Receio com queda da bolsa faz demanda por opções aumentar nos EUA

Nos EUA, os investidores estão cada vez mais se voltando para a ferramenta das opções para se protegerem caso o mercado de ações caia nas próximas semanas.

Os traders estão aumentando as compras de contratos de opções de venda (chamadas de puts), na esperança de que os derivativos ofereçam uma proteção caso as ações caiam do território recorde. 

Vários são os fatores para justificar uma possível queda.

Primeiramente, o fato do S&P 500 está constantemente renovando seu topo histórico, sem uma alta correspondente nos lucros das empresas, é um indicativo de que as ações podem estar caras.

Além disso, há o receio de uma nova onda de disseminação da variante do coronavírus, chamada de Ômicron. 

Outro fator que tem causado apreensão entre os investidores é a política monetária mais rígida do Federal Reserve (Fed), que deve aumentar os juros em meados de 2022.

Tudo isso tem levado tanto os comerciantes de varejo quanto os institucionais a adotarem medidas para se proteger contra uma eventual reviravolta dos mercados.

O que são opções?

Opções são contratos negociados no mercado financeiro que dão ao seu detentor o direito de comprar ou de vender um determinado ativo por um valor estabelecido em uma data específica do futuro. 

Um contrato de opção estabelece um preço predefinido (preço de exercício, também chamado de strike) e uma data de vencimento em que a negociação poderá ou não ocorrer, a depender da situação.

Basicamente, há dois tipos de contratos de opções:

  1. Opções de venda (chamadas de put);
  2. Opções de compra (chamadas de call).

Dessa forma, a pessoa que comprou uma opção de compra (call) de uma ação terá o direito de exercer a compra do ativo a um preço determinado em uma data futura (data de vencimento).

Enquanto que, do outro lado, a pessoa que vendeu a call terá a obrigação de comprar o ativo ao preço estabelecido na data acordada.

O contrário ocorre em contratos de puts (opções de venda). Ou seja, o comprador terá o direito de vender a ação pelo preço estipulado, enquanto que o vendedor da opção terá que fazer a compra caso o titular exerça seu direito.

Em termos gerais, todo direito é acompanhado de um dever. Caso eu queira ter o direito de negociar um ativo a um determinado preço específico, outra pessoa terá que assumir um dever com essa negociação.

Para adquirir uma opção é preciso pagar um certo preço (prêmio da opção). Esse valor irá para o agente que aceitar incorrer na obrigação estipulada no contrato.

O que o aumento da procura de opções significa?

A mudança de comportamento dos investidores nos EUA é uma mudança digna de nota. Isso porque indica que a sensação de incerteza e o medo vem aumentando entre os agentes de mercado, o que pode gerar uma fuga das bolsas a partir de pequenos ruídos negativos.

“Quando você tem inflação, registra altos preços de ativos e taxas de juros em alta, isso cria uma tempestade perfeita para pessoas que desejam comprar um pouco de proteção extra”, disse Tom Sosnoff, cofundador da corretora Tastyworks. 

“Sempre que você consegue recordes de alta, as pessoas pensam ‘quando é que o sapato vai cair?’.”

Vishal Vivek, estrategista do Goldman Sachs, observou que as negociações de opções de venda de ações atingiram um recorde de US$ 353 bilhões em 3 de dezembro e que os volumes diários médios de negociação de US$ 233 bilhões em novembro foram um recorde histórico. 

Vivek acrescentou que a média de volume de venda diária de US$ 217 bilhões em dezembro permaneceu elevada “apesar de um declínio nas opções de compra de ações individuais”. 

Há sinais de que parte dessa compra está vindo de traders varejistas. Jason Goepfert, da SentimenTrader, estima que cerca de 23% dos novos contratos de opções de varejo abertos na semana encerrada em 17 de dezembro foram para opções de venda, ante 16% no início de novembro.

Van Dooijeweert acrescentou que não foram simplesmente os comerciantes de varejo se voltando para as opções. Os grandes gestores de dinheiro também estão se movimentando em torno de contratos de opções, usando-os para proteger suas carteiras em vez de títulos do Tesouro.

De acordo com dados da Cboe Global Markets e Option Metrics, no geral, o número de contratos de venda em aberto aumentou mais de 25% desde o final de 2019.

Desemprego em queda

Taxa inferior em comparação ao mesmo trimestre móvel de 2020, quando o desemprego estava em 14,6%.

