Atrasada, Cardano adota perfil mais discreto enquanto “arruma a casa”

Saldo é positivo, mas o tempo está passando

Não se enganem: o ano da Ada Cardano (ADA) segue sendo um enorme sucesso. A rede que nasceu com a proposta de desbancar a Ethereum (ETH) saiu de centavos de dólares no início do ano para bater a barreira dos US$ 3 no dia 2 de Setembro.

O bom desenvolvimento inicial da rede, associado a seu potencial e a sua boa colocação no mercado e na mídia (com esse último ponto sendo por conta do trabalho do CEO Charles Hoskinson), permitiram que investidores do mundo todo colocassem a Ada entre os principais artigos do mercado em tempo recorde.

A ascensão meteórica e o aumento drástico de demanda obrigaram os desenvolvedores da rede a prepararem o primeiro dos grandes passos da rede: o hard-fork realizado por meio da atualização “Alonzo” e a consequente abertura para o desenvolvimento de contratos inteligentes. O problema, entretanto, talvez tenha sido o timing.

Isso porquê logo depois da alta histórica, a já esperada correção de preço foi acompanhada das agressivas baixas sofridas pelos criptos após o turbulento início do Bitcoin (BTC) em El Salvador, no dia 7, e aos ataques da China aos ativos no decorrer dos dias seguintes.

De quebra, comentários de programadores indicavam que a rede Cardano não vinha respondendo tão bem aos testes disponibilizados para a atualização, o que além de pesar para a manutenção da baixa, levantou dúvidas sobre o seu real potencial. A soma de todos estes fatores fez com o outrora promissor preço de US$ 3 fosse derrubado para a casa dos US$ 1,90 em algumas oportunidades (sendo efetivamente fechado em US$ 1,98 em 21 de setembro).

Esperança de dias melhores, mas com ciência do atraso

Ao menos a alta generalizada ocorrida na virada entre os meses de setembro e outubro voltou a estabelecer o ativo mais seguramente acima dos US$ 2, apesar de ainda ser pouco perto das previsões mais otimistas, que vislumbravam os US$ 10 até o final do ano.

E fato é também que a Cardano também arregaçou as mangas e mostrou ao mundo suas reais intenções durante o Cardano Summit, evento de palestras e anúncios de novidades, como o desenvolvimento de uma stablecoin própria, novas etapas de certificação de projetos interessados em integrar a rede, o andamento da dApp store e, principalmente, a chegada de oracles por meio de parceria com a Chainlink.

Mas com os “gatos escaldado” desenvolvendo “medo de água fria” – como diriam os mais experientes – será necessário mais para a Ada recuperar algo próximo do patamar que vinha sendo desenhado mais cedo em 2021.

Pensando nisso, Hoskinson aposta inicialmente em uma tour pela África. O continente apresentou grande adesão à rede e, além de ser mais um mercado consumidor em considerável potencial, chama a atenção pelo número de start-ups promissoras que se baseiam na Cardano para explorar o potencial das blockchains.

Em questões mais práticas e técnicas, os desenvolvedores da rede ainda fazem os ajustes necessários para lidar com os problemas ocorridos nas fases de testes. A situação ainda é vista como um dos principais empecilhos para a Ada voltar a disparar, mas apesar da resolução definitiva não ter ocorrido ainda, os relatórios mais recentes indicam avanços que se aproximam do final dessa “batalha”.

Apesar de todos os pesares, a Ada Cardano ainda conta com um potencial absurdo, o que tende a manter o preço relativamente estável mesmo enquanto o mundo aguarda quando será seu despertar.

Pode ser relativamente tarde para o milagre de crescimento até o final de 2021, mas não somente é cedo demais para desistir da ideia, como a manutenção de valores mais acessíveis permite mais tempo e adesão ao fenômeno que está por vir. Só nos resta saber se a espera será muito mais longa do que o esperado.

Alta puxada pelo Bitcoin volta a movimentar legislações nacionais

Austrália

A Austrália se prepara para uma completa estruturação regulatória frente à crescente do mercado de criptos, considerando a oportunidade para fortalecimento econômico principal economia da Oceania.

As novas propostas que avançam no congresso Australiano têm como principais destaques a obrigatoriedade de licenças para o funcionamento de Exchanges, novas leis para organizações autônomas descentralizadas, uma revisão do imposto sobre ganhos em DeFis e o estabelecimento de descontos nos impostos para criptomoedas que usem energias renováveis em seu processo de mineração.

