Desemprego e expectativa do PIB.

Segundo dados do IBGE, o desemprego, dentro do período de maio a julho de 2021, ficou em 13,7%. A expectativa era de 13,9%, portanto o indicador surpreendeu positivamente.

Já o Banco Central divulgou suas expectativas para o PIB, segundo o BC o Brasil deve terminar 2021 com PIB de 4,7% e em 2022 de 2,1%. O BC previa uma alta do PIB de 4,6% anteriormente, agora a expectativa já é maior.

Com a melhora do mercado de trabalho e com as expectativas do BC convergindo para um PIB de 5% em 2021, as coisas parecem estar melhorando.

Boas notícias, mas o contexto ainda é preocupante.

Com mais pessoas empregadas e a redução gradual do desemprego ocorrendo, o consumo interno vai aumentar e isso pode impulsionar os negócios dentro do Brasil.

Por outro lado, há muitos ruídos do lado de fora do país, além da instabilidade política. A crise da Evergrande ainda não foi encerrada e os problemas de energia na China vêm preocupando os mercados.

Com eventuais apagões na China, a produção da segunda maior economia do mundo vai ser afetada e pode puxar para baixo todos os mercados do globo.

Por isso, o momento é de muita atenção. Mesmo com as boas notícias vindo de nossa economia, o dólar terminou o dia em alta.

Só em Setembro, a moeda norte-americana registrou alta de 5,17%. O USD/BRL valorizou em 0,51% hoje, cotado a R$ 5,44.

Em comparação com outras divisas, como é o caso do Euro, o Real registrou bastante volatilidade.

O EUR/USD desvalorizou em Setembro, perdendo 1,74% do seu valor. O Euro terminou cotado a 1,16 dólares.

Por fim nós temos o Yuan. A divisa chinesa registrou em Setembro valorização de 0,17% frente ao dólar. O USD/CNY ficou em 6,45 Yuan.

Mesmo com toda crise provocada pela Evergrande e o receio que a construtora possa mesmo dar um calote em seus credores, o Yuan se manteve frente ao dólar.

O que esperar de Outubro?

Se Setembro já foi turbulento, Outubro pode ser ainda mais. A Evergrande vai continuar tendo vencimentos de juros referentes às suas dívidas.

Esses vencimentos terão que ser pagos pela construtora a fim de evitar um abalo sistêmico em toda a economia mundial. A crise energética na China pode ganhar novos capítulos dramáticos além da crise hídrica brasileira.

Com as reservas de água caindo mais e mais, o sistema energético brasileiro pode ser comprometido, gerando ainda mais transtornos à nossa economia.

A inflação é outro ponto preocupante. O IPCA de Setembro será divulgado em Outubro. Com um IPCA mais controlado, o plano de “voo” do BC será mantido, mas, havendo aumento além do esperado, é possível que o BC seja obrigado a corrigir o seu plano.

Para o mercado interno, todos esses pontos vão fazer a diferença nos investimentos para o mês de Outubro e nos meses seguintes.

O negócio é ficar atento e começar analisar investimentos que possam gerar mais segurança à carteira.

O que acha de comprar um real pagando 60 centavos?

O Banco do Brasil sempre é penalizado, em relação aos outros grandes bancos, por se tratar de uma empresa estatal. Essa condição faz com que os investidores exijam uma margem de segurança maior para investir em BBAS3 e não em ITUB4 ou BBDC4, por exemplo. Isso torna, os múltiplos apresentados pelo Banco do Brasil mais atrativos, principalmente quando se avalia um horizonte de tempo mais longo, onde o comportamento do governo não afeta tanto.

O cenário econômico do Brasil não é um dos mais favoráveis, e isso fica refletido no preço das ações. Se considerarmos o topo de BBAS3 pós pandemia, as ações já perderam mais de um quarto de valor, e se considerarmos o topo histórico, formado em julho de 2019, a queda no preço dos papéis ultrapassa 40%.

O preço continua andando de lado.

O gráfico diário mostra como o ativo tem dificuldade para subir. Entre março e maio os papéis ficaram trabalhando dentro de uma consolidação, formando um retângulo. O ativo conseguiu romper para cima, mas voltou tudo e está novamente a mais de um mês trabalhando na mesma faixa de preços.

É possível que as ações fiquem trabalhando por mais algum tempo nesta região de preços, pois enquanto não existe uma definição mais clara a respeito das condições econômicas do país, os investidores continuarão a exigir uma maior margem de segurança.

