B3 corta dado de entrada de estrangeiros em 2021 em R$60,8 bi após erro e nova mudança

Por Andre Romani

SÃO PAULO (Reuters) – A B3 anunciou nesta sexta-feira a revisão do saldo de recursos estrangeiros que entrou na bolsa brasileira em 2021 de 102,3 bilhões de reais para 41,5 bilhões de reais.

A revisão ocorre após a operadora da bolsa identificar um erro metodológico, divulgado em abril, que havia distorcido os números desde outubro de 2020.

Além disso, a B3 disse que a revisão anunciada nesta sexta-feira também inclui uma antecipação temporal da liquidação das operações de compra e venda em ofertas de ações, sejam subsequentes (follow-ons) ou iniciais (IPOs).

Antes, as operações realizadas por estrangeiros em ofertas de ações eram contabilizadas pela B3 apenas na divulgação pelas empresas do anúncio de encerramento de oferta, o que pode demorar até seis meses. Agora, o dado leva em conta as informações de liquidação da própria bolsa, que leva apenas dias.

“Agora fica possível conciliar os movimentos do mercado primário e secundário. Se algum investidor estrangeiro vendeu no mercado secundário para fazer uma aquisição em IPO, a gente vai mostrar ao mesmo tempo a venda no (mercado) secundário e a compra no primário”, disse Luís Kondic, diretor de produtos e dados da B3, a jornalistas.

Caso a B3 tivesse revisado os números de 2021 apenas pelo erro metodológico, o impacto negativo seria de 77,9 bilhões de reais. No entanto, devido à mudança temporal na liquidação das operações em IPOs e follow-ons, que possui efeito positivo de 17,1 bilhões de reais, o dado total caiu 60,8 bilhões frente ao que havia sido divulgado anteriormente, para 41,5 bilhões de reais.

Para 2020, o impacto total no dado de entrada e saída de estrangeiros foi positivo em 3,3 bilhões de reais, o que fez com que o saldo, até então divulgado como saída de 2,6 bilhões de reais da B3 no ano, ficasse positivo em cerca de 700 milhões de reais.

O impacto em 2020 é menor dado que o erro metodológico começou em outubro daquele ano, quando a B3 passou a oferecer operações de empréstimos em tela, disse Kondic.

ERRO METODOLÓGICO

O erro metodológico divulgado em abril está relacionado à inclusão de operações de empréstimo de ações em tela a partir de outubro de 2020. Esses dados não deveriam ter sido incluídos como entrada e saída de estrangeiros, porque não há fluxo financeiro na operação, segundo a B3.

Na ocasião da revisão em abril, o saldo de fluxo estrangeiro na bolsa brasileira foi corrigido de entrada de 91,1 bilhões de reais para 64,1 bilhões de reais no primeiro trimestre.

O saldo atual total em 2022 é de entrada de 49,3 bilhões de reais, até 18 de maio, já incluso o efeito da mudança na contabilização temporal de ofertas de ações.

Copel Distribuição é registrada como companhia aberta na categoria B

SÃO PAULO (Reuters) – A Copel informou que sua subsidiária integral Copel Distribuição foi registrada na véspera na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) como companhia aberta na categoria B, segundo comunicado nesta sexta-feira.

O registro não visa emissão de ações, mas possibilita a diversificação de fontes de financiamento e otimização do perfil da dívida.

“É uma medida que reforça ainda mais a transparência da companhia, em linha com as melhores práticas de governança”, disse a Copel.

(Por Laís Morais)

Reajuste a servidores segue indefinido e prazo é exíguo, diz secretário do Tesouro e Orçamento

BRASÍLIA (Reuters) – O governo ainda não definiu qual será o reajuste salarial concedido aos servidores públicos federais e o prazo está ficando cada vez mais exíguo, disse nesta sexta-feira o secretário especial do Tesouro e Orçamento do Ministério da Economia, Esteves Colnago.

Em entrevista para detalhar as projeções fiscais para o ano, Colnago disse que eventual aumento linear de 5% a todo o funcionalismo custaria 6,3 bilhões de reais para servidores do Executivo, além de 1,6 bilhão de reais para Legislativo e Judiciário.

