Violência toma conta de protestos do dia 1º de Maio em Paris; manifestantes criticam reeleição de Macron

Por Dominique Vidalon e Noemie Olive

PARIS (Reuters) – A polícia disparou gás lacrimogêneo para repelir anarquistas vestidos de preto que saquearam estabelecimentos comerciais em Paris, na França, neste domingo, durante os protestos do dia 1º de Maio contra as políticas do recém-reeleito presidente Emmanuel Macron. Milhares de pessoas se juntaram às marchas de 1º de Maio em toda a França, nas quais pediram por aumentos salariais e requisitaram que Macron abandone o plano de elevar a idade mínima de aposentadoria. A maioria dos protestos foi pacífica, mas a violência eclodiu em Paris no início da manifestação próxima à praça de La Republique e quando chegou à praça La Nation, na região leste de Paris. Anarquistas ao estilo “black bloc” saquearam um restaurante McDonald’s e destruíram várias agências imobiliárias. As janelas dos estabelecimentos foram quebradas e latas de lixo, incendiadas. A polícia disse que ativistas chegaram a atacar bombeiros que tentavam apagar os incêndios. A polícia, então, respondeu disparando gás lacrimogêneo. O ministro do Interior, Gerald Darmanin, disse no Twitter que esses atos de violência em Paris “não são aceitáveis”. Cerca de 250 manifestações foram organizadas em Paris e em outras cidades, incluindo Lille, Nantes, Toulouse e Marselha. Na capital, sindicalistas se juntaram a figuras políticas –principalmente da esquerda– e a ativistas climáticos. 

O custo de vida foi o tema principal da campanha presidencial e parece ser igualmente proeminente para as eleições legislativas do próximo mês de junho, que o partido de Macron e seus aliados precisam vencer para que ele possa implementar sua agenda pró-mercado, incluindo o aumento da idade de aposentadoria de 62 para 65 anos.

Papa defende liberdade de imprensa e presta homenagem a jornalistas mortos

Por Philip Pullella

CIDADE DO VATICANO (Reuters) – O papa Francisco prestou neste domingo homenagem aos jornalistas que morreram ou foram presos no cumprimento do ofício, defendendo a liberdade de imprensa e elogiando os meios de comunicação que reportam com coragem aquilo que ele chamou de “feridas da humanidade”.Falando a milhares de pessoas na Praça de São Pedro em sua bênção semanal, o papa Francisco lembrou que o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa das Nações Unidas será celebrado na próxima terça-feira, dia 3.”Presto homenagem aos jornalistas que pagaram em vida por esse direito”, disse ele, citando estatísticas de que 47 jornalistas foram mortos e mais de 350 presos no ano passado.A Unesco, órgão da ONU que patrocina o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, disse no início deste ano que 55 jornalistas e trabalhadores da mídia foram mortos em 2021.”Um agradecimento especial àqueles que, com coragem, nos mantêm informados sobre as feridas da humanidade”, disse o papa.No mês passado, Francisco homenageou jornalistas mortos cobrindo a guerra entre Rússia e Ucrânia, dizendo esperar que Deus os recompense por servir ao bem comum.

Presidente da Câmara dos EUA encontra presidente da Ucrânia em Kiev

KIEV (Reuters) – A presidente da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, disse neste domingo que se encontrou com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, em Kiev para transmitir a mensagem de que os EUA estão firmemente ao lado da Ucrânia em meio à luta contra a “invasão diabólica de Putin”.

Zelenskiy, acompanhado por uma escolta armada, cumprimentou Pelosi do lado de fora de seu escritório presidencial, vestido com o uniforme militar cáqui que ele tem utilizado em aparições públicas desde o início da invasão pela Rússia no dia 24 de fevereiro.

“Nossa delegação viajou para Kiev para transmitir uma mensagem inconfundível e retumbante ao mundo inteiro: os Estados Unidos estão firmemente ao lado da Ucrânia”, disse Pelosi, em comunicado.

Ela foi acompanhada por vários deputados em uma viagem custeada pelo Congresso que ocorreu uma semana após a visita do secretário de Estado Antony Blinken e do secretário de Defesa Lloyd Austin à Ucrânia.

