Sobe para 16 número de mortos quase uma semana após desabamento de prédio na Flórida

Por Gabriella Borter

SURFSIDE, Flórida (Reuters) – Equipes de resgate encontraram mais quatro corpos durante a noite vasculhando as ruínas de um edifício que desabou na área de Miami, elevando o total de vítimas para 16, após dias de pouco progresso nas buscas por pessoas que permanecem desaparecidas quase uma semana após o desabamento.

Ninguém foi retirado vivo das pilhas de concreto pulverizado, madeira partida e metal retorcido desde as primeiras horas da tragédia, enquanto 147 pessoas ainda estão desaparecidas ou podem estar presas nos escombros.

Em entrevista à CNN norte-americana na manhã desta quarta-feira, o coronel Golan Vach, comandante da Unidade de Resgate Nacional de Israel, disse que tinha acabado de terminar um turno de 12 horas e que as equipes “encontraram mais algumas pessoas”.

Vach, cuja equipe chegou a Miami no domingo para ajudar no resgate, disse que as equipes estavam trabalhando na região entre as varandas desabadas e descobriram alguns túneis grandes o suficiente para caber uma pessoa, embora a maioria dos destroços sejam “muito, muito apertados”.

As autoridades disseram que ainda têm esperanças de encontrar sobreviventes.

“Da maneira como vejo, como veterano da Marinha, quando alguém está desaparecido… você está desaparecido até ser encontrado, e não paramos a busca”, disse o governador da Flórida, Ron DeSantis, em uma coletiva de imprensa na terça-feira.

“Estes socorristas estão se arrebentando, tentando encontrar qualquer um que consigam.”

Investigadores não concluíram o que causou o desabamento. Quase metade do condomínio Champlain Towers South de 40 anos desmoronou enquanto os moradores dormiam nas primeiras horas da quinta-feira passada.

Mas um relatório de engenharia de 2018 sobre o complexo de 12 andares e 156 unidades, preparado antes de um processo de recertificação de segurança, encontrou deficiências estruturais que agora são o foco dos inquéritos.

A prefeita do condado de Miami-Dade, Daniella Levine, disse que investigadores da polícia estão realizando uma auditoria de todos os relatos de desaparecidos para “verificar e remover redundâncias onde possível”.

(Reportagem adicional de Brad Heath, Alexandra Ulmer, Peter Szekely, Dan Whitcomb, Rich McKay, Brendan O’Brien e Kanishka Singh)

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Wizard diz desconhecer gabinete paralelo e se recusa a responder perguntas na CPI

Por Eduardo Simões

SÃO PAULO (Reuters) – O empresário Carlos Wizard disse em pronunciamento à CPI da Covid no Senado que desconhece a existência de um gabinete paralelo de assessoramento do presidente Jair Bolsonaro no combate à pandemia de Covid-19 e decidiu exercer seu direito de não responder perguntas dos senadores.

“Afirmo aos senhores, com toda a veemência, que jamais tomei conhecimento de qualquer governo paralelo. Se, por ventura, esse suposto governo paralelo existiu –ou melhor, gabinete paralelo– eu jamais tomei conhecimento ou tenho qualquer informação a esse respeito”, afirmou o empresário.

Wizard disse ainda que nunca se reuniu privadamente com Bolsonaro, apenas em eventos públicos, e negou ter qualquer influência sobre o pensamento do presidente.

Após seu pronunciamento inicial, Wizard disse que exerceria o direito garantido a ele por decisão do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), de permanecer em silêncio durante o depoimento.

“Me reservo ao direito de permanecer em silêncio”, repetiu o empresário diversas vezes diante das perguntas do relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL).

Apesar da decisão de Wizard, os senadores decidiram que manterão os questionamentos ao empresário, mesmo que ele recorra ao direito de ficar calado.

Wizard tem participação nas operações brasileiras das franquias norte-americanas de fast food Pizza Hut, Taco Bell e KFC, além de ser dono da rede de lojas de produtos naturais Mundo Verde e de ter participação na rede de escolas de idiomas Wise Up, entre outras marcas.

