Uso das médias móveis no Price Action.

O Price Action, como o próprio nome diz, trata-se de uma metodologia ligada à análise gráfica, pela qual é possível realizar operações no mercado financeiro com base nas movimentações de preço dos ativos. Ou seja, nesta metodologia não são usados indicadores para se efetuar, de forma direta, operações de compra ou venda. No entanto, podem ser usados indicadores, como as médias móveis, para facilitar a visualização da tendência do preço. Para conhecer um pouco mais sobre o Price Action, sugiro a leitura do artigo “Entendendo o Price Action”.

Conforme enunciado, as médias móveis podem ser usadas como parte de uma estratégia operacional, pois existem duas grandes contribuições que elas podem trazer. As médias móveis são indicadores conhecidos como rastreadores de tendência. Ou seja, são usados para indicar a tendência em que o ativo está trabalhando.

Contudo, este indicador também se comporta muitas vezes como um suporte ou resistência, por isso também são conhecidos como suportes/resistências dinâmicos.

Outra utilização interessante das médias móveis ocorre quando se aplica a metodologia Triple Screen, pois elas tornam possível a identificação da tendência de 3 tempos gráficos em apenas um gráfico.

Mas, vamos por partes. Primeiro, é interessante conhecer o conceito por trás deste indicador.

O que é uma média móvel?

Uma média móvel corresponde a média de preços, geralmente do fechamento, de um determinado número de barras em um gráfico. Por exemplo, em um gráfico diário que contém uma média móvel aritmética de 20 períodos (MMA20), essa média será traçada como uma linha que corresponde ao valor médio do preço de fechamento dos últimos 20 dias. Deste modo, a cada novo período, neste caso a cada novo dia, a média se deslocará para se adequar ao novo valor médio dos últimos 20 períodos.

Como as médias sempre se ajustam à medida que novos valores são computados, existe uma máxima que diz o seguinte: sempre, em algum determinado momento haverá o encontro do preço com a média, pois, ou o preço retorna à média, ou a média vai em direção ao preço.

Obviamente que essa máxima não é verdadeira para todas as médias, pois para médias móveis muito longas, digamos com 1.000 períodos, é possível que o preço suba e não retorne à média. Mas para a maioria das médias essa máxima é verdadeira.

Deste modo, a principal função de uma médio móvel no gráfico é indicar a tendência em que o ativo está trabalhando.

Indicando a tendência.

De acordo com a Análise Técnica, um ativo está em tendência de alta quando está fazendo topos e fundos ascendentes. De forma similar, quando está fazendo topos e fundos descendentes, o ativo se encontra em tendência de baixa.

Porém, nem sempre o gráfico apresenta os topos e fundos de forma clara para que se possa identificar a tendência. Isso ocorre quando, para um determinado tempo gráfico, o ativo está trabalhando em consolidação.

Observe o gráfico abaixo, por exemplo, e procure identificar qual a tendência do ativo.

Apesar da dificuldade, seria possível identificar alguns topos e fundos. Porém, essa informação não contribuiria para a definição da tendência.

Inserindo as médias.

A imagem abaixo apresenta o mesmo gráfico, contudo, foram inseridas duas médias móveis. A média de 20 (MMA20) está representada pela linha amarela e a média de 200 (MMA200) pela linha branca.

Observando a MMA200, fica claro que o ativo está trabalhando em uma tendência primária de alta. Isso quer dizer que, no longo prazo, o ativo está subindo, de modo que operações de compra terão maior êxito do que operações de venda.

Já a MMA20 indica a tendência secundária. Como pode ser visto, à esquerda do gráfico a MMA20 está apontada para cima e foi realizado um movimento de alta. Quando o ativo perdeu a média, ou seja, o preço passou a trabalhar abaixo da MMA20, foi feito um movimento de baixa.

Como a MMA20 indica a tendência secundária do ativo, no momento em que o preço cruzou ela para baixo, não seria indicado abrir uma operação de compra. Uma vez que o preço está entre as médias de 20 e 200, não há uma tendência secundária clara. Na realidade, a região de preços entre estas médias é conhecida como “Trap Zone”, ou zona de armadilha.

Na região central do gráfico, é mostrado que a linha amarela está apontada para baixo. Contudo, não seria interessante operar na ponta vendedora, pois a MMA200 está inclinada para cima, indicando a tendência de alta no tempo gráfico maior.

Quando o preço cruza novamente a MMA20 para cima, faz o retorno à média e aciona um pivô de alta. Esta seria uma ótima oportunidade de compra, pois as duas médias apontam para cima e a metodologia price action deu compra ao acionar o pivô de alta.

