o consumo de petróleo deve melhorar para 99,53 milhões de barris por dia (bpd), ante 96,2 milhões bpd neste ano, ficando a apenas um fio do consumo diário de 2019 de 99,55 milhões de barris. 

Isso, é claro, dependerá de o mundo colocar a nova variante Omicron da Covid-19 rapidamente sob controle.

A maior demanda de petróleo pressionará a OPEP e a indústria de xisto dos Estados Unidos para atender à demanda. 

Já entre os fatores relacionados à oferta, há fatores diversos que deverão movimentar o volume de produção ao longo dos próximos períodos.

Vários países da OPEP têm lutado para aumentar a produção, enquanto a indústria de xisto dos Estados Unidos tem lidado com as pressões investidores para conter os gastos. 

Até agora, a indústria de xisto dos EUA não respondeu aos preços mais altos do petróleo como havia feito anteriormente, com a produção geral dos EUA em média 11,2 milhões de bpd em 2021, em comparação com um recorde de quase 13 milhões de bpd no final de 2019. 

Espera-se que a produção dos EUA apenas aumente em 700.000 b/d em 2022 para 11,9 b/d, de acordo com o vice-presidente sênior de análise da Rystad Energy, Claudio Galimberti. 

Canadá, Noruega, Guiana e Brasil poderiam tentar preencher a lacuna de oferta e demanda, mas vários apostadores de Wall Street estão apostando que não será o suficiente e os preços do petróleo continuarão elevados.

Para o banco britânico Barclays, o preço do contrato WTI aumentará da taxa atual de US$ 73 para um preço médio de US$ 77 em 2022, observando que a venda de petróleo da Reserva Estratégica de Petróleo pelo governo Biden não é uma forma sustentável de derrubar preços. 

O Barclays entende que os preços podem subir ainda mais do que a previsão se os surtos de COVID-19 forem minimizados e, assim, permitir que a demanda cresça mais do que o esperado. 

O Goldman Sachs compartilha dessa perspectiva otimista e previu um preço do Brent de US$ 85 por barril em 2023, em comparação com os atuais US$ 76,30.

Aumento de custos e produção nos EUA

A indústria de petróleo dos EUA está enfrentando um aumento acentuado nos custos de produção, revelou a última edição da pesquisa de energia do Fed Dallas.

A pesquisa descobriu que, embora a atividade no canteiro de petróleo continuasse a se recuperar durante o quarto trimestre e a produção aumentasse mais rapidamente, os custos também aumentaram, pelo terceiro trimestre consecutivo, e aumentaram acentuadamente.

Em termos de expectativas de preços, o setor está cautelosamente otimista. 

Questionados sobre o preço que suas empresas estão usando para planejar seus gastos de capital, quase um terço disse que estava entre US$ 65 e US$ 70 o barril. 

Uma porção menor de cerca de 25% disse que faria um orçamento com base nos preços do petróleo de US$ 70 a US US$ 75 por barril.

Outra pergunta feita foi sobre os planos de expansão da produção em 2022. De acordo com 49% dos entrevistados na pesquisa, “aumentar a produção” era a meta principal de suas empresas. 

Apenas 15% escolheu como meta principal manter os níveis de produção atuais. Para 13% dos entrevistados, a redução da dívida era a meta principal para 2022.

Ibovespa sobe e dólar cai com resultados fiscais melhores em novembro

O bom resultado das contas públicas animou os investidores no último pregão do ano.

Segundo informação do Banco Central, o setor público consolidado registrou superávit primário de R$15,0 bilhões em novembro, ante déficit de R$ 18,1 bilhões em novembro de 2020. 

Em doze meses, o superávit alcançou R$ 12,767 bilhões, ou 0,15% do PIB.

O resultado é positivo pois indica que as contas públicas estão sob controle, o que deve gerar menores pressões inflacionárias nos próximos períodos, caso seja mantido a trajetória atual.

Com isso, o Ibovespa subia 0,62% até às 11h58, alcançando os 104.778 pontos. Já o dólar caia 2,28%, cotado a R$ 5,573.

Resultado fiscal de novembro

O Governo Central e os governos regionais registraram, na ordem, superávits de R$ 3,5 bilhões e R$ 11,7 bilhões, e as empresas estatais, déficit de R$ 238 milhões. 

No acumulado no ano, o setor público consolidado registrou superávit primário de R$64,6 bilhões, ante déficit de R$651,1 bilhões no mesmo período de 2020. 