E apesar de geralmente movimentações desse tipo trazerem algum tipo de restrição ou controle governamental sob um novo mercado, as medidas são extremamente amistosas e agradaram de players às instituições responsáveis pelas transações.

O CEO da Coinjar (uma das principais exchanges do país) Asher Tan, foi à público para parabenizar o comitê responsável pelas propostas, liderado pelo Senador Andrew Bragg: “No nosso ponto de vista, o relatório apresenta um tom consideravelmente otimista, enxergando a tecnologia em blockchain como a renovação histórica que é, com suas oportunidades e riscos.”

Os avanços podem representar uma abertura de mercado promissora, considerando que a Austrália é hoje a 13ª maior economia do planeta, com cerca de 25,7 milhões de habitantes.

Paquistão

A Alta Corte de Sindh (SHC), uma das quatro províncias que dividem o Paquistão, exige que o governo do país reformule suas leis regulatórias de criptoativos em um espaço de 3 meses. O pedido do SHC foi feito durante a apresentação do tribunal que questionava a legalidade da proibição imposta aos criptos ainda em 2018.

A instrução é para que além do Banco Central do país, a Comissão de Valores Mobiliários do Paquistão trabalhe junto de agências governamentais e do Ministério da Tecnologia para estabelecerem os parâmetros que permitam a negociação de criptoativos no território nacional.

Rússia

Os russos, após muito oscilarem entre o apoio e a divergência do mercado de criptomoedas, vem mostrando movimentações mais amistosas ao crescente mercado. Pouco depois das falas positivas do presidente Vladmir Putin e de demais integrantes do governo – que tiveram papel importante no atual momento de alta vivido pelo Bitcoin (BTC) – uma nova proposta ganhaforça na Rússia.

Trata-se de um projeto governamental que propõe o uso de gás de petróleo como base energética para a mineração de Bitcoins. O país é um dos maiores produtores (e vendedores) de energia em todo o planeta e, para evitar o consumo uma subida nas taxas da população em geral, pode direcionar especificamente parte do consumo deste subproduto petrolífero para as atividades de mineração.

A proposta está avançando no parlamento russo, e agora aguarda sobretudo o posicionamento por parte das companhias do setor petrolífero, uma vez que a ideia atenderia a busca governamental pela redução da queima desnecessária de gases dessa natureza ao oferecer uma finalidade prática para o recurso.

O que é: CBDC

A sigla CBDC vem do inglês Central Bank Digital Currency, que na tradução para o português se torna a moeda digital do banco central. Também podendo serem chamadas de govcoin, trata-se das representação digital dos valores monetários, contando com a mesma autoridade monetária da cédula (podendo ser convertidas diretamente para a moeda convencional), mas que existem somente no plano virtual.

Como é de se imaginar, os projetos das CBDCs são associados normalmente ao atendimento de necessidade em processos de pagamentos eletrônicos, além da busca por inovação nos demais processos de transações econômicas via internet.

Vale destacar também as capacidades que as moedas digitais teriam de auxiliar no processo de digitalização das economias que cada vez menos usam papel moeda, além de ser uma alternativa à população “desbancarizada” que, sem acesso às contas bancárias e cartões, conta justamente só com cédulas e moedas como opções para movimentar seus recursos.

De acordo com o BIS, Banco de Compensações Internacional, mais de 40 países já aderiram, em algum nível, ao plano de contar com uma moeda virtual para seu banco central. Isso porque além das funções já listadas, existe grande potencial para as CBDCs no âmbito das negociações internacionais e na função de reserva econômica.

China “corre” contra o dólar

Foi considerando justamente essa possibilidade que a China desenvolveu, com folga, o mais avançado de todos os sistemas de CBDC do mundo no momento. Isso porque enquanto a enorme maioria das outras moedas governamentais seguem estágio de planejamento e desenvolvimento, os chineses já colocam o “Yuan Digital” à prova.

Desde dezembro de 2020 a CBDC chinesa está em circulação, mesmo que inicialmente em estágios de testes mais limitados. Durante sua fase inicial, priorizando a adaptação dos habitantes do país com a novidade, a bandeira levantada era de modernizar transações econômicas locais, além de facilitar também a vida de turistas.

Entretanto, sem fazer muito alarde internacionalmente, sua utilização cresceu exponencialmente dentro do território chinês.

