Soja recua em Chicago com expectativa de plantio recorde nos EUA, milho avança

CHICAGO (Reuters) – Os contratos futuros de soja negociados em Chicago caíram nesta quinta-feira para o menor patamar em um mês, depois que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) projetou que os agricultores do país devem plantar nesta temporada a maior área já registrada para a oleaginosa.

O USDA estimou o plantio de soja nos EUA em 2022 em recorde de 90,955 milhões de acres, um aumento de 4% em relação a 2021 e acima da maioria das expectativas dos analistas, enquanto o plantio de milho caiu 4% para 89,490 milhões de acres, no mesmo comparativo.

Analistas disseram que os altos custos dos fertilizantes provavelmente desencorajaram as semeaduras de milho nos EUA, que exigem mais adubação do que a soja.

As estimativas de plantio de trigo de primavera (no hemisfério Norte) caíram cerca de 2% no comparativo anual, para 11,2 milhões de acres, mostraram os dados do USDA.

Na bolsa de Chicago, a soja para maio fechou em queda de 45,75 centavos de dólar a 16,1825 dólares por bushel, após cair para 16,1350 dólares, a mínima do contrato desde 28 de fevereiro.

O milho para maio fechou em alta de 10,75 centavos de dólar a 7,4875 dólares por bushel, reduzindo ganhos após subir para 7,70 dólares, a máxima em uma semana.

O trigo soft vermelho de inverno para maio fechou com recuo de 21,25 centavos de dólar a 10,06 dólares por bushel.

(Reportagem de Julie Ingwersen)

Parlamentares da UE apoiam nova regra para rastreamento de criptoativos

Por Huw Jones e Tom Wilson

LONDRES (Reuters) – Parlamentares da União Europeia apoiaram nesta quinta-feira novas regras para rastreamento de transferências de bitcoins e outras criptomoedas, no mais recente sinal de que reguladores do bloco estão apertando o cerco ao setor.

Dois comitês do Parlamento Europeu aprovaram conjuntamente, por 93 votos a favor e 14 contra, compromissos multipardidários que considerados pela bolsa de criptomoedas Coinbase como capazes de prejudicar a inovação no setor.

A indústria de criptoativos, avaliada em 2,1 trilhões de dólares, ainda goza de um ambiente regulatório global escasso.

Sob a proposta apresentada pela primeira vez no ano passado pela Comissão Europeia, empresas de criptoativos como corretoras e bolsas terão que obter, manter e enviar informações sobre os envolvidos nas transferências de valores.

Isso tornará mais fácil identificar e reportar transações suspeitas, além de permitir congelamento de ativos digitais e desmotivar transações de alto risco, afirmou Ernest Urtasun, parlamentar espanhol do Partido Verde que assessora a proposta no Parlamento Europeu.

Atualmente não há regras da UE que obriguem o rastreamento de transferências de criptoativos. E a Comissão Europeia está propondo a aplicação da norma para transferências equivalentes a partir de 1.000 euros. Porém, os parlamentares nesta quinta-feira votaram pela eliminação do limite mínimo, o que significa que todas as transferências serão enquadradas.

Urtasun afirmou que a remoção do valor mínimo colocou a proposta de lei em linha com regras da Força Tarefa de Ação Financeira global, que define padrões para combate à lavagem de dinheiro. Pelas regras, as companhias que transacionam ativos digitais devem coletar e compartilhar dados sobre as operações.

Os parlamentares na comissão também apoiaram incluir o rastreamento de transferências não abrigadas em carteiras digitais mantidas por indivíduos, não corretoras. Também aprovaram apoio para criar uma lista, pela Autoridade Bancária da UE, de fornecedores de serviços de ativos digitais de alto risco ou que não se enquadrem às normas.

O vice-presidente jurídico da Coinbase, Paul Grewal, disse na segunda-feira que dinheiro tradicional, não criptomoedas, é, de longe, a forma mais popular para esconder crimes financeiros.

