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Atrasada, Cardano adota perfil mais discreto enquanto “arruma a casa”

Saldo é positivo, mas o tempo está passando

Não se enganem: o ano da Ada Cardano (ADA) segue sendo um enorme sucesso. A rede que nasceu com a proposta de desbancar a Ethereum (ETH) saiu de centavos de dólares no início do ano para bater a barreira dos US$ 3 no dia 2 de Setembro.

O bom desenvolvimento inicial da rede, associado a seu potencial e a sua boa colocação no mercado e na mídia (com esse último ponto sendo por conta do trabalho do CEO Charles Hoskinson), permitiram que investidores do mundo todo colocassem a Ada entre os principais artigos do mercado em tempo recorde.

A ascensão meteórica e o aumento drástico de demanda obrigaram os desenvolvedores da rede a prepararem o primeiro dos grandes passos da rede: o hard-fork realizado por meio da atualização “Alonzo” e a consequente abertura para o desenvolvimento de contratos inteligentes. O problema, entretanto, talvez tenha sido o timing.

Isso porquê logo depois da alta histórica, a já esperada correção de preço foi acompanhada das agressivas baixas sofridas pelos criptos após o turbulento início do Bitcoin (BTC) em El Salvador, no dia 7, e aos ataques da China aos ativos no decorrer dos dias seguintes.

De quebra, comentários de programadores indicavam que a rede Cardano não vinha respondendo tão bem aos testes disponibilizados para a atualização, o que além de pesar para a manutenção da baixa, levantou dúvidas sobre o seu real potencial. A soma de todos estes fatores fez com o outrora promissor preço de US$ 3 fosse derrubado para a casa dos US$ 1,90 em algumas oportunidades (sendo efetivamente fechado em US$ 1,98 em 21 de setembro).

Esperança de dias melhores, mas com ciência do atraso

Ao menos a alta generalizada ocorrida na virada entre os meses de setembro e outubro voltou a estabelecer o ativo mais seguramente acima dos US$ 2, apesar de ainda ser pouco perto das previsões mais otimistas, que vislumbravam os US$ 10 até o final do ano.

E fato é também que a Cardano também arregaçou as mangas e mostrou ao mundo suas reais intenções durante o Cardano Summit, evento de palestras e anúncios de novidades, como o desenvolvimento de uma stablecoin própria, novas etapas de certificação de projetos interessados em integrar a rede, o andamento da dApp store e, principalmente, a chegada de oracles por meio de parceria com a Chainlink.

Mas com os “gatos escaldado” desenvolvendo “medo de água fria” – como diriam os mais experientes – será necessário mais para a Ada recuperar algo próximo do patamar que vinha sendo desenhado mais cedo em 2021.

Pensando nisso, Hoskinson aposta inicialmente em uma tour pela África. O continente apresentou grande adesão à rede e, além de ser mais um mercado consumidor em considerável potencial, chama a atenção pelo número de start-ups promissoras que se baseiam na Cardano para explorar o potencial das blockchains.

Em questões mais práticas e técnicas, os desenvolvedores da rede ainda fazem os ajustes necessários para lidar com os problemas ocorridos nas fases de testes. A situação ainda é vista como um dos principais empecilhos para a Ada voltar a disparar, mas apesar da resolução definitiva não ter ocorrido ainda, os relatórios mais recentes indicam avanços que se aproximam do final dessa “batalha”.

Apesar de todos os pesares, a Ada Cardano ainda conta com um potencial absurdo, o que tende a manter o preço relativamente estável mesmo enquanto o mundo aguarda quando será seu despertar.

Pode ser relativamente tarde para o milagre de crescimento até o final de 2021, mas não somente é cedo demais para desistir da ideia, como a manutenção de valores mais acessíveis permite mais tempo e adesão ao fenômeno que está por vir. Só nos resta saber se a espera será muito mais longa do que o esperado.