EUA e aliados ocidentais discutem ameaças nucleares de Putin

Por Nandita Bose

WASHINGTON (Reuters) – O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, falará com aliados e parceiros nesta segunda-feira, depois que o presidente Vladimir Putin colocou a dissuasão nuclear da Rússia em alerta máximo diante de uma enxurrada de represálias ocidentais pela guerra na Ucrânia.

Uma autoridade da Casa Branca disse à Reuters que o presidente russo está intensificando a guerra com “retórica perigosa” e que a Rússia e os EUA há muito concordam que o uso nuclear teria consequências devastadoras.

“Uma guerra nuclear não pode ser vencida e nunca deve ser travada”, disse a autoridade da Casa Branca. “Achamos que a retórica provocativa em relação às armas nucleares é perigosa, deve ser evitada e não vamos ceder a isso.”

A autoridade afirmou que os EUA estão avaliando a diretiva do presidente Putin e, neste momento, “não há razão para alterar nossos próprios níveis de alerta”. Nem os EUA nem a Otan têm qualquer desejo ou intenção de entrar em conflito com a Rússia, acrescentou a fonte.

Ucrânia busca investigação da ONU sobre supostos crimes de guerra da Rússia

Por Stephanie Nebehay

GENEBRA (Reuters) – A Ucrânia e seus aliados pediram nesta segunda-feira uma investigação da ONU sobre possíveis crimes de guerra cometidos pela Rússia durante suas ações militares na Ucrânia.

O Conselho de Direitos Humanos da ONU votou nesta segunda-feira para aceitar o pedido da Ucrânia de realizar um debate urgente na quinta-feira sobre a invasão da Rússia. Um esboço de resolução ucraniano será considerado no debate urgente.

Se adotada, uma comissão de três especialistas independentes investigará todas as supostas violações do direito internacional na Crimeia e nas regiões de Donetsk e Luhansk desde 2014 e em outras áreas da Ucrânia desde a invasão da Rússia na semana passada.

A embaixadora da Ucrânia nas Nações Unidas em Genebra, Yevheniia Filipenko, disse ao Conselho de Direitos Humanos: “As forças russas tentam semear o pânico entre a população ao visar especificamente jardins de infância e orfanatos, hospitais e brigadas móveis de assistência médica, cometendo atos que podem equivaler a crimes de guerra.”

Sheba Crocker, embaixadora dos EUA na ONU em Genebra, afirmou em comunicado à Reuters que a votação de segunda-feira para realizar o debate mostrou que a Rússia está totalmente isolada no Conselho.

“Apenas 4 países apoiaram a posição da Rússia, demonstrando claramente que a comunidade internacional está unida em condenar a ação flagrante da Rússia”, declarou ela.

O embaixador da Rússia, Gennady Gatilov, disse que seu país lançou “operações especiais para impedir a tragédia” na região separatista de Donbass, e que as forças russas não estavam atirando em alvos civis na Ucrânia.

(Reportagem adicional de Emma Farge)

BCE põe sob observação bancos com ligações com a Rússia, dizem fontes

Por Francesco Canepa

FRANKFURT (Reuters) – O Banco Central Europeu colocou bancos com ligações estreitas com a Rússia, como o austríaco Raiffeisen Bank International e o braço europeu do VTB, sob observação após amplas sanções financeiras do Ocidente que já pressionaram um dos credores no limite, disseram duas fontes à Reuters.

As medidas do BCE incluem a exigência de que esses bancos relatem sua liquidez com mais frequência e atualizem os supervisores sobre o impacto das sanções em seus ativos e relatem suas operações na Rússia e na Ucrânia, disseram as fontes.

Os supervisores aumentaram seu escrutínio quando a Rússia invadiu a Ucrânia na semana passada e agora estão em contato diário com os bancos, acrescentaram as fontes.

O presidente-executivo do Raiffeisen Bank International, Johann Strobl, disse em comunicado à Reuters que a subsidiária russa do RBI “tinha uma posição de liquidez muito forte e estava registrando entradas”. O banco se recusou a comentar mais.

O BCE se recusou a comentar e o VTB não respondeu a um pedido de comentário.

(Reportagem de Francesco Canepa; reportagem adicional de Alexandra Schwarz-Goerlich, em Viena)

Foguetes matam 11 na cidade ucraniana de Kharkiv, diz autoridade regional

LVIV (Reuters) – Pelo menos 11 pessoas morreram nesta segunda-feira em ataques com foguetes de forças russas em bairros residenciais da cidade ucraniana de Kharkiv, disse o chefe da administração regional, Oleg Synegubov.