Os Estados da UE têm que se manifestar sobre a proposta de lei e representantes partidários vão agora se reunir para aprovarem uma versão final do texto. Os países do bloco já concordaram entre si que o regramento não terá valor mínimo.

Ibovespa tem leve queda, mas confirma melhor trimestre desde 2020

Por Andre Romani

SÃO PAULO (Reuters) – O principal índice da bolsa brasileira registrou pequena baixa nesta quinta-feira, após ter ficado de lado quase todo o pregão, no encerramento de seu melhor trimestre desde 2020.

Petrobras, apesar da baixa dos preços do petróleo, e ações de energia e saneamento estiveram entre os destaques de alta da sessão, enquanto Itaú Unibanco, Suzano e Americanas ficaram na ponta oposta.

O Ibovespa caiu 0,22%, a 119.999,23 pontos, acumulando alta de 6,1% em março, o quarto mês seguido de ganhos, e de 14,5% no ano, registrando o melhor trimestre desde o último período de 2020. O volume financeiro da sessão foi de 28,6 bilhões de reais.

Das últimas cinco sessões, apenas em uma o índice fechou com variação, positiva ou negativa, mais intensa do que 0,3%.

Para Phil Soares, analista-chefe de ações da Órama Investimentos, o Ibovespa andar mais de lado é natural, já que “vem de uma sequência recente muito forte de altas”.

O mercado ainda manteve no radar as mudanças na corrida eleitoral, após Sérgio Moro desistir da candidatura à Presidência da República, enquanto João Doria manteve-se na disputa, após relatos na imprensa de que ele poderia desistir do pleito. [nL5N2VY7TX]

“A nossa leitura é que qualquer candidato da chamada ‘terceira via’, com as pesquisas até hoje divulgadas, não chega a ser tomado como uma real possibilidade pelo mercado”, afirma Soares, da Órama.

Em Wall Street, os principais índices de ações caíram ao redor de 1,5%, e tiveram piora brusca no final da sessão.

A manutenção de incertezas sobre a guerra na Ucrânia, após expectativa de avanço nas negociações desfazerem-se ao longo da semana, e seu efeito na inflação e na política monetária do banco central norte-americano movimentaram a sessão em Nova York. O S&P 500 teve seu pior trimestre em dois anos.

DESTAQUES DO MÊS

– CVC BRASIL ON disparou 33% e foi a ação do Ibovespa de melhor desempenho em março. O papel vinha com desempenho fraco no mês até a divulgação de resultados na noite de 15 de março. Apesar do prejuízo líquido trimestral de 145,8 milhões de reais (no quarto trimestre), os números animaram o mercado e a CVC chegou a marcar onze sessões seguidas de alta, também beneficiada por cenário externo e câmbio mais atrativo.

– COGNA ON teve a segunda maior alta do índice no mês, de 25,2%, também impulsionada por resultados trimestrais. Só no dia 25, primeiro pregão após os números de quarto trimestre virem a público, o papel avançou quase 20%. Analistas receberam com bons olhos um avanço acima do esperado do Ebitda recorrente e uma queda nas provisões para inadimplência.

– EMBRAER ON, o grande destaque do Ibovespa em 2021, esteve do lado oposto em março, cravando o pior desempenho dentre as ações do índice no mês, queda de 15%. A ação, que já tinha desempenho ruim no período por causa dos potenciais efeitos da guerra no setor aéreo, estendeu baixa após resultados divulgados no dia 9.

– PETRORIO caiu 7,8%, apesar da alta do petróleo no mês e foi a segunda principal queda do índice em março.

DESTAQUES DA SESSÃO

– PETROBRAS PN e ON subiram 1,4% e 0,4%, respectivamente, apesar da queda de 4,8% do petróleo Brent, à medida que o presidente dos EUA, Joe Biden, anunciou maior liberação de reservas da história do país. PETRORIO ON cedeu 5,1% e 3R PETROLEUM ON perdeu 0,8%.

