Agressor de marido da presidente da Câmara dos EUA queria fazê-la de refém, dizem promotores

Por Paresh Dave e Steve Gorman

SÃO FRANCISCO (Reuters) – O homem acusado de espancar o marido da presidente da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, com um martelo, depois de forçar sua entrada na casa do casal, ameaçou levá-la como refém e quebrar “seus joelhos” se ela mentisse sob seu interrogatório, de acordo com uma queixa criminal federal apresentada na segunda-feira.

As supostas intenções de David Wayne DePape surgiram quando os promotores federais acusaram o suspeito de 42 anos de agressão e tentativa de sequestro no arrombamento de sexta-feira na casa da família Pelosi em São Francisco.

Várias acusações estaduais foram apresentadas separadamente no Tribunal Superior de São Francisco, incluindo tentativa de assassinato, agressão com arma mortal, roubo, abuso de idosos e ameaça a um funcionário público, anunciou o promotor público em entrevista coletiva.

A presidente da Câmara dos Deputados dos EUA, de 82 anos, política democrata que é a segunda na linha de sucessão à Presidência dos EUA, estava em Washington no momento do ataque. Seu marido, Paul Pelosi, 82, foi hospitalizado enquanto se recupera de fraturas no crânio e ferimentos nas mãos e no braço direito.

Os médicos esperam uma recuperação completa, disse o gabinete de Pelosi.

DePape foi preso por policiais enviados para a casa depois que Paul Pelosi fez uma ligação de emergência para o 911 relatando um intruso, de acordo com uma declaração do FBI apresentada como parte da queixa.

Paul Pelosi, que inicialmente ficou inconsciente do ataque, disse mais tarde à polícia que estava dormindo quando um estranho, armado com um martelo, entrou no quarto e exigiu falar com sua esposa, afirma a queixa.

O suspeito disse à polícia em um interrogatório após sua prisão que planejava manter Nancy Pelosi como refém para interrogatório, e que se ela dissesse a “verdade”, ele a deixaria ir, mas se ela “mentisse”, ele quebraria “suas rótulas” no depoimento ao FBI.

O incidente despertou temores sobre a violência política antes das eleições de meio de mandato em 8 de novembro, que decidirão o controle da Câmara dos Deputados e do Senado durante uma das campanhas norte-americanas mais cáusticas e polarizadas em décadas.

M. Dias compra empresa de massas no Uruguai, na 1ª aquisição fora do Brasil

Por Nayara Figueiredo

SÃO PAULO (Reuters) -A M. Dias Branco anunciou nesta segunda-feira a compra companhia de massas Las Acacias, no Uruguai, a primeira de outras aquisições que ainda podem acontecer fora do Brasil, disse um executivo da empresa à Reuters.

Sem revelar o valor da operação, o diretor de relações com investidores e novos negócios da M. Dias Branco, Fábio Cefaly, afirmou que a companhia uruguaia foi escolhida por ser uma das três principais marcas do setor naquele país, com mais de 100 milhões de reais em faturamento anual e margem Ebitda de 14%.

“Uma empresa ‘redonda’, em um setor que a gente já sabia operar… foi a melhor opção para a M. Dias começar seu crescimento fora do país”, disse ele.

Cefaly afirmou que a proximidade com a região Sul do Brasil e o ambiente de negócios no Uruguai também foram fatores importantes para a decisão.

Segundo ele, a M. Dias tem uma unidade em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, que facilitará o envio de produtos para o centro de distribuição da Las Acacias, o que está nos planos da companhia brasileira.

“Por que não usar o centro de distribuição daqui (do Uruguai) para os produtos da M. Dias que ja acessavam esse mercado?”, questionou o executivo.

A líder nos mercados de biscoitos e massas no Brasil também planeja fazer estudos sobre a aceitação da marca Las Acacias com outros produtos no mercado uruguaio, para ampliar o portfólio para além das massas, para biscoitos por exemplo.

“Sem dúvida, é algo que está no nosso radar”, disse ele.

A aquisição da Las Acacias foi realizada pela empresa Latinex, controlada da M. Dias Branco, e não carece de demais condições precedentes para conclusão do negócio.