A cidade do nordeste do país, a segunda maior da Ucrânia, tornou-se um dos principais campos de batalha desde que a Rússia invadiu a Ucrânia na semana passada, no maior ataque a um estado europeu desde a Segunda Guerra Mundial.

Synegubov afirmou que as forças russas estavam disparando artilharia em áreas residenciais de Kharkiv, onde não há posições do exército ucraniano ou infraestrutura estratégica.

“Isso está acontecendo durante o dia, quando as pessoas vão à farmácia, para fazer compras ou beber água. É um crime”, disse ele. Onze pessoas foram mortas na segunda-feira e dezenas ficaram feridas, disse ele.

Não foi imediatamente possível verificar de forma independente os números de vítimas. Anteriormente, o conselheiro do Ministério do Interior, Anton Herashchenko, disse que ataques com foguetes russos em Kharkiv na segunda-feira mataram dezenas de pessoas.

A Rússia chama suas ações na Ucrânia de “operação especial” que, segundo ela, não foi projetada para ocupar território, mas para destruir as capacidades militares de seu vizinho do sul e capturar o que considera nacionalistas perigosos.

No domingo, o Ministério da Saúde da Ucrânia disse que 352 civis, incluindo 14 crianças, foram mortos desde o início da invasão.

(Reportagem de Natalia Zinets)

Ministros de Energia da UE discutem planos de abastecimento em meio à crise na Ucrânia

Por Kate Abnett

BRUXELAS (Reuters) – Ministros de Energia de países da União Europeia discutirão nesta segunda-feira preparativos para possíveis abalos no fornecimento de energia e medidas para reforçar os estoques de gás após a invasão russa na Ucrânia.

A invasão da Ucrânia pela Rússia, principal fornecedora de gás da Europa, aguçou as preocupações com a interrupção do fornecimento de energia e aumentou o debate sobre a dependência dos países da União Europeia de combustíveis fósseis importados.

Os ministros da UE vão “fazer um balanço de possíveis ações adicionais em termos de salvaguarda do abastecimento, utilização de reservas estratégicas de petróleo, gestão de reservas de gás” na reunião de emergência, de acordo com uma nota preparatória da França, que atualmente preside as reuniões de ministros da UE.

“Temos que nos preparar para todas as possibilidades”, disse a ministra de transição ecológica da França, Barbara Pompili, ao chegar à sessão.

A UE tem estoques de gás e petróleo suficientes para resistir a interrupções de curto prazo, afirmou ela. “No entanto, há um problema com suprimentos de longo prazo.”

Os ministros também discutirão uma possível assistência ao setor de energia da Ucrânia e a aceleração de uma conexão planejada da rede elétrica da Ucrânia com a da Europa, o que a tornaria mais independente da Rússia.

Dona do Facebook diz que militares e políticos da Ucrânia são alvos de campanha de hackers

Por Elizabeth Culliford

(Reuters) – Meta Platforms disse que um grupo de hackers usou o Facebook para atingir algumas figuras públicas na Ucrânia, incluindo autoridades militares proeminentes, políticos e um jornalista, em meio à invasão da Rússia ao país.

A Meta afirmou que removeu separadamente uma rede de cerca de 40 contas falsas, grupos e páginas no Facebook e Instagram que operavam na Rússia e na Ucrânia visando pessoas na Ucrânia, por violar suas regras contra comportamento inautêntico coordenado.

Um porta-voz do Twitter disse que também suspendeu mais de uma dúzia de contas e bloqueou o compartilhamento de vários links por violar suas regras contra manipulação de plataforma e spam. Afirmou ainda que sua investigação em andamento indicou que as contas se originaram na Rússia e estavam tentando interromper a conversa pública sobre o conflito na Ucrânia.

Em um blog post nesta segunda-feira, a Meta atribuiu os esforços de hackers a um grupo conhecido como Ghostwriter, que, segundo a empresa, conseguiu acesso às contas de mídia social dos alvos. Meta disse que os hackers tentaram postar vídeos no YouTube das contas que retratavam as tropas ucranianas como enfraquecidas, incluindo um vídeo que afirmava mostrar soldados ucranianos saindo de uma floresta e hasteando uma bandeira branca de rendição.

Autoridades de segurança cibernética ucranianas disseram na sexta-feira que hackers da vizinha Belarus estavam atacando os endereços de e-mail privados de militares ucranianos “e indivíduos relacionados”, culpando um grupo de codinome “UNC1151”. A empresa de segurança cibernética norte-americana FireEye já conectou o grupo às atividades do Ghostwriter.