– VALE ON cedeu 0,3%, mesmo com alta de 3,3% no preço do minério de ferro na China. USIMINAS PNA perdeu 2,7%.

– ITAÚ UNIBANCO PN teve queda de 1,3% e BRADESCO PN recuou 0,9%. As ações pioraram no final do pregão, em meio à notícia de que governo avalia potencial aumento de impostos do setor, segundo O Globo.

– ELETROBRAS PN ganhou 2,3%, enquanto ON avançou 2,8%. CEMIG PN teve alta de 3%. Em saneamento, SABESP ON subiu 5,5%.

– AMERICANAS ON caiu 5,5%, assim como MÉLIUZ ON, e YDUQS ON perdeu 4,5%. As ações estiveram entre destaques de baixa em percentual.

Preços do petróleo recuam 7% com plano dos EUA de liberação recorde de reservas

Por Arathy Somasekhar

HOUSTON (Reuters) – Os preços do petróleo nos Estados Unidos caíram 7%, fechando um pouco acima de 100 dólares o barril nesta quinta-feira, quando o presidente Joe Biden anunciou a maior liberação de todos os tempos da Reserva Estratégica de Petróleo (SPR, na sigla em inglês) dos Estados Unidos e pediu às empresas petrolíferas que aumentem a perfuração para aumentar a oferta.

Os contratos futuros do petróleo dos EUA de entrega para maio fecharam em queda de 7,54 dólares, ou 7%, a 100,28 dólares o barril, após tocar a mínima de 99,66 dólares.

Os futuros do Brent para maio que expiraram na quinta-feira, fecharam em queda de 5,54 dólares, ou 4,8%, a 107,91 dólares o barril. Os futuros de junho caíram 5,6%, a 105,16 dólares, depois de recuar 7 dólares no início da sessão.

Ambos os benchmarks registraram seus maiores ganhos percentuais trimestrais desde o segundo trimestre de 2020, com o Brent subindo 38% e o WTI ganhando 34%, impulsionados principalmente após a invasão russa da Ucrânia em 24 de fevereiro, que Moscou chama de “operação especial”.

“Este é um mercado onde cada barril conta e (o lançamento da SPR) é um volume significativo de petróleo a ser colocado no mercado por um longo período de tempo”, disse John Kilduff, sócio da Again Capital LLC.

A liberação de 180 milhões de barris de Biden equivale a cerca de dois dias de demanda global e marca a terceira vez que Washington recorre à SPR nos últimos seis meses.

(Reportagem de Florence Tan e Isabel Kua em Cingapura)

Biden lança liberação recorde de petróleo em ‘momento de perigo’ para o mundo

Por Alexandra Alper e Timothy Gardner

WASHINGTON (Reuters) – O presidente Joe Biden lançou nesta quinta-feira a maior liberação de todos os tempos da reserva emergencial de petróleo dos Estados Unidos e desafiou as companhias petrolíferas a perfurar mais na tentativa de reduzir os preços da gasolina que dispararam durante a guerra da Rússia com a Ucrânia.

O anúncio vem como parte de um amplo esforço de Biden para combater a inflação que prejudicou os consumidores dos EUA e ameaça os colegas democratas de Biden, que buscam manter o controle do Congresso nas eleições de novembro.

A partir de maio, os Estados Unidos vão liberar 1 milhão de barris por dia (bpd) de petróleo por seis meses da Reserva Estratégica de Petróleo (SPR), disse ele.

“Este é um momento de consequências e perigo para o mundo, e de dor nas bombas (nos postos de gasolina) para as famílias americanas”, disse Biden em um evento na Casa Branca.

A liberação de 180 milhões de barris de Biden equivale a cerca de dois dias de demanda global e marca a terceira vez que Washington recorre à SPR nos últimos seis meses.

Biden também pediu às empresas petrolíferas dos EUA que perfurassem mais e aumentassem a produção de veículos elétricos e baterias.

