Petróleo tira ímpeto da Petrobras, mas Ibovespa fecha sessão e mês no azul

SÃO PAULO (Reuters) – O principal índice da bolsa brasileira registrou ganhos leves nesta terça-feira, mesmo com queda em Wall Street, e fechou o mês de maio com alta acumulada.

O índice chegou a acumular alta mais firme, mas perdeu terreno à tarde diante de mudança de direção do petróleo, movimento que impactou as ações da Petrobras, até então destaque de alta. Vale caiu e Itaú Unibanco avançou.

O Ibovespa subiu 0,29%, a 111.350,51 pontos, registrando ganhos de 3,2% em maio, após queda em abril. O volume financeiro da sessão foi de 37,6 bilhões de reais.

Os principais índices de ações em Wall Street caíram entre 0,4% e 0,6%, com inflação em foco e após comentários de membro do Federal Reserve (Fed).

Na cena local, a taxa de desemprego no Brasil atingiu o pico desde o começo de 2016 no trimestre até abril, a 10,5%, disse o IBGE, melhor do que as expectativas de analistas. À tarde, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse que já é possível falar em desemprego abaixo de dois dígitos neste ano.

DESTAQUES DO MÊS

– MAGAZINE LUIZA ON caiu 23,8%, maior queda do Ibovespa em maio. HAPVIDA ON cedeu 23,4% e veio logo em seguida.

– CIELO ON avançou 17,1% e liderou os ganhos entre os papéis do Ibovespa no período. BRF ON subiu 15,3% e ficou com a segunda posição.

DESTAQUES DA SESSÃO

– PETROBRAS PN subiu 0,2%, após queda nas últimas duas sessões. O petróleo Brent recuou 1,7% após o Wall Street Journal publicar que países do Golfo começaram a planejar alta de produção nos próximos meses, à medida que membros da Opep+ discutem a saída da Rússia do acordo de produção. A notícia veio após acerto da União Europeia para restringir o petróleo russo, que havia elevado o preço da commodity mais cedo. Aqui, o governo pediu incluir a Petrobras em estudos para privatização.

– 3R PETROLEUM ON diminuiu 1,1% e PETRORIO ON teve decréscimo de 1%.

– BANCO DO BRASIL ON expandiu 1,5%, após cinco recuos seguidos, e ITAÚ UNIBANCO PN cresceu 0,9%.

– VALE ON.SA caiu 0,5%, mesmo após os contratos futuros de minério de ferro em Dalian subirem com relaxamento de restrições contra Covid-19 na China. Ações de siderúrgicas fecharam em direções distintas.

– MARFRIG cresceu 5,5%. O frigorífico afirmou que seus controladores passaram a deter 50,04% de participação na companhia.

– VIBRA ON reduziu 2,3% e CPFL ENERGIA ON retraiu 2,9%, a quarta queda nas últimas cinco sessões.

– EMBRAER ON valorizou-se 1,2%. Um executivo da fabricante de aeronaves disse nesta manhã que a empresa ainda trabalha com entrega de 22 aeronaves KC-390 para a Força Aérea Brasileira (FAB), que mostrou intenção de cortar a encomenda para 15 unidades.

(Por André Romani)

Anec reduz estimativas de exportações de milho, soja e farelo do Brasil em maio

SÃO PAULO (Reuters) – A exportação de soja do Brasil em maio deve alcançar 10,7 milhões de toneladas, estimou nesta terça-feira a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), uma queda ante o total previsto na semana anterior, de 11,3 milhões de toneladas.

O volume, se confirmado, representaria uma redução na comparação com o mês de abril (11,36 milhões de toneladas), enquanto seria uma diminuição de 3,5 milhões de toneladas ante maio do ano passado, quando os embarques atingiram um dos níveis mensais mais altos da história.

Nesta temporada, os embarques da oleaginosa do Brasil não estão tão fortes quanto em 2021, por conta da firme demanda da indústria para a produção de farelo e óleo de soja localmente, além da quebra da safra.

Já a exportação de farelo de soja do Brasil deve alcançar 1,85 milhão de toneladas em maio, cerca de 50 mil a menos ante a estimativa da semana anterior, mas um crescimento de mais de 150 mil toneladas versus 2021.