A moeda digital teve seus primeiros registros de uso no pagamento de taxas na Bolsa de Dailian em agosto, roubou a cena no principal evento do Mês da Popularização do Conhecimento Financeiro – o mesmo em que o presidente Xi Jinping reforçou o combate aos criptoativos – e até o meio do ano já tinha movimentado cerca de US$ 5,3 bilhões sem maiores problemas, o que indica o quão maduro está o projeto por lá.

Somando o inegável sucesso do Yuan Digital, o desenvolvimento das demais CBDCs mundo à fora e a possibilidade de atuação como reserva em transações internacionais (o que diminuiria o poderio dos EUA no caso das sanções em dólares americanos), e temos um outro ativo digital que deve movimentar a economia mundial muito em breve.

Brasil desenha seus primeiros projetos

O Brasil é um dos países que está com sua moeda digital “avançando”, como o próprio presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, classificou ainda em agosto.

Questões técnicas importantes ainda estão sendo resolvidas, como alavancagem da moeda ser feita de maneira que não gere diferença de preços entre o Real digital e físico a partir de grande demanda. Mas mesmo em um estágio mais embrionário, fato é que o Real Digital deve ser uma das CBDCs mais próximas dos criptoativos em todo o mundo.

Isso porque de acordo com Campos Sales, a moeda virtual brasileira terá grande possibilidade de explorar recursos do mundo dos criptos, sobretudo os chamados contratos inteligentes e os aspectos que envolvem a tecnologia DeFi (Finanças descentralizadas).

O posicionamento foi reforçado tempos depois pelo presidente da B3, Luis Kondic, que indicou a preparação para a bolsa brasileira começar a prestar serviços de oráculo às blockchains, alimentando as redes com informações econômicas externas em troca da adesão do Real Brasileiro nestes tipos de sistemas e do desenvolvimento de ferramentas em pagamentos programáveis que aperem junto ao ativo.

A expectativa é que os projetos mais avançados e seus primeiros testes sejam feitos já a partir de 2022.

Bitcoin atropela antigo valor recorde e mira os US$ 67 mil

O começo com “pé direito” de uma promissora caminhada

Como a cereja do bolo dos recentes impulsos recebidos pelo Bitcoin (BTC) pós debandada chinesa, a estreia dos fundos de investimentos em futuros de BTC da ProShare na bolsa de Nova Iorque (NYSE) foi o impulso que faltava para que a criptomoeda quebrasse novamente seu próprio recorde.

Já nas primeiras horas de seu primeiro dia (19), os candles já apontavam o flerte com a quebra de recorde, ao considerar o estabelecimento do ativo na casa dos US$ 64 mil, com meio bilhão de dólares sendo movimentados por meio do “BITO” (identificação dada pela NYSE à ETF) ainda no meio da tarde.

Os números oficiais de encerramento apontaram que mais de 24,4 milhões de ações do fundo foram negociadas na bolsa intercontinental, movimentando pouco mais de US$ 1 bilhão. Com o estrondoso sucesso, o BITO, que foi aberto em US$ 40,88 a ação e fechou com mais de 4% de lucro (US$ 43,8).

Nova quebra de recorde pode ser só o começo

Nesse fechamento, o valor oficial de negociação do Bitcoin era de US$ 64.434, menos de 1% abaixo da tão aguardada queda, patamar em que se manteve até às 14h30 (horário de Brasília) dessa quarta (20). A partir daí a história começou a ser reescrita, com um forte movimento comprador agindo em cerca de 10 minutos para levar o preço à US$ 65,621 e, uma hora depois, aos US$ 66.910,98.

O mercado de criptoativos no geral se aproveitou da primeira criptomoeda indo à público (e fazendo tanto sucesso). Depois de 5 meses, o Ether (ETH) voltou ao patamar de US$ 4 mil e flerta com o seu próprio topo histórico de US$ 4.385, enquanto praticamente todas as principais altcoins do mercado acompanharam o movimento ao operarem em alta durante o dia.

Como era de se esperar, o Bitcoin abre alas para um movimento que deve ser só o início das “aventuras” das criptomoedas em ETFs e demais modelos de negociação mais estabelecidos e tradicionais.

Pouco a pouco, outras possibilidades similares (como a própria negociação imediata de BTC, ao invés dos futuros) vão entrando em pauta e aproximando cada vez mais os criptoativos da realidade econômica mundial.