Em seu pronunciamento à CPI, ele disse que conheceu o general Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde, quando fez um trabalho voluntário em Roraima de apoio a refugiados venezuelanos que vieram para o Brasil.

Ele chegou a ser indicado por Pazuello para ocupar a Secretaria de Ciência e Tecnologia da pasta, mas após atuar por 30 dias no ministério decidiu não assumir efetivamente o posto.

TRATAMENTO PRECOCE

Por diversas vezes, especialmente em lives em redes sociais, Wizard defendeu publicamente o uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra a Covid-19, que ficaram conhecidos como “tratamento precoce” ou “kit Covid”, composto por remédios como hidroxicloroquina –que tem eficácia comprovada contra a malária– e ivermectina –um antiparasitário. A Covid-19 é causada por um vírus.

Em seu pronunciamento inicial, antes de se recusar a responder quaisquer perguntas feitas pelos senadores, Wizard reconheceu não ser médico e exaltou a importância das vacinas.

“Eu não sou médico. No início da pandemia, havia uma compreensão sobre o uso de alguns medicamentos para o combate da doença”, afirmou.

“Na condução da pandemia, com o passar do tempo e o aprofundamento dos estudos, novos entendimentos se estabeleceram. Atualmente, há posições contrárias ao tratamento preconizado no passado. A despeito da conduta médica adotada, a ciência comprova que a vacinação é o elemento essencial para o controle dessa pandemia. Por isso, sempre apoiei a imunização da população em geral, a ponto de eu querer doar vacinas ao povo brasileiro.”

No entanto, Renan mostrou um vídeo em que Wizard elogia a adoção da cloroquina no combate à pandemia na cidade de Porto Feliz, interior do Estado de São Paulo, e ironiza o que, segundo ele, foram apenas cinco mortes provocadas pela doença no município.

Parecendo estar rindo, Wizard afirma que as cinco pessoas que morreram foram aquelas que decidiram ficar em casa e não buscaram o tratamento precoce.

O vídeo irritou senadores e os parlamentares Otto Alencar (PSD-BA) e Humberto Costa (PT-PE), que são médicos, além do relator da CPI, chamaram Wizard de irresponsável e o acusaram o empresáro de charlatanismo, curandeirismo e exercício ilegal da medicina.

Um dos principais governistas da CPI, o senador Marcos Rogério (DEM-RO), por sua vez, elogiou Wizard pelos trabalhos voluntários que realiza e pediu desculpas ao empresário pelo que afirmou ser um “constrangimento” a que ele estava sendo submetido.

“Quero iniciar cumprimentando o brasileiro Carlos Wizard Martins, pai de família, trabalhador, homem de histórico honesto, de boa reputação e dedicado a causas humanitárias”, afirmou.

“E eu queria, para concluir, fazer aqui, em nome dos brasileiros de bem, daqueles que se dedicam a causas nobres, daqueles que se preocupam com o próximo, cumprindo um mandamento do Cristo, que, aliás, é o maior mandamento –amar a Deus sobre todas as coisas e ao teu próximo como a ti mesmo–, em nome desses brasileiros, lhe peço perdão pelo constrangimento que Vossa Senhoria e, pelo papel que exerce, Vossa Excelência está se submetendo no âmbito dessa CPI no dia de hoje.”

Apontado como integrante de um suposto gabinete paralelo que assessoraria Bolsonaro no combate à pandemia, Wizard foi incluído pelo relator da CPI na lista de investigados pela comissão e já teve sigilos quebrados pelo colegiado.

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Por unanimidade, TCU aprova com ressalvas contas de 2020 do governo Bolsonaro

Por Ricardo Brito

BRASÍLIA (Reuters) – Os ministros do Tribunal de Contas da União (TCU) aprovaram nesta quarta-feira com ressalvas as contas do governo Bolsonaro no exercício de 2020, primeiro ano da pandemia, ressaltando que os apontamentos feitos pela área técnica da corte não comprometeram a totalidade da gestão.