Nos últimos doze meses, o setor público consolidado atingiu superávit primário de R$ 12,8 bilhões (0,15% do PIB), resultado que havia sido deficitário em R$ 20,4 bilhões (0,24% do PIB) no acumulado em doze meses até outubro. 

Os juros nominais do setor público consolidado, apropriados por competência, alcançaram R$ 41,6 bilhões no mês, comparativamente a R$ 2,0 bilhões em novembro de 2020. 

Essa evolução foi influenciada pelo resultado menos favorável das operações de swap cambial no período (ganhos de R$ 25,3 bilhões em novembro de 2020 e de R$ 3,0 bilhões em novembro de 2021), e pelo aumento da taxa Selic. 

No acumulado em doze meses, os juros nominais alcançaram R$ 418,0 bilhões (4,86% do PIB), ante R$ 313,4 bilhões (4,23% do PIB) nos doze meses terminados em novembro de 2020. 

O resultado nominal do setor público consolidado, que inclui o resultado primário e os juros nominais apropriados, foi deficitário em R$ 26,6 bilhões em novembro de 2021.

No acumulado dos últimos doze meses, o déficit nominal alcançou R$ 405,2 bilhões (4,71% do PIB), ante R$ 398,7 bilhões (4,68% do PIB) no acumulado até outubro.

Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) e Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG)

A DLSP atingiu 57,0% do PIB (R$4,9 trilhões) em novembro, reduzindo-se 0,1 p.p. do PIB no mês.

Esse resultado refletiu, em especial, os impactos do crescimento do PIB nominal (redução de 0,5 p.p.), do superávit primário (redução de 0,2 p.p.) e dos juros nominais apropriados (aumento de 0,5 p.p.). 

No ano, a relação DLSP/PIB reduziu-se 5,5 p.p., evolução decorrente sobretudo dos efeitos do crescimento do PIB nominal (redução de 8,3 p.p.), da desvalorização cambial acumulada de 8,1% (redução de 1,3 p.p.), do superávit primário (redução de 0,8 p.p.), dos juros nominais apropriados (aumento de 4,6 p.p.) e da variação da paridade da cesta de moedas que integram a dívida externa líquida (aumento de 0,4 p.p.).

A DBGG – que compreende governo federal, INSS e governos estaduais e municipais – atingiu 81,1% do PIB (R$7,0 trilhões) em novembro, reduzindo-se 1,1 p.p. do PIB no mês.

Essa evolução decorreu basicamente dos resgates líquidos de dívida (redução de 1,0 p.p.), do crescimento do PIB nominal (redução de 0,8 p.p.), e da incorporação de juros nominais (aumento de 0,6 p.p.). 

No acumulado do ano, a redução de 7,5 p.p. na relação DBGG/PIB decorreu sobretudo do crescimento do PIB nominal (redução de 11,7 p.p.), dos resgates líquidos de dívida (redução de 1,4 p.p.), da incorporação de juros nominais (aumento de 5,1 p.p.) e da desvalorização cambial (aumento de 0,5 p.p.).

Em 2022, o rumo da bolsa (e da economia) dependerá do preço do petróleo

O Banco Central do Brasil (BC) já deixou claro que perseguirá implacavelmente a inflação, nem que isso tenha que custar a recuperação econômica e os empregos.

Para Roberto Campos Neto, presidente do BC, é preciso criar um choque recessivo para colocar a inflação no lugar e, no longo prazo, permitir que a economia cresça de forma sustentável.

O problema é que, como já mostrei aqui, o Banco Central (BC) está lutando com instrumentos errados, de modo que seus esforços têm pouco contribuído para controlar as principais variáveis que determinaram o ritmo da inflação desde o início da pandemia: o câmbio e os combustíveis.

O fato é que o descontrole do nível de preços é um fenômeno global, verificado em praticamente todos os países do mundo.

A principal crítica de alguns economistas é que os juros é um instrumento usado para combater a inflação quando esta é derivada de fatores de demanda e não de oferta, como é o caso de agora.

As restrições de mobilidade para o combate da pandemia desequilibrou as cadeias globais de produção e interrompeu o fornecimento de commodities e componentes industriais.

A forte subida do petróleo encareceu os combustíveis. No ano, só a gasolina aumentou mais de 70%. Isso torna os combustíveis o principal vilão da alta inflacionária.

Só esse componente foi responsável por 0,72 pontos percentuais do IPCA total de novembro, que ficou em 0,95%. Enquanto isso, os preços dos outros grupos, como alimentos, bebidas, saúde e gastos pessoais vêm caindo consideravelmente nos últimos meses.