Primeiro dia do Bitcoin na bolsa de Nova Iorque traz alta acima dos 4%

Enfim, NYSE

Depois de muito tempo de muitas tentativas e certo tempo de espera, temos um fundo negociado em bolsa que se baseia no Bitcoin (BTC) e conta com o aval da SEC, a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos, após a ProShares oferecer o ETF em futuros de BTC.

A aprovação, aliás, só veio por conta dessa condição, uma vez que as propostas de adição dos Bitcoins em meio aos contratos de transações à vista já haviam sido barradas algumas vezes.

Ao trabalhar com contratos que serão ativos em caso de preço previamente acordado, o presidente da SEC, Gary Gensler disse que a nova proposta “oferece ao investidor uma segurança significante”, apesar de “ainda contar com certo nível de especulação e volatilidade, o que ainda exige cuidado e compreensão dos investidores. ”

Nos contratos futuros, o investidor concorda na compra ou venda do recurso à datas e valores especificados, não operando diretamente/automaticamente com o ativo. Quando o prazo chega, o contrato é ativo e a ação é realizada, não importando o preço real do, no caso, Bitcoin. Se o BTC está valendo mais do que o preço estipulado no futuro, o lucro é realizado, enquanto o contrário representa perdas ao investidor.

A onda de otimismo e novidades referentes às criptomoedas nos Estados Unidos, que abriu mais uma vez a oportunidade para a oficialização do fundo, surgiu a partir dos debates referentes aos planos de fiscalização do uso dos ativos como forma de pagamentos em atos de cyber-terrorismo.

Pouco a pouco, as conversas foram evoluindo para regulamentações em outros aspectos, como junto às stablecoins do dólar americano e, agora, fundos e demais aspectos que envolvam investimentos.

Estreia com o pé direito

Logo após a listagem do fundo pelo começo da manhã, sob a sigla BITO ETF, o Bitcoin já passava dos US$ 63,3 mil, com a parte do ETF sendo negociada à US$ 40.95 neste mesmo período. Somente pelo período da manhã, o fundo movimentou cerca de US$ 500 milhões. O volume foi movimentado, em sua maioria, por investidores menores em 4 blocos, cada um com mais de 10 mil ações.

Próximo das 16h (horário de Brasília), a ação do fundo já valia US$ 41,64, indicando mais de 4% de valorização. Como era de se esperar, o Bitcoin acompanhou a movimentação ao subir em proporção similar, também acima dos 4%, para romper por pouco a barreira dos US$ 64 mil dólares. Seu valor recorde, estabelecido no dia 14 de abril, foi de US$ 64,899.

Por hora, devemos seguir observando percentuais bem similares em ambas as partes, considerando o impacto que a estreia (e o bom resultado inicial) exerceram no próprio fundo e no ativo. Contudo, apesar da conexão intrínseca, a movimentação não deve ser sempre espelhada, haja vista que a ação do fundo se baseia em estimativas de preço futuro do Bitcoin para compra e venda futura, não na atual movimentação do ativo.

Esse aspecto pode afastar alguns perfis de investidores por hora de operarem junto à NYSE, mas vale ressaltar que este é apenas o primeiro passo dos criptoativos nas bolsas mais tradicionais.

Caso o cenário permaneça seguro, bem estabelecido e popular como começou, tudo indica que em breve as negociações diretas envolvendo Bitcoins estarão à vista. E independente disso tudo, o que mais importa – além do lucro – é o poderoso passo dos criptoativos rumo à participação ativa na economia mundial.

Alta do Bitcoin nasce do fortalecimento de ideais mundo à fora

O que seria duro golpe, virou ponto de partida

O último candle da semana em questão indicou fechamento do preço de negociação do Bitcoin (BTC) em US$ 60,856, valor mais alto do que os registrados em abril, último grande período de altas recorde.

Observando de longe, era plausível acreditar em algum tipo de correção com a expressiva marca sendo alcançada. Mas o movimento de compra seguiu forte, muito por conta dos investidores entenderem o quão favoráveis e impactantes vêm sendo os últimos dias para o ativo. Em um espaço de aproximadamente 20 dias, tanto o mercado quanto a cultura que envolve os criptos romperam barreiras e estão cada vez mais próximos da “realidade”.