(Reportagem de Nayara Figueiredo; edição de Roberto Samora)

RD tem salto no lucro do 3º tri e acelera expansão de lojas

SÃO PAULO (Reuters) – A RD, maior rede de farmácias do país, anunciou nesta segunda-feira crescimento de 30% no lucro líquido do terceiro trimestre sobre mesmo período de 2021, com manutenção de performance operacional sobre um faturamento maior.

A empresa também anunciou aceleração do plano de expansão de lojas, elevando a meta de 240 aberturas brutas por ano para 260 unidades, o que fará a rede dona das bandeiras Raia e Drogasil a inaugurar 1.040 lojas entre este ano e o fim de 2025.

A companhia teve lucro líquido de 225,4 milhões de reais no terceiro trimestre. Em termos ajustados, o lucro foi de 201,7 milhões, avanço de 16% na comparação anual.

O desempenho operacional medido pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado foi de 546,8 milhões de reais, avanço de 22,5% sobre um ano antes. Como percentual da receita bruta, o Ebitda ajustado do período se manteve em 6,8%, segundo a companhia.

A RD teve faturamento bruto de 7,98 bilhões de reais, crescimento ante os 6,5 bilhões reportados um ano antes.

A empresa abriu no trimestre 58 lojas, somando 174 inaugurações no o ano até setembro. Enquanto isso, fechou 19 unidades o trimestre, bem acima dos encerramentos do primeiro semestre, elevando o total no ano para 44.

A base de funcionários cresceu 6,2% no trimestre passado, para 51,5 mil, enquanto a de farmacêuticos avançou 10,5%, para 10,7 mil, segundo dados do balanço.

A RD conseguiu reverter no balanço o fluxo de caixa negativo dos dois primeiros trimestres do ano, fechando os três meses até setembro com fluxo positivo de 104,6 milhões de reais.

(Por Alberto Alerigi Jr.)

Trigo e milho sobem em Chicago com suspensão de acordo de grãos no Mar Negro, soja segue

CHICAGO (Reuters) – Os contratos futuros de trigo e milho subiram fortemente na Bolsa de Chicago nesta segunda-feira, com a retirada da Rússia de um acordo de exportação do Mar Negro levantando preocupações sobre a oferta global, disseram traders.

A soja acompanhou o movimento e também terminou em alta.

A Rússia suspendeu sua participação no acordo de corredor seguro do Mar Negro no sábado em resposta ao que chamou de um grande ataque de drone ucraniano contra a sua frota na Crimeia, anexada à Rússia.

No entanto, navios que transportam grãos partiram de portos ucranianos na segunda-feira, sugerindo que Moscou não conseguiu reimpor o bloqueio.

O trigo soft vermelho de inverno fechou em alta de 53 centavos, a 8,8225 dólares por bushel, depois de atingir 8,9325 dólares, o maior valor do contrato desde 14 de outubro.

O milho de dezembro fechou em alta de 10,75 centavos, a 6,9150 dólares por bushel, após alcançar 7,00 dólares, o patamar mais elevado desde 12 de outubro.

Com isso, os futuros de soja para janeiro fecharam em alta de 19,25 centavos a 14,1950 dólares por bushel, enquanto o contrato <SX2 de novembro, que está em entrega, terminou em ganho de 19,25 centavos, a 14,07 dólares.

Os movimentos da Rússia ofuscaram a pressão do mercado de um dólar mais firme, que tende a tornar os grãos dos EUA menos competitivos globalmente, e a pressão sazonal da safra em andamento no Meio-Oeste norte-americado.

(Reportagem de Julie Ingwersen)

Nova premiê da Itália escolhe deputado que já apareceu com braçadeira nazista para ser ministro

ROMA (Reuters) – Galeazzo Bignami, parlamentar do partido de direita Irmãos da Itália, que provocou indignação em 2016 depois que um jornal publicou uma foto dele usando uma suástica nazista no braço esquerdo, foi nomeado ministro júnior de Infraestrutura da Itália nesta segunda-feira.

A primeira-ministra Giorgia Meloni, que anunciou pessoalmente a nomeação de Bignami em uma entrevista coletiva, é a líder dos Irmãos da Itália, um grupo que tem suas raízes no Movimento Social Italiano (MSI) pós-fascista.

