Dólar avança ante real com Ômicron abalando sentimento de risco global

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) -O dólar começava a semana –que deve contar com liquidez reduzida devido à aproximação das festas de fim de ano– em alta frente ao real, já que investidores de todo o mundo buscavam ativos considerados seguros nesta segunda-feira em meio a temores de que a variante Ômicron do coronavírus leve grandes economias a adotar medidas mais rígidas de combate à Covid-19.

Às 9:55 (de Brasília), o dólar à vista avançava 0,42%, a 5,7084 reais na venda.

Na B3, às 9:55 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,11%, a 5,7195 reais.

“Mercados globais estão abrindo a semana em tom de ‘risk-off’ (aversão a risco), com investidores de olho na piora do quadro sanitário global”, disse em nota Victor Beyruti, economista da Guide Investimentos. “Ativos de risco não deverão escapar do contágio pela piora de sentimento generalizada que caracteriza os mercados internacionais.”

Após a Holanda decretar lockdown no domingo –possivelmente pressionando outras economias europeias a adotar medidas semelhantes para frear a disseminação da cepa Ômicron-, as bolsas europeias e os futuros de Wall Street caíam com força nesta segunda-feira. [.EUPT][.NPT]

Nos mercados de câmbio, o índice do dólar frente a uma cesta de seis rivais caía 0,13%, mas estava próximo de uma máxima desde meados do ano passado. A moeda da Austrália, vista como indicador do apetite por risco global, perdia 0,2% nesta manhã.

Além dos receios associados à pandemia, economistas do Bradesco chamaram a atenção para “liquidez reduzida (nos mercados internacionais) por conta das festividades de final de ano”. Os negócios serão encurtados nesta semana pela véspera de Natal, que cai na sexta-feira.

Em relatório divulgado nesta segunda-feira, os especialistas do banco também disseram que o foco dos participantes do mercado cairá sobre indicadores econômicos tanto do Brasil –com divulgação na quinta-feira do IPCA-15 de dezembro– quanto dos Estados Unidos, que publica durante a semana leituras sobre o Produto Interno Bruto (PIB) e o índice de preços PCE.

À medida que este ano chega ao fim, participantes do mercado começavam a olhar ainda para os desafios do real para 2022, quando o dólar deve se beneficiar globalmente de altas de juros nos EUA. No âmbito local, as eleições presidenciais podem elevar as incertezas no mercado num período de crescimento econômico provavelmente fraco.

A pauta fiscal também segue no radar, em meio à percepção de que a credibilidade do Brasil foi abalada nos últimos meses pela pressão do governo por mais gastos, que levou, no fim das contas, a alteração na regra do teto de gastos por meio da PEC dos Precatórios, recém-promulgada.

Nesta segunda-feira, havia expectativa de votação do relatório final do Orçamento de 2022 na Comissão Mista do Orçamento.

Na última sessão, na sexta-feira, o dólar spot subiu 0,08%, a 5,6845 reais na venda.

O Banco Central fará neste pregão oferta líquida de até 14 mil contratos de swap cambial tradicional, distribuídos entre os vencimentos 1° de agosto de 2022 e 3 de outubro de 2022.

A autarquia também disponibilizará até 15 mil contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 1° de fevereiro de 2022.

(Edição de Camila Moreira)

Comércio de bens recua no 3º tri e Ômicron eleva riscos, diz OMC

GENEBRA (Reuters) – A Organização Mundial do Comércio (OMC) disse nesta segunda-feira que o comércio global de mercadorias caiu 0,8% no terceiro trimestre, acrescentando que o surgimento da variante Ômicron do coronavírus eleva o risco de não atingir a taxa de crescimento prevista para 2021.

O volume de comércio recuou entre julho e setembro devido a interrupções na cadeia de abastecimento, escassez de insumos para produção e aumento dos casos de Covid-19, disse a OMC em comunicado em seu site.

A meta de crescimento para 2021 ainda pode, teoricamente, ser alcançada, disse a OMC, mas o surgimento da Ômicron “inclinou o balanço de riscos para o lado negativo, aumentando a chance de um resultado mais negativo.”

(Por Emma Farge)

Superintendência do Cade declara como “complexa” venda de ativos da Sanofi para Hypera

Por Andre Romani

SÃO PAULO (Reuters) – A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) declarou “complexa” a compra de ativos da Sanofi pela Hypera, segundo despacho no Diário Oficial da União nesta segunda-feira.

O negócio, anunciado em julho, envolve a aquisição de 12 marcas de medicamentos isentos de prescrição e de prescrição no Brasil, México e Colômbia por 190,3 milhões de dólares. Entre os produtos estão o analgésico AAS, o fitoterápico Naturetti e o antisséptico Cepacol.

