O que esperar de 2022?

Até junho, o Ibovespa alcançava os 130 mil pontos, maior marca para o índice desde sua criação.

Mas, de lá para cá, o índice caiu e agora está próximo dos 105 mil pontos. O que esperar de 2022?

Juros maiores e inflação em queda

Se o juro em 9,25% ao ano, já está elevado, em 2022, é provável que a Selic alcance níveis ainda maiores.

Na próxima reunião do COPOM, já está praticamente certo que haverá mais um aumento de 1,5% na taxa de juro, havendo a possibilidade de mais aumentos nas próximas reuniões.

Tudo vai depender da resposta da inflação. Se o IPCA se manter comportado e em queda, é provável que mais um aumento pequeno seja feito e assim, o juro fique nivelado por um bom tempo, quem sabe por 2022 todo.

O dólar tinha grandes chances de terminar 2021 próximo dos R$ 5,00, mas não foi isso que aconteceu. Com mais juros e uma inflação menor, é provável que o dólar caia em 2022.

Mas tudo isso vai depender de alguns fatores, como a inflação. Por outro lado, as contas públicas e o crescimento do PIB podem acabar influenciando a inflação.

Caso haja mais despesas e o equilíbrio das contas públicas seja afetado em 2022, a inflação pode pressionar mais ainda a economia. Com um crescimento baixo, a inflação perde força e isso pode gerar estabilidade nos preços.

Enfim, são muitos indicadores que devem ser acompanhados daqui para frente, para conseguir determinar qual será a rota da bolsa e dos mercados.

Quais são as oportunidades em 2022?

A renda fixa será um dos principais focos dos investidores para 2022. Títulos atrelados ao CDI e a Selic são aqueles mais interessantes.

Depois existem os títulos atrelados à inflação, como o Tesouro IPCA e os CDB, LCI e LCA atrelados à inflação mais juros prefixados.

Acompanhados desses papéis de renda fixa, o investidor também deve olhar para ativos atrelados ao exterior, como é o caso dos ETFs que seguem o índice S&P 500.

Só em 2021, o S&P 500 subiu quase 30%, portanto, manter uma parcela do patrimônio alocado em tal índice é importante. Na bolsa de valores já há outras alternativas atreladas a outros índices de outros mercados, como é o caso do ETF EURP11 que segue um índice europeu.

Outro investimento atraente são as criptomoedas e ativos virtuais, como é o caso das NFTs. A melhor forma de investir neles é por meio de fundos de investimento. Uma vez que tais ativos são novos e possuem certa complexidade, tanto na negociação, manutenção, quanto na análise.

Por fim, nós temos as ações, ETF e BDR. Esses ativos devem ser analisados com bastante cuidado, uma vez que 2022 podemos ser muito voláteis para os mesmos. Mas, é possível que boas oportunidades apareçam e o investidor deve estar preparado para reconhecer esses momentos.

Cyrela começando a subir depois de fazer fundo.

Observando o gráfico semanal da Cyrela (CYRE3), é notado que a partir de junho o papel passou a trabalhar em um canal de baixa. Traçando as projeções com base no último movimento de alta, se observa que o ativo caiu até o terceiro alvo, para então começar a subir.

O terceiro alvo das projeções de Fibonacci normalmente se comporta como um poderoso suporte em um movimento de queda. Como mostrado no gráfico, quando o preço tocou no alvo, formou uma espécie de martelo, que se trata de um padrão de reversão.

Nos dias seguintes, o ativo conseguiu romper o canal de baixa e veio fazer um pullback na linha de tendência de baixa.

Considerando a movimentação de alta desta semana, seria possível dizer que o ativo está armando um pivô de alta sobre o rompimento do canal. Este seria um padrão de alta muito interessante, mas a média móvel de 20 períodos se encontra logo acima, e pode segurar o preço, uma vez que está inclinada para baixo.