Mas, mesmo com mais empregos no mercado, a renda da população vem caindo. Realizando a mesma comparação entre os trimestres móveis de 2020 e 2021, a queda na renda foi de 11,1%.

Boa parte dessa queda está vinculada à inflação. Querendo ou não, em 2021, o IPCA vem crescendo e até o momento está em 10,74% nos últimos 12 meses.

Inflação e poder de compra

Com mais pessoas empregadas, é possível que mais pessoas venham a se tornar ativas no mercado, consumindo, porém, com a inflação alta, o poder de compra fica reduzido, fato que vai contribuir para um consumo mais tímido.

Mesmo aqueles que já estavam empregados, podem enfrentar problemas em manter o poder de compra e o padrão de vida.

Na verdade, tudo isso gera dúvidas para 2022. Com o novo ano, muitos trabalhadores vão sofrer correções em seus salários.

O aumento vai proporcionar mais pressão sobre os resultados das empresas, fato que pode exigir maior repasse nos preços, coisa que funciona como um combustível para a inflação. Se 2021 já foi um ano difícil, 2022 pode ser ainda mais complexo.

Mercados em baixa

Hoje foi um dia negativo para as bolsas. No início do dia, até houve um movimento de valorização, mas até o final do dia, as bolsas caíram.

O Ibovespa fechou o dia em queda de 0,6% enquanto o S&P 500 fechou com retração de 0,10%. O dólar ficou estável, cotado a R$ 5,63.

A volatilidade do mercado nacional provavelmente vai permanecer em 2022. Observando isso, o investidor precisa analisar melhor as oportunidades na renda fixa e em investimentos no exterior.

Com a crescente entrada de ETF e formação de fundos de índices, há diversas oportunidades de investimento.

Enquanto ETFs que acompanham os mercados brasileiros, como é o caso de BOVA11 e SMAL11 amargaram queda de 11,42% e 16% em 2021, IVVB11, ETF que segue o S&P 500, vem alcançando valorização de 39,48%.

Além do IVVB11 e de outros ETF que seguem o mercado norte americano, há também opções focados em outros mercados, como é o caso de EURP11 (que segue o índice MSCI Europe).

Só em 2021, o ETF vem ganhando mais de 18%. Ao diversificar a carteira com investimentos de outras regiões os riscos diminuem e cresce a oportunidade de conseguir ganhos mais consistentes e com menos volatilidade.

Taxa de desemprego cai mais do que o esperado e derruba Ibovespa

A taxa de desemprego no Brasil caiu para 12,1% no trimestre encerrado em outubro, de acordo com dados divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os dados foram melhores do que as expectativas dos agentes de mercado, que esperavam uma queda da taxa de desemprego para 12,3%.

A população desocupada caiu 10,4% na comparação com o trimestre anterior – de 14,4 milhões de pessoas para 12,9 milhões. 

Na comparação anual, a queda foi de 11,3% – eram 14,6 milhões de desempregados no trimestre encerrado em outubro de 2020.

Apesar da queda do desemprego, o rendimento médio da população ocupada encolheu 11,1% em 12 meses, para R$ 2.449,00, sendo o menor nível desde o início da série histórica, em 2012.

Outro fator negativo foi o recorde no número de trabalhadores por conta própria, o que significa aumento da informalidade.

A taxa de informalidade manteve a trajetória de alta, atingindo 40,7% da população ocupada, ou 38,2 milhões de trabalhadores. No trimestre anterior, a taxa havia sido 40,2% e, no mesmo trimestre de 2020 estava em 38,4%.

Desemprego em baixa pressiona bolsa de valores

Se, de um lado, a melhora dos dados de desemprego é um sinal positivo para a retomada da economia, de outro, isso tem efeito negativo sobre a renda variável.

Isso porque a sinalização de uma recuperação econômica mais rápida do que a esperada gera uma pressão adicional sobre os índices de inflação

Consequentemente, as expectativas de que o Banco Central manterá sua política de aumento dos juros ganham força frente à tese de que uma provável desaceleração arrefeceria a elevação dos preços.

De acordo com o relatório Focus, os economistas de mercado estimam uma Selic de 11,50% em 2021, embora as previsões de juros acima dos 12% estejam no radar de muitos analistas.

Com isso, o Ibovespa operou em queda de 0,83% na primeira parte do pregão de hoje, indo na contramão dos principais mercados mundiais, que sobem nesta terça-feira (28/12).