O colegiado acompanhou o parecer do ministro relator das contas, Walton Alencar, em julgamento que foi acompanhado por ministros do governo, entre eles o da Economia, Paulo Guedes. Agora, a decisão do TCU terá de ir à votação pelo Congresso Nacional.

Em seu voto, o relator disse que não houve atos adotados em desacordo com a Constituição Federal nos aspectos de abertura de créditos, regra de ouro ou teto dos gastos públicos. Ele ressaltou o fato de que, no ano passado, abriu-se exceções na execução orçamentária em razão da pandemia de coronavírus.

“Em que pese as dificuldades advindas da situação de calamidade pública, não foram evidenciados atos em desacordo com a Constituição Federal no que tange a abertura de créditos adicionais, a aplicação mínima de recursos em manutenção e desenvolvimento do ensino e em ações e em serviços públicos de saúde, execução de despesas decorrentes de emendas parlamentares individuais e de bancada, regra de ouro das finanças públicas e tetos dos gastos fixados através da emenda constitucional 95 de 2016”, disse.

O ministro do TCU afirmou também que não foram observadas irregularidades em relação à regularidade da análise financeira e orçamentária do governo no exercício de 2020.

Alencar disse que, em razão da dispensa das metas fiscais por causa da pandemia, houve a flexibilização do cumprimento do déficit primário para 2020. Destacou que houve queda do PIB de 4,1%, o que resultou em acentuada queda de arrecadação, mas ao mesmo tempo houve um forte aumento de despesas para fazer o enfrentamento da crise sanitária.

O relator do TCU ressaltou que essa situação extraordinária vai exigir um esforço dos gestores públicos nos próximos anos.

Alencar citou três ressalvas em seu parecer. Em um deles, a “insuficiência” de informações relativas às prioridades e metas da administração pública federal no Orçamento de 2020. Outro ponto refere-se à execução de despesas sem suficiente dotação orçamentária de investimentos pela Caixa. Finalmente, que não houve no ano passado a aplicação mínima de recursos na irrigação no Centro-Oeste, conforme previsto na Constituição.

PANDEMIA

Durante os votos, ministros chegaram a criticar a gestão federal no enfrentamento à pandemia. O ministro Benjamin Zymler, por exemplo, disse que o governo deveria ter aplicado uma política mais efetiva de testagem de pessoas com Covid-19.

“A falta de política de testagem é a que impõe, às vezes, medidas drásticas de Estados e municípios de circulação de pessoas”, afirmou.

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Ações Europeias Recuam no Dia mas Têm 5° Ganho Mensal Consecutivo

Por Sagarika Jaisinghani e Ambar Warrick

O índice FTSEurofirst 300 caiu 0,79%, a 1.749 pontos, enquanto o índice pan-europeu STOXX 600 perdeu 0,77%, a 453 pontos.

No entanto, o índice STOXX 600 subiu 1,4% em junho, seu quinto mês consecutivo de ganhos. O índice acumula alta de 14,4% até agora este ano.

As ações de automóveis tiveram o pior desempenho do dia, cedendo 1,9%. Mas o setor superava seus pares no acumulado do ano, com um salto de mais de 25%.

O índice referencial europeu ficou a poucos pontos de cravar seu maior ganho percentual no primeiro semestre de um ano desde 1998, em vez disso registrando seus melhores seis meses desde 2019, com um salto de 13,5%.

Em LONDRES, o índice Financial Times recuou 0,71%, a 7.037,47 pontos.

Em FRANKFURT, o índice DAX caiu 1,02%, a 15.531,04 pontos.

Em PARIS, o índice CAC-40 perdeu 0,91%, a 6.507,83 pontos.

Em MILÃO, o índice Ftse/Mib teve desvalorização de 1,01%, a 25.102,04 pontos.

Em MADRI, o índice Ibex-35 registrou baixa de 1,05%, a 8.821,20 pontos.

Em LISBOA, o índice PSI20 desvalorizou-se 0,95%, a 5.034,99 pontos.