Cenário positivo no gráfico diário

Observando o gráfico diário, o cenário se mostra muito mais interessante. Ao romper o canal de baixa, as ações da Cyrela conseguiram romper também a média de 20. Na sequência foi feito o pullback e agora o ativo está armando um pivô de alta alinhado com a média.

Se o papel conseguir subir e romper o último topo, estará acionando o pivô de alta. Este é um poderoso padrão de continuidade e poderia dar início a uma movimentação altista para o papel.

O gráfico já mostra os alvos se o pivô for acionado. Para a empresa seria ótimo começar um novo ano fazendo um movimento de alta, visto que em 2021 as ações perderam mais de 40% de valor.

Oportunidade de compra

Para quem busca realizar uma operação de swing trade, é interessante continuar acompanhando o papel, pois caso o pivô seja acionado, pode ser uma boa oportunidade de compra.

Mas, para quem procura por investimentos pensando no longo prazo, talvez o momento de investir seja agora.

Observando os múltiplos fundamentalistas da Cyrela, é notado que o preço está em níveis bem interessantes. A empresa é uma boa pagadora de dividendos e a cada ano o dividend yield médio vem aumentando, este ano o indicador ficou em 6,89%.

O lucro por ação de R$2,40, apesar de estar abaixo do obtido em 2020, está bem acima da média dos últimos 10 anos, que é de R$1,36.

O que chama a atenção é o valor patrimonial por ação, que vem aumentando e está na máxima em R$15,51. Isto faz com que o P/VP (preço sobre valor patrimonial) fique em 1,02.

Estes indicadores mostram que pode ser um bom momento para comprar o papel. Caso as condições políticas/fiscais melhorem, o ativo deve voltar a subir, visto que vem entregando bon resultados.

O que esperar do petróleo em 2022?

De acordo com a International Energy Agency (IEA), o consumo de petróleo deve melhorar para 99,53 milhões de barris por dia (bpd), ante 96,2 milhões bpd neste ano, ficando a apenas um fio do consumo diário de 2019 de 99,55 milhões de barris. 

Isso, é claro, dependerá de o mundo colocar a nova variante Omicron da Covid-19 rapidamente sob controle.

A maior demanda de petróleo pressionará a OPEP e a indústria de xisto dos Estados Unidos para atender à demanda. 

Já entre os fatores relacionados à oferta, há fatores diversos que deverão movimentar o volume de produção ao longo dos próximos períodos.

Vários países da OPEP têm lutado para aumentar a produção, enquanto a indústria de xisto dos Estados Unidos tem lidado com as pressões investidores para conter os gastos. 

Até agora, a indústria de xisto dos EUA não respondeu aos preços mais altos do petróleo como havia feito anteriormente, com a produção geral dos EUA em média 11,2 milhões de bpd em 2021, em comparação com um recorde de quase 13 milhões de bpd no final de 2019. 

Espera-se que a produção dos EUA apenas aumente em 700.000 b/d em 2022 para 11,9 b/d, de acordo com o vice-presidente sênior de análise da Rystad Energy, Claudio Galimberti. 

Canadá, Noruega, Guiana e Brasil poderiam tentar preencher a lacuna de oferta e demanda, mas vários apostadores de Wall Street estão apostando que não será o suficiente e os preços do petróleo continuarão elevados.

Para o banco britânico Barclays, o preço do contrato WTI aumentará da taxa atual de US$ 73 para um preço médio de US$ 77 em 2022, observando que a venda de petróleo da Reserva Estratégica de Petróleo pelo governo Biden não é uma forma sustentável de derrubar preços. 

O Barclays entende que os preços podem subir ainda mais do que a previsão se os surtos de COVID-19 forem minimizados e, assim, permitir que a demanda cresça mais do que o esperado. 

O Goldman Sachs compartilha dessa perspectiva otimista e previu um preço do Brent de US$ 85 por barril em 2023, em comparação com os atuais US$ 76,30.

Aumento de custos e produção nos EUA

A indústria de petróleo dos EUA está enfrentando um aumento acentuado nos custos de produção, revelou a última edição da pesquisa de energia do Fed Dallas.