A exportação de milho, segundo a Anec, foi estimada em cerca de 1,1 milhão de toneladas, ante 1,24 milhão na semana anterior. No mesmo mês do ano passado, o Brasil não havia exportado o cereal, segundo a associação.

(Por Ana Mano e Roberto Samora)

Interferir em preços de combustíveis afeta investimentos de longo prazo, diz Campos Neto

Por Bernardo Caram

BRASÍLIA (Reuters) – Intervenções em preços de combustíveis afetam investimentos de longo prazo e é importante que empresas possam atuar sabendo que regras não serão alteradas, disse nesta terça-feira o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, em meio a questionamentos no governo sobre a política de preços da Petrobras.

Em audiência pública na Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara, Campos Neto afirmou que o valor elevado de combustíveis está contaminando preços em outras áreas da economia, como transportes, serviços e alimentação, mas se posicionou contra intervenções no setor.

“O mundo hoje está preferindo interferir em preços, e o problema de interferir em preços é que você interfere em investimentos de longo prazo. E no final das contas quem produz energia e alimento não são os governos, são as empresas privadas”, disse.

“Então é importante ter um ambiente onde as empresas tenham conforto para investir no longo prazo sabendo que regras não vão mudar a cada dia. Não vou falar muito de política da Petrobras porque não é tema do Banco Central”, prosseguiu.

O presidente Jair Bolsonaro já criticou a política de preços da estatal e trocou o ministro de Minas e Energia em meio às elevações dos valores de combustíveis.

De acordo com o presidente do BC, a diferença da cotação do petróleo em relação aos derivados está muito grande, citando como problema uma restrição global de refino, com redução de investimentos na área.

Em meio a pressões do Congresso e medidas em avaliação no governo para mitigar os impactos da alta dos combustíveis, Campos Neto disse que a alta dos preços relacionados às commodities é um problema como o qual o país precisa lidar, mas disse que isso é uma atribuição do governo, não do BC.

Na audiência, ele foi questionado sobre o cenário eleitoral, que amplia volatilidades, e afirmou que se houver aumento de prêmio de risco perto das eleições, o BC vai olhar as variáveis influenciadas e ver o que deve ser feito.

Campos Neto evitou fazer comentários sobre mudança nas metas de inflação do Brasil. Segundo ele, essa discussão cabe ao Conselho Monetário Nacional, onde o BC conta com apenas um dos três votos.

“Quando olhamos a meta de 2023, o Brasil está mais perto do que outros países, a meta gera credibilidade”, disse.

O presidente do BC ressaltou que não tem como prever o patamar dos juros no fim deste ano, frisando que o BC trabalha para atingir a meta de inflação. Ele lembrou que mudanças feitas agora na Selic não influenciam mais 2022 por causa da defasagem no efeito da política monetária.

Campos Neto também fez comentários sobre a greve dos servidores do BC. Ele disse que havia uma preocupação com a possibilidade de ser liberado um reajuste a categorias específicas, como policiais, e que conversou com o presidente Jair Bolsonaro para argumentar que “gerar desalinhamento poderia ser problemático”.

Campos Neto disse que o governo informou que faria o anúncio sobre reajustes, mas que essa definição foi postergada e ainda não ocorreu.

(Por Bernardo Caram)

Produção de açúcar da Índia aumenta 15% em 2021/22, diz associação

NOVA DÉLHI (Reuters) – As usinas de açúcar da Índia produziram um recorde de 35,2 milhões de toneladas do adoçante na temporada atual que vai até setembro de 2022, informou nesta terça-feira a Federação Nacional de Fábricas Cooperativas de Açúcar Ltd, um órgão dos produtores.

As usinas tinham produzido 30,6 milhões de toneladas no mesmo período da safra anterior, informou a federação em comunicado.

Apesar da grande safra, a Índia, maior consumidor mundial, impôs restrições às exportações de açúcar pela primeira vez em seis anos em 24 de maio, limitando as exportações desta temporada em 10 milhões de toneladas.

(Por Mayank Bhardwaj)

Opep considera excluir Rússia de acordo de produção de petróleo, diz jornal

(Reuters) – Alguns membros da Opep estão considerando a ideia de suspender a Rússia de um acordo de produção de petróleo, já que as sanções ocidentais prejudicam a capacidade do país de produzir mais, reportou o Wall Street Journal nesta terça-feira, citando delegados da Opep.

