Procurador do TPI vai prosseguir com investigação sobre supostos crimes de guerra na Ucrânia

AMSTERDÃ (Reuters) – O escritório do promotor do Tribunal Penal Internacional (TPI) informou nesta segunda-feira que vai buscar a aprovação do tribunal para abrir uma investigação sobre supostos crimes de guerra na Ucrânia.

O promotor Karim Khan expressou na sexta-feira sua preocupação com a invasão russa e disse que o tribunal pode investigar supostos crimes decorrentes da situação atual.

“O próximo passo é prosseguir com o processo de busca e obtenção de autorização da Câmara de Instrução do Tribunal para abrir uma investigação”, disse o procurador em comunicado na segunda-feira.

(Reportagem de Anthony Deutsch e Toby Sterling)

Presidentes de 8 países da UE pedem negociações imediatas para entrada da Ucrânia no bloco

VARSÓVIA (Reuters) – Os presidentes de oito países da Europa Central e Oriental pediram nesta segunda-feira aos Estados membros da União Europeia que concedam imediatamente à Ucrânia o status de país candidato à UE e abram as negociações de adesão, de acordo com uma carta aberta publicada nesta segunda-feira.

“Nós, os presidentes dos Estados membros da UE: a República da Bulgária, a República Checa, a República da Estónia, a República da Letônia, a República da Lituânia, a República da Polônia, a República Eslovaco e a República da Eslovênia fortemente acredito que a Ucrânia merece receber uma perspectiva imediata de adesão à UE”, dizia a carta.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, assinou nesta segunda-feira um pedido oficial para que seu país seja aceito na União Europeia.

Outros países já declararam apoio às pretensões ucranianas, em meio a crise que o país atravessa com a invasão de seu território pela Rússia.

O ministro das Relações Exteriores da Itália, Luigi Di Maio, afirmou nesta segunda que o desejo da Ucrânia de ingressar na União Europeia é legítimo.

“Acho que o pedido ucraniano para ingressar na UE é um pedido legítimo”, disse Di Maio em entrevista à televisão estatal RAI. “Estou convencido… de que na Ucrânia os cidadãos europeus estão morrendo e sofrendo sob as bombas russas. Temos que estar do lado deles.”

(Reportagem de Alan Charlish e Andrius Sytas)

Shell deixará a Rússia após invasão da Ucrânia, juntando-se à BP

Por Ron Bousso

LONDRES (Reuters) – A Shell anunciou nesta segunda-feira que sairá de todas as suas operações russas, incluindo uma grande usina de gás natural liquefeito, tornando-se a mais recente grande empresa de energia ocidental a deixar o país rico em petróleo após a invasão da Ucrânia por Moscou.

A decisão ocorre um dia depois que a rival BP abandonou sua participação na gigante petrolífera russa Rosneft, em um movimento que pode custar à empresa britânica mais de 25 bilhões de dólares. A Equinor, da Noruega, também planeja sair da Rússia.

A Shell disse em um comunicado que deixará seu principal negócio de GNL Sakhalin 2, no qual detém uma participação de 27,5%, e que é 50% de propriedade e operada pela gigante russa de gás Gazprom.

Sakhalin 2, localizado na costa nordeste da Rússia, é enorme, produzindo cerca de 11,5 milhões de toneladas de GNL por ano, que é exportado para importantes mercados, incluindo China e Japão.

Calote russo “muito provável” se crise com Ucrânia piorar, diz grupo ligado a sistema bancário mundial

Por Tommy Wilkes

LONDRES (Reuters) – É muito provável que a Rússia dê um calote em sua dívida externa e sua economia sofrerá uma contração de dois dígitos este ano depois que o Ocidente lançou sanções sem precedentes em escala e coordenação, disse um grupo de lobby do setor bancário global nesta segunda-feira.

O Instituto de Finanças Internacionais (IIF) estimou que metade das reservas estrangeiras do Banco Central da Rússia são mantidas em países que impuseram congelamentos de seus ativos, reduzindo severamente o poder de fogo do banco na formulação de políticas.

O Banco Central, que na segunda-feira elevou as taxas de juros e introduziu controles de capital, priorizaria a proteção de poupadores domésticos com investidores estrangeiros sendo colocados como “um dos últimos da lista”, disse o IIF.