A pesquisa descobriu que, embora a atividade no canteiro de petróleo continuasse a se recuperar durante o quarto trimestre e a produção aumentasse mais rapidamente, os custos também aumentaram, pelo terceiro trimestre consecutivo, e aumentaram acentuadamente.

Em termos de expectativas de preços, o setor está cautelosamente otimista. 

Questionados sobre o preço que suas empresas estão usando para planejar seus gastos de capital, quase um terço disse que estava entre US$ 65 e US$ 70 o barril. 

Uma porção menor de cerca de 25% disse que faria um orçamento com base nos preços do petróleo de US$ 70 a US US$ 75 por barril.

Outra pergunta feita foi sobre os planos de expansão da produção em 2022. De acordo com 49% dos entrevistados na pesquisa, “aumentar a produção” era a meta principal de suas empresas. 

Apenas 15% escolheu como meta principal manter os níveis de produção atuais. Para 13% dos entrevistados, a redução da dívida era a meta principal para 2022.

Brasil pode ter superávit primário em 2021.

O Brasil não consegue fechar as contas públicas no positivo desde 2013. Se conseguir tal feito, o que podemos esperar do Brasil em 2022?

2022 será um ano mais complicado

Aparentemente muitos indicadores relevantes sobre a economia vem dando sinais positivos. O desemprego está em queda, o Brasil terá crescimento substancial do PIB em 2021 e as contas públicas podem fechar no positivo, mas, as expectativas e alguns sinais, dão a entender que tal cenário, positivo, pode não perpetuar em 2022.

Com a inflação e o juro em alta, a atividade econômica pode diminuir. Essa redução, normalmente, é acompanhada de desemprego e queda do PIB.

Dentre todos os indicadores, o crescimento do PIB é aquele que sugere a possibilidade de uma estagnação em 2022.

No decorrer de 2021, o PIB dava sinais de crescimento, podendo chegar aos 5% ou mais, porém,  no meio de 2021 para frente, as expectativas mudaram e os indicadores referentes ao PIB mostraram que o crescimento, provavelmente, não alcançará os 5%.

Mesmo que haja crescimento no PIB, ele já vem perdendo força em 2021 e provavelmente ficará mais fraco em 2022. Isso sugere dificuldades no ano que vem.

O juro alto e a inflação acima da meta também vão influenciar no recrudescimento econômico. Por mais que haja mais pessoas empregadas, a renda das pessoas diminuiu boa parte, por conta da inflação.

A correção de salários e os aumentos que vão ocorrer no ano que vem, provavelmente vão alimentar ainda mais a inflação. Tudo isso, tende a conturbar mais ainda o ano de 2022.

Ibovespa em alta

No último pregão do ano, o Ibovespa conseguiu alcançar valorização de 0,69%. No ano de 2021, a queda foi de 11,81%.

Já o S&P 500 caiu no último pregão. A retração do índice foi de 0,30%, mas com valorização de 29,13% em 2021.

O dólar registrou forte queda frente ao real. A desvalorização do USD/BRL chegou a 2,31%. Com a bolsa mais volátil, o investimento em ações, ou em outros ativos negociados em bolsa pode ser mais difícil em 2022.

Observando essa volatilidade, a renda fixa aparece como ótima alternativa de investimento. O juro provavelmente vai subir mais 1,5% ainda na primeira reunião do COPOM em 2022 e há expectativas que mais aumentos possam ocorrer.

Sendo assim, papéis atrelados ao CDI, ou à Selic, são alternativas interessantes, tanto devido à rentabilidade quanto pela segurança e liquidez.

Ibovespa sobe e dólar cai com resultados fiscais melhores em novembro

O bom resultado das contas públicas animou os investidores no último pregão do ano.

Segundo informação do Banco Central, o setor público consolidado registrou superávit primário de R$15,0 bilhões em novembro, ante déficit de R$ 18,1 bilhões em novembro de 2020. 

Em doze meses, o superávit alcançou R$ 12,767 bilhões, ou 0,15% do PIB.