Ibovespa Recua com Ações de Consumo Entre Maiores Perdas; Petrobras Sobe

Por Paula Arend Laier

Às 11:49, o Ibovespa caía 0,61%, a 126.555,43 pontos. O volume financeiro somava 8,2 bilhões de reais.

Tal desempenho quase zerava a alta em junho, de 0,27% até o momento, distanciando o Ibovespa das máximas registradas no começo do mês, quando renovou recordes a 130.776,27 pontos para o fechamento e 131.190,30 pontos no intradia.

No acumulado do ano, o Ibovespa ainda mostra elevação de 6,33%.

Mais cedo, o IBGE divulgou que desemprego e número de desempregados no Brasil permaneceram em taxas recordes nos três meses até abril. Apesar de esperado, tal cenário é desfavorável para uma aceleração no consumo no país.

Para o estrategista-chefe do banco digital modalmais, Felipe Sichel, contudo, nos próximos meses, a aceleração da vacinação deve ajudar no controle da pandemia e na melhora dos indicadores do mercado de trabalho.

Turbulências políticas internas também estão no radar, segundo o economista-chefe da SulAmérica Investimento, Newton Rosa, assim como os sinais de agravamento da crise hídrica, por causa dos potenciais efeitos no comportamento da inflação.

Em Wall Street, o S&P 500 trabalhava perto de máximas históricas, com dados de emprego do setor privado dos Estados Unidos mostrando um aumento acima do esperado na criação de vagas em junho, embora menor que maio.

DESTAQUES

– B2W ON perdia 3,2%, com outras varejistas também em queda, após números ainda negativos sobre a recuperação do mercado de trabalho no país. MAGAZINE LUIZA ON caía 2,45%, tendo ainda no radar anúncio de que iniciou investimentos para abrir 50 lojas no Estado do Rio de Janeiro este ano.

– CVC BRASIL ON recuava 3%, com os dados de emprego corroborando alguma correção nos papéis, que no mês ainda acumulam valorização de cerca de 13%.

– ITAÚ UNIBANCO PN cedia 0,8% e BRADESCO PN caía 0,7%, ainda sofrendo com as potenciais mudanças propostas na segunda fase da reforma tributária. BANCO INTER UNIT subia 4,3%, após aprovar pagamento de juros sobre capital próprio e em meio a movimento recente de estrangeiros comprando participações em fintechs brasileiras.

– CCR ON valorizava-se 1,1%, após acordo preliminar sobre disputas judiciais com o Estado de São Paulo envolvendo aditivos de concessões acertados em 2006. Pelo acordo, controladas da companhia se comprometeram com pagamento total de 1,2 bilhão de reais ao governo paulista.

– PETROBRAS ON subia 1,5%, beneficiada pela alta dos preços do petróleo no exterior. No setor, PETRORIO ON avançava 2,7%.

– VALE ON ganhava 0,5%, mesmo com os futuros do minério fechando em queda nesta quarta-feira, uma vez que os contratos acumulam o sétimo trimestre consecutivo de ganhos. No setor de mineração e siderurgia, porém, o sinal negativo prevalecia. CSN ON recuava 2%, tendo ainda no radar aquisição da Elizabeth Cimentos e Mineração.

– ENERGISA UNIT caía 2,55%, após arrematar lote no leilão de projetos de transmissão de energia nesta quarta-feira, com oferta que representou forte deságio. EDP BRASIL ON , que também levou um lote, perdia 1,1%.

Chinesa Shemar, Energisa, EDP e MEZ Vencem Leilão de Transmissão de Energia

Por Roberto Samora

Os projetos atrairão 1,3 bilhão de reais em investimentos em obras em 6 Estados da federação, incluindo São Paulo e Rio de Janeiro, ampliando a conexão do sistema nacional, o que ajuda inclusive o país a lidar com problemas como o atual, de falta de chuvas nas hidrelétricas.

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, disse após o evento que o leilão representa mais segurança energética para Estados mais distantes dos principais centros consumidores do país, como o Acre.