Entre os dias 20 e 28 de setembro, o BTC baixou perigosamente aos US$ 40 mil, se encontrando em alguns momentos durante as sessões abaixo da marca. Não coincidentemente, o movimento ocorreu após as duras ofensivas do governo da China aos criptoativos no geral, proibindo sua negociação e até mesmo sua mineração.

Em relativamente pouco tempo o mercado aguentou a pressão e o receio gerado pelo confronto com o outrora maior campo de mineração do planeta, inicialmente com a confiança de quem comprou na baixa, chegando até a virada entre os dias 30 de setembro e 1º de outubro, em que o posicionamento mais amistoso do governo americano serviu de pontapé inicial para a alta que até agora não parou.

Resposta mundial é positiva

A conversa governamental sobre criptomoedas nos Estados Unidos se iniciou a partir do combate a crimes que envolviam os ativos de alguma forma. A preocupação era referente aos pagamentos de ataques cyberterroristas em criptos, mas logo a conversa evoluiu para questões que envolvem a aproximação dessa nova possibilidade com a carteira do americano.

Passando por debates sobre a segurança para investidores, regulações de gastos energéticos na mineração e até mesmo pelas stablecoins do dólar americano como fundos, foram divulgados nessa segunda-feira (18) pelo New York Times que confirmam o lançamento do primeiro ETF de futuros em Bitcoin a ser listado na bolsa de Nova Iorque (NYSE) previsto para a terça (19).

Outra nação que impactou positivamente nessa caminhada – e que mais do que nenhuma outra sentiu esses impactos – foi a modesta El Salvador. No dia 7 de setembro, deu seu próprio grito de independência ao adotar o Bitcoin como moeda oficial do país.

O início do período que colocou o país centro-americano no centro dos olhos da economia mundial foi relativamente turbulento, haja vista a brusca mudança estrutural e cultural exigida nesse processo. Mas o presidente Nayib Bukele se manteve firme em seus ideais, sendo mais um a adquirir Bitcoins na baixa para seu país, que já vem colhendo seus primeiros frutos.

O governo local anunciou no dia 9 de outubro o investimento de parte dos US$ 4 milhões de lucros obtidos até o momento com a alta na construção de um hospital veterinário em San Salvador, capital do país. Segundo Bukele, a estrutura contará com 4 salas de operações, 4 clínicas de emergências, 19 salas de atendimento e uma área de reabilitação.

O objetivo é de que, em uma média diária, o hospital teria capacidade de realizar 64 cirurgias, cerca de 130 emergências e quase 400 atendimentos gerais.

Outra prova do impacto real que os criptoativos como um todo foi que com menos de um mês da oficialização do BTC, a carteira governamental “Chivo” já tinha mais usuários do que os tradicionais bancos nacionais tinham conseguido alcançar em décadas, o que permitiu a mais salvadorenhos repassar e receber valores (22% do PIB do país vem de remessas oriundas dos Estados Unidos) sem burocracia ou taxas.

O “experimento” El Salvador vem dando muito certo, com a população quebrando recordes de transações, entre BTC e dólares, quase que diariamente. Pouco a pouco o ativo ganha mais adesão populacional e comercial e – mesmo para quem ainda não acredita ou entende muito bem – os US$ 30 em Bitcoin dados pelo governo à cada habitante que baixasse a carteira digital já se valorizou em 30%, com expectativas de que o percentual suba consideravelmente até o final do ano.

Todo esse movimento se estendeu por todo o mundo durante esse espaço-tempo tão crucial. Outros tigres asiáticos deram sinais positivos aos criptoativos mesmo frente à pressão chinesa, com destaque para o crescimento exponencial do contexto de criptos como um todo na Índia – o mais qualificado dos candidatos a suprir a falta dos chineses, caso seja necessário.

A Europa se tornou uma capital dos criptoativos com a ausência da China. Além de pouco a pouco ir tomando também as pautas governamentais do velho continente, as transações de criptoativos por lá somaram cerca de €870 bilhões em transações entre 2020 e 2021, com 25% de todas as negociações de criptos acontecendo no planeta tendo origem e/ou destino europeu.

Assim como os Estados Unidos, o Brasil também começou suas conversas visando o combate ao crime organizado. No caso tupiniquim, ao invés de cyberterrorismo, o objetivo inicial era de tratar dos inúmeros golpes ocorridos no estado do Rio de Janeiro, que utilizavam o investimento em criptomoedas como farsa para atrair vítimas para esquemas de pirâmide – vide GAS consultoria.