Bignami, 47, foi eleito no mês passado para um segundo mandato no Parlamento. Ele faz parte da extrema direita italiana, mas passou parte de sua carreira política no Forza Italia, do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi.

Ele disse em um comunicado na segunda-feira que sentia “profunda vergonha” pelas fotos e condenou firmemente “qualquer forma de totalitarismo”, chamando o nazismo e qualquer movimento ligado a ele de “o mal absoluto”.

Meloni não comentou a foto de 2016, mas condenou repetidamente as infames leis racistas e antijudaicas promulgadas pelo ditador Benito Mussolini em 1938, e na semana passada disse ao parlamento que ” nunca sentiu simpatia pelo fascismo”.

“Sempre considerei as leis raciais (antissemitas) de 1938 o ponto mais baixo da história italiana, uma vergonha que manchará nosso povo para sempre”, disse ela no parlamento.

Bignami servirá sob o líder do partido de direita Liga, Matteo Salvini, que é o ministro da Infraestrutura e vice-primeiro-ministro.

(Reportagem de Angelo Amante)

Café arábica salta quase 5% na ICE; açúcar bruto ganha 2%

NOVA YORK/LONDRES (Reuters) – Os contratos futuros de café arábica subiram quase 5% na ICE nesta segunda-feira, enquanto os preços do açúcar bruto avançaram mais de 2%, já que o mercado parecia maduro para uma correção após uma queda recente.

Os traders digeriram a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial do Brasil e permaneceram no limite com a política de exportação de açúcar da Índia.

AÇÚCAR

* O açúcar bruto de março fechou em alta de 0,39 centavo, ou 2,2%, a 17,97 centavos de dólar por libra-peso, tendo atingido uma mínima de 3 semanas e meia na sexta-feira e fechou a semana com queda de 4,35%.

*O líder esquerdista brasileiro Lula derrotou o presidente Jair Bolsonaro no segundo turno, mas o titular da extrema direita não admitiu a derrota na noite de domingo.

* Os investidores estão atentos à possibilidade de que Bolsonaro questione os resultados, potencialmente alimentando a tensão política no maior exportador mundial de açúcar e café.

* A Índia, um grande produtor de açúcar, estendeu as restrições às exportações do adoçante em um ano até outubro de 2023, disse o governo, mas ainda deve fixar uma cota esta semana para vendas no exterior.

* O açúcar branco de dezembro subiu 11,60 dólares, ou 2,2%, para 527,20 dólares a tonelada.

CAFÉ

* O café arábica de dezembro ganhou 7,9 centavos, ou 4,7%, para 1,777 dólar por libra-peso depois de atingir uma mínima de 15 meses de 1,6775 dólar na sexta-feira.

* O contrato perdeu 11% na semana passada devido à melhora das perspectivas de safra no Brasil e preocupações com a demanda, mas alguns negociantes acreditaram que a queda foi exagerada e esperavam uma correção de preço.

* A moeda brasileira estava ganhando mais de 2% à tarde, o que deu sustentação aos preços do café.

* O café robusta de janeiro subiu 4 dólares, ou 0,2%, para 1.853 dólares a tonelada, após cair para uma mínima de 14 meses de 1.833 dólares na sexta-feira.

(Reportagem de Marcelo Teixeira e Maytaal Angel)

Prio registra lucro líquido de US$154 mi no 3º tri

(Reuters) – A Prio registrou um lucro líquido de 154 milhões de dólares no terceiro trimestre deste ano, ante 23,9 milhões de dólares no mesmo período do ano passado, com impulso de um aumento da produção, diante avanços na revitalização do campo de Frade, informou a companhia nesta segunda-feira.

A petroleira teve uma receita líquida recorde de 378 milhões de dólares entre julho e setembro, um aumento de 110% na comparação anual.

O Ebtida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado da companhia também foi recorde, no valor de 286 milhões de dólares ante 105 milhões de dólares no terceiro trimestre do ano passado.

O CFO da companhia, Milton Rangel, atribui os resultados principalmente à disciplina financeira e à produção, que aumentou 37% a partir da conclusão da primeira fase do Plano de Revitalização do campo de Frade, na Bacia de Campos.