Ele lembrou de problemas recentes vivenciados pelo Amapá, que sofreu um apagão. “O Acre terá mais segurança energética”, disse o ministro, ressaltando a “flexibilidade” que os empreendimentos darão ao Operador Nacional do Sistema (ONS).

Ele comentou ainda que país tem previstos mais dois leilões de transmissão, este ano e no próximo.

O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), André Pepitone, comemorou o fato de o leilão ter sido “bastante competitivo”, o que foi atribuído às regras claras do país para investimentos.

VENCEDORES

A EDP Energias do Brasil levou o lote 1, que inclui projeto no Acre e Rondônia, com oferta de 38,6 milhões de reais, representando um deságio de 36,59% em relação à Receita Anual Permitida (RAP) de 60,9 milhões de reais.

A RAP é a receita a que o empreendedor terá direito pela prestação do serviço de transmissão a partir da entrada em operação comercial das instalações.

A chinesa Shanghai Shemar Power Holdings, que já havia participado de um leilão anterior, dessa vez foi vencedora ao arrematar projeto no Rio de Janeiro, com valor ofertado de 30,07 milhões de reais. Esse valor representou um deságio de 51,39% em relação à RAP inicial estabelecida 61,87 milhões de reais.

A MEZ Energia levou o lote com empreendimento em São Paulo com oferta de 9,93 milhões de reais, o que ocasionou deságio de 54,35% em relação à RAP de 21,77 milhões de reais.

A MEZ, que arrematou diversas concessões para projetos de transmissão de eletricidade em um leilão no final de 2020, também levou o projeto de Mato Grosso com oferta de 12,51 milhões de reais, representando um deságio de 55,35%.

Já a Energisa venceu o lote 4, para projeto no Tocantins, com oferta de 4,09 milhões de reais, representando um deságio de 62,80% em relação à RAP prevista pela Agência Nacional e Energia Elétrica (Aneel), no valor de 11 milhões de reais.

Casos de Covid-19 Estão Piores na América Latina e Sem Fim à Vista, diz Agência de Saúde

Por Anthony Boadle

Enquanto as infecções nos Estados Unidos, Canadá e México estão diminuindo, na América Latina e no Caribe apenas uma em cada dez pessoas foi totalmente vacinada contra a Covid-19, “uma situação inaceitável”, disse ela em um briefing.

Etienne alertou que a temporada de furacões no Caribe está se aproximando em um momento em que os surtos estão piorando e pediu aos países que equipem hospitais e ampliem abrigos para reduzir o potencial de transmissão do vírus.

BC Disponibilizará PIX Offline “Em Breve”, diz Campos Neto

Por José de Castro

Segundo Campos Neto, haverá um cartão PIX que, aproximado a um celular, permitirá transferência de dinheiro online para offline no cartão.

“Vai funcionar como um cartão de ônibus, com uma tecnologia supersegura. […] Vamos em breve oferecer esse produto também”, afirmou no webinar “As moedas digitais do Banco Central”, realizado pelo escritório Mattos Filho Advogados.

Segundo o chefe do BC, há três tecnologias nesse campo, e a mais segura em sua opinião é a por aproximação.

“Você vai poder usar o cartão no mundo offline e quando você voltar ao mundo online você pode transferir o seu saldo de volta”, completou.

Campos Neto voltou a afirmar que o PIX foi uma “grande surpresa” para o BC. De acordo com ele, 80% das pessoas que usam conta em banco já utilizam a ferramenta. São 245 milhões de chaves e 4,5 milhões de empresas que utilizam o sistema. Em maio, 60% de todas as transações financeiras do Brasil (em número, não volume de recursos) foram feitas por PIX, ainda conforme o presidente do BC.

Lançado oficialmente em outubro do ano passado, o PIX permite pagamento instantâneo a qualquer hora ou dia através de uma chave, que pode ser CPF, CNPJ, e-mail, número de celular ou chave aleatória.

MOEDAS DIGITAIS

Durante o evento, Campos Neto fez uma explanação sobre as características da moeda digital proposta pelo BC, citando ainda desafios impostos pela implementação dessa nova tecnologia.