Pelosi disse que Zelenskiy deixou claro que a Ucrânia precisa de mais segurança, ajuda econômica e humanitária “para lidar com o devastador dano humano causado ao povo ucraniano pela invasão diabólica do (presidente Vladimir) Putin”.

“Nossa delegação orgulhosamente transmitiu a mensagem de que um suporte americano adicional está a caminho”, disse ela.

Na sexta-feira, Pelosi disse que esperava aprovar um pacote de ajuda de 33 bilhões de dólares para a Ucrânia, mediante pedido do presidente Joe Biden, o mais rápido possível – um incremento substancial no financiamento norte-americano à Ucrânia mais de dois meses depois de iniciada aquilo que a Rússia chama de “operação militar especial”.

(Reportagem de Natalie Zinets)

UE está inclinada a impor embargo a petróleo russo até final do ano, dizem diplomatas

BRUXELAS (Reuters) – A União Europeia está inclinada a proibir as importações de petróleo russo até o final do ano, disseram dois diplomatas da UE, após conversações entre a Comissão Europeia e os Estados-membros do bloco neste fim de semana.

A União Europeia está preparando um sexto pacote de sanções contra a Rússia em resposta à invasão há pouco mais de dois meses da Ucrânia, que Moscou chama de uma operação militar especial.

Espera-se que o pacote tenha como alvo o petróleo russo, bancos russos e bielorussos, assim como mais indivíduos e empresas.

A Comissão, que está coordenando a resposta da UE, realizou conversações denominadas “confessionários” com pequenos grupos de países da UE e terá como objetivo firmar seu plano de sanções a tempo para uma reunião de embaixadores do bloco em Bruxelas na quarta-feira.

Os ministros da Energia da UE também deverão se reunir na segunda-feira na capital belga para discutir o assunto.

Os diplomatas da UE disseram que alguns países do bloco conseguiram acabar com o uso do petróleo antes do final de 2022, mas outros, particularmente os membros mais do sul, estavam preocupados com o impacto nos preços.

A Alemanha, um dos maiores compradores de petróleo da Rússia, parecia estar disposta a concordar com o corte no final de 2022, disseram os diplomatas, mas países como Áustria, Hungria, Itália e Eslováquia tinham reservas.

Um conselheiro do chanceler alemão, Olaf Scholz, disse que a Alemanha apoia uma proibição da UE às importações de petróleo russo, mas precisa de alguns meses para garantir alternativas.

“Estamos pedindo um período considerado de baixa de vento”, o Financial Times citou Joerg Kukies como dizendo. “Queremos parar de comprar petróleo russo, mas precisamos de um pouco de tempo para ter certeza de que podemos conseguir outras fontes de petróleo em nosso país.”

Kukies disse que a Alemanha queria garantir que uma refinaria em Schwedt, no nordeste do país, operada pela empresa petrolífera estatal russa Rosneft, pudesse ser abastecida com petróleo não russo trazido por petroleiros para Rostock, no Mar Báltico.

Ele disse ao Financial Times que para permitir isso, o porto de Rostock teria que ser aprofundado e trabalho tem de ser feito no oleoduto que o ligava a Schwedt.

Alguns países da UE propuseram optar por um limite no preço que eles estão dispostos a pagar pelo petróleo russo. No entanto, isso ainda os deixaria forçados a pagar preços mais altos por suprimentos de outros lugares.

(Reportagem de Philip Blenkinsop)

EXCLUSIVO-Civis fogem dos bunkers de Azovstal em retirada liderada pela ONU

BEZIMENNE, Ucrânia (Reuters) – Civis foram retirados neste domingo dos bunkers da siderúrgica Azovstal, em Mariupol, na Ucrânia, depois que a Organização das Nações Unidas e a Cruz Vermelha Internacional fecharam um acordo para aliviar as tensões no cerco mais destrutivo da guerra entre Rússia e Ucrânia.

O cerco de Mariupol, em que as forças russas atacaram a cidade portuária por quase dois meses, se transformou em um terreno baldio com um número desconhecido de vítimas e outras milhares de pessoas tentando sobreviver sem água, saneamento ou comida.

A cidade está sob controle russo, mas alguns combatentes e civis ucranianos se abrigaram no subsolo da siderúrgica de Azovstal –uma grande fábrica da era soviética fundada nos tempos de Josef Stalin e com um labirinto de bunkers e túneis projetados para resistir a ataques.