O resultado é positivo pois indica que as contas públicas estão sob controle, o que deve gerar menores pressões inflacionárias nos próximos períodos, caso seja mantido a trajetória atual.

Com isso, o Ibovespa subia 0,62% até às 11h58, alcançando os 104.778 pontos. Já o dólar caia 2,28%, cotado a R$ 5,573.

Resultado fiscal de novembro

O Governo Central e os governos regionais registraram, na ordem, superávits de R$ 3,5 bilhões e R$ 11,7 bilhões, e as empresas estatais, déficit de R$ 238 milhões. 

No acumulado no ano, o setor público consolidado registrou superávit primário de R$64,6 bilhões, ante déficit de R$651,1 bilhões no mesmo período de 2020. 

Nos últimos doze meses, o setor público consolidado atingiu superávit primário de R$ 12,8 bilhões (0,15% do PIB), resultado que havia sido deficitário em R$ 20,4 bilhões (0,24% do PIB) no acumulado em doze meses até outubro. 

Os juros nominais do setor público consolidado, apropriados por competência, alcançaram R$ 41,6 bilhões no mês, comparativamente a R$ 2,0 bilhões em novembro de 2020. 

Essa evolução foi influenciada pelo resultado menos favorável das operações de swap cambial no período (ganhos de R$ 25,3 bilhões em novembro de 2020 e de R$ 3,0 bilhões em novembro de 2021), e pelo aumento da taxa Selic. 

No acumulado em doze meses, os juros nominais alcançaram R$ 418,0 bilhões (4,86% do PIB), ante R$ 313,4 bilhões (4,23% do PIB) nos doze meses terminados em novembro de 2020. 

O resultado nominal do setor público consolidado, que inclui o resultado primário e os juros nominais apropriados, foi deficitário em R$ 26,6 bilhões em novembro de 2021.

No acumulado dos últimos doze meses, o déficit nominal alcançou R$ 405,2 bilhões (4,71% do PIB), ante R$ 398,7 bilhões (4,68% do PIB) no acumulado até outubro.

Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) e Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG)

A DLSP atingiu 57,0% do PIB (R$4,9 trilhões) em novembro, reduzindo-se 0,1 p.p. do PIB no mês.

Esse resultado refletiu, em especial, os impactos do crescimento do PIB nominal (redução de 0,5 p.p.), do superávit primário (redução de 0,2 p.p.) e dos juros nominais apropriados (aumento de 0,5 p.p.). 

No ano, a relação DLSP/PIB reduziu-se 5,5 p.p., evolução decorrente sobretudo dos efeitos do crescimento do PIB nominal (redução de 8,3 p.p.), da desvalorização cambial acumulada de 8,1% (redução de 1,3 p.p.), do superávit primário (redução de 0,8 p.p.), dos juros nominais apropriados (aumento de 4,6 p.p.) e da variação da paridade da cesta de moedas que integram a dívida externa líquida (aumento de 0,4 p.p.).

A DBGG – que compreende governo federal, INSS e governos estaduais e municipais – atingiu 81,1% do PIB (R$7,0 trilhões) em novembro, reduzindo-se 1,1 p.p. do PIB no mês.

Essa evolução decorreu basicamente dos resgates líquidos de dívida (redução de 1,0 p.p.), do crescimento do PIB nominal (redução de 0,8 p.p.), e da incorporação de juros nominais (aumento de 0,6 p.p.). 

No acumulado do ano, a redução de 7,5 p.p. na relação DBGG/PIB decorreu sobretudo do crescimento do PIB nominal (redução de 11,7 p.p.), dos resgates líquidos de dívida (redução de 1,4 p.p.), da incorporação de juros nominais (aumento de 5,1 p.p.) e da desvalorização cambial (aumento de 0,5 p.p.).

Bradesco voltando a cair, oportunidade à vista!

Após cair mais de 50% entre fevereiro e março de 2020, as ações do Bradesco (BBDC3) entraram em um canal de alta. O papel ficou até junho trabalhando em movimentações de alta, quando fez topo e começou a cair.