“Se ficarmos aqui e isso (a crise) aumentar, o default e a reestruturação são prováveis”, disse Elina Ribakova, vice-economista-chefe do grupo de lobby, a repórteres durante uma teleconferência.

Segundo ela, o calote seria “extremamente provável”, embora o tamanho relativamente pequeno das participações estrangeiras – em torno de 60 bilhões de dólares – na dívida russa limitaria as consequências.

A inadimplência em títulos no mercado interno era muito menos provável, acrescentou.

O Banco Central da Rússia e o Ministério das Finanças russo não responderam imediatamente aos pedidos de comentários.

A Rússia invadiu a Ucrânia na semana passada, levando o Ocidente a impor uma série de sanções. Entre elas, o congelamento dos ativos do Banco Central russo, a remoção de muitos bancos russos do sistema global de pagamentos SWIFT e uma lista de indivíduos e entidades com ativos bloqueados no exterior. A Rússia chama sua ação militar na Ucrânia de “operação especial”.

As sanções fizeram com que o rublo despencasse para mínimas recordes na segunda-feira, e os investidores ocidentais estão lutando para se livrar de ativos russos à medida que o país se encontra cada vez mais isolado.

Ribakova, do IIF, disse que as medidas, que ainda podem vir a ser mais duras, são “as sanções econômicas mais severas já impostas a um país” e colocariam a economia russa em queda livre, com uma contração de dois dígitos neste ano e a inflação subindo para um percentual de dois dígitos também.

Ela disse que a conversão das participações cambiais domésticas russas em rublos também está na mesa, embora o banco central esteja relutante em implantá-la inicialmente, pois tenta poupar os poupadores domésticos prejudicados.

O banco central mantém ferramentas para tentar acalmar os mercados, incluindo aumentar ainda mais as taxas de juros, fornecer liquidez aos bancos domésticos e limitar os fluxos de capital. Também pode ser forçado a impor feriados bancários para impedir uma corrida aos bancos, disse o IIF em um relatório divulgado na segunda-feira e escrito antes das últimas sanções.

Ribakova disse que cerca de 10 bilhões de dólares foram retirados de bancos russos apenas na sexta-feira.

As sanções podem ficar mais duras, incluindo impedir que entidades americanas e europeias negociem dívidas governamentais russas existentes, expandindo a lista de instituições banidas do SWIFT e removendo exclusões comerciais relacionadas à energia.

Tais medidas ampliariam os riscos financeiros, comerciais e de contágio também para a economia global, e especialmente para a Europa, acrescentou Ribakova.

Em seu relatório anterior, o IIF disse que se os maiores credores da Rússia, Sberbank e VTB, forem expulsos do SWIFT, espera-se “uma desestabilização fundamental de todo o sistema financeiro, com profundas implicações para a economia real”.

Portos da Ucrânia permanecerão fechados até fim da invasão russa

Por Jonathan Saul

LONDRES (Reuters) – Os portos ucranianos permanecerão fechados até que a invasão da Rússia termine, disse o chefe da Administração Marítima da Ucrânia nesta segunda-feira, acrescentando que o porto de Mariupol foi danificado por bombardeios russos.

A Rússia invadiu a Ucrânia em 24 de fevereiro, chamando suas ações de “operação especial”.

“Os portos ficarão fechados até o fim da agressão russa em nosso território e (nós) restauraremos a capacidade de fornecer segurança marítima para navios comerciais”, disse Vitaliy Kindrativ à Reuters em comentários por e-mail.

Kindrativ afirmou que as autoridades ainda estão avaliando a extensão dos danos em Mariupol, um importante porto localizado no Mar de Azov, acrescentando que outros portos também sofreram alguns danos, o que “não era grave”.

“Mas acho que o cálculo final será feito após o fim da agressão russa, pois ainda há uma grande ameaça de desembarque de tropas russas pelos portos, o que pode causar grande destruição da infraestrutura portuária”, disse.

Muitas companhias de navegação suspenderam as viagens para os portos afetados do Mar Negro com prêmios de seguro para viagens subindo nos últimos dias e pelo menos três navios comerciais atingidos por bombas desde 24 de fevereiro.