Em nota técnica, o órgão disse que a análise feita mostra concentrações elevadas em setores dos mercados de laxantes, estimulantes e de descongestionantes nasais de venda sob prescrição médica.

O Cade requisitou novas informações com prazo de 30 dias e reiterou que, caso seja necessário, o caso poderá ser decidido pelo Tribunal do órgão.

Em novembro, a Hypera informou a venda para o laboratório Eurofarma de portfólio de produtos farmacêuticos na Côlombia e México por 51,6 milhões de dólares. Segundo a Hypera, esses ativos fizeram parte da negociação com a Sanofi.

Fórum Econômico Mundial adia reunião de Davos em meio a pandemia

ZURIQUE (Reuters) – O Fórum Econômico Mundial adiou até meados de 2022 sua reunião anual que deveria ocorrer em janeiro no resort suíço de Davos, disseram os organizadores nesta segunda-feira.

O evento, um ponto de encontro para líderes políticos e empresariais de todo o mundo, foi adiado devido à contínua incerteza sobre o surto da variante Ômicron, disse a organização.

“As atuais condições de pandemia tornam extremamente difícil realizar uma reunião presencial global. Os preparativos têm sido guiados por conselhos de especialistas e se beneficiam da estreita colaboração do governo suíço em todos os níveis”, disse o Fórum, com sede em Genebra, em seu site.

“Apesar dos rígidos protocolos sanitários da reunião, a transmissibilidade da Ômicron e seu impacto nas viagens e na mobilidade tornaram o adiamento necessário.”

(Por Michael Shields)

É muito cedo para pensar em normalizar a política monetária, diz chefe do BC do Japão

Por Tetsushi Kajimoto

TÓQUIO (Reuters) – O presidente do banco central do Japão, Haruhiko Kuroda, disse nesta segunda-feira que é muito cedo para considerar a normalização da política monetária, reforçando a visão de que o Banco do Japão ficará atrás de outros bancos centrais na redução do estímulo monetário.

Os comentários de Kuroda vêm após o banco central britânico se tornar, na semana passada, o primeiro BC do G7 a elevar os juros, e o Federal Reserve e o Banco Central Europeu (BCE) se afastarem do estímulo monetário.

Os ativos do Banco do Japão cresceram o equivalente a 135% do PIB, ultrapassando em muito os 36% para o Fed e 66% para o BCE, até setembro de 2021, disse Kuroda, prometendo conduzir uma política monetária apropriada levando em consideração sua saúde financeira.

“Não acho que a expansão dos ativos do Banco do Japão afetará nossa capacidade de manter a política monetária e o sistema financeiro constantes”, disse Kuroda ao Parlamento.

“Há uma grande distância da meta de inflação de 2%. Ainda é muito cedo para considerar a normalização da política monetária”, acrescentou.

“Ao contrário dos países ocidentais, a inflação está extremamente baixa e as expectativas de inflação permanecem muito baixas. Estamos em uma fase de continuar pacientemente a flexibilização monetária em larga escala.”

(Por Tetsushi Kajimoto)

Minério de ferro avança pelo 3º dia na China por otimismo sobre demanda

Por Enrico Dela Cruz

(Reuters) – Os contratos futuros de minério de ferro de Dalian e Cingapura subiram pela terceira sessão consecutiva nesta segunda-feira, impulsionados pelo otimismo renovado em torno da demanda pela matéria-prima siderúrgica, uma vez que surgiram sinais de que a maior produtora de aço vai aumentar a produção este mês.

O contrato mais ativo do minério de ferro para janeiro na Bolsa de Cingapura chegou a subir até 6,7%, para 127,95 dólares a tonelada, o maior valor desde 12 de outubro. Por volta das 8h40 (horário de Brasília), subia cerca de 4%

O minério de ferro mais negociado para entrega em maio na bolsa de Dalian encerrou a sessão da manhã com alta de 0,7%, a 687,50 iuanes (107,80 dólares) por tonelada.

A recuperação dos futuros espelhou o ânimo otimista no mercado físico, com o minério de ferro de 62% sendo negociado a 125 dólares a tonelada na segunda-feira, com alta de 5 dólares, com base nos dados da consultoria SteelHome.

“Os analistas esperam uma recuperação na produção de aço com o cumprimento das metas anuais de Pequim, levando as usinas a retomar a produção”, disse o consultor do setor de recursos e corretor SP Angel em nota de 17 de dezembro.

Com a China produzindo 946,36 milhões de toneladas de aço bruto durante janeiro-novembro, queda de 2,6% em relação ao período do ano anterior, há espaço para as usinas aumentarem a produção, já que a meta é limitar a fabrição deste ano a não mais do que o volume do ano passado de 1,05 bilhão de toneladas, para controlar as emissões.