Por outro lado, dificilmente o preço irá cair muito mais, pois como o gráfico diário mostra, existe um grande suporte na linha inferior do canal e pelos múltiplos fundamentalistas, o papel está muito atrativo. O valor de P/VP (preço sobre valor patrimonial) está em 0,61, ou seja, o valor de mercado está cerca de 40% abaixo do valor patrimonial. Outro múltiplo interessante é com relação ao Dividend Yield, pois ao nível de preço atual, é esperado que o banco pague aproximadamente 8% em dividendos para os acionistas em 2021.

Dólar alcançando novas máximas perante o real.

O dólar vem trabalhando em um canal de alta desde junho deste ano, após fazer um forte movimento de baixa que veio desde seu topo histórico. A moeda americana tentou por diversas vezes romper a retração de 38,2% de todo o movimento de baixa realizado, mas estava com dificuldade para romper de forma efetiva a resistência.

Com os movimentos realizados na última semana, o dólar superou a resistência gerada pela retração de 38,2% de Fibonacci e com o pivô acionado na terça-feira, superou também a retração de 50%.

Conforme mostrado no gráfico, o alvo de 100% do pivô está coincidindo com a retração de 61,8% e pelas condições do mercado, é muito provável que o ativo alcance este alvo nos próximos dias.

E pode subir mais ainda!

Apesar de todos os esforços do Banco Central brasileiro, como os aumentos da taxa básica de juros ao longo dos últimos meses e as ofertas de swap cambial iniciadas nesta semana, o dólar continua subindo.

Pela análise técnica, a moeda americana continuará ganhando valor perante o real enquanto estiver trabalhando dentro do canal de alta. O que preocupa no entanto, é que se o dólar conseguir superar a retração de 61,8% e alcançar o alvo de 161,8% do pivô acionado esta semana, será possível afirmar que a tendência principal de baixa foi perdida, e que o ativo poderá continuar subindo até a região do topo histórico, próximo dos R$6,00.

Uma luz no fim do túnel.

O que pode trazer um pouco de esperança, é que no gráfico horário pode ser identificada uma grande resistência, de modo que, talvez, o dólar não consiga superar essa região e permaneça pelas próximas semanas nos níveis de preço atuais.

Conforme pode ser observado, o alvo de 100% do pivô acionado no gráfico horário coincide com o mesmo alvo do pivô do gráfico diário, que também coincide, aproximadamente, com a retração de 61,8% de Fibonacci. Ou seja, trata-se de uma zona de confluência, o que pela análise técnica é considerada uma região de forte resistência.

Caso a moeda americana alcance esta resistência e não consiga superá-la, a expectativa é que o ativo retorne e passe a trabalhar dentro das retrações de Fibonacci, identificadas pelas linhas em vermelho no g´rafico diário, ou seja, entre os valores de R$5,27 e R$5,50.

O avanço da regulamentação de criptos no Brasil

Combate à crimes como ponto de retomada

O PL 2303/15, criado pelo deputado Áureo Ribeiro (Solidariedade-RJ) ainda em 2015, dispunha em sua ementa original o objetivo de “dispor sobre a inclusão das moedas virtuais e programas de milhagem aéreas na definição de arranjos de pagamento sob a supervisão do Banco Central.” Após 6 anos – em que as movimentações mais intensas da pauta ocorreram só até 2019 – teve seu relatório final e avançará, enfim, para votação na Câmara dos Deputados.

Como está ocorrendo nos Estados Unidos, a motivação inicial dessa renovação de debate acabou nascendo da preocupação de crimes que, de uma forma ou de outra, envolvam as criptomoedas.

Por lá, o governo americano quer combater atos de terrorismo virtual, como por exemplo os “sequestros de arquivos”, documentos importantes e afins que são bloqueados e somente liberados mediante pagamento feito em criptoativos.

Já por aqui, o sinal de alerta soou com o aumento considerável de esquemas financeiros criminosos que usavam os investimentos no mercado em questão como bandeira.

Os destaques negativos ficaram para os casos da GAS consultoria, que chegou acumular R$ 38 bilhões e é acusada de lavagem de dinheiro e esquema de pirâmide, e mais recentemente da Eagle Eye, que encerrou suas atividades sem devolver os capitais investidos e que respondem também à acusações similares as da GAS.

Agravante em lavagem de dinheiro

E as primeiras movimentações regulatórias, motivadas pela gravidade dos casos que ganharam a mídia, já começam a tomar forma no cenário brasileiro. Junto à aprovação do PL para seguir ao plenário, uma comissão especial formada por deputados federais acelera os trâmites do agravamento de pena em caso de lavagem de dinheiro que envolva as criptomoedas.

Até hoje, a pena descrita na Lei n. 9.613/98 varia de 3 a 10 anos de reclusão. Com a novidade, a movimentação em criptoativos servirá como agravante para adicionar dois terços do tempo previsto à pena total, podendo passar então dos 16 anos em casos mais graves.

