Bolsas asiáticas caem com alerta de nova variante da Covid-19

As bolsas asiáticas fecharam com forte queda nesta sexta-feira (26/11) com as preocupações envolvendo a nova variante do coronavírus no radar. 

A região da Ásia Central, juntamente com a Europa, já vinha sofrendo nos últimos dias com o avanço da variante Delta.

Para piorar a situação, há uma semana atrás foi detectada, por cientistas na África do Sul, uma nova variante que pode ter maior poder de proliferação e resistência às vacinas. 

Com isso, o medo se instalou nos mercados e derrubaram as bolsas. No Japão, o Nikkei 225 caiu 2,53%. Na Austrália, o ASX caiu 1,73%. Na China, o Shanghai Composite fechou com queda de 0,56%.

Nova variante surge na África do Sul

A Grã-Bretanha disse nesta quinta-feira que está preocupada com a disseminação de uma variante do coronavírus recentemente identificada na África do Sul.

A justificativa é que esta nova variante, chamada de B.1.1.529, pode tornar as vacinas menos eficazes e colocar em risco os esforços de combate à pandemia.

A Agência de Segurança de Saúde do Reino Unido (UKHSA) disse que a variante tem uma proteína de pico que era totalmente diferente daquela do coronavírus original em que as vacinas COVID-19 se baseiam.

“Esta é a variante mais significativa que encontramos até agora e uma pesquisa urgente está em andamento para aprender mais sobre sua transmissibilidade, gravidade e suscetibilidade à vacina”, disse a presidente-executiva do UKHSA, Jenny Harries.

A variante foi identificada pela primeira vez no início desta semana, mas a Grã-Bretanha se apressou em introduzir restrições de viagens na África do Sul e cinco países vizinhos.

Desta vez, as medidas de segurança foram adotadas bem mais rapidamente do que com a variante Delta, que atualmente é dominante entre os infectados pelo vírus na Europa.

“O que sabemos é que há um número significativo de mutações, talvez o dobro do número de mutações que vimos na variante Delta”, disse o secretário de Saúde Sajid Javid às emissoras.

“E isso sugere que pode muito bem ser mais transmissível e as vacinas atuais que temos podem ser menos eficazes.”

Investidores cautelosos

O pânico inicial com o surgimento da pandemia, no início de 2020, parece ter gerado “sequelas” nos investidores dos mercados financeiros.

Antes, o fator “pandemia” dificilmente entrava na conta de risco dos agentes econômicos. Porém, o simples rumor de uma variante tem sido suficiente para causar uma debandada do risco.

Isso porque uma nova onda poderá levar à retomada das medidas de restrição do comércio e circulação de pessoas, mesmo com o avanço das vacinas. 

Para Ray Attrill, chefe de estratégia de câmbio do National Australia Bank em Sydney, os mercados têm ficado mais atentos em relação a qualquer informação referente ao vírus.

“O gatilho foi a notícia desta variante COVID e a incerteza sobre o que isso significa. Você atira primeiro e faz perguntas depois, quando esse tipo de notícia surge.”