(Reportagem de Timothy Gardner, Alexandra Alper, Steve Holland, Christopher Gallagher e Ismail Shakil)

Café arábica tem nova alta na ICE; açúcar bruto ganha 10% em março

NOVA YORK/LONDRES (Reuters) – Os contratos futuros de café arábica na ICE subiram 2% nesta quinta-feira, o terceiro ganho consecutivo, continuando sua recuperação de uma mínima de quatro meses atingida em meados de março, já que fundos pareciam ter encerrado uma onda vendedora (sell-off) recente.

CAFÉ

* O café arábica para maio subiu 4,55 centavos, ou 2,1%, a 2,264 dólares por libra-peso​​, mantendo a tendência de recuperação de uma mínima de quatro meses alcançada em meados de março.

* O contrato, no entanto, perdeu 4,4% em março.

* O Citi disse que os obstáculos logísticos para o envio de café para fora do Brasil diminuíram, mas persistem as preocupações com uma destruição da demanda de café na Rússia e na Ucrânia devido à guerra e na China devido ao lockdown para conter o coronavírus.

* O café robusta para maio avançou 13 dólares, ou 0,6%, a 2.165 dólares a tonelada.

AÇÚCAR

* O preço do açúcar bruto para maio ficou praticamente inalterado, ganhando apenas 0,1%, para 19,49 centavos de dólar por libra-peso.

* O contrato registrou um ganho de 10% em março, com o açúcar acompanhando os ganhos do petróleo em meio ao conflito na Ucrânia. Os preços mais altos do combustível podem levar as usinas brasileiras a transferirem a produção de açúcar para etanol.

* O açúcar branco para maio subiu 4,30 dólares, ou 0,8%, a 541,50 dólares a tonelada.

(Reportagem de Marcelo Teixeira e Maytaal Angel)

Wall St cai na sessão e S&P 500 marca maior queda trimestral em dois anos

Por Chuck Mikolajczak

NOVA YORK (Reuters) – As ações dos Estados Unidos caíram nesta quinta-feira e fecharam o primeiro trimestre de 2022 com o maior declínio trimestral em dois anos, conforme persistiam preocupações com o conflito na Ucrânia, seu efeito inflacionário e a resposta do banco central dos Estados Unidos à alta dos preços.

O índice S&P 500 fechou em queda de 1,57%, a 4.530,41 pontos. O Dow Jones caiu 1,56%, a 34.678,35 pontos. O índice de tecnologia Nasdaq Composite recuou 1,54%, a 14.220,52 pontos.

Embora o índice S&P 500 tenha sofrido o pior trimestre desde que a pandemia do Covid-19 estava com força total nos EUA em 2020, os papéis tiveram certa recuperação em março. No trimestre, o S&P 500 caiu 4,9%, o índice Dow Jones perdeu 4,6% e o índice de tecnologia Nasdaq recuou 9,1%. Mas no mês, o S&P 500 subiu 3,6%, o Dow Jones ganhou 2,3% e o Nasdaq avançou 3,4%. Todos os 11 principais setores do S&P tiveram queda no pregão, com finanças e serviços de comunicação entre os mais fracos. Energia, facilmente o setor com melhor desempenho até agora este ano, com um ganho de cerca de 38%, recuou com a queda dos preços do petróleo após o anúncio do presidente norte-americano, Joe Biden, de que os EUA estudam uma liberação recorde de barris da reserva emergencial da commodity do país.

Já a Opep+ manteve seu acordo de produção existente. O setor garantiu sua maior alta trimestral já registrada com o avanço.

BC adia remuneração a bancos por recursos em conta de operação do Pix

Por Bernardo Caram

BRASÍLIA (Reuters) – O Banco Central adiou o início da remuneração de instituições financeiras por recursos parados nas chamadas contas de pagamentos instantâneos (contas PI), que centralizam transações do Pix, citando riscos relacionados à greve no órgão.

