Operando um dos setups mais lucrativos da análise técnica.

De acordo com a teoria de Down, uma tendência de alta é formada por topos e fundos ascendentes. Já uma tendência de baixa é formada por topos e fundos descendentes. Mas o que ocorre quando existe a inversão da tendência?

A formação de um pivô!

Um pivô, de forma simplificada, poderia ser definido como a superação do último topo ou a perda do último fundo. Ou seja, quando um ativo está em tendência de alta, realiza diversos pivôs de alta. Quando está em tendência de baixa, são formados pivôs de baixa. E quando a tendência é lateral, dificilmente se observa a formação de pivôs alinhados.

Conforme apresentado no gráfico, o ativo realizou vários pivôs de baixa até alcançar um suporte. Após fazer fundo, o ativo subiu até a média, para então acionar um pivô de alta. Cada retângulo em destaque representa um pivô e as setas correspondem aos respectivos movimentos de rompimento.

O pivô é um padrão gráfico que já é operado a mais de um século, mostrando assim que se trata de um padrão bastante confiável. Deste modo, é importante conhecer bem quais os tipos de pivôs.

Abaixo serão descritos alguns dos tipos de pivôs mais conhecidos (e na minha opinião os mais confiáveis).

Pivô de inversão.

Este tipo de pivô ocorre quando o ativo vem trabalhando em uma tendência, alcança um suporte ou resistência e não consegue fazer um novo rompimento, realizando assim a inversão da tendência na sequência.

Conforme mostrado no gráfico, após um forte movimento de baixa o ativo fez fundo, subiu um pouco, mas na sequência voltou a cair acionando um pivô de baixa. Após cair e fazer um novo fundo, o ativo subiu fazendo um topo mais baixo, o que continua de acordo com a tendência de baixa. Contudo, quando o preço caiu novamente, um fundo mais alto que o anterior foi formado. Sem conseguir perder o fundo, o ativo passou a subir e romper o topo, acionando assim um pivô de alta.

A seta amarela indica onde o pivô de inversão seria acionado, pois a partir daquele ponto o primeiro pivô de alta estaria sendo confirmado.

Este tipo de pivô é muito interessante, pois normalmente apresenta uma relação risco x retorno muito boa. No exemplo mostrado, a operação teria como ponto de stop o terceiro fundo destacado, o qual deu início a formação do padrão. Já o alvo desta operação poderia ser a média móvel de 200 períodos. Nesta operação, em específico, a relação risco x retorno ficaria em 3 para 1. Ou seja, o alvo corresponde a um resultado 3 vezes maior do que o stop.

Pivô de rompimento.

O pivô de rompimento ocorre principalmente quando o ativo consegue sair de uma figura gráfica. Normalmente quando um ativo está formando uma figura, é considerado que este se encontra em tendência lateral (consolidação). Nesta situação, a forma mais confiável para o ativo sair desta consolidação é realizando um pivô. Este por sua vez recebe o nome de pivô de rompimento, justamente porque está rompendo uma consolidação.

Como pode ser observado, o ativo estava trabalhando dentro de um retângulo fazendo fundos e topos aleatórios. No entanto, em um determinado momento, o ativo subiu até a linha superior da figura, fez um pequeno movimento de baixa e subiu novamente, rompendo o topo. Com essa movimentação foi acionado o pivô de rompimento.

Este tipo de pivô se mostra bastante confiável, principalmente quando o ativo forma uma grande consolidação, similar ao exemplo apresentado.

Outra característica que deve ser destacada é o fato de existirem três tipos de pivô de rompimento. O pivô de pré-rompimento ocorre quando o padrão é formado ainda dentro da consolidação, conforme o exemplo apresentado. O pivô de pós-rompimento ocorre quando o ativo rompe a região de consolidação, faz um pullback no suporte/resistência rompido, e em seguida aciona o pivô. Já o pivô no rompimento ocorre quando o padrão é acionado exatamente sobre a linha de suporte/resistência.

