Aumento dos juros longos nos EUA fortalece dólar, derruba ouro e estabiliza ações

Já faz um bom tempo que os investidores vêm olhando para o comportamento da política monetária dos EUA. As expectativas são de que os juros do Federal Reserve (Fed) aumentem antes do esperado.

No início da pandemia, a autoridade monetária norte-americana havia sinalizado que manteria os juros em zero ao menos até o fim de 2023, e não antes que a atividade econômica se recuperasse completamente.

Porém, a inflação e os sinais de recuperação do comércio têm feito com que os investidores globais começassem a imaginar que os juros poderão aumentar já em julho de 2022.

Com esse cenário em mente, os juros de 10 anos dos EUA vêm subindo constantemente desde o início de agosto, quando esteve em sua mínima no ano de 1,128%. Atualmente o rendimento está em 1,656%.

Juros longos pressiona ativos e fortalece dólar

De um lado, esse aumento dos juros longos vem afetando o ouro e as ações das bolsas dos EUA nos últimos dias, enquanto que o dólar passou a ser mais procurado pelos investidores.

No caso da commodity metálica temos que as taxas de juros mais altas significam aumento no custo de oportunidade de manter ouro na carteira, principalmente porque este ativo não paga rendimentos.

Algo semelhante ocorre com as ações da bolsa de valores. O S&P 500, principal índice acionário norte-americano, que vinha subindo sem parar desde o fim de março de 2020, tem encontrado um ponto de estabilidade nas últimas semanas.

O índice parece enfrentar uma resistência por volta dos 4.720 pontos e suporte ao redor dos 4.630 pontos. Uma queda abaixo deste patamar pode indicar uma correção mais forte das ações.

Por fim, temos o dólar como outro ativo influenciado pelos juros. Nas últimas semanas, a moeda dos EUA vem tendo uma valorização mais intensa frente às principais moedas mundiais.

Como o dólar é uma moeda universal, ocorre que a subida dos juros longos faz com que investidores do mundo todo busquem investimentos nesta moeda como forma de proteção ou especulação em relação ao futuro da política monetária.

Até às 16h38 desta terça-feira (23/10), o ouro caia 0,96%, cotado a US$ 1.789,00 a onça. O S&P 500 caia 0,28%, aos 4.669,80 pontos. Já o índice dólar ficava no zero a zero.

Em relação ao real, o dólar subia 0,38% agora no fim do pregão, cotado a R$ 5,60, após ter alcançado R$ 5,65 no meio do dia.