Queda da Vale

Outro fator que explica a queda do Ibovespa no dia de hoje é o desempenho negativo das ações da Vale (VALE3).

Até às 13h26 as ações da mineradora caíam 2,76%. Entre os motivos estão a queda de mais de 3% dos contratos futuros do minério negociados em Dalian, devido a preocupações com excesso de oferta, já que as usinas retomarão a produção nos próximos meses.

Soma-se a isso o contratempo nas negociações envolvendo a joint venture Samarco – que pertence à Vale e BHP – com credores em conversas para um acordo de recuperação judicial.

Ações de tecnologia foram destaque em 2021 e seguem recomendadas

O termo FAANG é usado entre os investidores de ações para descrever o grupo das maiores empresas do setor de tecnologia: Facebook (agora Meta), Amazon, Apple, Netflix e Google.

Embora estejam de fora da sigla, talvez seja apropriado incorporar mais dois nomes neste conjunto: a Tesla e a Microsoft

Há alguns analistas que optam por chamar essas ações de “ações de uma única decisão”, ou seja, são ações que você deve comprar e nunca mais vendê-las.

Isso porque estas são talvez as companhias com maior potencial de inovação e adaptabilidade do mundo. 

A tecnologia é um dos principais fatores responsáveis pelo crescimento das empresas e das sociedades. 

É a partir das inovações tecnológicas que a humanidade se desenvolveu, criou novos produtos, novos empregos, diferentes formas de se relacionar e elevou seu nível de bem-estar.

E se há algum lugar que as próximas inovações deverão se desenvolver, é muito provável que as ações FAANGs contribuirão de alguma forma.

Entretanto, como é de praxe lembrar, todo potencial ganho é acompanhado de um grau de risco de mesmo tamanho. E isso não é diferente com as ações que citamos aqui.

Elas estão precificando um crescimento de lucro abismal para os próximos anos. Caso este crescimento não ocorra, é bem provável que suas cotações caiam fortemente.

Porém, se o crescimento for igual ou acima do esperado, é também igualmente esperado que os preços continuem subindo ininterruptamente.

Desempenho em 2021

Todas as ações citadas aqui possuem suas versões em BDRs (Brazilian Depositary Receipts), que permitem aos investidores brasileiros investirem sem precisar enviar dinheiro para o exterior.

Estas podem ser acessadas a partir dos seguintes tickers:

  • Alphabet (dona da Google): GOGL34
  • Amazon: AMZO34
  • Apple: AAPL34
  • Facebook (atualmente chamada de Meta): FBOK34
  • Microsoft: MSFT34
  • Netflix: NFLX34
  • Tesla Motors: TSLA34

Ao contrário das ações brasileiras, as BDRs das gigantes da tecnologia se valorizaram fortemente neste ano de 2021. 

Uma pequena parte se deve ao dólar, que subiu cerca de 9% neste ano. Porém, a maior parcela dos ganhos se deve às perspectivas positivas para o futuro.

Em ordem de desempenho das BDRs do grupo de gigantes da tecnologia que mais subiram no ano, temos: Google (+81%), Microsoft (+67,7%), Tesla (+62%), Apple (+ 48,2%), Facebook (+37,6%), Netflix (+25%), Amazon (+13,6%).

Recomendações

Quem investiu nas ações de tecnologia em 2021 teve bons ganhos, ultrapassando o Ibovespa no ano. 

Apesar da Alphabet ter sido a maior alta do ano, se engana quem achar que a ação chegou ao topo e não tem muito ainda a entregar.

Para a UBS, a dona da Google ainda tem um bom caminho de subida pela frente e deve continuar apresentando um desempenho superior frente ao mercado.

De acordo com o relatório do banco, o preço-alvo das ações da Alphabet negociadas nos EUA é de US$ 3.925,00, o que nos dá um potencial de ganho de cerca de 32% em relação à cotação atual.

Outra companhia com boa recomendação é a Apple. As ações negociadas no mercado americano estão com recomendação de compra pelo banco Morgan Stanley, com preço alvo de US$ 200,00. 

Aqui o potencial de ganho é menor, de 17,6%, mas que pode aumentar a depender da mudança de expectativas na medida em que os projetos da companhia forem tendo sucesso.

Ecorodovias pode iniciar queda livre!