Dentre estes tipos de pivô de rompimento, o mais confiável é o de pós-rompimento, pois o ativo já conseguiu sair da consolidação.

Pivô alinhado com a média móvel.

O pivô alinhado com a média móvel é um dos padrões mais confiáveis da análise técnica, podendo ter mais de 85% de assertividade, dependendo do ativo e do tempo gráfico.

Além de simples, também se trata de um padrão muito fácil de ser identificado, pois basta avaliar a localização do pivô e a direção apontada pela média móvel.

O exemplo apresentado no gráfico trás uma das melhores configurações possíveis. Como visto, o preço subiu para cima da média móvel de 20 períodos, fez uma pequena correção e depois acionou o pivô. Este pivô está alinhado com a média de 20 e não se encontra muito afastado da mesma. Além disso, a média móvel de 200 está apontada para cima e o preço não se encontra muito afastado dela.

Como já mencionado, se trata de um padrão muito simples, pois basta verificar a formação de um pivô que esteja alinhado com alguma média móvel. A média de 20 é a mais utilizada para este padrão, mas podem ser outras médias, desde que não sejam muito longas ou muito curtas.

Porém, apesar de ser simples, alguns pontos devem ser observados para aumentar a taxa de sucesso das operações.

Condição da média longa.

É interessante acompanhar uma média móvel longa, como a de 200 períodos, para assim verificar a tendência em um tempo gráfico maior.

Usando a média longa, deve ser observada a região na qual o padrão está sendo formado.

  • Sobre a média: geralmente as operações sobre a média longa não se mostram muito interessantes. Porém, caso o ativo forme o padrão, é preferível que a média longa esteja alinhada com o pivô.
  • Próximo à média: Se o ativo estiver trabalhando próximo à média longa, só devem ser realizadas operações alinhadas com ela. Operações contra a média longa podem acarretar em uma baixa taxa de assertividade. Pivôs de alta devem ser operados apenas acima da média e pivôs de baixa apenas abaixo da média.
  • Longe da média: Se o ativo estiver longe da média longa, podem ser realizadas operações a favor, ou contra esta média, desde que a média intermediária (a média de 20, por exemplo) esteja alinhada.

Condições da média intermediária.

O ativo sempre deve estar alinhado com a média intermediária, porém ainda assim é preciso se atentar a localização do preço em relação a esta média.

  • Sobre a média: As operações sobre a média são interessantes, desde que o ativo não consiga romper ela. Ou seja, a média deve se comportar como um suporte ou resistência.
  • Próximo à média: é o melhor tipo de operação e não há nenhuma restrição.
  • Longe da média: caso o preço se encontre muito afastado da média intermediária, não é interessante realizar a operação, pois a formação de um pivô nesta condição pode sinalizar a exaustão da tendência.

Outro padrão de pivô muito interessante é o trick entry.

Trick entry.

Existe ainda um outro tipo de pivô conhecido como trick entry. Este padrão ocorre quando existe a formação de um pivô menor dentro de outro maior.

Conforme apresentado, o preço caiu e formou um fundo, subiu e na sequência caiu novamente acionando o pivô de baixa. As setas brancas indicam a formação do pivô principal. Contudo, como pode ser observado, antes de acionar o pivô principal, um pivô interno foi acionado, indicado pelas setas amarelas.

A trick entry também é um padrão muito interessante, pois permite a entrada na operação de forma antecipada, melhorando a relação risco x retorno. Caso depois que a trick entry é acionada o pivô principal também seja acionado, a tendência é confirmada e a probabilidade de o ativo alcançar os alvos aumenta.

Para finalizar.

Espero que este artigo tenha contribuído para o seu aprendizado. Como já comentado, o pivô é um padrão gráfico conhecido e operado a mais de um século. Deste modo, é importante entender como ele se forma e quais os melhores padrões a serem operados.

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Até o momento já foram publicados os seguintes artigos:

Entendendo o Price Action.

Retrações e projeções de Fibonacci.

Uso adequado das médias móveis.