Banco Central persegue algo que não pode controlar

Ao insistir no forte choque monetário, que levou a Selic de 2% para 9,75% em menos de um ano, o Banco Central se mostra como reagente de um fator externo que não está ao seu alcance. 

Isso porque a política de preços da Petrobras tem feito ajustes nos combustíveis com base no preço da commodity energética no mercado internacional.

Em relação a isso, não é difícil perceber que o BCB tem pouco poder para afetar os preços do petróleo no mundo.

Dessa forma, o futuro da inflação brasileira (e da economia como um todo) está, indiretamente, nas mãos dos negociantes de petróleo. Se estes aumentarem a demanda pelos contratos de compra, podemos esperar a manutenção da inflação nos próximos meses. Consequentemente, isso induzirá o BC reagir com mais aumentos de juros (além dos quais já estão programados). 

Como resultado, tanto a bolsa de valores quanto a economia podem ir pro vinagre, pois é inviável esperar investidores e empresários tomando risco em um cenário de estagnação e com juros maiores do que 12% ao ano.

O contrário ocorrerá se o petróleo melhorar de preço no mercado internacional. A queda dos combustíveis arrefecerá a inflação e poderá acalmar a mão pesada do BC sobre os juros.

Esse cenário causará uma melhora nas expectativas dos investidores, que irão correr para a renda variável motivados pela visão de um horizonte com juros mais baixos.

Resumindo: tudo dependerá de onde o petróleo irá nos próximos meses. Portanto, você, investidor brasileiro, fique atento a isso.

BC mira inflação mas acerta a recessão

Se tem uma coisa que a autoridade monetária brasileira tem total poder é de determinar os rumos do mercado financeiro e da atividade econômica.

Primeiramente, temos que o aumento desenfreado dos juros afetou fortemente o Ibovespa, que, desde junho, caiu cerca de 20% com o encarecimento do capital.

Mas não é só de bolsa de valores que vive a população, não é mesmo?

O aperto na Selic também tem penalizado intensamente a atividade econômica, jogando o país para uma recessão técnica (quando há dois trimestres seguidos de queda no PIB).

Entretanto, não dá para culparmos totalmente o Banco Central pelo fracasso econômico. A bagunça política e falta de planejamento das políticas econômicas e sociais têm contribuído com boa parcela do pessimismo dos agentes econômicos.

Há economistas, inclusive o próprio Campos Neto, que afirmam que a reação do BC de elevar a Selic é apenas um subproduto da condução irresponsável da política de gastos por parte do governo federal e do congresso, cuja aprovação da PEC dos Precatórios colocou um fim simbólico à regra do teto de gastos. 

Com o descontrole fiscal, sobrou para o BC o papel de compensar o conjunto de estímulos, com uma contração monetária, para tentar manter o nível de preços sob controle.

Porém, o aumento da Selic praticamente eliminaria os efeitos da própria PEC dos Precatórios. Isso porque a subida dos juros pressionará os gastos com serviço da dívida, o que diminuirá, consequentemente, o espaço fiscal aberto pela própria PEC.

A dívida do governo, sob uma taxa Selic que poderá chegar a 12% em 2022, vai subir consideravelmente, de modo que eliminará quase que totalmente o espaço fiscal aberto pela PEC 23.

Diante desse descompasso entre política fiscal e monetária, além dos imbróglios políticos que nos aguardam, é de imaginar que o brasileiro consciente dificilmente esperará algo positivo na economia em 2022. 

Já na bolsa de valores, a depender do petróleo e da reação do Banco Central, talvez dê para visualizar uma recuperação já nos primeiros meses do ano, pois economia real e mercado financeiro nem sempre andam juntos.

IGP-M de dezembro veio acima do esperado e derruba Ibovespa

A Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgou hoje (29/12) o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado). O índice subiu 0,87% em dezembro, ante alta de 0,02% verificada em novembro.

O índice é normalmente utilizado para reajustes de contratos de aluguel e acumulou alta de 17,78% no ano. Em 2020 a alta dos preços medida pelo IGP-M foi de 23,14%.

O resultado veio maior do que o esperado para o mês de dezembro, enquanto as expectativas apontavam para um índice de 0,65%, de acordo com o site Investing.

Entre os responsáveis pela alta estão os preços da carne bovina e algumas commodities agrícolas.

“O resultado deste mês foi influenciado pela aceleração dos preços de bovinos, reflexo da demanda doméstica e da retomada das exportações e, pela aceleração dos preços de safras afetadas por geadas e seca, como café e cana-de-açúcar”, afirma André Braz, coordenador dos Índices de Preços.