A remuneração, calculada com base na taxa Selic, estava prevista para começar a ser paga pelo BC nesta sexta-feira.

“Os servidores do BC encontram-se em paralisações parciais diárias e entrarão em greve a partir de primeiro de abril, o que prejudica o desempenho de vários processos da autarquia”, disse o diretor de Política Monetária da autarquia, Bruno Serra, em voto que embasou a decisão da diretoria do BC, tomada na quarta-feira.

No documento, Serra afirmou que, para preservar a segurança dos sistemas e a manutenção das atividades essenciais, considerou oportuno que o início da remuneração às instituições não ocorresse nesse momento.

Segundo ele, os dispositivos que autorizam a remuneração –agora revogados– serão novamente propostos quando as questões apontadas estiverem superadas.

A Associação Nacional dos Analistas do Banco Central do Brasil (ANBCB) disse que o prejuízo aos bancos com o adiamento é estimado em 2 milhões de reais por dia.

Procurado, o Banco Central reforçou que a medida visa preservar o bom funcionamento dos sistemas e a manutenção das atividades essenciais com a decretação de greve dos servidores, considerando “os potenciais riscos inerentes à alteração de sistemas em produção”. A autarquia disse que a entrada em vigor da remuneração se dará em momento oportuno.

A Febraban (federação dos grandes bancos) afirmou em nota que a decisão do adiamento pelo BC foi prudente para evitar a implementação de funcionalidades em dias mais sensíveis. A entidade disse acreditar em uma breve solução do impasse na autarquia, ressaltando que o BC informou ter planos de contingência para manter o funcionamento de sistemas críticos para a população, os mercados e as instituições reguladas.

O sistema de pagamentos instantâneos, instituído em 2020, é a infraestrutura gerida pelo BC para liquidação de pagamentos em tempo real entre instituições no Brasil.

Essas transações são operadas por meio de lançamentos em contas que as instituições mantêm no BC, as contas PI.

“A conta PI é uma conta reserva existente entre o BC e os bancos. Pelo motivo de os bancos deixaram dinheiro ‘dormindo’ no BC por ciclos de 1 a 2 dias, sempre houve demanda de alguma taxa sobre isso, como um depósito remunerado”, disse o presidente da ANBCB, Henrique Seganfredo.

Resolução editada pelo BC no início de março tratava da remuneração das instituições pelos recursos que permanecem nessas contas fora do horário comercial. Os pagamentos seriam feitos diariamente, indexados pela taxa Selic.

Dólar tem maior queda trimestral desde 2009 e real lidera ganhos globais

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) -O dólar caiu nesta quinta-feira, fechando março com a maior desvalorização mensal desde outubro de 2018 e marcando seu pior trimestre em mais de 13 anos contra o real, cujo desempenho em 2022 continua superando o de todas as outras moedas globais.

Com a cotação de fechamento de 4,7628 reais desta quinta-feira, as perdas do dólar em março totalizaram 7,63%, as mais acentuadas desde outubro de 2018 (-7,79%), levando a desvalorização acumulada no primeiro trimestre a 14,55%. Isso, por sua vez, representa a baixa trimestral mais intensa desde o período de abril a junho de 2009 (-15,81%).

O real “é o claro destaque positivo para o trimestre” entre as principais moedas do mundo, disse em postagem no Twitter Robin Brooks, economista-chefe do Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês). “Isso se deve ao aumento dos preços das commodities, mas também a uma recuperação há muito atrasada ante uma grande subvalorização.”

Os custos do petróleo e produtos agrícolas dispararam desde o final de fevereiro, quando a Rússia invadiu a Ucrânia, em meio a temores de restrição da oferta. Nesse contexto, moedas de países exportadores, particularmente da América Latina, têm sido beneficiadas, já que a região é vista como alternativa no fornecimento de commodities.