“Tivemos disciplina financeira em manter o nosso custo total sob controle. O lifting cost (custo de extração por barril) no trimestre foi de 9,5 dólares por barril, o menor patamar já registrado na nossa história. Isso ajuda a fortalecer a resiliência da companhia”, disse Rangel à Reuters.

A produção média de petróleo e gás da companhia somou 45,8 mil barris de óleo equivalente por dia (boed) no trimestre, ante 31,6 mil boed no mesmo período do ano passado.

O executivo destacou também outras iniciativas da empresa, como sua primeira emissão de debêntures, de 2 bilhões de reais, concluída em agosto, para investimentos em Frade.

(Por Rafaella Barros)

Frente do agro pede liberação de rodovias para cargas vivas, ração e ambulâncias

Por Roberto Samora e Ana Mano e Andre Romani

SÃO PAULO (Reuters) – A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) considera que manifestantes que bloquearam rodovias em várias partes do país devido à insatisfação com os resultados das eleições de domingo precisam abrir caminho para produtos básicos, cargas vivas e ração, segundo nota divulgada nesta segunda-feira.

A frente, um dos mais importantes grupos do Congresso Nacional, disse que “entende que o momento é delicado e respeita o direito constitucional à manifestação, porém ressalta que o caminho das paralisações de nossas rodovias impacta diretamente os consumidores brasileiros, no possível desabastecimento e em toda a cadeia produtiva rural do país”.

“Fazemos um apelo para que as rodovias sejam liberadas para cargas vivas, ração, ambulâncias e outros produtos de primeira necessidade e/ou perecíveis”, acrescentou o comunicado, sem citar os motivos das manifestações.

Os protestos com bloqueios de estradas após a vitória do petista Luiz Inácio Lula da Silva contra Jair Bolsonaro atingiram o Mato Grosso, Paraná, Santa Catarina, entre outros importantes Estados com forte produção agropecuária do Brasil.

O ministro das Comunicações, Fábio Faria, disse que Bolsonaro está discutindo com o advogado-geral da União, Bruno Bianco, medidas para garantir o desbloqueio de rodovias federais.

Em Mato Grosso, maior produtor brasileiro de grãos e oleaginosas, as manifestações são espontâneas e não têm organização de entidades agropecuárias, mas elas refletiram a insatisfação com o resultado das eleições, disse o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Famato), Normando Corral, à Reuters.

“É um movimento espontâneo, não com uma organização de alguma entidade, pelo que eu vi até agora”, disse o presidente da Famato.

A federação, que assim como boa parte do setor agropecuário apoiou o presidente Jair Bolsonaro em sua tentativa de reeleição, disse que apesar do descontentamento com o resultado “até agora não tem como contestar a legalidade do que ocorreu”.

“Até que provem o contrário, as eleições ocorreram de forma sem contestação nenhuma”, afirmou ele, lembrando que a eleição foi “radicalizada” desde o início e o resultado favorável a Luiz Inácio Lula da Silva teve “pequena margem”.

“Dá pra ver que temos um país dividido em suas opiniões. Mais do que nunca agora tem que ter bom senso, e aguardar o posicionamento, principalmente do presidente da República, que não teve sucesso na eleição”.

Segundo Corral, Bolsonaro deverá ter um posicionamento.

Protestos realizados por manifestantes apoiadores do presidente Jair Bolsonaro interditavam a BR-163 em Mato Grosso, assim como a Via Dutra, após o resultado do segundo turno das eleições.

A BR-277, uma das principais rodovias de acesso ao porto de Paranaguá, importante para exportação de commodities agrícolas e importação de produtos como fertilizantes, também foi bloqueada no início da tarde desta segunda-feira, informou a administradora Portos do Paraná, citando que não houve prejuízo imediato às operações da unidade.

“Em Paranaguá, a interdição ocorre no quilômetro 5 da rodovia, próximo ao Posto Aldo, em ambos os sentidos. De acordo com a Diretoria de Operações, pelo curto período de fechamento das vias, ainda não há reflexo nas operações portuárias”, disse a empresa pública, ressaltando que seguirá monitorando a situação junto à Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Além da via de acesso a Paranaguá, há várias outras rodovias com bloqueios no Paraná, um dos maiores produtores de grãos do Brasil, segundo a PRF.