As ações da Ecorodovias realizaram um belo movimento de alta entre abril de 2019 e janeiro de 2020. Infelizmente com a pandemia a empresa perdeu mais de 50% do valor de mercado e depois da queda entrou em uma grande consolidação.

Conforme mostrado, a figura formada foi um triângulo simétrico. Geralmente essa é uma figura de reversão, mas a mesma foi rompida para baixo, o que deu impulso para uma nova queda.

As linhas tracejadas representam importantes suportes que o ativo criou em anos anteriores. Com a crise econômica gerada pela pandemia, as ações da Ecorodovias caíram até a região do suporte, que segurou o preço duas vezes. Com o movimento de queda após o rompimento do triângulo, o suporte foi testado novamente.

O suporte segurou o preço por várias semanas, mas em um forte movimento de baixa, o suporte foi rompido, abrindo caminho para a continuidade da queda.

Com a forte queda das últimas duas semanas, o ativo alcançou o primeiro alvo da consolidação formada sobre o suporte.

Observando o gráfico diário, é notado que o alvo vem se comportando como um suporte, segurando o preço por diversos dias. No entanto, a força vendedora continua pressionando o preço para baixo e hoje o suporte está sendo rompido.

Papel vai entra em queda livre?

Conforme mostrado no gráfico, o segundo alvo projetado pelo retângulo está justamente sobre o outro suporte que foi destacado pela linha tracejada.

Caso o suporte segure o preço, e um padrão de reversão seja formado, é provável que o ativo consiga fazer um movimento de alta para se afastar do fundo. Entretanto, se o suporte for perdido, o caminho estará livre para um novo movimento de queda.

Observando o gráfico mensal para verificar onde se encontra o próximo suporte, é visto que o fundo formado em janeiro de 2016 é a região de suporte mais evidente.

Caso o suporte da região dos R$6,70 seja perdido, o ativo terá caminho livre até a região dos R$2,90, que é onde se encontra o suporte de 2016.

No entanto, traçando os alvos do triângulo que foi rompido, é visto que o alvo de 100% está na região dos R$5,50. Normalmente o alvo de uma figura se comporta como um suporte para movimentos de queda. Assim, também é possível que o ativo caia até essa região de preços e consiga subir na sequência.

De qualquer forma, o cenário não está propício para a empresa. A menos que algo muito bom aconteça, como um ótimo resultado do quarto trimestre, por exemplo, é esperado que o preço das ações continue caindo.

Último Boletim Focus do ano

A redução foi pequena, mas ao considerar a elevada inflação que existe, mais uma semana de retração nas expectativas traz mais tranquilidade ao mercado.

Com relação ao juro, o mercado ainda espera a Selic por volta dos 11,5% em 2022, sendo que para 2023 é esperado Selic em 8% e 7% em 2024.

Mercados em alta

Hoje foi um bom dia para os mercados. O S&P 500 registrou alta de 1,38% enquanto o Ibovespa fechou o dia em alta de 0,63%.

O dólar fechou o dia em queda de 0,82%, cotado a R$ 5,63. A expectativa é que os mercados continuem bem até o final de semana.

Normalmente, os últimos dias do ano são marcados por um bom desempenho dos mercados, devido ao fechamento do ano.

Na tentativa de rentabilizar fundos e carteiras, muitos gestores e investidores veem o final do ano como uma oportunidade de incrementar os desempenhos da carteira.

Bom humor continua em 2022?

Há muitas dúvidas com relação ao bom humor dos mercados para 2022. O ano de 2021 não foi livre da pandemia e além da COVID-19, o mundo enfrentou diversos outros problemas, como é o caso da crise imobiliária na China, as variantes da COVID-19, além da alta inflação.

Mas ainda sim, mesmo com tantos problemas, os mercados reagiram e entregaram ótimos resultados. Só o S&P 500 vem registrando valorização de 29,47%.

Já com relação ao Brasil, a inflação aconteceu mais rápido e com mais força do que o esperado.

Com receio da influência da inflação, o Banco Central subiu o juro. Se antes havia uma Selic de 2% ao ano, agora a taxa de juro está em 9,25%, sendo esperado um juro ainda maior para 2022.

Como o juro está elevado e a inflação também, a renda fixa ganhou notoriedade em 2021 e tem tudo para iniciar 2022 no centro das atenções.

Tanto letras do Tesouro quanto títulos, como os CDBs, LCIs e LCAs são ativos interessantes para se manter na carteira.