Embora ressalte que o martelo não está batido sobre esse percentual, o secretário apresentou uma projeção que aponta uma elevação na despesa com pessoal em 2022 de 3,52% para 3,58% do Produto Interno Bruto (PIB) se o reajuste de 5% for oficializado.

“O prazo está ficando cada vez mais exíguo (para decidir o reajuste a servidores). Estamos nos preparando para sermos céleres em havendo decisão”, disse.

Segundo ele, se houver a decisão pelos 5%, o governo precisará encaminhar ao Congresso um projeto de lei prevendo o reajuste e outro projeto para remanejar o Orçamento. As medidas precisarão estar validadas pelo Legislativo até o fim de junho, prazo máximo previsto em lei para a oficialização dos aumentos.

A mobilização de servidores vem sendo ampliada, com adesão de novas categorias. Além dos servidores do Banco Central, que já estão em greve, carreiras do Tesouro e da Controladoria-Geral da União aprovaram início da paralisação por tempo indeterminado a partir da próxima semana.

Na entrevista, Colnago afirmou que todo movimento grevista é preocupante, ponderando que tem observado responsabilidade dos servidores em preservar serviços essenciais.

(Por Bernardo Caram)

Preços do petróleo fecham em alta com risco de oferta, apesar de preocupações econômicas

Por Scott DiSavino

NOVA YORK (Reuters) – Os preços do petróleo fecharam levemente em alta nesta sexta-feira, com os planos de proibição da União Europeia ao combustível fóssil russo e a flexibilização dos lockdowns contra Covid-19 na China pesando mais que os temores de que a desaceleração do crescimento econômico prejudicará a demanda.

Os contratos futuros do Brent para julho subiram 0,51 dólar, ou 0,5%, para 112,55 dólares o barril. O petróleo dos EUA (WTI) para junho avançou 1,02 dólar, ou 0,9%, para fechar a 113,23 dólares, em seu último dia como primeiro contrato.

O WTI registrou sua quarta semana consecutiva de ganhos, o que aconteceu pela última vez em meados de fevereiro. O Brent ganhou cerca de 1% nesta semana, depois de cair cerca de 1% na semana passada.

O contrato mais ativo do WTI para julho subiu cerca de 0,4%, para 110,28 dólares o barril.

“Os riscos permanecem inclinados para o lado positivo… dada a reabertura chinesa e os esforços contínuos para um embargo de petróleo russo pela UE”, disse Craig Erlam, analista de mercado sênior da OANDA.

O mercado de energia espera que a retirada de algumas restrições de coronavírus em Xangai aumente a demanda por energia. A China é o maior importador de petróleo do mundo.

(Reportagem adicional de Noah Browning em Londres e Sonali Paul em Melbourne)

Açúcar bruto avança na ICE à medida que temores persistem sobre produção do Brasil

NOVA YORK/LONDRES (Reuters) – Os contratos futuros de açúcar bruto fecharam em alta na ICE nesta sexta-feira, em meio à melhora do sentimento nos mercados financeiros e com investidores prevendo que o Brasil, maior produtor global, aumentaria sua produção de etanol nesta temporada em detrimento ao açúcar.

O café caiu pressionado por algumas geadas leves nas lavouras brasileiras.

AÇÚCAR

* O açúcar bruto para julho fechou em alta de 0,18 centavo de dólar, ou 0,9%, a 19,95 centavos de dólar por libra-peso.

* Geadas leves foram registradas em vários Estados brasileiros nesta sexta-feira, incluindo áreas produtoras de cana-de-açúcar.

* As usinas brasileiras devem favorecer a produção de etanol, um biocombustível à base de cana, em vez de açúcar nesta temporada devido ao aumento dos preços da energia.

* O açúcar branco para agosto subiu 6,30 dólares, ou 1,1%, para 558,10 dólares a tonelada.

CAFÉ

* O café arábica para julho caiu 2,85 centavos de dólar, ou 1,3%, 2,1585 dólares por libra-peso​​, após recuar 4% na quarta-feira, à medida que temores dos investidores sobre o risco de geada no principal produtor, o Brasil, diminuíram.

* Especialistas em café disseram nesta sexta-feira que geadas leves danificaram apenas algumas folhas dos cafeeiros, o que não deve causar impacto na produção.