Tomando como espelho a situação dos Estados Unidos, observa-se como a conversa evoluiu por lá. Do problema envolvendo terrorismo digital, muitas outras pautas necessárias foram abordadas, como por exemplo a estruturação de stablecoins em suas relações com dólar americano e fundos empresariais, aspecto que pode ser parte importante de uma possível “ponte” entre criptos e transações econômicas mais tradicionais.

Aqui no Brasil, portanto, abre-se uma oportunidade ímpar de acelerar as políticas públicas que envolvam o inovador mercado. Pesquisas feitas à época da oficialização do Bitcoin (BTC) como moeda corrente em El Salvador, colocaram a população brasileira como consideravelmente amistosa à uma chegada mais concreta do recurso à economia nacional. Tratar então do assunto com compromisso e seriedade pode render frutos consideráveis à maturidade do povo brasileiro frente às criptomoedas.

Eleições e mercados: polarização deixa terceira via estagnada

Os dados mostram que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue na liderança do 1º turno, com 40% das intenções de voto, enquanto Jair Bolsonaro segue em segundo, com 30%.

Em relação ao último levantamento, realizado um mês antes, o petista oscilou 3 pontos percentuais para cima, enquanto o atual presidente aumentou 2 pontos percentuais.

Na sequência, empatados com base na margem de erro, aparecem os seguintes candidatos: 

  • Ciro Gomes (PDT), com 5%; 
  • José Luiz Datena, com 4%; 
  • Henrique Mandetta (DEM) e João Doria (PSDB), ambos com 3%; 
  • Rodrigo Pacheco (DEM), com 2%; 
  • Aldo Rebelo (sem partido) e Alessandro Vieira (Cidadania), com 1% cada um.

Cenários para segundo turno

A pesquisa também simulou possíveis cenários de segundo turno. Em todas, Lula ganharia a eleição. 

Caso a disputa fosse com Bolsonaro, o petista venceria com 53% dos votos, contra 33% do oponente.

Em um cenário sem Lula, Bolsonaro também perderia contra todos os demais candidatos da chamada “terceira via”, embora a diferença seja menor (média de 10 pontos percentuais).

Já se o cenário de disputa do segundo turno fosse entre Lula e algum dos nomes da terceira via, a vitória do ex-presidente também estaria garantida, inclusive com margem maior do que a disputa com Bolsonaro.

Lula ganharia por 53% a 15% contra Dória e Leite, ambos do PSDB.

A pesquisa foi realizada pelo PoderData (instituto de pesquisa do jornal Poder360). Os dados foram coletados por meio de ligações para telefones celulares e fixos. Ao todo, foram feitas 2.500 entrevistas em 451 municípios, nas 27 unidades da Federação, de 27 a 29 de setembro de 2021.

Polarização pode afetar volatilidade nos mercados em 2022

A cada pesquisa feita fica claro que o embate de 2022 será entre Bolsonaro e Lula. 

Embora os nomes da chamada terceira via consigam desbancar o atual presidente em uma hipotética disputa de segundo turno, ainda assim precisam vencer Lula para avançar.

Atualmente, esta situação não agrada ao mercado, visto que tanto Bolsonaro quanto Lula colocam em risco agendas importantes como a manutenção do teto de gastos públicos e as reformas.

Embora Bolsonaro tenha como trunfo o ministro Paulo Guedes, é notório que sua agenda não avançou conforme se esperava. Os embates políticos do governo dispersaram as atenções e esforços para a aprovação das reformas administrativa, tributária e trabalhista.

Além disso, a tentativa de flexibilização do teto de gastos tem sido um dos fatores causadores da incerteza no mercado.

Com o fracasso da terceira na corrida eleitoral, analistas já preveem um cenário de fortes turbulências nos mercados para o ano que vem, o que deverá gerar pressões nos juros e câmbio.

Oxford Nanopore, de biotecnologia, sobe 45% em estreia na bolsa de Londres

Por Yadarisa Shabong

A empresa é especializada em sequenciamento de DNA e fornece testes rápidos de Covid-19.

A Bolsa de Valores de Londres (LSE) teve uma série de IPOs neste ano. Empresas de biotecnologia tradicionalmente optam por se listar em Nova York em vez de Londres, ou se listaram na bolsa júnior da LSE, a AIM, em vez do mercado principal.

“Passamos por um processo completo e rigoroso e fomos para Londres”, disse o presidente-executivo Gordon Sanghera neste mês. “Por muitas e muitas razões, é o lugar certo para listar, e alguns dos movimentos do governo são encorajadores.”