Além do real, moedas como pesos chileno, colombiano e mexicano e sol peruano acumulam ganhos acentuados –de 3% a 9%– no ano contra a divisa norte-americana. Sinal da resiliência dos ativos latino-americanos, as divisas mantiveram ganhos apesar da força internacional do dólar, cujo índice ante uma cesta de seis rivais fortes estava a caminho de marcar alta de quase 3% no acumulado do primeiro trimestre.

O real surgiu como opção especialmente atraente para investidores estrangeiros por causa do alto patamar dos juros. Com a Selic em 11,75% ao ano, o Brasil tem uma das maiores taxas de juros nominais do mundo, perdendo apenas para Turquia, Rússia e Argentina, países considerados de alto risco.

“O BC (do Brasil) vem tentando controlar a inflação desde o ano passado, enquanto os EUA ainda não estão aumentando os juros como deveriam, na minha opinião”, disse à Reuters Anilson Moretti, chefe de câmbio da HCI Invest. “Isso atrai investimento internacional; faz com que, apesar da inflação alta no mundo inteiro, aqui seu dinheiro renda.”

Atualmente, os custos dos empréstimos nos Estados Unidos estão num intervalo entre 0,25% e 0,5%, após o Federal Reserve ter elevado sua taxa básica em 0,25 ponto percentual neste mês. Para as próximas reuniões do Fed, participantes do mercado esperam um endurecimento do aperto monetário, com a adoção de ajustes de 0,5 ponto, à medida que a inflação –antes vista como temporária– continua acelerando.

Nesta quinta-feira, a inflação norte-americana em 12 meses medida pelo índice PCE, indicador favorito do Fed, subiu a 6,4%, taxa mais elevada desde 1982.

Além do amplo diferencial de juros entre Brasil e EUA, Moretti citou um fluxo constante de recursos estrangeiros para o mercado de ações local, com oportunidades atraentes na bolsa, como fator adicional de impulso para o real. De acordo com dados preliminares desta quinta, o Ibovespa acumula ganho de 14,5% no ano, acima dos 120 mil pontos, marcando seu melhor desempenho trimestral desde 2020.

Até abril, o dólar –que tem rompido patamares técnicos importantes de maneira sucessiva– pode cair ainda mais e testar níveis em torno dos 4,68 a 4,65 reais, avaliou Moretti. Como teto para valorização da moeda no curto prazo, ele enxerga a faixa de 4,95 a 5,00 reais.

Nesta quinta-feira, o dólar caiu 0,47%. A divisa oscilou entre 4,8141 reais na cotação máxima (+0,60%) e 4,7230 reais na mínima do dia (-1,31%). Investidores comentaram que o principal motor das oscilações de mercado no pregão foi a disputa pela formação da Ptax de fim de mês e trimestre.

A Ptax é uma taxa de câmbio calculada pelo Banco Central, que serve de referência para liquidação de derivativos. No fim de cada mês, agentes financeiros costumam tentar direcioná-la para níveis mais convenientes às suas posições. Nesta quinta, apostas na baixa da moeda prevaleceram.

Na B3, às 17:18 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 0,72%, a 4,7375 reais.

(Edição de Isabel Versiani)

Ibovespa tem leve queda, mas confirma melhor trimestre desde 2020

SÃO PAULO (Reuters) – O principal índice da bolsa brasileira registrou pequena baixa nesta quinta-feira, tendo ficado de lado quase todo o pregão, no encerramento de seu melhor trimestre desde 2020.

Petrobras, apesar da baixa do petróleo, e setores de energia e saneamento estiveram entre os destaques de alta da sessão, enquanto Suzano e Americanas ficaram na ponta oposta.

De acordo com dados preliminares, o Ibovespa caiu 0,16%, a 120.061,76 pontos, acumulando alta de 6,1% em março, o quarto mês seguido de ganhos, e de 14,5% no ano, registrando o melhor trimestre desde o último período de 2020. O volume financeiro da sessão foi de 24,1 bilhões de reais.

(Por Andre Romani)