Fachada do Banco Central, em Brasília

Boletim Focus indica mais inflação em 2021

Com mais inflação, o boletim ainda atualizou as expectativas para o juro e o PIB. O juro sofreu uma correção para cima. Se antes as expectativas eram para uma Selic de 8,75%, agora já são de 9,25%.

O PIB sofreu uma correção para baixo, ficando em 4,94%. Lembrando que tudo isso são expectativas apontadas pelo boletim, não é a realidade do momento. As coisas podem ser melhores, ou ainda, piores.

Mais inflação, mais juro, menos crescimento.

A equação é perversa, quanto mais inflação, mais juro e tudo isso vai prejudicar a criação de novos negócios e de empregos. Portanto, é bem provável que as coisas estacionem e permaneçam estagnadas por um período.

Porém, como estamos tratando de expectativas, as coisas podem não terminar como o mercado presumi. Se o Brasil conseguir empregar um ritmo de crescimento mais acentuado, onde o PIB e a arrecadação mostram valores mais interessantes, é possível que o mercado ainda compre Brasil.

Como o índice Ibovespa vem patinando em 2021 e o USD/BRL vem subindo, a bolsa dolarizada está bem abaixo do seu valor do início de 2021.

Portanto, se lá no início do ano, as expectativas eram para crescimento e valorização, com a bolsa em queda, as ações estão “baratas”.

Assim, o momento atual vem se mostrando bem interessante para o investimento em bolsa, mas, como as coisas estão difíceis para o mercado de capitais, é importante dar atenção à renda fixa.

Foco na renda fixa

Se antes os maiores ganhos vinham da bolsa, agora a renda fixa vem ganhando protagonismo.

Com o juro em 2% ao ano, a bolsa gerava ganhos muito maiores que a renda fixa tradicional, porém a inflação está apertando e o juro está subindo.

Falava-se em juro na casa dos 8,25% até o final de 2021, mas agora o negócio já vem ganhando contornos mais dramáticos. Segundo o próprio boletim Focus, a Selic em 2020 pode chegar aos 10,25%.

Com esse cenário, os bancos e até o Tesouro Direto vêm oferecendo títulos de renda fixa com taxas muito atraentes.

No Tesouro Direto há opções pagando até 12% ao ano ou IPCA+5,5%. Já os produtos tradicionais de renda fixa, como é o caso do CDB, vem sendo ofertados com taxas que chegam aos 13% ao ano.

Vale destacar que antes de tomar qualquer decisão com relação ao investimento, é bom analisar bem a instituição e o vencimento dos títulos. Quando mais longo for o vencimento, mais arriscado se torna o investimento.

Como as taxas estão sendo corrigidas com certa frequência, devido a deterioração das expectativas, oportunidades de curto a médio prazo vêm surgindo. Fique de olho.