A produção de aço bruto nos primeiros 10 dias de dezembro aumentou 12% em relação ao mês anterior, disseram analistas do ANZ, citando dados da Associação de Ferro e Aço da China.

(Por Enrico Dela Cruz em Manila)

Líder da maioria no Senado dos EUA diz que plano de Biden será votado apesar de objeções de Manchin

WASHINGTON (Reuters) – O líder da maioria no Senado dos Estados Unidos, Chuck Schumer, disse nesta segunda-feira que a Casa avançará com a votação do projeto de investimento doméstico de 1,75 trilhão de dólares do presidente norte-americano, Joe Biden, no início do ano que vem, apesar da oposição de um importante senador democrata, Joe Manchin.

“O Senado vai, de fato, avaliar o Build Back Better Act logo no começo do ano para que cada membro dessa entidade tenha a oportunidade de mostrar sua oposição no plenário do Senado, não apenas na televisão”, escreveu ele em carta a colegas.

“Vamos votar a versão revisada do Build Back Better Act aprovado na Câmara – e continuaremos votando até que algo seja feito.”

(Por Susan Heavey)

Importações chinesas de soja dos EUA saltam em novembro ante outubro

PEQUIM (Reuters) – As importações de soja dos Estados Unidos em novembro pela China aumentaram em relação a outubro, mostraram dados alfandegários nesta segunda-feira, à medida que os efeitos das interrupções nas exportações devido ao furacão Ida começaram a se dissipar.

A China, maior comprador mundial de soja, trouxe 3,63 milhões de toneladas da oleaginosa dos Estados Unidos em novembro, ante apenas 775,3 mil em outubro, mostraram dados da Administração Geral das Alfândegas.

As importações de soja dos EUA diminuíram em outubro depois que o furacão Ida limitou as exportações em setembro, enquanto as fracas margens de esmagamento na China também reduziram a demanda.

No geral, a China trouxe 8,57 milhões de toneladas de soja em novembro, um forte aumento em relação às chegadas de outubro, impulsionadas pelos carregamentos dos EUA.

Os números de novembro, no entanto, caíram em relação ao ano passado.

As importações dos EUA também permaneceram muito menores do que há um ano, queda de 40% em relação aos 6,04 milhões de toneladas em novembro de 2020.

As importações do Brasil, principal fornecedor da China, subiram para 3,75 milhões de toneladas em novembro, ante 3,3 milhões de toneladas em outubro, mostraram os dados.

As importações brasileiras aumentaram em relação ao ano anterior 37%.

As margens de esmagamento em Rizhao, um importante centro de processamento de soja na província de Shandong, atingiram uma mínima recorde de menos 650 iuanes (101,92 dólares) por tonelada em junho, antes de subirem para mais de 200 iuanes em novembro.

Os produtores de suínos em Shandong mal conseguem se sustentar, ganhando cerca de 30 iuanes com cada suíno, o que pesa nas margens do esmagamento.

(Por Hallie Gu e Dominique Patton)

Especialistas reduzem projeção para crescimento econômico do Brasil este ano pela 10ª vez, mostra Focus

Por Camila Moreira

SÃO PAULO (Reuters) – O mercado reduziu pela 10ª vez seguida a expectativa para o crescimento da economia brasileira neste ano, ajustando levemente as contas para a inflação, mostrou a pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central nesta segunda-feira.

Segundo a pesquisa realizada com uma centena de economistas, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deve crescer 4,58% em 2021, redução significativa ante a expectativa de alta de 4,65% na semana anterior.

Para 2022, os especialistas seguem vendo expansão econômica de apenas 0,50%.

Os especialistas consultados semanalmente pelo BC ainda ajustaram o cenário para a inflação, vendo alta do IPCA de 10,04% este ano e de 5,03% no próximo, contra 10,05% e 5,02% antes, respectivamente.

A conta para este ano fica bem acima do teto da meta de 3,75% com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. Para o ano que vem o centro do objetivo é de 3,50%, com a mesma margem.

Em relação à taxa básica de juros, permanece a expectativa de que a Selic encerre 2022 a 11,50% e 2023 a 8,0%.

Direcional faz acordo com Cyrela em projetos em MG com VGV de até R$650 mi

SÃO PAULO (Reuters) – A Cyrela anunciou nesta segunda-feira memorando de entendimento para venda de 50% de participação em oito projetos desenvolvidos pelo grupo em Minas Gerais para a Direcional, com valor geral de vendas (VGV) estimado em até 650 milhões de reais.

Os empreendimentos da parceria envolvem cerca de 2.700 apartamentos.

O negócio está sujeito a condições que incluem autorização pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

(Por Alberto Alerigi Jr.; edição de André Romani)