Agora, o debate em torno do projeto de lei 2303/15 também já evoluiu em solo brasileiro, aprofundando seu debate de uso e regulação, bem como outras funcionalidades do sistema em blockchains, que levou a B3 a começar os preparos para o serviço de oracle.

É muito provável que, em breve ou não, o Bitcoin e seus similares tenham novas baixas e sofram com algum tipo de descrença. Mas talvez, se perguntassem aos especialistas num passado recente qual país mais afetaria os ativos com uma proibição, muitas respostas girariam em torno da China, por ter sido por tanto tempo o centro de mineração e desenvolvimento tecnológico mundial do mercado.

A perda chinesa foi sentida, gerou tensão e dúvidas, mas serviu de doloroso ponto de partida para o fortalecimento do mundo dos criptoativos. Em suma, tudo indica que os criptoativos, puxados pelo seu principal representante, deram sua primeira amostra mais concreta para o mundo “off-chain”, e que não será esquecida facilmente.

Cryptoweekend: 15 à 17 de outubro

EFT de futuros em Bitcoin será oficializado na bolsa de Nova Iorque

Um fundo de índice (ETF) da ProShares com opções futuras em Bitcoins (BTC) será lançado nessa terça-feira (19), de acordo com a confirmação da própria empresa e da bolsa Nova-iorquina (NYSE) dada ao jornal New York Times.

A SEC, Comissão de Valores Mobiliários do Estados Unidos, dará um aval automático ao produto logo após o final de seu período de avaliação, uma vez que tanto a SEC quanto a própria NYSE não terão nenhuma oposição a fazer. A própria bolsa, aliás, também fará sua listagem automática.

Na modalidade oferecida, destaca-se o posicionamento em futuros frente à negociação direta. A medida ainda deixa receoso os investidores mais acostumados com os criptoativos, mas a condição foi necessária para que o presidente da SEC, Gary Gensler, desse seu aval ao dizer que a nova proposta “oferece ao investidor uma segurança significante”.

De qualquer forma, a novidade segue alimentando a alta dos últimos dias para o Bitcoin, que se estabeleceu mais uma vez acima dos US$ 61 mil na manhã dessa segunda-feira (18).

Em contrapartida, a mineração sofre pressão no mesmo estado

Enquanto o lançamento de fundos e normas regulatórias avançam rapidamente pelos Estados Unidos, mineradores se tornam alvo de reclamações por parte do comércio do estado de Nova Iorque.

O governador Kathy Hochul foi cobrado por um grupo formado de líderes dos comércios municipais, que pedem para impedir a conversão da energia fóssil que abastece a maior parte da região para a mineração de criptos.

A principal preocupação, assinada por empresas e grupos trabalhistas no manifesto divulgado, é referente às possíveis mudanças climáticas por conta da grande quantidade de energia no processo de Proof of Work (P.O.W.), referente à validação dos ativos minerados. Além disso, destaca-se também o receio de um aumento geral nas taxas de energia, como ocorreu na Rússia.

Os Estados Unidos se tornaram o principal centro de mineração do mundo após o processo de distanciamento da China para os criptos. A pauta, já abordada no congresso americano nos últimos dias, deve ganhar ainda mais atenção durante o atual processo regulamentar.

Epic Games acena ao universo das Blockchains após desdém da Valve

Com o crescimento latente das gamecoins e de suas demais estruturas, foi a vez da produtora de jogos Epic Games abrir os braços para os criptoativos por meio da fala de seu CEO, Tim Sweeney: “apesar dos jogos da Epic não contarem ainda com cripto, nós damos boas vindas às suas inovações nas áreas de finanças e tecnologias. ”

A fala ganha destaque por vir ao público pouco depois de outra gigante dos jogos, a Valve, anunciar os banimentos de quaisquer criptos e NFT’s da plataforma Steam.

Sweeney destacou que a Epic Store não planeja, em primeiro momento, a adesão de criptos como forma de pagamento, bem como não pensa em adicionar NFT’s junto aos seus produtos já estabilizados no mercado.

Entretanto, o CEO confirmou os boatos de que a produtora estaria disposta a trabalhar com programadores especializados em blockchains como plataforma provedora, mesmo que inicialmente com algumas limitações.

A Epic Games é responsável pela publicação de jogos de grande sucesso como a saga Gears of War, além da mais recente febre mundial, Fortnite.