Decomposição do IGP-M

O IGP-M é composto pela ponderação de 3 outros índices: IPA 60%, IPC 30% e INCC 10%.

Para Braz, a alta do IGP-M se deve, em grande medida, pelo valor elevado do IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo), que foi de 20,57% no ano.

Os preços da cana-de-açúcar avançaram 57,13% no ano, enquanto o preço do café subiu 152,35%, no mesmo período.

O IPA  subiu 0,95% em dezembro, após queda de 0,29% em novembro. A principal contribuição para este resultado partiu do subgrupo combustíveis para o consumo, cuja taxa passou de 8,60% para 0,25%, no mesmo período.

Já sobre o IPC (Índice de Preços ao Consumidor), os itens que tiveram maior influência positiva foram a carne bovina (11,69%), café em grãos (12,52%), cana de açúcar (2,83%), adubos e fertilizantes.

Em contrapartida, os produtos que ficaram mais baratos no período foram batata-inglesa (-29,67%), milho em grão (-2,68%), aves (-5,08%), soja em grão (-1,03%) e leite in natura (-3,48%).

Por fim, o INCC (Índice Nacional de Custo da Construção) variou 0,30% em dezembro, percentual inferior ao apurado no mês anterior, quando o índice registrou taxa de 0,71%. 

Com este resultado, o índice acumula alta de 14,03% no ano, ante 8,66% em 2020. 

A taxa do índice relativo a Materiais, Equipamentos e Serviços passou de 1,11% em novembro para 0,49% em dezembro. O índice referente à Mão de Obra variou 0,10% em dezembro, contra 0,28%, em novembro.

Efeito na bolsa de valores

O aumento maior do que o esperado no IGP-M afetou negativamente a bolsa brasileira. O resultado frustrou os agentes de mercado, que estimavam o arrefecimento dos preços neste mês de dezembro.

O receio dos analistas é de que a inflação não caia como o projetado pelo Banco Central e, consequentemente, atue como combustível para o movimento do aumento dos juros (Selic).

Por volta das 12h40 o Ibovespa caía 0,66%, aos 104.215 pontos. Já o dólar subia 0,81%, cotado a R$ 5,67.

Receio com queda da bolsa faz demanda por opções aumentar nos EUA

Nos EUA, os investidores estão cada vez mais se voltando para a ferramenta das opções para se protegerem caso o mercado de ações caia nas próximas semanas.

Os traders estão aumentando as compras de contratos de opções de venda (chamadas de puts), na esperança de que os derivativos ofereçam uma proteção caso as ações caiam do território recorde. 

Vários são os fatores para justificar uma possível queda.

Primeiramente, o fato do S&P 500 está constantemente renovando seu topo histórico, sem uma alta correspondente nos lucros das empresas, é um indicativo de que as ações podem estar caras.

Além disso, há o receio de uma nova onda de disseminação da variante do coronavírus, chamada de Ômicron. 

Outro fator que tem causado apreensão entre os investidores é a política monetária mais rígida do Federal Reserve (Fed), que deve aumentar os juros em meados de 2022.

Tudo isso tem levado tanto os comerciantes de varejo quanto os institucionais a adotarem medidas para se proteger contra uma eventual reviravolta dos mercados.

O que são opções?

Opções são contratos negociados no mercado financeiro que dão ao seu detentor o direito de comprar ou de vender um determinado ativo por um valor estabelecido em uma data específica do futuro. 

Um contrato de opção estabelece um preço predefinido (preço de exercício, também chamado de strike) e uma data de vencimento em que a negociação poderá ou não ocorrer, a depender da situação.

Basicamente, há dois tipos de contratos de opções:

  1. Opções de venda (chamadas de put);
  2. Opções de compra (chamadas de call).

Dessa forma, a pessoa que comprou uma opção de compra (call) de uma ação terá o direito de exercer a compra do ativo a um preço determinado em uma data futura (data de vencimento).

Enquanto que, do outro lado, a pessoa que vendeu a call terá a obrigação de comprar o ativo ao preço estabelecido na data acordada.

O contrário ocorre em contratos de puts (opções de venda). Ou seja, o comprador terá o direito de vender a ação pelo preço estipulado, enquanto que o vendedor da opção terá que fazer a compra caso o titular exerça seu direito.