As previsões de grãos de primavera russos e ucranianos, que devem começar em breve, também podem ser afetadas pelo conflito.

(Por Jonathan Saul, reportagem adicional de Pavel Polityuk na Ucrânia)

Ucrânia oferece anistia e dinheiro a soldados russos que quiserem depor armas

LVIV (Reuters) – O ministro da Defesa ucraniano, Oleksii Reznikov, apelou diretamente aos soldados russos que lutam na Ucrânia nesta segunda-feira, dizendo que eles receberão anistia total e compensação monetária se aceitarem depor voluntariamente suas armas.

“Aqueles de vocês que não querem se tornar um assassino e morrer podem se salvar”, disse ele em um post nas redes sociais.

(Reportagem de Natalia Zinets)

Em sessão especial, Assembleia Geral da ONU se prepara para isolar a Rússia

Por Michelle Nichols

NOVA YORK (Reuters) – A Assembleia Geral das Nações Unidas, com 193 membros, começou a se reunir nesta segunda-feira para uma sessão especial sobre a crise na Ucrânia antes de uma votação nesta semana para isolar a Rússia, lamentando sua “agressão contra a Ucrânia” e exigindo que as tropas russas parem de lutar e se retirem do país.

A Assembleia Geral votará esta semana um projeto de resolução semelhante ao texto vetado pela Rússia no Conselho de Segurança da ONU na última sexta-feira. Nenhum país tem veto na Assembleia Geral, e diplomatas ocidentais esperam que a resolução, que precisa de dois terços do apoio, seja adotada.

Embora as resoluções da Assembleia Geral não sejam vinculativas, elas têm peso político. Os Estados Unidos e aliados vêem a ação nas Nações Unidas como uma chance de mostrar que a Rússia está isolada por causa da invasão da vizinha Ucrânia.

O projeto de resolução já tem pelo menos 80 co-patrocinadores, disseram diplomatas na segunda-feira. Mais de 100 países devem falar antes da votação da Assembleia Geral.

O embaixador francês na ONU, Nicolas de Riviere, disse: “Ninguém pode desviar o olhar, a abstenção não é uma opção”.

As negociações de cessar-fogo entre autoridades russas e ucranianas começaram na fronteira bielorrussa na segunda-feira, enquanto a Rússia enfrenta um isolamento econômico cada vez mais profundo, mas foram encerras nesta segunda sem avanço. Um novo encontro deve acontecer nos próximos dias.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse esperar que as negociações “produzam não apenas uma interrupção imediata dos combates, mas também um caminho para uma solução diplomática”.

Guterres descreveu a decisão do presidente russo, Vladimir Putin, no domingo, de colocar as forças nucleares da Rússia em alerta máximo como um “desenvolvimento assustador”, dizendo à Assembleia Geral que o conflito nuclear é “inconcebível”.

O embaixador da Ucrânia na ONU, Sergiy Kyslytsya, descreveu a ordem de Putin de colocar as forças nucleares russas em alerta como “loucura”.

“Se ele quer se matar, ele não precisa usar um arsenal nuclear, ele tem que fazer o que o cara em Berlim fez em um bunker em 1945”, disse Kyslytsya à Assembleia Geral, referindo-se ao suicídio de Adolf Hitler.

Guterres também alertou sobre o impacto do conflito sobre os civis e disse que pode se tornar a pior crise humanitária e de refugiados da Europa em décadas.

“Embora os ataques russos tenham como alvo principal instalações militares ucranianas, temos relatos confiáveis de edifícios residenciais, infraestrutura civil crítica e outros alvos não militares que sofreram danos pesados”, disse ele.

O embaixador da Rússia na ONU, Vassily Nebenzia, disse que as ações da Rússia na Ucrânia estão sendo “distorcidas”. Ele disse à Assembleia Geral: “O exército russo não representa uma ameaça para os civis da Ucrânia, não está bombardeando áreas civis”.

Macron aumenta dianteira em pesquisa eleitoral com sua atuação na crise entre Rússia e Ucrânia

(Reuters) – O apoio ao presidente Emmanuel Macron atingiu seu nível mais alto até agora nas intenções de voto para o primeiro turno da eleição presidencial da França, impulsionado por seu papel na crise da Ucrânia, de acordo com uma pesquisa publicada nesta segunda-feira.