Apesar de subir mais de 90% entre a mínima e a máxima, o papel continuava trabalhando mais de 15% abaixo do preço alcançado no início de 2020.

Quando o Ibovespa começou a recuar em junho, as ações do Bradesco também passaram a trabalhar em queda. Após perder a linha de tendência de alta, o ativo caiu até o fundo anterior e começou a trabalhar em uma tendência lateral.

Conforme mostrado no gráfico semanal, após perder a média móvel de 200 períodos, o ativo fez um forte movimento de queda.

Essa movimentação afastou o preço do papel da média móvel de 20 períodos. Em seguida o preço passou a andar de lado e agora que a média chegou no preço, o ativo inicia uma nova queda.

Este padrão é conhecido como Power Breakout e é um poderoso padrão de continuação de tendência.

Na semana passada o ativo chegou a romper o fundo do retângulo, o que acionou o padrão de baixa. No gráfico são apresentados os alvos projetados pelo Power Breakout.

É interessante observar que o terceiro alvo coincide com o suporte gerado em março de 2020.

Caso as ações do Bradesco façam um forte movimento de baixa, pode ser que o papel caia até a região de preços em que estava no início da pandemia.

BBDC4 ainda não perdeu fundo!

É importante destacar que as ações preferenciais do Bradesco (BBDC4) ainda não perderam o fundo do retângulo.

Como se trata da mesma empresa, os gráficos dos dois papéis são muito parecidos. Entretanto, em certas ocasiões, existem algumas divergências, como esta que está acontecendo agora.

A liquidez das ações ordinárias (BBDC3) é muito menor do que a das ações preferenciais (BBDC4). Deste modo, seria interessante esperar até que BBDC4 também perca o fundo e acione o padrão de venda.

Esta seria uma ótima oportunidade para realizar uma operação de swing trade.

Oportunidade de compra

Investidores que buscam boas oportunidades para entrar em um papel que paga bons dividendos devem ficar atentos em Bradesco.

O papel já está em um nível de preço muito interessante, e caso venha a cair mais, ficará ainda melhor.

E isto pode ser notado observando alguns múltiplos atuais, como o Dividend Yield (D.Y), o Lucro por ação (LPA) e o Preço sobre Valor Patrimonial (P/VP).

O D.Y já está em 5,7% e caso o ativo se valorize nos próximos anos, o dividendo sobre o custo (dividend on cost) ficará ainda melhor.

O P/VP está em 1,06, ou seja, o mercado está pagando apenas 6% a mais do que o patrimônio da empresa vale. Este é o menor valor dos últimos 10 anos.

Já o LPA de 2,49 está próximo da média, que é de 2,85 e provavelmente nos próximos anos ficará maior, a medida que o banco for crescendo.

Sendo assim, o Bradesco está dando oportunidades para quem busca fazer uma operação rápida, de alguns dias ou semanas, e também para quem deseja construir renda passiva.

Em 2022, o rumo da bolsa (e da economia) dependerá do preço do petróleo

O Banco Central do Brasil (BC) já deixou claro que perseguirá implacavelmente a inflação, nem que isso tenha que custar a recuperação econômica e os empregos.

Para Roberto Campos Neto, presidente do BC, é preciso criar um choque recessivo para colocar a inflação no lugar e, no longo prazo, permitir que a economia cresça de forma sustentável.

O problema é que, como já mostrei aqui, o Banco Central (BC) está lutando com instrumentos errados, de modo que seus esforços têm pouco contribuído para controlar as principais variáveis que determinaram o ritmo da inflação desde o início da pandemia: o câmbio e os combustíveis.

O fato é que o descontrole do nível de preços é um fenômeno global, verificado em praticamente todos os países do mundo.

A principal crítica de alguns economistas é que os juros é um instrumento usado para combater a inflação quando esta é derivada de fatores de demanda e não de oferta, como é o caso de agora.