Suspender a Rússia pode abrir caminho para a Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e outros membros da Opep produzirem mais para atingir as metas de produção.

Os preços do petróleo subiram para mais de 100 dólares o barril desde a invasão russa da Ucrânia e países como os Estados Unidos pediram um aumento na produção para reduzir os preços.

(Reportagem de Akash Sriram em Bangalore)

Preços do açúcar branco recuam na ICE; café avança

NOVA YORK/LONDRES (Reuters) – Os contratos futuros de açúcar branco na ICE fecharam em queda nesta terça-feira, reduzindo os ganhos após serem sustentados pelo aperto na oferta de curto prazo.

Um anúncio recente da Índia sobre restrições à exportação de açúcar pela primeira vez em seis anos tem colaborado para a firmeza do mercado.

AÇÚCAR

* O açúcar branco para agosto fechou em queda de 2,40 dólares, ou 0,4%, a 572,30 dólares a tonelada.

* Operadores observaram que as preocupações com a falta de oferta de curto prazo aumentaram o prêmio para o contrato de agosto versus outubro para mais de 23 dólares a tonelada, acima dos 17,60 dólares no fechamento de segunda-feira.

* Uma perspectiva favorável para as safras da Índia na temporada 2022/23 ajudou pressionar os preços futuros.

* O açúcar bruto para julho ​​fechou com recuo de 0,21 centavo de dólar, ou 1,1%, a 19,40 centavos de dólar por libra-peso​​.

CAFÉ

* O café arábica para julho fechou em alta de 1,8 centavo de dólar, ou 0,8%, a 2,3125 dólares por libra-peso​​.

* O mercado foi apoiado em parte pelo fortalecimento da moeda do maior produtor, o Brasil, que reduz a tentação dos exportadores de vender, pois este câmbio reduz os retornos em termos de moeda local.

* O café robusta para julho fechou com avanço de 1 dólar a 2.106 dólares a tonelada.

(Reportagem de Stephanie Kelly e Nigel Hunt)

Setor de biodiesel do Brasil diz estar pronto para B12, aliviando importação de diesel

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) – A indústria de biodiesel do Brasil avalia que poderia atender prontamente um eventual aumento de dois pontos percentuais na mistura no diesel, para 12% (B12), estimando como consequência redução de quase 7% nas importações do combustível fóssil, diante de um cenário com riscos de escassez decorrentes da guerra na Ucrânia.

A capacidade de produção de biodiesel é suficiente para atender misturas acima de B15, mas o Brasil está na entressafra da soja, e neste momento a disponibilidade da principal matéria-prima do setor seria suficiente “para atender o aumento imediato da mistura de biodiesel no diesel comercial para B12”, disse a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove).

“Para isso, podem ser utilizados estoques de soja para promover um esmagamento superior a 48 milhões de toneladas de soja, bem como destinar parte do estoque final e das exportações de óleo para uso interno”, disse o economista-chefe da Abiove, Daniel Furlan Amaral, ao ser questionado pela Reuters.

O Brasil tem exportado grandes volumes de óleo de soja, com boas margens de esmagamento favorecendo a fabricação do produto que responde por mais de 70% da matéria-prima do biodiesel. O processamento da oleaginosa em 2022 está estimado, até o momento, em recorde de 48 milhões de toneladas, também com forte demanda por farelo de soja pela indústria de carnes.

Com um B12, a Abiove estima que as importações de diesel pelo país poderiam recuar 6,7% no segundo semestre, ou 660 milhões de litros.

As importações do combustível mais vendido no país poderiam perder força após uma disparada no início do ano, quando saltaram quase 25% no primeiro quadrimestre, também por conta da menor mistura do biocombustível determinada pelo governo devido aos maiores custos com o produto renovável.

Contudo, uma menor importação de diesel e maior uso de biodiesel poderia elevar os custos dos consumidores, na avaliação do analista de petróleo e derivados da consultoria StoneX, Pedro Shinzato.

“O cobertor está curto, se aumenta mistura, sobe o preço. O biodiesel é mais caro que diesel fóssil, ou se reduz mistura precisa importar mais diesel fóssil… não tem solução fácil”, disse ele, notando que o biocombustível (sem impostos) é negociado a 7,37 reais o litro (base ANP), enquanto o produto da Petrobras (também sem taxas) é vendido a 4,93 reais/litro.