Bitcoin rompe os US$ 60 mil com impulso dos EUA

Rumo à números históricos

Os portadores de Bitcoins (BTC) tem bons motivos para se animarem entre essa sexta-feira (15) e a próxima semana. Isso de acordo com as primeiras atualizações, a Security and Exchange Comission (SEC) dos Estados Unidos está prestes a aprovar a negociação de ETFs, os fundos negociados em bolsa, que contenham futuros de Bitcoin.

Como resposta automática às boas novas, o BTC finalmente voltou a romper a barreira dos US$ 60 mil, o que não acontecia desde abril. A alta agora se aproxima dos números históricos apresentados pela moeda no mês 4 – quando se estabeleceu na casa dos US$ 64 mil – ao já se manter seguramente acima dos US$ 61 mil já no meio dessa sexta.

Toda essa movimentação se originou do relatório do SEC referente às reuniões da quinta-feira (14). Nele, destacou-se o trecho em que o órgão declara “não pretender bloquear os produtos (Bitcoins) de começarem a serem negociados já na próxima semana. ”

O posicionamento foi reforçado quando o Twitter de uma das contas do regulador orientou aos investidores que “se certifiquem de riscos e benefícios possíveis” ao investir em um fundo que conta com contratos futuros de Bitcoin.

Evolução até a aprovação

Vale ressaltar os destaques dados, tanto via tweet quanto por relatório, aos inícios de investimentos por meio de contratos futuros. A expectativa é que os debates para negociações à vista fiquem somente para os meses de novembro e dezembro.

A aprovação, aliás, só veio por conta dessa condição, uma vez que as propostas de adição dos Bitcoins em meio aos contratos de transações à vista já haviam sido barradas algumas vezes. Ao trabalhar com contratos que serão ativos em caso de preço previamente acordado, o presidente da SEC, Gary Gensler disse que a nova proposta “oferece ao investidor uma segurança significante. ”

A onda de otimismo e novidades referentes às criptomoedas nos Estados Unidos surgiu a partir dos debates referentes aos planos de fiscalização do uso dos ativos como forma de pagamentos em atos de cyber-terrorismo. Pouco a pouco, as conversas foram evoluindo para regulamentações em outros aspectos, como junto às stablecoins do dólar americano e, agora, fundos de investimento.

No Brasil, as conversas seguem caminhos similares, uma vez que por conta dos esquemas de pirâmide que se espalharam pelo estado do Rio de Janeiro e utilizavam o investimento em Bitcoins para atrair mais vítimas (destaque para o caso da GAS consultoria), o Projeto de Lei (PL) 2303/2015 voltou a movimentar a pauta no legislativo brasileiro.

Rússia entre tapas e beijos com as criptomoedas

O aceno de Vladmir Putin

Em meio a seu discurso na “Semana da Energia na Rússia”, Putin disse que as criptomoedas “possuem valor e têm direito de existir”, podendo serem usadas “como forma de pagamento e no nicho de acumulo de valor”.

Em contrapartida, rechaçou a possibilidade de sua utilização em negociações de petróleo e demais recursos energéticos: “ainda é cedo para colocarmos (os criptoativos) nessas negociações. Ainda não é suportado. ” A fala surgiu a partir das críticas feitas ao uso do dólar americano (US$) por parte dos Estados Unidos em sanções e questões referentes à compra de petróleo (BCO).

O “morde e assopra” de Putin serviu como um dos principais indicadores para que o preço do Bitcoin (BTC) subisse em 5% (por volta das 9h no horário de Brasília), chegando perto da casa dos US$ 58 mil, com outros ativos também subindo e demonstrando uma reação positiva quase que coletiva no mercado. Mas nem mesmo o impulso presidencial é capaz de apontar qual será o próximo passo russo referente à coins e tokens.

Nem lá, nem cá

Isso porque apesar da fala favorável de Putin aos usos dos criptos como forma de pagamento, o Banco Central da Rússia e de demais órgãos econômicos do país já se movimentaram na última quinta (7) para “proteger” o povo russo dos riscos de investimentos em criptomoedas, já tendo instruído bolsas a não trabalharem junto ativos digitais, impedindo a entrada de novos perfis de investidores neste setor.

Vale ressaltar que, desde o início de 2021, criptoativos foram legalizados no país, desde que não utilizados para comprar itens e serviços, contrariando o potencial destacado pelo presidente.