O presidente do BC afirmou que no Brasil há os “moedeiros eletrônicos” –segundo ele empresas que têm algum dinheiro bloqueado e apartado do balanço (ou seja, separado do risco) e depositado no BC ou garantido por reserva. Essas companhias podem emitir dinheiro eletrônico em cima da quantia já separada, processo que se assemelha à emissão de moeda digital.

“Mas esse não é o conceito de moeda digital em nossa opinião”, disse Campos Neto.

Para o presidente do BC, a moeda digital pensada é aquela que vai se inserir no contexto de usos de ferramentas como smart contracts (códigos executáveis que permitem automação de atividades de múltiplas etapas) e internet das coisas (arcabouço conceitual no qual dados coletados de aparelhos e informações compartilhadas são usados para construir aplicações).

“Então a gente vai precisar em algum momento de dinheiro que seja um encryption (criptografia), um código número. Por quê? Porque ele vai estar alinhado à programação da moeda, vai estar ligado a outros programas. Então a gente entende que, apesar de não ser realidade agora, isso vai acontecer.”

A moeda digital pensada pelo BC tem emissão central para varejo e atacado, custódia com possibilidade de ser descentralizada, sem pagamento de juros, com processo online e offline e tecnologia rastreável, com garantias contra lavagem de dinheiro e terrorismo.

O projeto de moeda digital do BC está dentro de um arcabouço maior de inovação do sistema financeiro que inclui ainda o Open Finance, conceito ampliado do Open Banking, e o Sandbox Regulatório.

PROBLEMAS POTENCIAIS

O presidente do BC ponderou que a implantação da moeda digital e o crescimento desse meio de pagamento também devem trazer alguns “problemas”, sobretudo para os balanços dos bancos e do BC durante um processo de conversão acelerada da moeda física para a digital.

“(A moeda digital) é como se o banco tivesse um depósito 100% de compulsório. Então tem capacidade de alavancagem menor. Então se você transforma isso de maneira muito acelerada, diminui a capacidade dos bancos de fazer crédito”, disse.

Segundo Campos Neto, a parcela de depósito em caixa nos bancos brasileiros é maior do que em seus pares de países desenvolvidos, o que aumenta o risco de impacto nos balanços dessas instituições financeiras locais.

Uma outra questão é sobre demanda diferenciada por moeda digital e física que desiguale os preços dos ativos, que deveriam permanecer pareados pelo entendimento de que a moeda digital é uma extensão do ativo físico.

“Se eu fizer isso (deixar livre a conversão) eu tenho um problema no balanço dos bancos. Se eu não fizer, posso ter um valor diferente da moeda digital para a física. Se eu tiver um valor diferente de moeda digital para a física, como é que vou falar que é uma moeda que é uma extensão da minha se ela tem uma negociação paralela com valor diferente?”

Conforme o presidente do BC, soluções apontadas em discussões internacionais passariam por imposição de taxa negativa de juros sobre depósitos em moedas digitais ou mesmo restrição de oferta dos ativos. Ele ressalvou, no entanto, que o debate está em aberto.

“No final, essa (questão) sobre o impacto nos balanços, ela ainda não é, para emissão centralizada, ainda não foi totalmente respondida”, afirmou, sem detalhar quais impactos haveria sobre o balanço do Banco Central.

Relator no TCU Vota pela Aprovação de Contas de Bolsonaro em 2020 com Ressalvas

Por Ricardo Brito

Em julgamento que tem sido acompanhado por ministros do governo, entre eles o da Economia, Paulo Guedes, a manifestação do relator, agora, vai à votação pelos demais ministros do TCU. Posteriormente, ela precisará ser chancelada pelo Congresso Nacional.

Segundo Alencar, não houve atos adotados em desacordo com a Constituição Federal nos aspectos de abertura de créditos, regra de ouro ou teto dos gastos públicos, ressaltando o fato que o ano passado abriu-se exceções na execução orçamentária em razão da pandemia de coronavírus.