No porto de Santos, o maior do Brasil, o movimento de cargas não tinha impacto dos protestos.

Geralmente, os portos contam com estoques e impactos de protestos levam algum tempo para serem sentidos.

Para Corral, da Famato, os atos podem atrapalhar o escoamento da produção, dependendo da duração.

“Se vai atrapalhar o escoamento de produção é muito cedo para falar, porque isso aí começou ontem. E não sei quanto tempo vai durar e se vai durar…. Não dá pra saber, isso pode terminar hoje. Toda e qualquer interrupção causa problema”, afirmou.

Evandro Lermen, cooperado da Cooperativa Agropecuária e Industrial Celeiro do Norte (Coacen), com sede em Sorriso, maior município produtor de soja do Brasil, disse à Reuters que os caminhões praticamente não foram carregados com milho durante o final de semana em função do feriado de Finados, na quarta-feira.

Dessa forma, ele minimizou o impacto no escoamento, se os protestos forem logo encerrado. “Não estamos preocupados”, disse ele, acreditando que até quarta-feira a situação nas estradas deve estar normalizada.

Outros Estados também registraram protestos.

O Brasil, que já embarcou a maior parte da soja colhida este ano, agora está exportando o milho segunda safra em maiores volumes no momento.

Mas boa parte desse escoamento até os portos é feito também por ferrovia. Pode haver, contudo, dificuldades para o produto chegar aos terminais ferroviários.

PELA LEGALIDADE

Corral, da Famato, destacou que a federação não apoia os bloqueios de estradas.

“De forma nenhuma, o que a gente apoia é a legalidade, por enquanto não tem nenhuma prova de que houve ilegalidade para contestar (a eleição).”

Ele destacou que a “maior causa da insatisfação é opinião das pessoas”, lembrando que o presidente eleito “havia sido condenado por atos ilegais”.

“Não é que ele foi absolvido, ele concorreu por questão peculiar no Brasil, o arcabouço jurídico é muito falho”, comentou.

As acusações contra o petista no âmbito da Lava Jato foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que concluiu que o julgamento ocorreu fora da vara adequada e que o juiz Sérgio Moro, que analisou o caso em primeira instância, foi parcial.

Corral comentou que, já que o petista disputou e ganhou, será o presidente do Brasil, “ainda que o país esteja rachado”, e pediu bom senso.

“Temos de ter lideranças com bom senso. O agronegócio brasileiro tem se desenvolvido pela competência dos produtores, pela pesquisa, é pela ciência que produzimos em clima tropical”, disse ele, acrescentando que o setor tende a prosperar nos próximos anos com uma demanda forte global por alimentos.

Mas ele ponderou que ações do novo governo podem atrapalhar. “Por isso temos de ficar atentos para que isso não ocorra”, disse, lembrando que o setor conta com o apoio do novo Congresso, que manteve boa parte de sua base agropecuária.

Ele disse que os produtores têm “receios” sobre “a insegurança jurídica determinada por movimentos ilegais” ligados ao partido do presidente eleito, em especial o MST, dos sem-terra.

“Isso vai ser repelido não só pelas forças policiais, mas vai ter um movimento acirrado pelos produtores”.

(Por Roberto Samora; com reportagem adicional de Ana Mano, André Romani e Rafaella Barros)

Senador Prates é cotado para presidir Petrobras, mas há barreira no estatuto

Por Rafaella Barros e Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO (Reuters) – O senador Jean Paul Prates (PT-RN), que participou da elaboração de planos da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva para a área de petróleo e energia, é um nome que aparece forte como possível indicado para presidir a Petrobras a partir de 2023, segundo três fontes próximas às conversas.

Embora não haja nada formal sobre o assunto, até porque a eleição foi concluída na véspera, Prates seria uma opção a ser considerada pelo presidente eleito, disseram as pessoas na condição de anonimato.

Mas a indicação deve enfrentar algumas barreiras no estatuto da Petrobras, que veda a indicação de pessoa que atuou, nos últimos 36 meses, como participante de estrutura decisória de partido político.

Uma das fontes ressaltou que Lula fez muitas consultas e pediu orientações a Prates durante a campanha, em momentos em que se preparava para falar sobre o setor de petróleo.