Rússia aumenta taxas de juros e introduz controles de capital à medida que sanções aumentam

(Reuters) – O Banco Central da Rússia mais do que dobrou sua taxa básica de juros nesta segunda-feira e introduziu alguns controles de capital, enquanto o país enfrenta um isolamento econômico cada vez maior, mas seu presidente disse que as sanções aplicadas ao país pela guerra na Ucrânia o impediram de vender moeda estrangeira para sustentar o rublo.

A admissão de que as restrições efetivamente amarraram as mãos do Banco da Rússia ressalta a ferocidade da reação à invasão da Ucrânia por Moscou e ao sucesso dos aliados ocidentais em restringir sua capacidade de usar as reserva de 640 bilhões de dólares em divisas e reservas de ouro.

“O Banco Central aumentou hoje sua taxa básica para 20%, pois novas sanções provocaram um desvio significativo da taxa do rublo e limitaram as opções do Banco Central de usar suas reservas de ouro e câmbio”, disse a presidente do banco, Elvira Nabiullina, em entrevista coletiva.

“Tivemos que aumentar as taxas para compensar os cidadãos pelo aumento dos riscos inflacionários”.

As sanções ocidentais já haviam feito o rublo cair quase 30%, alcançando valores mínimos recordes. Ele recuperou algum terreno depois que o Banco Central aumentou sua principal taxa de juros para 20%, o nível mais alto deste século.

O Banco da Rússia vendeu 1 bilhão de dólares em mercados de câmbio na quinta-feira, disse Nabiullina, mas não interveio na segunda-feira.

“Dadas as restrições ao uso de reservas de ouro e forex em dólares e euros, não realizamos intervenções hoje”, disse Nabiullina. Isso sugere que o rublo foi apoiado por outros participantes do mercado não identificados.

Na segunda-feira, o Banco Central e o ministério das finanças disseram que ordenariam que as empresas exportadoras, que incluem alguns dos maiores produtores de energia do mundo, da Gazprom à Rosneft, vendessem 80% de suas receitas cambiais no mercado, já que a capacidade do próprio Banco Central de intervir nos mercados cambiais foi restrita.

Os Estados Unidos e a Grã-Bretanha proibiram seus cidadãos ou entidades de fazer transações com o Banco Central russo, o Fundo Nacional de Riqueza da Rússia ou o Ministério das Finanças russo.

A Suíça disse que adotará sanções da União Europeia contra russos envolvidos na invasão da Ucrânia e congelará seus bens, em um grande desvio das tradições do país, tradicionalmente neutro.

DEMANDA

Os principais bancos da Rússia também foram excluídos da rede de mensagens SWIFT, que facilita trilhões de dólares em transações financeiras em todo o mundo, dificultando que credores e empresas façam e recebam pagamentos.

Nabiullina disse que a Rússia tinha um substituto interno para o SWIFT ao qual as contrapartes estrangeiras poderiam se conectar, mas não deu detalhes.

Ela disse que o setor bancário enfrenta “um déficit estrutural de liquidez” por causa da alta demanda por dinheiro e que o Banco Central está pronto para apoiá-lo.

“O Banco Central será flexível para usar quaisquer ferramentas necessárias… os bancos têm cobertura suficiente para captar recursos do Banco Central”, disse Nabiullina.

Os russos fizeram fila do lado de fora dos caixas eletrônicos no domingo, preocupados que as sanções pudessem provocar escassez de dinheiro e interromper os pagamentos.

“Todos os bancos cumprirão suas obrigações e os fundos em suas contas estão seguros”, disse Nabiullina, embora o Banco Central esteja recomendando que os bancos reestruturem os empréstimos de alguns clientes.

O braço europeu do Sberbank SBER.MM , o maior credor da Rússia, estava prestes a falir, alertou o Banco Central Europeu na segunda-feira, após uma corrida em seus depósitos provocada pela reação da invasão russa à Ucrânia.

Nabiullina disse que outras decisões de política monetária serão orientadas pela avaliação dos bancos centrais sobre os riscos externos, acrescentando que será flexível em suas decisões, dada a “situação fora do padrão” enfrentada pelo sistema financeiro e pela economia.

O rublo estava sendo negociado em queda de cerca de 18% no comércio do final da tarde em Moscou. As bolsas de valores russas e os mercados de derivativos foram fechados para se proteger de novas perdas.

(Com reportagem da Reuters em Moscou)

Tradicionalmente neutra, Suíça adota sanções da UE contra Rússia

ZURIQUE (Reuters) – A tradicionalmente neutra Suíça adotará sanções da União Europeia contra russos envolvidos na invasão da Ucrânia por Moscou e congelará seus bens, disse o governo nesta segunda-feira, em um forte desvio das tradições do país.