Em termos gerais, todo direito é acompanhado de um dever. Caso eu queira ter o direito de negociar um ativo a um determinado preço específico, outra pessoa terá que assumir um dever com essa negociação.

Para adquirir uma opção é preciso pagar um certo preço (prêmio da opção). Esse valor irá para o agente que aceitar incorrer na obrigação estipulada no contrato.

O que o aumento da procura de opções significa?

A mudança de comportamento dos investidores nos EUA é uma mudança digna de nota. Isso porque indica que a sensação de incerteza e o medo vem aumentando entre os agentes de mercado, o que pode gerar uma fuga das bolsas a partir de pequenos ruídos negativos.

“Quando você tem inflação, registra altos preços de ativos e taxas de juros em alta, isso cria uma tempestade perfeita para pessoas que desejam comprar um pouco de proteção extra”, disse Tom Sosnoff, cofundador da corretora Tastyworks. 

“Sempre que você consegue recordes de alta, as pessoas pensam ‘quando é que o sapato vai cair?’.”

Vishal Vivek, estrategista do Goldman Sachs, observou que as negociações de opções de venda de ações atingiram um recorde de US$ 353 bilhões em 3 de dezembro e que os volumes diários médios de negociação de US$ 233 bilhões em novembro foram um recorde histórico. 

Vivek acrescentou que a média de volume de venda diária de US$ 217 bilhões em dezembro permaneceu elevada “apesar de um declínio nas opções de compra de ações individuais”. 

Há sinais de que parte dessa compra está vindo de traders varejistas. Jason Goepfert, da SentimenTrader, estima que cerca de 23% dos novos contratos de opções de varejo abertos na semana encerrada em 17 de dezembro foram para opções de venda, ante 16% no início de novembro.

Van Dooijeweert acrescentou que não foram simplesmente os comerciantes de varejo se voltando para as opções. Os grandes gestores de dinheiro também estão se movimentando em torno de contratos de opções, usando-os para proteger suas carteiras em vez de títulos do Tesouro.

De acordo com dados da Cboe Global Markets e Option Metrics, no geral, o número de contratos de venda em aberto aumentou mais de 25% desde o final de 2019.

Taxa de desemprego cai mais do que o esperado e derruba Ibovespa

A taxa de desemprego no Brasil caiu para 12,1% no trimestre encerrado em outubro, de acordo com dados divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os dados foram melhores do que as expectativas dos agentes de mercado, que esperavam uma queda da taxa de desemprego para 12,3%.

A população desocupada caiu 10,4% na comparação com o trimestre anterior – de 14,4 milhões de pessoas para 12,9 milhões. 

Na comparação anual, a queda foi de 11,3% – eram 14,6 milhões de desempregados no trimestre encerrado em outubro de 2020.

Apesar da queda do desemprego, o rendimento médio da população ocupada encolheu 11,1% em 12 meses, para R$ 2.449,00, sendo o menor nível desde o início da série histórica, em 2012.

Outro fator negativo foi o recorde no número de trabalhadores por conta própria, o que significa aumento da informalidade.

A taxa de informalidade manteve a trajetória de alta, atingindo 40,7% da população ocupada, ou 38,2 milhões de trabalhadores. No trimestre anterior, a taxa havia sido 40,2% e, no mesmo trimestre de 2020 estava em 38,4%.

Desemprego em baixa pressiona bolsa de valores

Se, de um lado, a melhora dos dados de desemprego é um sinal positivo para a retomada da economia, de outro, isso tem efeito negativo sobre a renda variável.

Isso porque a sinalização de uma recuperação econômica mais rápida do que a esperada gera uma pressão adicional sobre os índices de inflação

Consequentemente, as expectativas de que o Banco Central manterá sua política de aumento dos juros ganham força frente à tese de que uma provável desaceleração arrefeceria a elevação dos preços.

De acordo com o relatório Focus, os economistas de mercado estimam uma Selic de 11,50% em 2021, embora as previsões de juros acima dos 12% estejam no radar de muitos analistas.

Com isso, o Ibovespa operou em queda de 0,83% na primeira parte do pregão de hoje, indo na contramão dos principais mercados mundiais, que sobem nesta terça-feira (28/12).

Queda da Vale

Outro fator que explica a queda do Ibovespa no dia de hoje é o desempenho negativo das ações da Vale (VALE3).

Até às 13h26 as ações da mineradora caíam 2,76%. Entre os motivos estão a queda de mais de 3% dos contratos futuros do minério negociados em Dalian, devido a preocupações com excesso de oferta, já que as usinas retomarão a produção nos próximos meses.