* O Rabobank manteve inalterada sua projeção para a safra brasileira de 2022 em 64,5 milhões de sacas, perto do topo das estimativas de mercado.

* O café robusta para julho caiu 24 dólares, ou 1,2%, a 2.056 dólares a tonelada.

(Reportagem de Marcelo Teixeira e Maytaal Angel)

Wall Street fecha sem direção comum; Tesla cai

Por Amruta Khandekar e Noel Randewich

(Reuters) – Wall Street encerrou com resultados mistos nesta sexta-feira, após uma sessão volátil em que a Tesla despencou e outras ações de crescimento também perderem terreno.

O índice S&P 500 fechou em alta de 0,01%, a 3.901,36 pontos. O Dow Jones subiu 0,03%, a 31.261,90 pontos. O índice de tecnologia Nasdaq Composite recuou 0,3%, a 11.354,62 pontos.

Os índices S&P 500 e Nasdaq registraram a sétima semana consecutiva de baixas, suas maiores sequência de perdas desde o fim da bolha “pontocom” em 2001.

Já o índice Dow Jones sofreu seu oitavo declínio semanal consecutivo, o mais longo desde 1932, durante a Grande Depressão.

O S&P 500 passou a maior parte do pregão em território negativo e, a certa altura, recuou pouco mais de 20% em relação ao recorde de fechamento que bateu em 3 de janeiro, antes de terminar em queda de 18% em relação a esse nível e estável para o dia.

Fechar 20% abaixo desse patamar recorde confirmaria que o S&P 500 está em mercado em baixa desde que atingiu o pico em janeiro, de acordo com uma definição amplamente aceita.

O Nasdaq, focado em tecnologia, cedia cerca de 27% em relação ao seu recorde de encerramento alcançado em novembro de 2021.

A Tesla desvalorizou 6,4%, e pesou fortemente no S&P 500, depois que o presidente-executivo Elon Musk caracterizou como “totalmente falsas” as alegações de uma reportagem de que ele assediou sexualmente uma comissária de bordo em um jato particular em 2016.

Na semana, o S&P 500 caiu 3,0%, o Dow Jones perdeu 2,9% e o Nasdaq recuou 3,8%.

EUA criticam China e chefe de direitos humanos da ONU antes de visita a Xinjiang

Por Humeyra Pamuk e Michael Martina

WASHINGTON (Reuters) – Os Estados Unidos estão “profundamente preocupados” que a China restrinja o acesso em uma visita da chefe de direitos humanos da ONU, Michelle Bachelet, disse o Departamento de Estado dos EUA nesta sexta-feira, ao mesmo tempo em que criticou Bachelet por “silenciar” sobre o que chamou de atrocidades na região chinesa de Xinjiang.

O Ministério das Relações Exteriores da China anunciou que Bachelet visitará o país de 23 a 28 de maio, naquela que será a primeira viagem de um alto comissariado da ONU para os Direitos Humanos ao país desde 2005. Sua programação inclui uma viagem a Xinjiang, onde ativistas dizem que cerca de 1 milhão de muçulmanos uigures têm sido mantidos em detenção em massa.

Os EUA acusam Pequim de cometer genocídio lá, e grupos de direitos humanos ocidentais temem que a visita seja vista como um endosso ao histórico de direitos da China.

“Estamos profundamente preocupados com a próxima visita”, disse o porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price, em uma coletiva de imprensa, acrescentando que os Estados Unidos “não têm expectativa de que a RPC (República Popular da China) conceda o acesso necessário para conduzir uma avaliação completa e não manipulada do ambiente de direitos humanos em Xinjiang.”

Price afirmou que os EUA manifestaram suas preocupações à China e a Bachelet, que, segundo ele, há meses não atendeu aos repetidos pedidos dos EUA e de outros países para divulgar um relatório de sua equipe sobre a situação em Xinjiang.

“Apesar das frequentes garantias de seu escritório de que o relatório seria divulgado em pouco tempo, ele permanece indisponível para nós”, disse Price.

“O silêncio contínuo da alta comissária diante de evidências indiscutíveis de atrocidades em Xinjiang e outras violações e abusos de direitos humanos em toda a RPC é profundamente preocupante, principalmente porque ela é e deve ser a principal… voz sobre os direitos humanos”, acrescentou.