As restrições de mobilidade para o combate da pandemia desequilibrou as cadeias globais de produção e interrompeu o fornecimento de commodities e componentes industriais.

A forte subida do petróleo encareceu os combustíveis. No ano, só a gasolina aumentou mais de 70%. Isso torna os combustíveis o principal vilão da alta inflacionária.

Só esse componente foi responsável por 0,72 pontos percentuais do IPCA total de novembro, que ficou em 0,95%. Enquanto isso, os preços dos outros grupos, como alimentos, bebidas, saúde e gastos pessoais vêm caindo consideravelmente nos últimos meses.

Banco Central persegue algo que não pode controlar

Ao insistir no forte choque monetário, que levou a Selic de 2% para 9,75% em menos de um ano, o Banco Central se mostra como reagente de um fator externo que não está ao seu alcance. 

Isso porque a política de preços da Petrobras tem feito ajustes nos combustíveis com base no preço da commodity energética no mercado internacional.

Em relação a isso, não é difícil perceber que o BCB tem pouco poder para afetar os preços do petróleo no mundo.

Dessa forma, o futuro da inflação brasileira (e da economia como um todo) está, indiretamente, nas mãos dos negociantes de petróleo. Se estes aumentarem a demanda pelos contratos de compra, podemos esperar a manutenção da inflação nos próximos meses. Consequentemente, isso induzirá o BC reagir com mais aumentos de juros (além dos quais já estão programados). 

Como resultado, tanto a bolsa de valores quanto a economia podem ir pro vinagre, pois é inviável esperar investidores e empresários tomando risco em um cenário de estagnação e com juros maiores do que 12% ao ano.

O contrário ocorrerá se o petróleo melhorar de preço no mercado internacional. A queda dos combustíveis arrefecerá a inflação e poderá acalmar a mão pesada do BC sobre os juros.

Esse cenário causará uma melhora nas expectativas dos investidores, que irão correr para a renda variável motivados pela visão de um horizonte com juros mais baixos.

Resumindo: tudo dependerá de onde o petróleo irá nos próximos meses. Portanto, você, investidor brasileiro, fique atento a isso.

BC mira inflação mas acerta a recessão

Se tem uma coisa que a autoridade monetária brasileira tem total poder é de determinar os rumos do mercado financeiro e da atividade econômica.

Primeiramente, temos que o aumento desenfreado dos juros afetou fortemente o Ibovespa, que, desde junho, caiu cerca de 20% com o encarecimento do capital.

Mas não é só de bolsa de valores que vive a população, não é mesmo?

O aperto na Selic também tem penalizado intensamente a atividade econômica, jogando o país para uma recessão técnica (quando há dois trimestres seguidos de queda no PIB).

Entretanto, não dá para culparmos totalmente o Banco Central pelo fracasso econômico. A bagunça política e falta de planejamento das políticas econômicas e sociais têm contribuído com boa parcela do pessimismo dos agentes econômicos.

Há economistas, inclusive o próprio Campos Neto, que afirmam que a reação do BC de elevar a Selic é apenas um subproduto da condução irresponsável da política de gastos por parte do governo federal e do congresso, cuja aprovação da PEC dos Precatórios colocou um fim simbólico à regra do teto de gastos. 

Com o descontrole fiscal, sobrou para o BC o papel de compensar o conjunto de estímulos, com uma contração monetária, para tentar manter o nível de preços sob controle.

Porém, o aumento da Selic praticamente eliminaria os efeitos da própria PEC dos Precatórios. Isso porque a subida dos juros pressionará os gastos com serviço da dívida, o que diminuirá, consequentemente, o espaço fiscal aberto pela própria PEC.

A dívida do governo, sob uma taxa Selic que poderá chegar a 12% em 2022, vai subir consideravelmente, de modo que eliminará quase que totalmente o espaço fiscal aberto pela PEC 23.

Diante desse descompasso entre política fiscal e monetária, além dos imbróglios políticos que nos aguardam, é de imaginar que o brasileiro consciente dificilmente esperará algo positivo na economia em 2022. 