Soma-se a isso o contratempo nas negociações envolvendo a joint venture Samarco – que pertence à Vale e BHP – com credores em conversas para um acordo de recuperação judicial.

Ações de tecnologia foram destaque em 2021 e seguem recomendadas

O termo FAANG é usado entre os investidores de ações para descrever o grupo das maiores empresas do setor de tecnologia: Facebook (agora Meta), Amazon, Apple, Netflix e Google.

Embora estejam de fora da sigla, talvez seja apropriado incorporar mais dois nomes neste conjunto: a Tesla e a Microsoft

Há alguns analistas que optam por chamar essas ações de “ações de uma única decisão”, ou seja, são ações que você deve comprar e nunca mais vendê-las.

Isso porque estas são talvez as companhias com maior potencial de inovação e adaptabilidade do mundo. 

A tecnologia é um dos principais fatores responsáveis pelo crescimento das empresas e das sociedades. 

É a partir das inovações tecnológicas que a humanidade se desenvolveu, criou novos produtos, novos empregos, diferentes formas de se relacionar e elevou seu nível de bem-estar.

E se há algum lugar que as próximas inovações deverão se desenvolver, é muito provável que as ações FAANGs contribuirão de alguma forma.

Entretanto, como é de praxe lembrar, todo potencial ganho é acompanhado de um grau de risco de mesmo tamanho. E isso não é diferente com as ações que citamos aqui.

Elas estão precificando um crescimento de lucro abismal para os próximos anos. Caso este crescimento não ocorra, é bem provável que suas cotações caiam fortemente.

Porém, se o crescimento for igual ou acima do esperado, é também igualmente esperado que os preços continuem subindo ininterruptamente.

Desempenho em 2021

Todas as ações citadas aqui possuem suas versões em BDRs (Brazilian Depositary Receipts), que permitem aos investidores brasileiros investirem sem precisar enviar dinheiro para o exterior.

Estas podem ser acessadas a partir dos seguintes tickers:

  • Alphabet (dona da Google): GOGL34
  • Amazon: AMZO34
  • Apple: AAPL34
  • Facebook (atualmente chamada de Meta): FBOK34
  • Microsoft: MSFT34
  • Netflix: NFLX34
  • Tesla Motors: TSLA34

Ao contrário das ações brasileiras, as BDRs das gigantes da tecnologia se valorizaram fortemente neste ano de 2021. 

Uma pequena parte se deve ao dólar, que subiu cerca de 9% neste ano. Porém, a maior parcela dos ganhos se deve às perspectivas positivas para o futuro.

Em ordem de desempenho das BDRs do grupo de gigantes da tecnologia que mais subiram no ano, temos: Google (+81%), Microsoft (+67,7%), Tesla (+62%), Apple (+ 48,2%), Facebook (+37,6%), Netflix (+25%), Amazon (+13,6%).

Recomendações

Quem investiu nas ações de tecnologia em 2021 teve bons ganhos, ultrapassando o Ibovespa no ano. 

Apesar da Alphabet ter sido a maior alta do ano, se engana quem achar que a ação chegou ao topo e não tem muito ainda a entregar.

Para a UBS, a dona da Google ainda tem um bom caminho de subida pela frente e deve continuar apresentando um desempenho superior frente ao mercado.

De acordo com o relatório do banco, o preço-alvo das ações da Alphabet negociadas nos EUA é de US$ 3.925,00, o que nos dá um potencial de ganho de cerca de 32% em relação à cotação atual.

Outra companhia com boa recomendação é a Apple. As ações negociadas no mercado americano estão com recomendação de compra pelo banco Morgan Stanley, com preço alvo de US$ 200,00. 

Aqui o potencial de ganho é menor, de 17,6%, mas que pode aumentar a depender da mudança de expectativas na medida em que os projetos da companhia forem tendo sucesso.

Último relatório Focus do ano mostra mercado pessimista com crescimento

O Banco Central divulgou nesta segunda-feira (27/12) o último relatório Focus do ano de 2021. Os dados mostram as expectativas dos agentes de mercado para as diversas variáveis macroeconômicas.

Em linha com a tendência de piora dos últimos relatórios, os economistas das principais instituições financeiras estimaram uma piora no ritmo de crescimento econômico. 

Para este ano, os agentes preveem uma alta de 4,51% do PIB. O valor é abaixo das estimativas anteriores, de 4,58% na semana passada e 4,78% há quatro semanas atrás.