Dentre as opções de CDB, LCI, LCA e letras do Tesouro, aquelas mais vantajosas no momento, são as pós fixadas e atreladas ao IPCA.

As prefixadas, que possuem a rentabilidade atrelada à taxa de juro prefixada, ainda não são tão interessantes, devido a probabilidade de a Selic subir ainda mais.

Quando a Selic estabilizar e a inflação mostrar sinais de queda, aí as prefixadas entram no radar para serem adquiridas.

Último relatório Focus do ano mostra mercado pessimista com crescimento

O Banco Central divulgou nesta segunda-feira (27/12) o último relatório Focus do ano de 2021. Os dados mostram as expectativas dos agentes de mercado para as diversas variáveis macroeconômicas.

Em linha com a tendência de piora dos últimos relatórios, os economistas das principais instituições financeiras estimaram uma piora no ritmo de crescimento econômico. 

Para este ano, os agentes preveem uma alta de 4,51% do PIB. O valor é abaixo das estimativas anteriores, de 4,58% na semana passada e 4,78% há quatro semanas atrás.

Para 2022 as previsões também são mais pessimistas, e vêm caindo há várias semanas. Atualmente, os analistas enxergam um crescimento de 0,42%, ante 0,50% na semana passada, e 0,58% há um mês.

Inclusive, há instituições que preveem recessão para a economia brasileira no ano que vem.

Inflação e câmbio

Para a inflação as expectativas são um pouco melhores, mas não animadoras. Isso porque as quedas dos componentes do IPCA dão a entender que o pior já passou.

Dessa forma, as estimativas para o aumento dos preços se estabilizaram, com o mercado esperando uma inflação de 5,03% no próximo ano, e 10,02% para 2021.

Para 2022, as previsões são as mesmas já fazem um mês, enquanto que para 2021 as projeções vêm caindo (a inflação esperada para o período era de 10,15% há um mês atrás).

Outra variável que também tem apresentado estabilidade nas expectativas é o câmbio. De acordo com o Focus, é esperado que o dólar termine 2021 cotado a R$ 5,63. Para 2022, a moeda norte-americana é estimada para ficar ao redor dos R$ 5,60.

Selic

A Selic é uma das variáveis mais importantes para a determinação da direção dos mercados. 

Quando há expectativas de alta, a tendência é que a bolsa de valores caia, pois isso eleva o custo de oportunidade dos investimentos, além de afetar negativamente a precificação dos ativos pelo modelo do fluxo de caixa descontado.

Conforme o relatório Focus, os agentes de mercado estimam que a Selic encontrou seu topo na faixa dos 11,50%, não devendo subir mais do que isso em 2022.

Essa previsão é a mesma das semanas anteriores, o que indica uma estabilização das expectativas.

Para 2023 temos a mesma estabilidade, com os economistas de mercado estimando uma Selic mais baixa, na casa dos 8%.

Porém, tudo isso pode mudar, uma vez que os agentes ficarão de olho na inflação dos próximos meses e seu impacto no comportamento do Banco Central.

Uma inflação melhor do que a esperada pode fazer com que as previsões para a Selic comecem a cair e, por sua vez, confirmar a recuperação da renda variável. 

Por outro lado, uma inflação pior do que a esperada tende a causar o efeito contrário.

Portanto, o investidor deverá se manter atento ao comportamento destas variáveis e das expectativas para se posicionar bem e aproveitar a volatilidade do próximo ano, que ainda contará com o fator das eleições.

BTG Pactual caiu mais de 40% desde agosto, mas pode estar fazendo fundo.

O Banco BTG Pactual (BPAC11) vem se transformando nos últimos anos, abraçando o mundo digital e se tornando um banco de investimentos digital. A proposta é muito interessante, principalmente em um mercado como o Brasil, onde menos de 2% da população investe na bolsa de valores.

Com o avanço dos bancos digitais, o BTG Pactual foi se aproveitando dessa onda e em 2019 suas ações se valorizaram mais de 220%.

Em 2020, devido a crise econômica gerada pela pandemia, o banco chegou a perder quase 70% do valor de mercado. Porém, fez da crise uma oportunidade e começou a comprar outras empresas, abraçando de vez o mercado digital. Com isso, o preço das ações entrou em um forte movimento de alta, fazendo o ativo fechar o ano com aproximadamente 23% de alta.

Neste ano o BTG Pactual continuou crescendo e as ações fizeram um novo movimento de alta, alcançando uma valorização de 37%. No entanto, após fazer topo, em julho, o preço começou a cair e o papel continua trabalhando em tendência de baixa.