Como mostrado, a utilização de 2 médias se mostra interessante. Por esse motivo, uma forma de buscar entender melhor a dinâmica de preços é usando o Triple Screen.

Triple Screen

É justamente com base na utilização de três médias móveis que se torna possível, em um mesmo gráfico, usar a metodologia Triple Screen.

O Triple Screen sugere que sejam usados 3 gráficos para assim avaliar a dinâmica dos preços de forma mais completa. Abaixo são apresentados alguns exemplos da utilização desta metodologia.

Contudo, outra forma de usar essa metodologia é inserindo 3 médias móveis diferentes no mesmo gráfico, sendo que cada média móvel representa um tempo gráfico diferente. Por exemplo, para a estratégia Day Trade, poderia ser acompanhado apenas o gráfico de 5 minutos. Neste gráfico a MMA200 pode ser inserida para indicar a tendência no gráfico horário, a média de 20, para indicar a tendência secundária do ativo, e a MMA8 para acompanhar a tendência no gráfico de 2 minutos.

Região do gráfico.

Com essas três médias é possível identificar de forma simples a região em que o preço está trabalhando, assim como a força da tendência. O gráfico abaixo mostra um gráfico diário em que foram inseridas as médias de 200, 20 e 8 períodos.

O primeiro retângulo trata-se de uma região em que o preço está sobre a MMA200. Normalmente é difícil realizar operações enquanto o preço está sobre esta região, pois o ativo fica em consolidação.

O segundo retângulo apresenta a região de tendência, que ocorre quando o ativo começa a se afastar da MM200. Como pode ser visto, a MM20 se mostra bem inclinada, indicando a plena tendência. A MM8 também vai acompanhando o preço, mostrando que o ativo deve continuar subindo.

O terceiro retângulo foi traçado sobre a região de afastamento da MMA200. Nessa região o preço tende a andar de lado ou fazer uma correção. Normalmente, quando o ativo se afasta muito da MMA200 e cruza a MMA20, está indicando que alcançou a região de afastamento.

Além de indicar a tendência, as médias móveis também são úteis, pois se comportam como suportes e resistências. Isto também pode contribuir na leitura da dinâmica de preços.

Suporte e Resistência

Quando um ativo está em tendência, as médias móveis se comportam como suportes e resistências dinâmicas. Assim, para uma tendência de alta, é comum ver o ativo corrigir até a média para depois voltar a subir. Deste modo, a cada nova correção, a média se comporta como um suporte, segurando o preço e dando impulso para o ativo continuar subindo. Para um ativo que está em tendência de baixa, o contrário também é válido. Porém, neste caso a média se comporta como uma resistência dinâmica.

Conforme mostrado no gráfico acima, em vários momentos o preço caiu e violou a MMA20, porém na sequência foi realizado um movimento de alta fazendo com que o ativo voltasse a trabalhar acima da média.

Também é interessante notar que a MMA200 apresentava a plena tendência de alta no tempo gráfico longo. Isso oferece ainda mais segurança para que sejam realizadas operações de compra.

Conhecendo essa característica das médias móveis, é possível realizar operações conhecidas como “Regressão e Reversão na média”. Esse tipo de estratégia se mostra muito interessante, pois apresenta uma boa taxa de acerto e uma ótima relação risco vs. retorno, desde que sejam respeitadas algumas condições.

Abaixo é apresentado um gráfico onde seria possível realizar 3 operações seguindo a estratégia de regressão e reversão na média.

Como pode ser visto, após falhar em romper a MMA200 o ativo iniciou um forte movimento de baixa. Enquanto caia, fazia fundos descendentes e regredia até a média, onde sentia uma resistência e voltava a cair na sequência. Para obter uma melhor performance neste tipo de operação, é necessário que o ativo esteja em plena tendência e apresente algum sinal de reversão (sinal do price action) após retornar à média.

Para finalizar

Espero que esse artigo tenha contribuído para o seu aprendizado. Certamente a utilização das médias móveis pode facilitar a leitura dos gráficos, por isso é importante conhecer um pouco mais sobre esses indicadores.

Para aprender mais sobre a análise técnica continue acompanhando a FX Empire. A cada semana novos artigos educacionais como este serão publicados.

Este é o terceiro artigo de uma série de 10 onde serão apresentados os principais fundamentos do Price Action. Sendo que o primeiro artigo é justamente “Entendendo o Price Action”, o qual recomendo fortemente a leitura.