Macron ganhou dois pontos na pesquisa do IFOP para a revista Paris Match, subindo para 28%, o nível mais alto desde o início da pesquisa. Essa alteração acontece menos de dois meses antes do primeiro turno da eleição em 10 de abril.

Em segundo lugar, a rival de extrema-direita Marine Le Pen perdeu 0,5 pontos percentuais, para 16%, enquanto o terceiro colocado Eric Zemmour caiu 1,5 pontos, para 14%. A conservadora de centro-direita Valerie Pecresse caiu 1 ponto, para 13%.

Macron liderou os esforços europeus para evitar a guerra na Ucrânia, voando para Moscou no início deste mês para se encontrar com Putin e passando horas ao telefone com ele e outros líderes mundiais nas últimas semanas para mediar.

A invasão russa da Ucrânia colocou seus rivais de extrema-direita em segundo plano, forçando os geralmente russófilos Le Pen e Zemmour a justificar seu apoio passado a Putin. Os dois tiveram que criticar a ação do Kremlin desde o início da invasão.

Macron, que ainda não tomou sua decisão de concorrer à reeleição oficial, mas é amplamente esperado que o faça, aparece na pesquisa como vencedor do segundo turno de 24 de abril contra todos os candidatos, e venceria Le Pen por 56,5% a 43,5%, segundo a pesquisa, que foi feita com 1.500 entrevistados.

Outra pesquisa no fim de semana mostrou que os eleitores aprovaram o papel de Macron na crise da Ucrânia. Cerca de 58% dos franceses acham que ele se saiu bem, de acordo com a Harris Interractive, enquanto apenas 28% deles aprovaram Le Pen e 21%, Zemmour.

Quase dois terços dos entrevistados disseram que a crise na Ucrânia influenciará a maneira como eles votarão nas eleições.

(Reportagem de Michel Rose, edição de Angus MacSwan)

Negociações entre Rússia e Ucrânia termina sem avanço, com discussões “difíceis”

KIEV / MOSCOU (Reuters) – Autoridades ucranianas e russas se reuniram na fronteira com Belarus neste segunda-feira para discutir um possível cessar-fogo na Ucrânia, cinco dias após o início da invasão russa que desencadeou uma série de sanções diplomáticas e econômicas contra Moscou, mas a tentativa de diálogo terminou sem avanços.

Após algumas horas de discussões “difíceis”, de acordo com o oficial ucraniano Mikhaïlo Podoliak, as delegações retornaram às suas respectivas capitais para consultas antes de novas conversas.

Enquanto a presidência ucraniana diz que quer negociar um cessar-fogo imediato, nada no terreno indica que os eventos estão tomando esse rumo, com as tropas russas continuando a avançar lentamente em direção a Kiev enquanto os ataques com foguetes em Kharkiv, a segunda cidade do país, deixaram ao menos 11 civis mortos, de acordo com uma autoridade local.

Enquanto ucranianos e russos negociavam, o presidente francês Emmanuel Macron falou ao telefone com seus colegas ucranianos Volodimir Zelensky e o russo Vladimir Putin.

Segundo a Presidência francesa, Macron pediu a Vladimir Putin que encerrasse sua ofensiva e aceitasse um cessar-fogo, ao mesmo tempo em que o exortava a respeitar o direito humanitário e poupar civis.

Ao mesmo tempo, os países ocidentais divulgaram novas sanções contra a Rússia e começaram a implementar as anunciadas nos últimos dias, incluindo a exclusão de vários bancos russos da rede interbancária SWIFT, bem como sanções direcionadas às reservas em moeda estrangeira do Banco Central depositadas no exterior.

Essas medidas sem precedentes adotadas neste fim de semana pela União Europeia (UE) e segunda-feira pelos Estados Unidos fizeram com que o rublo caísse para uma baixa histórica em relação ao dólar. A Bolsa de Valores de Moscou permaneceu fechada na segunda-feira, enquanto o Banco Central russo aumentou urgentemente sua taxa básica de juros de 9,5% para 20%, na tentativa de conter a fuga de capitais.