A China nega as alegações ocidentais de trabalho forçado e genocídio contra os uigures e alertou outros países para não interferirem nos assuntos internos da China.

Ibovespa avança com commodities após China cortar juro

Por Andre Romani

SÃO PAULO (Reuters) – O principal índice da bolsa brasileira avançou nesta sexta-feira, impulsionado por ações ligadas a commodities, após anúncio de estímulos econômicos na China, e bancos, ainda que Wall Street tenha fechado sem direção comum com recuperação parcial no final do pregão.

Vale, Petrobras e Banco do Brasil foram as principais influências positivas ao índice, enquanto Ambev e Petz cederam do lado oposto.

O Ibovespa subiu 1,39%, a 108.487,88 pontos, e fechou a semana com alta de 1,46%, o segundo avanço semanal consecutivo. O volume financeiro foi de 27,8 bilhões de reais, em sessão de vencimento de opções sobre ações na B3.

Para Enrico Cozzolino, sócio e head de análise da Levante, o mercado continua vendo uma migração de recursos de ações do setor de tecnologia e de “crescimento” – mais sensíveis às taxas de juros, porque demandam fortes investimentos – para papéis de commodities e petróleo, diante do cenário macroeconômico global de inflação elevada e alta dos juros.

Nesse sentido, o anúncio de mais estímulos econômicos na China foi “mais um fator que acabou favorecendo as commodities”, diz Cozzolino, citando especificamente o minério de ferro.

O país cortou nesta sexta-feira a taxa de referência de cinco anos para financiamentos imobiliários em nível maior do que o esperado com a expectativa de reanimar o setor habitacional.

Os principais índices em Wall Street até abriram em forte alta, acompanhando o sentimento positivo na Europa e na Ásia devido aos estímulos chineses, mas viraram e chegaram a exibir queda firme. Ainda assim, eles voltaram a se recuperar no final do dia e fecharem próximos da estabilidade.

No Brasil, o bilionário Elon Musk veio ao país e encontrou-se com o presidente Jair Bolsonaro em evento sobre conectividade na Amazônia.

DESTAQUES

– VALE ON subiu 1,8%, após os contratos futuros do minério de ferro em Dalian e Cingapura avançarem com corte de juros do setor imobiliário na China. CSN ON teve valorização de 5% e GERDAU PN exibiu alta de 3,4%. Ambas são produtoras de aços longos, muito usados na construção civil e cujos preços são baseados em cotações internacionais.

– PETROBRAS PN cresceu 1,9%, enquanto petróleo Brent avançou 0,5%. PETRORIO ON subiu 2,5%, após quatro baixas seguidas, e 3R PETROLEUM ON ganhou 1,8%.

– BANCO DO BRASIL ON registrou acréscimo de 3,6%, em dia positivo para grandes bancos.

– GETNET UNIT, que não está no Ibovespa, disparou 22,5%, após a controladora PagoNxt Merchant Solutions, subsidiária do espanhol Santander, revelar intenção de fechar o capital da empresa de pagamentos apenas sete meses após sua estreia na bolsa. O prêmio aos acionistas seria de 29,3%. Analistas do Citi destacaram problemas de liquidez e disseram que a listagem falhou em seu objetivo principal, já que dado o patamar de negociação dos papéis atual o negócio não estava destravando valor para o grupo. SANTANDER BRASIL UNIT fechou 0,9% no positivo.

– PETZ ON caiu 5,2%, quarta queda consecutiva, e MAGAZINE LUIZA ON teve desvalorização de 1,6%.

– SUZANO ON subiu 1,2%. A empresa de papel e celulose foi citada pelo Valor como uma das interessadas nos ativos que a Kimberly-Clark planeja vender no Brasil e América Latina.

– ECORODOVIAS ON aumentou 5,5%. A administradora de concessões de infraestrutura foi a única empresa a apresentar oferta pelo Sistema Rodoviário Rio–Governador Valadares (RJ-MG), conjunto de cerca de 730 quilômetros de estradas que foi a leilão nesta sexta-feira.

– NUBANK desabou 12%, quarta queda em cinco sessões, ainda que os analistas do BTG Pactual tenham elevado a recomendação da ação de “venda” para “neutra”.