Para 2022 as previsões também são mais pessimistas, e vêm caindo há várias semanas. Atualmente, os analistas enxergam um crescimento de 0,42%, ante 0,50% na semana passada, e 0,58% há um mês.

Inclusive, há instituições que preveem recessão para a economia brasileira no ano que vem.

Inflação e câmbio

Para a inflação as expectativas são um pouco melhores, mas não animadoras. Isso porque as quedas dos componentes do IPCA dão a entender que o pior já passou.

Dessa forma, as estimativas para o aumento dos preços se estabilizaram, com o mercado esperando uma inflação de 5,03% no próximo ano, e 10,02% para 2021.

Para 2022, as previsões são as mesmas já fazem um mês, enquanto que para 2021 as projeções vêm caindo (a inflação esperada para o período era de 10,15% há um mês atrás).

Outra variável que também tem apresentado estabilidade nas expectativas é o câmbio. De acordo com o Focus, é esperado que o dólar termine 2021 cotado a R$ 5,63. Para 2022, a moeda norte-americana é estimada para ficar ao redor dos R$ 5,60.

Selic

A Selic é uma das variáveis mais importantes para a determinação da direção dos mercados. 

Quando há expectativas de alta, a tendência é que a bolsa de valores caia, pois isso eleva o custo de oportunidade dos investimentos, além de afetar negativamente a precificação dos ativos pelo modelo do fluxo de caixa descontado.

Conforme o relatório Focus, os agentes de mercado estimam que a Selic encontrou seu topo na faixa dos 11,50%, não devendo subir mais do que isso em 2022.

Essa previsão é a mesma das semanas anteriores, o que indica uma estabilização das expectativas.

Para 2023 temos a mesma estabilidade, com os economistas de mercado estimando uma Selic mais baixa, na casa dos 8%.

Porém, tudo isso pode mudar, uma vez que os agentes ficarão de olho na inflação dos próximos meses e seu impacto no comportamento do Banco Central.

Uma inflação melhor do que a esperada pode fazer com que as previsões para a Selic comecem a cair e, por sua vez, confirmar a recuperação da renda variável. 

Por outro lado, uma inflação pior do que a esperada tende a causar o efeito contrário.

Portanto, o investidor deverá se manter atento ao comportamento destas variáveis e das expectativas para se posicionar bem e aproveitar a volatilidade do próximo ano, que ainda contará com o fator das eleições.

Investimentos ESG e políticas ambientais podem impulsionar mineradoras

Com os investimentos ESG (Ambiental, Social e Governança, na sigla em inglês) ganhando impulso rapidamente e as metas de mudança climática se aproximando, as empresas de mineração estão sendo forçadas a alinhar os gastos de capital.

Com as promessas de redução de emissões, vários investidores ativistas e institucionais passaram a exigir a venda de portfólios inteiros de combustíveis fósseis e os demais que são nocivos para as metas de emissão de carbono.

Isso tem impactado fortemente as decisões de desinvestimento das principais mineradoras do mundo.

Três anos atrás, a Rio Tinto fez o que parecia ser impensável: vendeu todo o seu portfólio de carvão térmico em Queensland, Austrália. 

A companhia vendeu sua holding Coal & Allied para a concorrente Glencore por cerca de US $ 1,7 bilhão. 

Também vendeu sua participação na mina subterrânea de carvão Kestrel para um consórcio formado pela gestora de private equity EMR Capital e PT Adaro Energy Tbk por US $ 2,25 bilhões. 

Com essas vendas, a Rio Tinto se tornou a única grande empresa global com ativos zero de carvão.

Outra mineradora que tem avançado no mesmo sentido é a BHP, segunda maior empresa do setor. 

A diferença é que a BHP tem sido mais implacável em se distanciar da exploração de petróleo e gás.

Em agosto de 2021, a BHP anunciou que deslocaria seus ativos de petróleo e gás para uma joint venture com a australiana Woodside. 

Embora, na prática, isso não signifique um abandono completo da exploração de petróleo e gás, ao menos é uma indicação clara de que a segunda maior mineradora do mundo está saindo da indústria de combustível à base de carbono.

Além disso, a BHP também está se desfazendo de seus ativos de carvão térmico. Recentemente vendeu sua participação na mina de carvão Cerrejon, em Columbia, para a Glencore. 

Enquanto isso, a empresa baixou o valor de sua mina Mt Arthur, em Hunter Valley, na Austrália, enquanto continua a procurar um comprador. 

Foco nos metais

Todo esse desinvestimento ainda não gerou queda de emissões de carbono, pois, na prática, o que foi visto até então foi apenas transferências de propriedade, de modo que a exploração continua no mesmo ritmo.