Correção do gráfico semanal

Observando o gráfico semanal é notado que o ativo se mantinha trabalhando acima de uma linha de tendência de alta. Quando o suporte foi perdido, deu início a um movimento de correção.

Traçando as retrações de Fibonacci de todo o movimento de alta, é observado que o ativo corrigiu até a retração de 50%. Esta retração vem servindo de suporte, visto que também coincide com a região de topo formada antes da pandemia.

Caso o suporte segure o preço, é possível que o ativo volte a subir, mas no gráfico diário o cenário é de baixa.

Falha de rompimento no gráfico diário

No gráfico diário é visto que o ativo vinha trabalhando em um canal de baixa, que foi rompido para cima no início de dezembro.

Porém, apesar do canal ter sido rompido, outra resistência segurou o preço.

Traçando as retrações de Fibonacci sobre o último movimento de baixa, é visto que a retração de 61,8% segurou o preço.

O ativo tentou superar a resistência cinco vezes, mas o preço sempre fechou abaixo da mesma.

Agora é a média móvel de 20 períodos que vem guiando o preço. Caso o ativo consiga subir e romper o topo, estará acionando um pivô de alta alinhado com a média de 20. Este é um padrão de alta muito poderoso, o que poderia dar início a uma nova tendência de alta.

Entretanto, o cenário atual não parece ser propício para que isto aconteça.

Considerando que a retração de 61,8% se comportou como uma resistência, o mais provável é que o ativo perca a média de 20 e, se isso acontecer, volte a fazer um movimento de baixa.

Entrada do Nubank na bolsa

O Nubank está se tornando um forte concorrente do BTG Pactual. Com a entrada na bolsa de valores, o Nubank criou um programa de captação de clientes (Nu sócios) para a sua plataforma de investimentos ( Nu invest).

Com o Nu sócios foram distribuídos 7,5 milhões de “pedacinhos” do Nubank aos clientes elegíveis do banco. O objetivo do Nubank é levar o maior número possível de pessoas a investir na bolsa de valores através do Nu invest.

Entretanto, apesar da concorrência, a entrada de mais pessoas na bolsa de valores pode beneficiar o BTG Pactual. Além disso, caso outros bancos digitais criem um projeto similar ao do Nubank, é possível que todo o mercado se beneficie.

Investimentos ESG e políticas ambientais podem impulsionar mineradoras

Com os investimentos ESG (Ambiental, Social e Governança, na sigla em inglês) ganhando impulso rapidamente e as metas de mudança climática se aproximando, as empresas de mineração estão sendo forçadas a alinhar os gastos de capital.

Com as promessas de redução de emissões, vários investidores ativistas e institucionais passaram a exigir a venda de portfólios inteiros de combustíveis fósseis e os demais que são nocivos para as metas de emissão de carbono.

Isso tem impactado fortemente as decisões de desinvestimento das principais mineradoras do mundo.

Três anos atrás, a Rio Tinto fez o que parecia ser impensável: vendeu todo o seu portfólio de carvão térmico em Queensland, Austrália. 

A companhia vendeu sua holding Coal & Allied para a concorrente Glencore por cerca de US $ 1,7 bilhão. 

Também vendeu sua participação na mina subterrânea de carvão Kestrel para um consórcio formado pela gestora de private equity EMR Capital e PT Adaro Energy Tbk por US $ 2,25 bilhões. 

Com essas vendas, a Rio Tinto se tornou a única grande empresa global com ativos zero de carvão.

Outra mineradora que tem avançado no mesmo sentido é a BHP, segunda maior empresa do setor. 

A diferença é que a BHP tem sido mais implacável em se distanciar da exploração de petróleo e gás.

Em agosto de 2021, a BHP anunciou que deslocaria seus ativos de petróleo e gás para uma joint venture com a australiana Woodside. 

Embora, na prática, isso não signifique um abandono completo da exploração de petróleo e gás, ao menos é uma indicação clara de que a segunda maior mineradora do mundo está saindo da indústria de combustível à base de carbono.

Além disso, a BHP também está se desfazendo de seus ativos de carvão térmico. Recentemente vendeu sua participação na mina de carvão Cerrejon, em Columbia, para a Glencore. 

Enquanto isso, a empresa baixou o valor de sua mina Mt Arthur, em Hunter Valley, na Austrália, enquanto continua a procurar um comprador. 