Depois que um fotógrafo da Reuters neste domingo testemunhou dezenas de civis chegando a um centro de acomodação temporário, a Organização das Nações Unidas confirmou o que chamou de operação de passagem segura para retirar pessoas da siderúrgica, já em andamento a partir do sábado.

“A ONU confirma que está em andamento uma operação de passagem segura na siderúrgica de Azovstal, em coordenação com a Cruz Vermelha e com as partes em conflito”, disse o porta-voz da ONU Saviano Abreu.

“Neste momento, e como as operações estão em andamento, não compartilharemos mais detalhes, pois isso pode comprometer a segurança dos civis e do comboio”, disse ele.

O fotógrafo da Reuters viu os civis chegando ao vilarejo de Bezimenne, na região de Donetsk, e a cerca de 30 km de Mariupol a leste, onde eles recebiam água e cuidados após semanas de sofrimento.

Crianças pequenas estavam entre os retirados da usina –onde as pessoas se esconderam no subsolo, amontoadas sob cobertores nos bunkers e túneis da usina enquanto bombardeios destruíam a cidade.

Do lado de fora das barracas azuis, duas crianças estavam sentadas, reflexivas, enquanto esperavam, o menino brincando com um isqueiro e homens fortemente armados olhando para eles. Uma mulher levava as mãos ao rosto emocionada. Uma jovem acariciava um gato.

Os civis que a Reuters testemunhou foram retirados em um comboio com forças russas e veículos com símbolos das Nações Unidas.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse após se encontrar com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, em Kiev na quinta-feira que estão em andamento discussões para permitir a retirada completa de Azovstal.

Próximas sanções da UE contra Rússia devem incluir embargo ao petróleo, diz chanceler da Ucrânia

(Reuters) – O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, disse ao principal diplomata da União Europeia neste domingo que a próxima rodada de sanções do bloco à Rússia deve incluir um embargo ao petróleo russo.

“Eu também enfatizei que não pode haver alternativa para conceder à Ucrânia o status de candidato à UE. Prestamos atenção separada a uma maior retirada segura de Mariupol sitiada”, escreveu Kuleba no Twitter após sua ligação com Josep Borrell.

Lula defende criação de moeda única para América Latina

Por Lisandra Paraguassu

SÃO PAULO (Reuters) – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu neste sábado, pela primeira vez, a criação de uma moeda única na América Latina como parte da ampliação das relações entre os países da região.

“Vamos voltar a restabelecer nossa relação com a América Latina. E se Deus quiser vamos criar uma moeda na América Latina, porque não tem esse negócio de ficar dependendo do dólar”, disse Lula em discurso no Congresso Eleitoral do PSOL, no qual que o partido declarou apoio à candidatura de Lula à Presidência na eleição de outubro.

Lula lidera a corrida ao Palácio do Planalto segundo todas as pesquisas de intenção de voto, à frente do presidente Jair Bolsonaro, que buscará a reeleição.

A ideia da moeda única latino-americana é defendida pelo economista Gabriel Galípolo, ex-presidente do banco Fator, e que tem colaborado com o programa de governo de Lula. Levado a colaborar com o partido pela presidente do PT, Gleisi Hoffmann, o economista não é filiado, mas vem participando da elaboração do caderno temático sobre política monetária do plano de governo.

Em um artigo recente no jornal Folha de S.Paulo, assinado pelo economista e pelo ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad –hoje candidato do PT ao governo do Estado– ambos defenderam a moeda única, em um modelo semelhante ao euro europeu, como uma forma de aumentar a integração regional e fortalecer a independência monetária da região.

O plano de governo de Lula ainda não está pronto e só deve ser finalizado nos próximos meses, portanto ainda não há definição do que de fato deve entrar no texto final. No entanto, a defesa pública feita pelo ex-presidente indica que ele já comprou a ideia, mesmo que fique para um futuro distante.

A proposta também já foi defendida pelo atual ministro da Economia, Paulo Guedes, em agosto de 2021. Guedes afirmou na ocasião que uma moeda única para o Mercosul possibilitaria uma integração maior e uma área de livre comércio, e criaria uma divisa que poderia ser uma das “cinco ou seis moedas relevantes no mundo”.