Mas a Abiove ponderou que o diesel brasileiro está abaixo da paridade de importação, o que abre oportunidade ao biodiesel.

“Considerando que há um indicativo de que as refinarias brasileiras estão trabalhando próximas do seu limite e que o diesel mineral nacional está abaixo da paridade de importação, o setor entende que o aumento da mistura do biodiesel tende a substituir o diesel mineral importado”, destacou Amaral, da Abiove.

A associação de produtores de biodiesel Aprobio também defendeu a adoção e a viabilidade do B12, no contexto de aumento dos preços internacionais do diesel e da defasagem do valor no país, do aumento da necessidade da importação e da potencial crise de abastecimento do produto no cenário de conflito na Europa e maior demanda no segundo semestre.

“Nosso setor de biodiesel já manifestou ao governo federal, se este entender necessário, que tem condições de atender ao mercado com uma mistura de 12% (B12)”, disse o presidente do Conselho de Administração da Aprobio, Francisco Turra, em nota.

Segundo ele, a ampliação para 12% pode representar uma redução da necessidade de importação de diesel no curto prazo ou aumento da cobertura do abastecimento de diesel pelo suprimento local. Nos meses seguintes, acrescentou ele, poderia ser possível a retomada da mistura prevista para vigorar em 2022, o B14.

Não há informações concretas sobre a retomada da mistura maior, mas outros grupos de lobby estão se movimentando nesta direção junto ao governo. Na quarta-feira, a Frente Parlamentar Mista do Biodiesel (FPBio) debate soluções para a segurança energética, com foco no maior uso do biocombustível para evitar uma eventual crise de abastecimento, conforme o tema do evento.

O analista da StoneX disse não ver risco imediato no abastecimento. “Até agosto, não me preocupo muito”, afirmou ele, ressaltando que o período mais delicado é de setembro a novembro, com a temporada de furações nos EUA podendo afetar o refino e atrasar operações de importante fornecedor brasileiro.

Tempestade Agatha mata 3 pessoas no sul do México; destroços são retirados na costa

Por José Cortes

PUERTO ESCONDIDO, México, 31 Mai (Reuters) – Pelo menos três pessoas morreram e outras cinco estão desaparecidas após a tempestade Agatha atingir o sul do México, informaram autoridades locais nesta terça-feira. 

Aldis López, de 21 anos, e Mario Cruz, de 18, estão entre as primeiras vítimas confirmadas na comunidade de Santa Catarina Xanaguia, no Estado de Oaxaca, que sofreu os piores impactos da tempestade. 

“Eles estavam soterrados entre rochas e lama”, disse Axel Martínez, porta-voz da agência de proteção civil de Oaxaca, à Reuters. 

A Defesa Civil confirmou que uma terceira pessoa morreu na cidade de San Mateo Pinas, uma mulher que foi atingida por um deslizamento. Cinco outras pessoas estão desaparecidas, de acordo com o secretário de Segurança Pública do Estado. 

A tempestade Agatha atingiu o continente como um furacão de categoria 2 na tarde de segunda-feira, com ventos de 169 quilômetros por hora nas proximidades da cidade litorânea de Puerto Angel, na costa do Pacífico, perdendo força enquanto avançava para o interior. 

No início de terça-feira, a tempestade havia se enfraquecido para uma depressão tropical com ventos de 45 quilômetros por hora, e deve dissipar até a tarde, de acordo com o Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC), que alertou sobre enchentes repentinas e deslizamentos de terra em Oaxaca. 

Em uma entrevista coletiva, o presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador disse que iria se reunir com as autoridades e assessores de segurança para monitorar a situação. 

(Reportagem adicional de Kylie Madry, Valentine Hilaire, Raul Cortez Fernandez e Brendan O’Boyle)

Ibovespa fecha estável após petróleo tirar ímpeto da Petrobras

SÃO PAULO (Reuters) – O principal índice da bolsa brasileira encerrou praticamente estável nesta terça-feira, após ficar boa parte do pregão no positivo, mesmo com queda em Nova York.

A perda de terreno ocorreu diante de mudança de direção do petróleo, que passou à queda após notícia de que países discutem uma potencial suspensão da Rússia de acordo de produção da commodity. O movimento impactou as ações da Petrobras, que até então eram destaque de alta.