Foco nos metais

Todo esse desinvestimento ainda não gerou queda de emissões de carbono, pois, na prática, o que foi visto até então foi apenas transferências de propriedade, de modo que a exploração continua no mesmo ritmo.

Tudo isso tem sido feito para agradar aos investidores ESG para que as companhias do setor de mineração diminuam suas emissões de carbono.

Por outro lado, as mineradoras têm outro motivo poderoso para se livrar de suas atividades poluentes e se concentrar em sua competência principal: os metais deverão sofrer um boom nas próximas décadas.

As mineradoras obtiveram grandes lucros este ano, à medida que os preços do metal e das commodities disparam.

A transição energética está impulsionando o próximo super ciclo de commodities, com imensas perspectivas para fabricantes de tecnologia e investimentos em energias sustentáveis.

De acordo com o provedor de pesquisa de energia BloombergNEF, estima-se que a transição global exigirá cerca de US$ 173 trilhões em fornecimento de energia e investimento em infraestrutura nas próximas três décadas. 

As expectativas são de que a energia renovável que deverá fornecer 85% das necessidades de energia do planeta até 2050.

Com isso, as perspectivas para a indústria de metais são as melhores possíveis. 

Isso porque as tecnologias de energia limpa requerem mais metais do que suas contrapartes baseadas em combustíveis fósseis. 

De acordo com uma análise recente da Eurasia Review, os preços do cobre, níquel, cobalto e lítio podem atingir picos históricos por um período sustentado sem precedentes em um cenário de emissões líquidas zero.

O valor total da produção pode subir mais de quatro vezes entre 2021 e 2040, e rivalizando até mesmo com o valor total da produção de petróleo bruto.

No cenário de emissões líquidas zero, o boom da demanda de metais deverá elevar o volume de metais negociados, totalizando US$ 13 trilhões acumulados nas próximas duas décadas apenas para os quatro metais citados.

2021, um ano de mudança de estratégia.

Ainda em 2021, em meados de junho, o Ibovespa alcançava os 130 mil pontos, enquanto o dólar chegava à casa dos R$ 5,00. Ainda no final do mês de junho, o dólar beirou os R$ 4,90.

Momento onde as coisas pareciam se estabilizar e havia uma expectativa de melhora da economia. Mas a inflação começou a ficar mais forte, o PIB não cresceu de forma esperada e os juros começaram a subir.

Da renda variável para renda fixa

A mudança de estratégia ocorreu a partir do momento em que a inflação se tornou forte o suficiente para puxar a alta da Selic.

Com a alta da inflação e a alta do juro, ativos de menor risco, como as letras do Tesouro, CDB, LCI e LCA se tornaram muito mais atraentes.

Tanto os títulos pós fixados quanto os pré-fixados começaram a render mais. Conforme o a inflação medida pelo IPCA foi subindo, as expectativas com relação ao aperto monetário foram sendo corrigidas, havendo mais aumentos.

Desse modo, as expectativas sobre o juro futuro também foram corrigidas. Se antes era difícil ver uma letra do tesouro IPCA pagando 5% mais inflação, agora tal rentabilidade é fácil de ser vista, inclusive, houve um momento onde a taxa chegou a ultrapassar os 5,5% mais IPCA.

Já as letras prefixadas que só possuem a taxa prefixada como rendimentos chegaram a ultrapassar os 12% ao ano.

O Tesouro Selic, que possui rendimento atrelado a própria taxa de juro, estava pagando 2% ao ano, mas até o final de 2021, passou aos 9,25%, conforme alta da taxa Selic.

Tudo isso vem colaborando para atrair a atenção dos investidores que preferem menos riscos e ganhos mais estáveis.

A renda variável morreu?

Não, mas os ganhos com a renda variável serão mais difíceis. As expectativas são de tempos mais difíceis para a renda variável, principalmente considerando as eleições do ano que vem.

A cada pesquisa, o mercado pode reagir de forma diferente. Ao analisar as eleições que ocorreram nos últimos anos, ao menos nas duas últimas eleições presidenciais, os mercados ficaram muito voláteis e isso não trouxe bons rendimentos para aqueles que investem no longo prazo.

Mas, existe sim a possibilidade de aproveitar oportunidades pontuais. Em momentos de forte queda, investimentos, como os ETF e fundos passivos de índices, podem ser ótimas alternativas.