– AMBEV ON recuou 0,9%, terceira baixa seguida, em meio à queda nas temperaturas no país que atinge o consumo de bebidas. Na semana, a ação da cervejaria acumulou queda de 3,6%. LOJAS RENNER ON, que faz parte do setor de varejistas de vestuário, possível beneficiado da mudança de temperatura, retraiu 0,1% na sessão, mas ganhou 0,7% na semana. GRUPO SOMA ON teve queda em ambas as comparações.

Crítica de Musk a rankings ESG destaca confusão de indústria de US$35 tri

Por Simon Jessop e Ross Kerber

LONDRES/BOSTON (Reuters) – A crítica de Elon Musk a rankings de governança ambiental, social e corporativa (ESG) chamados por ele de “golpe” destaca como a tendência de investimento mais popular em Wall Street atualmente significa coisas diferentes para pessoas diferentes.

O presidente-executivo da Tesla atacou na quarta-feira a S&P Global depois que a empresa retirou de seu principal índice de ações ESG a montadora de carros elétricos e resolveu adicionar algumas companhias cujas atividades são consideradas como prejudiciais ao meio ambiente, como petrolíferas.

Musk foi ao Twitter para expressar sua frustração com a mudança “apesar da Tesla fazer mais pelo meio ambiente do que qualquer empresa já fez!” Ele acrescentou que o ESG “foi usado como arma por falsos guerreiros da justiça social”.

A diretora sênior da S&P Dow Jones Indices, Margaret Dorn, disse à Reuters que a Tesla foi excluída do índice porque sua pontuação caiu um pouco, assim como as pontuações de outras montadoras melhoraram. A Tesla não foi excluída porque os executivos da S&P decidiram expulsar a empresa do índice por causa de uma questão específica, acrescentou.

Embora os carros da Tesla contribuam para reduzir as emissões de carbono, a pontuação ESG da montadora ficou “para trás” em outros aspectos, como más condições de trabalho em fábrica norte-americana, alegações de discriminação racial e manipulação de uma investigação do governo dos Estados Unidos sobre várias mortes e lesões relacionadas à tecnologia de piloto automático.

O investimento sustentável – levando em conta os fatores ESG na seleção do portfólio – explodiu nos últimos anos, atingindo 35,3 trilhões de dólares até o início de 2020, de acordo com a Global Sustainable Investment Alliance.

Meia dúzia de gestores de investimentos entrevistados pela Reuters disseram que a briga de Musk com a S&P ilustra como a confusão ainda reina sobre como investidores e executivos veem o setor.

Alguns, como Musk, acreditam que as classificações devem recompensar as empresas que fazem mais pelo planeta e pela sociedade. Outros, incluindo empresas como a S&P, que produzem os rankings, dizem que o objetivo é mostrar quanto risco as ações de uma empresa enfrentam devido a fatores ESG.

Isso explica por que algumas empresas que são as principais contribuidoras para as mudanças climáticas, como a Exxon, podem permanecer em um índice ESG se puderem mostrar que estão tomando medidas para reduzir esse risco.

“Em última análise, o ESG é uma forma de identificar e tentar quantificar o risco. Portanto, é basicamente a mitigação do risco”, disse Chi Chan, gerente de portfólio da Federated Hermes. “Efetivamente, Musk está confundindo ESG com sustentabilidade.”

Mark Tinker, diretor de investimentos da Toscafund Hong Kong, disse que Musk “apontou corretamente” que as considerações de governança corporativa e social estão sendo usadas “para cancelamentos por motivos políticos” e que a contribuição de uma empresa para o meio ambiente também pode “significar o que você quer que seja”.

A Tesla não respondeu a um pedido de comentário em nome da empresa ou de Musk.

A S&P publicou a mudança em seu índice ESG em 22 de abril. Mas foi somente em 18 de maio, um dia depois que Horn publicou explicações sobre por que a Tesla foi excluída do índice, que os usuários do Twitter começaram a divulgá-lo, chamando a atenção de Musk.

Apenas uma pequena fração dos ativos sob gestão da indústria de ESG – 11,7 bilhões de dólares no final de 2020 – está vinculada aos índices S&P. A influente rival do índice ESG da S&P, MSCI Inc, até agora mantém a Tesla em seu índice ESG bluechip.