Portanto, era de se esperar que gradativamente, a Rússia fosse se aproximando de medidas mais restritivas, não fosse o anúncio feito ontem (13) justamente pelo vice-ministro de finanças Alexei Moiseev de que não há nenhuma intenção em seguir rumo ao banimento, como fez a China: “As coisas continuarão as mesmas por enquanto. ”

Mais uma prova de que os russos ficarão em cima do muro ao menos no curto prazo foi a postura com os mineradores banidos da China que imigraram para a Rússia. Ao invés de impedir efetivamente as atividades, preferiu subir as taxas do uso de energia como resposta, mas ainda mantendo as portas abertas para a aproximação e posterior regulação da atividades.

Ou seja, em diversos episódios inseridos na temática de criptomoedas, a Rússia flertou consideravelmente com o apoio e a aversão aos criptos num espaço de duas semanas.

Mas mesmo em meio às contradições internas e postura evasiva quanto à um posicionamento efetivo agora, os russos e o mercado de criptoativos têm muito mais a ganhar juntos do que separados. De um lado, os criptos abraçariam um gigantesco mercado que se encontra em terras de abundante produção energética, enquanto do outro, Putin e companhia teriam a tão desejada resposta ao domínio do dólar americano.

Na parceria entre redes sociais e criptos, quem ganha é o mercado

Proximidades naturais entre os dois mundos

Nas últimas décadas, testemunhamos a ascensão meteórica das famigeradas redes sociais nos mais diversos cantos do mundo.

Indo além da já revolucionária possibilidade de se comunicar “instantaneamente” internet à fora, as ideias de ter uma plataforma exclusiva para manifestar opinião, compartilhar postagens de maneira livre e consumir o tipo de conteúdo que bem entender, acabaram por estabelecer parte das novas bases da comunicação moderna.

É possível traçar, então, paralelos destes preceitos – que envolvem dinamismo, individualidade, troca de dados “diretas” com outros usuários – com conceitos críticos sobre quais os criptoativos e suas estruturas caminham.

Some estes aspectos, a explosão dos ativos nos últimos anos e o próprio mercado criado em torno destas redes, em que usuários de destaque conseguem efetivamente gerar com as plataformas, e temos um processo natural de atração entre as mídias sociais e as coins/tokens.

Abertura de mercado sem precedentes

O Facebook, que conta com 2,85 bilhões de usuários ativos em 2021, corre para lançar, mesmo que em estágio inicial, a sua coin chamada Facebook Diem. O projeto sofreu críticas no passado (quando ainda se chamava libra) e recentemente perdeu dois de seus principais programadores, mas Mark Zuckenberg e seus comandados ainda seguem com os trabalhos em blockchain.

Seu objetivo é justamente de inserir no mercado mais uma alternativa para transações rápidas e mais facilitadas por meio de uma plataforma já extremamente difundida e que não exigirá permissões, verificações e cobrança de taxas por parte de terceiros.

O Twitter, por sua vez, com seus “modestos” 335 milhões de usuários ativos mensalmente, entra na dança com duas funcionalidades distintas. Na primeira, iniciada já no dia 23 de setembro, foi adicionada a transferência de Bitcoins (BTC) às possibilidades de doações e gorjetas na plataforma, o “Bonificações”.

De quebra, ainda sem data prevista para lançamento (e ainda mais profunda no conceito de criptoativos) está o sistema integrado que implementará a possibilidade validação de tokens não fungíveis, os NFTs, também por meio da plataforma, abrindo a possibilidade para que tweets e vídeos icônicos postados no Twitter possam se tornar itens exclusivos para serem negociados entre seguidores.

Somando as duas redes sociais, estamos falando de mais de 3 bilhões de conta ativas que serão aptas à movimentar criptomoedas. É óbvio pelo menos uma parcela considerável de usuários de Twitter ainda usam o Facebook, mas de qualquer forma já se tratará do sistema os sistemas de negociação de criptoativos mais difundidos do planeta.

O que mais importa de toda essa movimentação é que a proximidade de uma parte grande de usuários ativos de internet com transações de criptos terá, talvez, o maior de seus impulsos.

As plataformas que já tanto impactam socialmente, agora poderão ser ponte importante na ligação do mundo com novas possibilidades econômicas. Caso os projetos sejam realmente bem sucedido, torna-se até possível vermos as redes sociais sendo diretamente integrada as blockchains, liberando talvez o máximo de seus potenciais.