“Em vista da contínua intervenção militar da Rússia na Ucrânia, o Conselho Federal tomou a decisão em 28 de fevereiro de adotar os pacotes de sanções impostos pela UE em 23 e 25 de fevereiro”, disse o governo em comunicado.

A Suíça também adotou sanções financeiras contra o presidente russo Vladimir Putin, o primeiro-ministro Mikhail Mishustin e o ministro das Relações Exteriores Sergei Lavrov, com efeito imediato.

“A Suíça reafirma sua solidariedade com a Ucrânia e seu povo; entregará suprimentos de emergência para pessoas que fugiram para a Polônia”, disse o governo, renovando sua oferta de mediar a disputa.

(Reportagem de Stephanie Nebehay e Michael Shields)

EUA fecham embaixada em Belarus e recomendação norte-americanos a deixar a Rússia

Por Katharine Jackson

WASHINGTON (Reuters) – Os Estados Unidos fecharam sua embaixada em Minsk e permitiram que funcionários não emergenciais e familiares deixassem sua embaixada em Moscou nesta segunda-feira, enquanto a Rússia avançava com a invasão da Ucrânia pelo quinto dia.

“Tomamos essas medidas devido a questões de segurança decorrentes do ataque não provocado e injustificado das forças militares russas na Ucrânia”, disse o secretário de Estado Antony Blinken.

Uma foto postada no Twitter pela embaixadora dos EUA em Belarus Julie Fisher na segunda-feira mostrou a equipe da missão baixando a bandeira americana. Todos os funcionários americanos deixaram o país, twittou Fisher.

Cidadãos americanos em Belarus também devem partir imediatamente, disse o Departamento de Estado em um comunicado de viagem separado.

Os Estados Unidos já haviam transferido suas operações da embaixada na Ucrânia da capital Kiev para a cidade de Lviv, no oeste, há duas semanas, enquanto as forças russas se reuniam nas fronteiras da Ucrânia.

As últimas evacuações ocorrem depois que o presidente russo, Vladimir Putin, colocou as forças nucleares da Rússia em alerta máximo no domingo, diante de uma enxurrada de represálias ocidentais por sua guerra contra a Ucrânia.

No domingo, o Departamento de Estado dos EUA disse que os cidadãos americanos deveriam considerar deixar a Rússia imediatamente em voos comerciais, citando um número crescente de companhias aéreas cancelando voos e países fechando seu espaço aéreo para a Rússia após a invasão da Ucrânia.

A Rússia proibiu na segunda-feira as companhias aéreas de 36 países de usarem o espaço aéreo russo.

As nações europeias e o Canadá se moveram no domingo para fechar seu espaço aéreo para aeronaves russas. Os Estados Unidos estão considerando uma ação semelhante, mas ainda não tomaram uma decisão final, disseram autoridades americanas.

Autoridades norte-americanas alertaram que a Belarus também enfrentará consequências por seu papel em ajudar a Rússia no ataque, enquanto Washington e seus aliados intensificam severas sanções econômicas a Moscou. A UE também alertou que imporia novas sanções ao país esta semana.

Vaticano diz estar pronto para “facilitar diálogo” entre Rússia e Ucrânia

Por Philip Pullella

CIDADE DO VATICANO (Reuters) – O Vaticano disse nesta segunda-feira que está pronto para “facilitar o diálogo” entre a Rússia e a Ucrânia para acabar com a guerra e pediu o fim imediato do “ataque militar”.

O secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin, que fica atrás apenas do papa na hierarquia do Vaticano, afirmou aos jornais italianos que “apesar da guerra desencadeada pela Rússia contra a Ucrânia”, ele estava “convencido de que sempre há espaço para negociações”.

O embaixador da Ucrânia no Vaticano, Andriy Yurash, disse à Reuters em uma entrevista em 14 de fevereiro que Kiev estava aberta a uma mediação do Vaticano sobre seu conflito com a Rússia, chamando o Vaticano de “um lugar muito influente e muito espiritual para uma reunião”.

Parolin, principal diplomata do Vaticano, disse que o diálogo é a única maneira “razoável e construtiva” de resolver as diferenças.

“A Santa Sé, que nestes anos acompanhou os acontecimentos na Ucrânia de forma constante, discreta e com grande atenção, oferecendo-se para facilitar o diálogo com a Rússia, está sempre pronta para ajudar ambos os lados a retomar esse caminho”, declarou ele, segundo transcrição no site oficial do Vatican News.

A embaixada russa no Vaticano se recusou a comentar.

“Acima de tudo, o ataque militar deve parar imediatamente. Todos nós somos testemunhas de suas trágicas consequências”, disse Parolin.