Já na bolsa de valores, a depender do petróleo e da reação do Banco Central, talvez dê para visualizar uma recuperação já nos primeiros meses do ano, pois economia real e mercado financeiro nem sempre andam juntos.

Brasil registra superávit em Novembro

Em novembro, o Tesouro Nacional registrou superávit de 3,8 bilhões de reais. O governo federal vem esperando um déficit de 0,4% em 2021, valor próximo dos 40 bilhões de reais, considerando o PIB de 2020 mais um crescimento de 5%.

Ao somar os resultados de janeiro até novembro, o déficit está em 49,3 bilhões de reais. Como podemos ver, o governo espera por mais um superávit em dezembro para conseguir fechar o déficit com 0,4% do PIB, ou um PIB maior.

Contas públicas estão, ou não sob controle?

Por um lado nós temos aumento dos gastos públicos, por meio de novos programas sociais e liberação de emendas, do outro há sinais claros que a arrecadação está aumentando.

Com dados e expectativas inversas, fica difícil determinar o que está ocorrendo e o que pode acontecer.

O déficit de 2021 provavelmente vai ficar abaixo das expectativas do início do ano. Lá no início de 2021, o governo acreditava que o déficit poderia ficar em 1,1% do PIB, número que provavelmente será menor.

O desemprego também vem caindo. Porém, o PIB não está se desenvolvendo. O mercado e o governo esperavam alta do PIB acima dos 5%, porém é provável que o PIB cresça abaixo desse patamar.

Outro ponto que vem perturbando o mercado é a inflação alta e o juro alto. Os dois indicadores, provavelmente, vão permanecer elevados em 2022 também.

Coisa que pode prejudicar as contas públicas e o desenvolvimento do PIB. Portanto, os dados de hoje provavelmente serão piores em 2022.

O que precisamos identificar é se essas expectativas, de um cenário pior, vão se concretizar, ou não.

Se não, é provável que a renda variável comece a reagir e volte aos patamares mais elevados, como os 130 mil pontos que o Ibovespa alcançou em junho de 2021.

Mas, se o mercado cumprir com as expectativas negativas, então o momento deverá ser da renda fixa, com olho na renda variável para capturar oportunidades.

Ibovespa em queda S&P 500 em alta

Hoje foi mais um dia de queda do Ibovespa. O principal índice da bolsa brasileira caiu 0,72%, sendo que o S&P 500 subiu 0,14%. O dólar por sua vez terminou o dia cotado a R$ 5,70, alta de 1,33% frente ao real.

Com um mercado tão volátil, a renda fixa vem se consolidando como uma das melhores alternativas para 2022.

IGP-M de dezembro veio acima do esperado e derruba Ibovespa

A Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgou hoje (29/12) o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado). O índice subiu 0,87% em dezembro, ante alta de 0,02% verificada em novembro.

O índice é normalmente utilizado para reajustes de contratos de aluguel e acumulou alta de 17,78% no ano. Em 2020 a alta dos preços medida pelo IGP-M foi de 23,14%.

O resultado veio maior do que o esperado para o mês de dezembro, enquanto as expectativas apontavam para um índice de 0,65%, de acordo com o site Investing.

Entre os responsáveis pela alta estão os preços da carne bovina e algumas commodities agrícolas.

“O resultado deste mês foi influenciado pela aceleração dos preços de bovinos, reflexo da demanda doméstica e da retomada das exportações e, pela aceleração dos preços de safras afetadas por geadas e seca, como café e cana-de-açúcar”, afirma André Braz, coordenador dos Índices de Preços.

Decomposição do IGP-M

O IGP-M é composto pela ponderação de 3 outros índices: IPA 60%, IPC 30% e INCC 10%.

Para Braz, a alta do IGP-M se deve, em grande medida, pelo valor elevado do IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo), que foi de 20,57% no ano.

Os preços da cana-de-açúcar avançaram 57,13% no ano, enquanto o preço do café subiu 152,35%, no mesmo período.