“Em que pese as dificuldades advindas da situação de calamidade pública, não foram evidenciados atos em desacordo com a Constituição Federal no que tange a abertura de créditos adicionais, a aplicação mínima de recursos em manutenção e desenvolvimento do ensino e em ações e em serviços públicos de saúde, execução de despesas decorrentes de emendas parlamentares individuais e de bancada, regra de ouro das finanças públicas e tetos dos gastos fixados através da emenda constitucional 95 de 2016”, disse.

O ministro do TCU afirmou também que não foram observadas irregularidades em relação à regularidade da análise financeira e orçamentária do governo no exercício de 2020.

Alencar disse que, em razão da dispensa das metas fiscais por causa da pandemia, houve a flexibilização do cumprimento do déficit primário para 2020, que originalmente seria de 118 bilhões de reais. Destacou que houve queda do PIB de 4,1%, o que resultou em forte queda de arrecadação, mas ao mesmo tempo houve um forte aumento de despesas para fazer o enfrentamento da crise sanitária.

O relator do TCU ressaltou que essa situação extraordinária vai exigir um esforço dos gestores públicos nos próximos anos.

Em Meio a Denúncias, Mourão Rejeita Abalo de Discurso Anticorrupção de Bolsonaro

“Não, eu não acho isso”, disse sobre um eventual abalo no discurso contra a corrupção.

“O que acontece? O presidente falou ontem uma coisa que é certa, ele não tem condições de controlar tudo que está acontecendo dentro do governo. Isso é uma realidade. Então, compete a cada ministro controlar o seu feudo. E, se for detectada alguma coisa que está irregular, que se tome as providências de acordo com a lei, acho que isso é normal acontecer”, disse.

O vice-presidente minimizou o chamado “superpedido” de impeachment contra Bolsonaro que será apresentado nesta tarde pela oposição, que será robustecido com suspeitas relativas às compras de imunizantes do governo no enfrentamento da pandemia.

“Acho que não há espaço para prosperar um pedido de impeachment. Ontem, inclusive, o próprio ministro (do STF) Gilmar Mendes tocou nesse assunto na palestra que ele fez. Estamos aí a um ano e meio das eleições, então vamos deixar o processo prosseguir e chegar a outubro do ano que vem e ver o que acontece”, destacou.

Na véspera, Mendes havia dito que estava se naturalizando o instrumento do impeachment.

NOVA DENÚNCIA

Questionado sobre novas denúncias que envolve a aquisição de vacinas e suspeitas de corrupção, Mourão –que tem sido alijado das principais decisões do governo por Bolsonaro– disse que se trata de um relato e que como só sabe do assunto pela imprensa não tem como avaliar.

“É aquela história, pode ter havido o fato aí. A realidade é o seguinte: existe a CGU, ela tem que acompanhar essa questão de contratos, acredito que ela fica de olho, não contrato de 50, 60 milhões, mas contratos aí grandes ela tem que estar em cima”, afirmou.

O vice-presidente também se esquivou de responder se afastaria do cargo o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-AL). Em depoimento do deputado Luís Miranda (DEM-DF) à CPI da Covid no Senado, o parlamentar disse que em conversa com Bolsonaro em março o presidente teria mencionado o nome do líder relacionado às suspeitas de irregularidades na compra da vacina Covaxin.

“Isso aí é uma questão do presidente, tem que ver se é verdade isso aí, até que ponto realmente ocorreu aquilo que foi falado pelo denunciante na sexta-feira pela CPI. Ainda tem muita coisa para rolar”, destacou.

Questionado que providência tomaria se fosse presidente, Mourão respondeu que “hipoteticamente” encaminharia as suspeitas ao Ministério da Saúde para tomar providências.

Foi isso o que o governo Bolsonaro disse ter feito após o alerta do Luís Miranda e do irmão dele, o servidor do Ministério da Saúde Luís Ricardo Miranda.

Senadores da oposição, entretanto, entraram com pedido no Supremo Tribunal Federal para investigar o presidente por possível crime de prevaricação.

 

(Reportagem de Ricardo Brito)