Notas de dólar e real

Com cenário externo favorável, dolar cede ante o real.

O preço do dólar já vem preocupando os integrantes do BC (Banco Central) há algum tempo. Mesmo com os aumentos recorrentes da taxa Selic, a moeda norte-americana continua subindo perante o real e em outubro disparou após acionar um pivô de alta.

Esta dinâmica de preços já foi explicada com maiores detalhes no artigo “Copom eleva a Selic, mas o tiro sai pela culatra”.

Semana de reunião do FOMC.

Nesta semana houve uma nova reunião do FOMC (Federal Open Market Committee), o que trouxe ainda mais agitação para o mercado.

Na quarta-feira (3/11), o dólar futuro cedeu bastante e voltou para o centro do canal em que vem trabalhando. No dia seguinte, porém, voltou a subir com força, mas recuperando apenas metade da queda do dia anterior.

Hoje, com um novo dia de queda, o ativo acionou um pivô de baixa no gráfico horário. Isto pode dar continuidade ao movimento de queda.

Como pode ser observado, o dólar quase foi até o primeiro alvo do pivô acionado no gráfico horário. Porém, o ativo se segurou na região de fundos, visto que se trata de um suporte muito importante.

Ainda assim, o padrão acionado no gráfico horário é bastante poderoso e por isso a expectativa ainda é de queda.

Trata-se de um pivô de baixa alinhado com a média móvel de 20 períodos. Como mostrado no gráfico, o ativo fez um forte movimento de queda após perder a média de 20, tentou subir, mas não conseguiu romper a média e voltou a cair perdendo o fundo.

Este padrão é um dos mais confiáveis da análise técnica. Deste modo, é esperado que na próxima semana o dólar faça um novo movimento de queda. Pelo menos até alcançar o primeiro ou o segundo alvo do pivô.

Cenário externo favorável.

O cenário externo contribuiu para a queda do dólar no dia de hoje.

Com a ata do FOMC, os Bonds americanos iniciaram um movimento mais acentuado de baixa. Isto normalmente faz com que o dólar se desvalorize perante outras moedas, visto que existe uma correlação direta entre o dólar e o tesouro norte-americano.

No artigo “Bonds americanos finalmente dão trégua?” foi apresentada a dinâmica de preços dos Bonds americanos.

A contínua alta do S&P500, que já vem a 7 dias rompendo máximas, também contribui para a queda do dólar, pois indica que os investidores estão com mais confiança em relação ao mercado de renda variável. Ou seja, estão tirando o dinheiro da renda fixa e aplicando em renda variável.

Com toda essa força contrária, o DXY também cedeu hoje. O DXY é um índice que compara o dólar a uma cesta de moedas. A queda deste índice ajuda o real a se valorizar perante a moeda norte-americana.

Caso o cenário externo continue favorável, é possível que finalmente o dólar pare de subir e faça um movimento de correção.