A S&P se recusou a fornecer um detalhamento da pontuação ESG que atribuiu à Tesla, que é compilada com base em rankings de várias operações e práticas da empresa. A MSCI também se recusou a fornecer um detalhamento, mas uma cópia de 3 de maio de sua classificação da Tesla enviada aos investidores e revisada pela Reuters mostra como o mau desempenho percebido em questões sociais tirou parte do brilho das fortes credenciais verdes da empresa.

A Tesla marcou 9,1 de 10 em questões ambientais, contra uma média da indústria de 6,5. Isso representou 30% de sua pontuação ESG total. Em questões sociais, no entanto, ficou em 1,4 em comparação com uma média de 3,5, enquanto em governança obteve 5,1 contra uma média de 3,2.

Gigante dos chips ASML faz grandes apostas em um futuro minúsculo

Por Toby Sterling

VELDHOVEN, Holanda (Reuters) – A empresa de sistemas de litografia ASML está construindo máquinas do tamanho de ônibus de dois andares, que pesam mais de 200 toneladas, para produzir feixes de luz focada capazes de criar circuitos microscópicos em chips de computador que equipam desde celulares e carros a até sistemas de inteligência artificial.

A empresa desfrutou de uma década de crescimento, com suas ações saltando 1.000% e elevando seu valor de mercado acima dos 200 bilhões de euros, uma vez que sobrepujou a maior parte dos rivais mundiais para estes sistemas de litografia.

A companhia agora está se preparando para lançar uma nova máquina, orçada em 400 milhões de dólares, e que será capaz de produzir chips de próxima geração. A expectativa é que o novo equipamento seja seu carro-chefe no final desta década, mas por enquanto continua sendo um desafio de engenharia.

Executivos da empresa disseram à Reuters que um protótipo estava a caminho de ser concluído no primeiro semestre de 2023. Eles disseram que a companhia e o parceiro de pesquisa e desenvolvimento de longa data IMEC estão montando um laboratório de testes – o primeiro – para que os principais fabricantes de chips e seus fornecedores possam explorar as propriedades da máquina e se prepararem para utilizá-la em modelos de produção já em 2025.

No entanto, como os investidores esperam mais domínio e crescimento para justificar a avaliação de mercado da ASML em 35 vezes o lucro de 2021, há pouca margem de erro caso a empresa encontre problemas técnicos.

O êxito do projeto também é importante para os negócios da ASML e para fabricantes de chips que correm para expandir produção em meio à escassez global de semicondutores. Os clientes incluem a norte-americana Intel, a sul-coreana Samsung e a taiuanesa TSMC, que fabrica chips para empresas como Apple, AMD e Nvidia.

O especialista do setor, Dan Hutcheson, da VLSI Research, que não está envolvido com o projeto ASML, disse que a nova tecnologia – conhecida como versão de “alta abertura numérica (High-NA)” do ultravioleta extremo – pode fornecer uma vantagem significativa para alguns fabricantes de chips.

“Então, ou a ASML faz acontecer ou eles não fazem acontecer”, acrescentou. “Mas se eles fizerem isso acontecer, e você não tiver encomendado e perder a chance, você imediatamente se tornará não competitivo.”

A escassez de máquinas da ASML, que custam até 160 milhões de dólares cada, é um gargalo para os fabricantes de chips, que planejam investir mais de 100 bilhões de dólares nos próximos anos para construir novas fábricas que deem conta da demanda.

As máquinas High-NA serão cerca de 30% maiores que as antecessoras, que exigem três Boeing 747 para transportá-las em seções.

A ASML disse ter cinco pedidos de máquinas piloto, que devem ser entregues em 2024, e “mais de cinco” pedidos de cinco clientes diferentes para modelos de produção mais rápidos para entrega a partir de 2025.

A ASML também está ligada ao futuro mais amplo da indústria cíclica de chips, que alguns pesquisadores esperam que vai dobrar para mais de 1 trilhão de dólares em vendas anuais nesta década.

Christophe Fouquet, chefe de programas de ultravioleta extremo na ASML se preocupa mais com questões da cadeia de suprimentos.

“Neste momento, e como em todos os outros produtos, vemos algum estresse na cadeia de suprimentos, e isso é, se você me perguntar hoje, provavelmente o maior desafio que temos com a High-NA.”