Mercado Asiático: Investidores mantém atenção com variante ômicron

Após o pânico na sexta-feira passada (26/11) que derrubaram as bolsas do mundo todo, os investidores arrefeceram os nervos nesta segunda-feira (29/11) com as notícias preliminares sobre a possibilidade da nova variante da Covid-19 (chamada de ômicron) ser mais leve do que a variante Delta.

Entretanto, não há, ainda, informações consolidadas sobre a variante, o que contribui para que a incerteza continue pairando no ar.

“As coisas definitivamente serão um pouco mais arriscadas daqui para frente”, disse John Vail, estrategista-chefe global da Nikko Asset Management, ao “Squawk Box Asia” da CNBC na segunda-feira.

“Esta variante, ao que parece, pode não ser tão horrível quanto o mercado pensou que seria na sexta-feira, mas ainda assim deve sacudir parte do excesso de risco assumido e talvez parte do excesso de consumo no mundo também as pessoas ficam um pouco mais cautelosas ”, disse Vail.

Com isso, as ações da Ásia-Pacífico (primeiras a abrirem no dia, sendo uma espécie de prévia para as demais) caíram nas negociações desta madrugada de segunda-feira.

No Japão, o Nikkei 225 caiu 1,63%. O Kospi da Coreia do Sul caiu 0,92%. As ações da Austrália também caíram, com o ASX 200 variando -0,54%. Na China, o Shanghai Composite caiu 0,039%.

Nova Variante descoberta na África do Sul

A variante ômicron do coronavírus foi reportada à OMS em 24 de novembro de 2021 pela África do Sul.

O primeiro caso confirmado foi de uma amostra coletada em 9 de novembro de 2021. De acordo com a OMS, a variante apresenta um “grande número de mutações”, algumas preocupantes.

A médica sul-africana que fez o primeiro alerta sobre a variante, Angelique Coetzee, citou sintomas leves em seus pacientes. 

Em entrevista ontem (28/11) ao jornal britânico “The Telegraph”, ela disse que notou um aumento de pessoas jovens e saudáveis com sinais de fadiga em seu consultório.

“Os sintomas que eles apresentavam eram muito diferentes e mais leves dos que eu havia tratado antes”, afirmou a profissional da saúde.

A OMS disse em um comunicado no domingo que ainda não está claro se a infecção com a variante covid do omicron causa doença mais grave em comparação com outras cepas, incluindo delta.

Apesar da baixa letalidade verificada até então, o cenário preocupa devido ao baixo índice de vacinação nos países africanos, o que pode contribuir para a proliferação do vírus e surgimento de novas variantes.

Na África do Sul, quase 24% da população está totalmente vacinada. Em Botsuana, menos de 20%. 

Para se ter noção, no Brasil, 60% da população tomou as duas doses da vacina ou a dose única.