Expectativa de queda na inflação abre margem para ganhos na bolsa

Após incontáveis altas nas expectativas de inflação, o relatório Focus desta segunda-feira (13/12) mostrou, pela primeira vez, o que parece ser uma luz no fim do túnel da trajetória de descontrole inflacionário brasileiro.

Para 2021, os agentes de mercado aguardam uma alta do nível geral de preços de 10,05%, enquanto que até a semana passada, as expectativas indicavam uma inflação de 10,18%.

A queda das expectativas veio na esteira da divulgação do dado de IPCA de novembro, que foi de 0,95% no mês, enquanto que o mercado esperava uma alta de 1,08%.

A diminuição das projeções de inflação ainda é baixa, porém tem um efeito simbólico considerável, pois é a primeira vez no ano que os agentes de mercado enxergam o arrefecimento do IPCA.

Vale destacar que o IPCA de novembro poderia ser bem melhor se não fosse o aumento do preço dos combustíveis, o qual respondeu por praticamente 75% da alta total do índice.

Ítens importantes, como alimentos e bebidas e gastos pessoais tiveram queda, de 0,05% e 0,57% respectivamente.

Política monetária

O arrefecimento da inflação é um indicador positivo para investidores do mercado financeiro que passam a ter a expectativa de uma pressão menor sobre a taxa de juros básica da economia.

Com isso, os agentes de mercado começam a esperar que o Banco Central terá menos trabalho para colocar a inflação no lugar.

Inclusive, a queda da inflação sugere que os efeitos dos aumentos recentes da Selic já estão fazendo efeito, e que, por isso, devemos ter aumentos menores dos preços nos próximos meses.

Soma-se a isso, os dados ruins do PIB do terceiro trimestre, que vieram mais fracos que o esperado, se tornando, assim, um fator adicional no alívio das pressões de demanda sobre os preços.

Seja como for, a expectativa de juros menores no futuro somente se manterá caso o IPCA mantenha o ritmo de desaceleração nos próximos períodos.

O menor sinal de que o descontrole dos preços seguirá em frente poderá colocar em xeque a credibilidade da política monetária e, consequentemente, derrubar o mercado de capitais.

Inflação menor ajuda Ibovespa

Até então, o receio com o descontrole dos preços estava penalizando fortemente a bolsa de valores.

O medo dos investidores era de que o Banco Central precisasse aumentar muito os juros para levar a inflação até a meta estabelecida pelo COPOM (Comitê de Política Monetária).

O caminho ainda é longo, visto que a meta é de 3,75% e que só deverá ser alcançada em 2023.

Porém, a ligeira melhora já é suficiente para derrubar as taxas dos títulos de renda fixa mais longos. O Tesouro Prefixado 2024, por exemplo, já está com rendimento anual de 10,58%. É uma queda considerável em comparação com as taxas pagas no final de novembro (12,18% em 22/11).

Isso é um incentivo importante para os investidores de renda variável, em especial aqueles que aplicam na bolsa de valores. 

Desde o primeiro pregão do mês de dezembro (01/12), o Ibovespa já acumula alta de cerca de 8%, mas ainda está bem descontado em relação ao pico de 130 mil pontos, patamar em que esteve em junho de 2021.

Nesta segunda-feira (13/12), o índice disparou 1,6% no início da sessão, destoando do desempenho dos principais mercados mundiais. Porém, os ganhos começaram a se reverter depois que as bolsas nos EUA estenderam a baixa.

Às 14h38 o Ibovespa seguia no zero a zero, cotado a 107.780 pontos.