Tudo isso tem sido feito para agradar aos investidores ESG para que as companhias do setor de mineração diminuam suas emissões de carbono.

Por outro lado, as mineradoras têm outro motivo poderoso para se livrar de suas atividades poluentes e se concentrar em sua competência principal: os metais deverão sofrer um boom nas próximas décadas.

As mineradoras obtiveram grandes lucros este ano, à medida que os preços do metal e das commodities disparam.

A transição energética está impulsionando o próximo super ciclo de commodities, com imensas perspectivas para fabricantes de tecnologia e investimentos em energias sustentáveis.

De acordo com o provedor de pesquisa de energia BloombergNEF, estima-se que a transição global exigirá cerca de US$ 173 trilhões em fornecimento de energia e investimento em infraestrutura nas próximas três décadas. 

As expectativas são de que a energia renovável que deverá fornecer 85% das necessidades de energia do planeta até 2050.

Com isso, as perspectivas para a indústria de metais são as melhores possíveis. 

Isso porque as tecnologias de energia limpa requerem mais metais do que suas contrapartes baseadas em combustíveis fósseis. 

De acordo com uma análise recente da Eurasia Review, os preços do cobre, níquel, cobalto e lítio podem atingir picos históricos por um período sustentado sem precedentes em um cenário de emissões líquidas zero.

O valor total da produção pode subir mais de quatro vezes entre 2021 e 2040, e rivalizando até mesmo com o valor total da produção de petróleo bruto.

No cenário de emissões líquidas zero, o boom da demanda de metais deverá elevar o volume de metais negociados, totalizando US$ 13 trilhões acumulados nas próximas duas décadas apenas para os quatro metais citados.

Prévia do IPCA cai em dezembro e queda de juros em 2022 entra no radar

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) subiu 0,78% em dezembro e encerrou o ano de 2021 com alta acumulada de 10,42%.

A informação foi divulgada hoje (23/12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e é considerada uma prévia da inflação oficial. 

O valor veio em linha com o esperado por economistas do mercado, que estimavam uma alta de 0,8% dos preços. 

Em 12 meses, o indicador apresentou alta de 10,45%, uma queda frente aos 10,73% verificados em novembro. Ainda assim, o resultado foi o maior acumulado do ano desde 2015.

Dos 9 grupos de produtos e serviços pesquisados, 7 apresentaram alta em dezembro.

A maior variação veio do grupo de Transportes (2,31%), que encerrou o ano com alta acumulada de 21,35%. O resultado foi influenciado principalmente pelos preços dos combustíveis (3,40%).

Com a queda do petróleo no mercado internacional desde o fim de outubro, a esperança é que a gasolina e demais combustíveis acompanhem o ajuste.

Inclusive já é possível ver uma baixa nos postos. Porém, a queda ao consumidor final ainda é considerada pequena frente à baixa de mais de 10% no preço do barril de petróleo.

Impactos na política monetária

A queda da inflação, medida pelo IPCA-15, indica um arrefecimento da pressão inflacionária. 

Embora a desaceleração tenha sido em linha com as expectativas do mercado, foi suficiente para reforçar o discurso de alguns analistas sobre uma possível flexibilização no aperto monetário realizado pelo Banco Central.

Para Luiz Fernando Figueiredo o ex-diretor de política monetária do Banco Central e sócio da Mauá Capital, os juros poderão subir menos no futuro, ou ao menos em um ritmo mais lento, caso o aumento dos preços seja menor nos próximos meses.

Para ele, os dados decepcionantes da atividade econômica também têm ajudado a diminuir os preços, além de indicar os efeitos do aumento dos juros na demanda.

Esse conjunto de fatores, portanto, justifica um cenário futuro de menor aumento da Selic.

“Pela primeira vez, existe uma chance concreta de a gente estar num início de uma inflação menor. Se essa for a verdade, se for realmente o caso, diria que passa a ser provável que o Banco Central não tenha que subir 150 pontos”, disse Figueiredo.

Quem compartilha dessa mesma opinião é Rafaela Vitória, economista-chefe do Banco Inter. Para ela, o Banco Central deve maneirar a mão na alta dos juros já nas próximas reuniões.

“Nosso cenário base é uma alta de 1,0 p.p. em fevereiro e 0,75 p.p. em março, que pode até ser menor se as expectativas seguirem a leitura de inflação corrente desacelerando (já que BC está muito focado nas expectativas)”.