A Suíça, um país tradicionalmente neutro, anunciou que aplicaria certas sanções adotadas pela UE, incluindo a proibição de uso de seu espaço aéreo, inclusive para jatos particulares russos, e o congelamento de ativos de certos líderes russos.

O Japão e a Coreia do Sul indicaram, por sua vez, que participarão na exclusão de vários bancos russos da rede interbancária SWIFT. Segundo o jornal Straits Times, Cingapura também pretende impor sanções e restrições à Rússia.

A pressão também aumentou sobre as empresas ocidentais que têm investimentos na Rússia após a decisão do grupo petrolífero BP BP.L de se retirar completamente deste país.

Mais simbolicamente, o Comitê Olímpico Internacional recomendou na segunda-feira a proibição de todos os atletas russos e bielorrussos – cujo país serve de base de retaguarda para a invasão – das competições internacionais, abrindo caminho em particular para a suspensão da Rússia da Copa do Mundo deste ano pela Fifa, a pouco mais de três semanas de seus últimos jogos dos playoffs.

Sancionada por todos os lados, a Rússia começou a retaliar anunciando o fechamento de seu espaço aéreo para empresas de 36 países, incluindo os 27 estados da UE.

A Rússia, que fornece cerca de 40% do gás natural usado na UE, também poderia usar a arma energética, uma possibilidade que está no centro de uma reunião de emergência dos Ministros da Energia dos Vinte e Sete marcada para o final desta segunda.

“A energia não ficará de fora deste conflito, gostemos ou não”, disse o chefe de política externa da UE, Josep Borrell, durante uma entrevista coletiva. “Temos uma dependência do gás russo e é uma questão existencial reduzir essa dependência.”

Para as autoridades ucranianas, a prioridade continua sendo resistir à ofensiva militar russa, enquanto cada vez mais países europeus anunciam sua intenção de entregar armas defensivas, em particular armas antitanque, a Kiev.

A Itália e a Finlândia anunciaram notavelmente na segunda-feira sua intenção de fornecer essas armas à Ucrânia, ecoando a decisão sem precedentes tomada pela UE de financiar a compra e a entrega de armas e equipamentos em Kiev, uma decisão denunciada segunda-feira pelo Kremlin como hostil agir em relação à Rússia.

(Reporting by Aleksandar Vasovic in Kiev; Natalia Zinets and Matthias Williams in Lviv; Alan Charlish in Medyka (Poland); Fedja Grulovic in Sighetu Marmatie (Romania); other Reuters bureaus including Moscow)

UE pode discutir adesão da Ucrânia e a vê como pauta nas negociações com Rússia

Por Jan Strupczewski

BRUXELAS (Reuters) – Líderes da União Europeia podem discutir a possibilidade de adesão da Ucrânia em uma cúpula informal em março, disse uma autoridade de alto escalão da UE nesta segunda-feira, acrescentando que a questão é importante para a Ucrânia nas discussões com a Rússia sobre o fim do conflito.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, afirmou nesta segunda-feira que assinou um pedido oficial para que a Ucrânia se junte ao bloco.

“Acho que uma das razões pelas quais isso é importante para o presidente Zelenskiy também está potencialmente em algumas das discussões com a Rússia sobre uma saída”, disse a autoridade, referindo-se às negociações para encerrar o conflito.

Mas ele acrescentou que nenhum processo foi iniciado ainda.

“Sobre o pedido (da Ucrânia para adesão à UE), acho importante não nos anteciparmos”, disse a fonte, que pediu para não ser identificada.

“Obviamente ainda não foi recebido, mas toda essa questão da situação da Ucrânia é algo que está muito na mente dos líderes.”

O principal diplomata do bloco, Josep Borrell, disse que a prioridade imediata é fornecer apoio prático à Ucrânia para combater a invasão russa, em vez de discutir questões de longo prazo que podem levar anos.

“Temos que fornecer uma resposta para as próximas horas, não para os próximos anos”, declarou ele a repórteres na segunda-feira, quando perguntado sobre a adesão da Ucrânia à UE.

“A Ucrânia tem claramente uma perspectiva europeia, mas agora temos que lutar contra uma agressão.”

(Reportagem adicional de Francesco Guarascio)