A Oxford Nanopore é a primeira listagem de biotecnologia importante da LSE desde 2014, quando a especialista em alergia Circassia abriu o capital e obteve uma avaliação de 581 milhões de libras, de acordo com a Reuters Breakingviews.

A empresa atingiu valor de cerca de 4,95 bilhões de libras na máxima da sessão, após abrir 28% acima do preço do IPO. A Oxford Nanopore vende uma gama de dispositivos para sequenciamento de DNA e RNA – uma ferramenta essencial na medicina, biologia e ciência forense.

Mais recentemente, a empresa vendeu tecnologia para sequenciamento do genoma do novo coronavírus, que ajuda a identificar variantes, além de fornecer testes rápidos de Covid-19 para os serviços nacionais de saúde do Reino Unido.

(Por Yadarisa Shabong e Aditi Sebastian em Bengaluru, Abhinav Ramnarayan em Londres)

Vale diz que circulação de trens no complexo Mariana está regularizada

Segundo a Vale, a decisão deve permitir a operação regular da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) no Ramal Fábrica Nova.

Durante o período de interdição, anunciada em junho, a produção da usina de Timbopeba foi escoada através de trem não tripulado.

Além disso, disse a Vale, a desinterdição parcial permite o acesso à ponte rodoviária sobre o Rio Piracicaba.

“Ficam também liberados os acessos internos entre o site de Timbopeba e o site de Alegria”, afirmou.

A Vale informa ainda que continuam suspensos o acesso de trabalhadores e a circulação de veículos na zona da inundação da barragem Xingu, “sendo permitido apenas, mediante rigoroso protocolo de segurança, o ingresso de pessoas que trabalham nas atividades de estabilização da estrutura”.

A empresa destacou que a barragem Xingu permanece em nível 2 do Plano de Ação de Emergência de Barragens de Mineração (PAEBM), em que não há risco iminente de ruptura, seguindo inalteradas as condições de segurança da estrutura.

A Zona de Autossalvamento (ZAS) da barragem permanece evacuada, não havendo a presença permanente de pessoas na área.

Commodities favorecem o Real, mas o cenário político atrapalha

Essa avaliação é de Robin Brooks, economista chefe do Institute of International Finance. Para ele, os termos de troca do Brasil, ou seja, em relação entre os preços de exportação e importação, estão próximos da alta histórica de 2011. 

Inclusive, a balança comercial teve um resultado positivo em agosto de US $ 7,7 bilhões. Ou seja, o país exportou mais que importou no período. Esse saldo comercial foi recorde para meses de agosto, com aumento de 25,7% em relação ao mesmo mês de 2020.

Em condições normais, isso seria um indicativo de alívio no preço do dólar nos próximos períodos. “Os volumes de exportação do Brasil cresceram impressionantes 15% na primeira metade de 2021, superando de longe a maioria dos outros mercados emergentes. A gente tem a visão do que o real está bastante desvalorizado e esse aumento do volume exportado certamente é consistente com isso ”, disse Brooks em seu perfil no Twitter.

Neste cenário, estimamos Brooks, o Real Deveria valer cerca de R $ / US $ 4,50, porém, desde julho deste ano que a moeda se manteve acima dos R $ / US $ 5,00. 

Problemas no cenário político

Se o avanço das exportações contribuir para diminuir a pressão sobre o Real, o mesmo não pode ser dito quanto ao cenário político brasileiro.

O avanço da CPI da Covid-19, juntamente com outros fatores econômicos, aumentam a pressão sobre o presidente Bolsonaro e a agenda econômica de Paulo Guedes. 

A perda de popularidade às vésperas de um ano pressão eleitoral o presidente a expandir os custos sociais, como o Bolsa Família. Porém, com o orçamento apertado, uma das alternativas levantadas pela equipe econômica do governo é tirar o pagamento dos precatórios da regra do teto de gastos.

Isso é visto pelo mercado como uma forma de burlar as regras que garantem o equilíbrio das contas públicas. Com isso, como incertezas quanto ao equilíbrio fiscal crescente, inibindo a entrada moeda estrangeira por outras formas.

Um exemplo são como receitas próprias de exportações, cuja localização tem ficado no exterior. No acumulado de 12 meses até agosto, temos que, das receitas de US $ 260,6 bilhões com exportações (maior valor desde 1995), apenas US $ 214,4 bilhões entraram de fato no país como receita cambial de operações de exportações. Dessa forma, US $ 46,2 bilhões conhecidos no exterior.

Diante disso, o cenário aponta para a manutenção do câmbio a níveis elevados, ao menos enquanto não mais resolvidos os problemas políticos e como incertezas provenientes do risco de desequilíbrio fiscal.