O IPA  subiu 0,95% em dezembro, após queda de 0,29% em novembro. A principal contribuição para este resultado partiu do subgrupo combustíveis para o consumo, cuja taxa passou de 8,60% para 0,25%, no mesmo período.

Já sobre o IPC (Índice de Preços ao Consumidor), os itens que tiveram maior influência positiva foram a carne bovina (11,69%), café em grãos (12,52%), cana de açúcar (2,83%), adubos e fertilizantes.

Em contrapartida, os produtos que ficaram mais baratos no período foram batata-inglesa (-29,67%), milho em grão (-2,68%), aves (-5,08%), soja em grão (-1,03%) e leite in natura (-3,48%).

Por fim, o INCC (Índice Nacional de Custo da Construção) variou 0,30% em dezembro, percentual inferior ao apurado no mês anterior, quando o índice registrou taxa de 0,71%. 

Com este resultado, o índice acumula alta de 14,03% no ano, ante 8,66% em 2020. 

A taxa do índice relativo a Materiais, Equipamentos e Serviços passou de 1,11% em novembro para 0,49% em dezembro. O índice referente à Mão de Obra variou 0,10% em dezembro, contra 0,28%, em novembro.

Efeito na bolsa de valores

O aumento maior do que o esperado no IGP-M afetou negativamente a bolsa brasileira. O resultado frustrou os agentes de mercado, que estimavam o arrefecimento dos preços neste mês de dezembro.

O receio dos analistas é de que a inflação não caia como o projetado pelo Banco Central e, consequentemente, atue como combustível para o movimento do aumento dos juros (Selic).

Por volta das 12h40 o Ibovespa caía 0,66%, aos 104.215 pontos. Já o dólar subia 0,81%, cotado a R$ 5,67.

Hapvida perde fundo e pode iniciar um forte movimento de queda.

Observando o gráfico semanal da Hapvida (HAPV3), é notado que apesar da queda ocorrida com o início da pandemia, o papel logo se recuperou e superou o topo de 2020.

Porém, após fazer topo, o preço recuou e passou a trabalhar em uma tendência lateral.

Após praticamente ficar seis meses andando de lado, o retângulo foi rompido para baixo e o ativo deu início a um forte movimento de queda.

Conforme mostrado, o preço seguiu caindo até o terceiro alvo projetado pelo retângulo. Depois de alcançar este alvo, o ativo tentou subir. Mas, ao se aproximar da média móvel de 20 períodos, encontrou uma resistência e voltou a cair.

Com o forte movimento de queda, o papel chegou a romper o suporte oferecido pelo terceiro alvo do retângulo. Contudo, o papel conseguiu subir e fechou a semana acima do suporte.

Cenário baixista no gráfico diário

Traçando as retrações de Fibonacci sobre essa movimentação de baixa no gráfico diário, é notado que o ativo subiu até a retração de 61,8% e voltou a cair na sequência.

Contudo, o candle que tocou a retração de 61,8% e superou a média móvel de 20 períodos é nitidamente um movimento de exaustão.

Como o ativo estava subindo após fazer fundo, testou várias vezes a resistência gerada pela retração de 38,2%, sem conseguir rompê-la. Então, quando a média de 20 tocou no preço, o ativo abriu com um grande gap de alta, praticamente sobre a retração de 61,8%. No mesmo dia fez um forte movimento de queda, fechando abaixo da resistência.

Após o candle de exaustão, o preço foi sendo guiado pela média de 20. Ontem o ativo chegou a perder o suporte gerado pelo fundo anterior, mas fechou sobre ele.

Hoje o ativo vem caindo novamente, indicando que irá acionar o pivô de baixa. Isso pode levar o papel a um novo movimento de queda que tem como terceiro alvo o suporte deixado em março de 2020.

Caso o movimento de queda tenha força para romper os suportes intermediários e alcançar o terceiro alvo projetado pelo pivô, o preço das ações da Hapvida poderá voltar ao fundo deixado em março de 2020.