Já uma fonte próxima do senador argumenta que ele não participou da coordenação da campanha ou do programa de governo.

“Ele apenas prestou informações, como senador. Sob essa ótica, ele não teria se atrelado formalmente à campanha, o que não o impediria, em tese de assumir a Petrobras”, disse.

Essa fonte considera ainda que a ventilação precoce do nome pode ter fundo especulativo que poderia afetar a escolha.

Procurado, o senador não comentou o assunto imediatamente.

O estatuto veda também a indicação de dirigente estatutário de partido político e de titular de mandato no Poder Legislativo de qualquer ente federativo, ainda que licenciado, e de pessoa que atuou, nos últimos 36 meses, em trabalho vinculado a organização, estruturação e realização de campanha eleitoral.

O futuro governo Lula tende a intensificar a presença do Estado no setor de refino de petróleo, com possíveis impactos nos rumos dos preços dos combustíveis da Petrobras, conforme sinalizações de planejadores de políticas da equipe do petista.

O próprio Lula prometeu rever o Preço de Paridade de Importação (PPI) praticado desde 2016 pela Petrobras, de forma que os valores dos combustíveis reflitam “custos nacionais”, sem, portanto, acompanhar as oscilações do dólar e do petróleo no mercado internacional.

As ações preferenciais da estatal chegaram a cair mais de 10% nesta segunda-feira, com preocupações do mercado sobre os rumos da companhia em um governo Lula.

(Com reportagem adicional de Maria Carolina Marcello)

Empresa de Trump “enganou” autoridades fiscais, diz promotora em julgamento

Por Karen Freifeld e Luc Cohen

NOVA YORK (Reuters) – A empresa imobiliária do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump enganou as autoridades fiscais por 15 anos, disse uma promotora na segunda-feira em sua declaração de abertura no julgamento de fraude fiscal criminal das Organizações Trump, enquanto advogados de defesa disseram que o diretor financeiro de longa data da empresa estava agindo apenas em seu próprio nome.

A empresa pagou certos executivos – incluindo o diretor financeiro Allen Weisselberg – em benefícios como aluguel, e aluguel de carros sem relatar esses benefícios às autoridades fiscais, além de bônus falsamente informados como compensação para não-funcionários, disse Susan Hoffinger, promotora do escritório do promotor público de Manhattan.

O caso está entre os crescentes problemas legais enfrentados por Trump, de 76 anos, enquanto ele considera outra candidatura à presidência depois da derrota em 2020.

Weisselberg, que trabalha para Trump há quase meio século, em agosto se declarou culpado e concordou em depor como testemunha de acusação no julgamento, como parte de um acordo para que ele recebesse uma sentença de cinco meses de prisão.

Os advogados das duas unidades das Organizações Trump argumentaram que Weisselberg sonegava impostos para se beneficiar, e não para favorecer a empresa. Tanto a Trump Corporation quanto a Trump Payroll Corporation se declararam inocentes. Trump não foi acusado no caso.

“Weisselberg fez isso por Weisselberg”, disse Michael Van Der Veen, advogado da Trump Payroll Corporation, em sua declaração de abertura. “A ganância o fez sonegar impostos, esconder seus atos de seu empregador e trair a confiança construída ao longo de quase 50 anos.”

Hoffinger disse que Weisselberg era “um dos principais beneficiários” do esquema. Mas ela disse que ele atuou em sua capacidade oficial como executivo das Organizações Trump e que a empresa também se beneficiou ao manter os principais executivos felizes e economizar em alguns impostos.

“Todo mundo ganha aqui”, disse Hoffinger. “Claro, todos, menos as autoridades fiscais. O problema de fazer isso dessa maneira é que não é legal.”

Van Der Veen também procurou culpar a empresa de contabilidade Mazars, que lidava com as declarações fiscais da empresa e de Weisselberg.

A Mazars não respondeu imediatamente aos pedidos de comentários. Em fevereiro, a empresa abandonou as Organizações Trump como cliente e disse que as demonstrações financeiras que preparou para a empresa de 2011 a 2020 não deveriam mais ser confiáveis. 

(Reportagem de Karen Freifeld e Luc Cohen em Nova York)