De acordo com dados preliminares, o Ibovespa teve variação positiva de 0,04%, a 111.079,06 pontos, acumulando alta em maio, após queda em abril. O volume financeiro da sessão foi de 15,8 bilhões de reais.

(Por André Romani)

Podemos ver desemprego abaixo de dois dígitos neste ano, diz Campos Neto

Por Bernardo Caram

BRASÍLIA (Reuters) – O dado do mercado de trabalho brasileiro divulgado nesta terça-feira foi uma surpresa bastante positiva, disse nesta terça-feira o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, ressaltando que já é possível falar em um nível de desemprego abaixo de dois dígitos neste ano.

Após dizer que conversou com agentes de instituições financeiras na última semana, Campos Neto afirmou que o mercado está melhorando suas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2022 e já vê crescimento de 1,5% a 2% –a atual projeção do BC está em 1%.

“O Brasil é um dos únicos casos que a previsão de crescimento subiu nos últimos meses para 2022, aliás, ela vai subir mais do que está aqui, a gente teve reuniões com economistas e a média já está entre 1,5% e 2%”, disse em audiência pública na Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara.

O último relatório Focus disponibilizado pelo BC, divulgado no início de maio, apontava projeção do mercado de alta de 0,7% no PIB deste ano.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego no Brasil atingiu o nível mais baixo desde o começo de 2016 no trimestre até abril, a 10,5%.

“Tivemos um dado de mercado de trabalho que saiu hoje pela manhã, foi uma surpresa bastante positiva”, disse Campos Neto. “Estamos começando a falar que o desemprego este ano vai ser abaixo de dois dígitos, lembrando que antes da pandemia estava em 12%”, disse.

Campos Neto ponderou que o aumento do número de trabalhadores ativos tem sido acompanhado de uma redução na renda média.

Ao argumentar que o BC avalia riscos de promover aumentos de juros acima ou abaixo da conta, Campos Neto afirmou que o trabalho da autoridade monetária é levar a inflação à meta, mas destruindo o mínimo possível da cadeia produtiva.

“Nosso trabalho é fazer o máximo possível para inflação estar na meta, mas olhando o que consigo fazer para que o processo aconteça com o mínimo de destruição de tecido produtivo da economia”, afirmou.

Campos Neto disse que nenhum banqueiro central do mundo acha confortável subir juros porque esse movimento freia a economia. Ele ressaltou que o mercado entende que o ciclo de alta dos juros no Brasil está perto do fim.

Na última reunião do Copom, no início de maio, o BC elevou a Selic em 1 ponto percentual, a 12,75% ao ano, sinalizando um ajuste de menor magnitude em junho.

INFLAÇÃO GRAVE

De acordo com Campos Neto, o BC brasileiro se antecipou ao promover o aperto monetário antes de outras economias e antes das previsões do mercado porque entendeu que a inflação seria mais persistente.

Sobre o cenário de alta de preços, Campos Neto disse que a situação do Brasil é “grave”, mas que o país ainda tem expectativas ancoradas dentro da banda para a meta de inflação nos próximos anos, ao contrário de vizinhos latinos.

Na avaliação do chefe da autoridade monetária, elementos voláteis –em particular alimentos e energia– começaram a contaminar a inflação de forma mais ampla.

Ao afirmar que o choque de commodities é positivo para o Brasil, por ser um país que produz mais do que consome, ele ponderou que o lado ruim é o social, com elevação de preços de alimentos enquanto pessoas estão em situação de necessidade.

Em meio a pressões do Congresso e medidas em avaliação no governo para mitigar os impactos da alta de preços de combustíveis, Campos Neto disse que a alta dos preços relacionados às commodities é um problema como o qual o país precisa lidar, mas disse que isso é uma atribuição do governo, não do BC.

Campos Neto também afirmou que tem havido performance fiscal boa no curto prazo, com surpresas positivas consecutivas. Para ele, o nível de dívida de volta a patamar próximo ao observado no início da pandemia –como apontaram dados divulgados nesta terça pelo BC– mostra esforço fiscal feito no país. [nL1N2XN0XI

Ele ponderou, porém, que há incerteza sobre a situação fiscal de longo prazo, em meio a dúvidas sobre a capacidade do país de crescer de forma sustentável. Segundo Campos Neto, o fiscal pode ter piora rápida se o país crescer pouco, perto de 1% ao ano.