Ideia de ensinar sobre criptos em NY precisa ser emulada no Brasil

Adams prepara NY para os criptoativos

Eric Adams, prefeito recém-eleito da cidade de Nova Iorque, vai se consolidando com uma das lideranças mais pró-criptos de todo o mundo. Na semana passada já havia anunciado a intenção de receber seu salário em Bitcoin (BTC), enquanto nessa terça-feira (9) externou seu desejo de colocar estudos sobre criptomoedas e blockchains no currículo escolar da cidade.

“Criptos são um novo meio de pagar por produtos e serviços em alcance mundial”, disse Adams durante a justificativa de sua ideia para a educação financeira. “É um novo jeito de pensar e entender as coisas. Quero manda um sinal para o mundo. NY é um centro de inovação tecnológica e mesmo assim, quando falo de criptoativos, até jovens tem muitas dúvidas”, justificou.

Não se limitando somente à Nova Iorque, toda a nação estadunidense vem assumindo ainda mais protagonismo no mercado mundial de criptos. Após a debandada chinesa, tomou a frente do volume de mineração mundial e recebeu boa parte das empresas e projetos que giravam em torno das blockchains na China.

Mas o crescimento da potência norte-americana no cenário vai além da questão estrutural e leva a “novidade” já para o debate social.

Foi encaminhada nos últimos dias ao presidente Joe Biden a primeira versão (que aliás, gerou muita discordância) do projeto de lei que visa a regulamentação do uso de criptomoedas no país.

Mais cedo, ainda em outubro, foi a própria bolsa de Nova Iorque (NYSE) a primeira intercontinental a operar com ETF de futuros em Bitcoin, enquanto grandes empresas como Walmart se preparam para receber pagamentos em BTC e o antigo Facebook Inc, agora Meta Platforms, dá seus primeiros passos rumo ao metaverso.

Brasil pode ser destaque, mas precisa se preparar

Com todos estes aspectos em vista, não é absurdo imaginar Nova Iorque e os Estados Unidos na linha de frente da nova era tecnológica que inevitavelmente virá. Contudo, é muito importante destacar a importância de um projeto de educação como este em todo o mundo, com ênfase ainda maior para a América Latina e enfoque especial no Brasil.

Ocupando o 12º lugar no ranking das principais economias mundiais em março, o maior e mais rico país da AL apresentou em setembro os números mais positivos das Américas do Sul e Central em pesquisas que buscavam os povos com maior receptividade aos criptoativos, com somente 9% dos entrevistados se opondo diretamente à um cenário de adesão oficial ao Bitcoin e seus similares.

Em contrapartida, o país amarga a 74ª colocação no ranking mundial de educação financeira geral, enquanto em recortes mais específicos que focam no conhecimento sobre criptoativos, 99% dos brasileiros que responderam ao questionário feito pela plataforma CryptoLegacy não responderam corretamente perguntas básicas sobre blockchains, criptoativos e afins.

Com a economia nacional vivendo queda brusca, batendo recordes negativos históricos de quedas no PIB nos últimos 2 anos, o povo brasileiro não pode se dar ao luxo de perder uma oportunidade real de revitalizar desde sua economia popular até os mais altos modelos econômicos.

A modesta El Salvador não tinha metade do potencial que o Brasil possuía, e em pouco tempo colhe frutos da adesão aos criptoativos em sua realidade. Salvadorenhos agora desfrutam desde grandes obras inteiramente financiadas por parte dos lucros obtidos com o Bitcoin em pouco mais de dois meses, até o combate à baixa bancarização rumo ao crescimento exponencial de transações livres de taxas e o aumento geral de conhecimento econômico.

Obviamente, é muito mais fácil sentir logo de cara os impactos da novidade em um país de população e economia consideravelmente menores. Mas o importante para governo, economia e até educação brasileira, é tomar conhecimento de que os criptoativos invariavelmente virão e que geralmente são extremamente positivos para aqueles preparados a lidar com eles.

Em um cenário de crise que deve ainda se arrastar por algum tempo, o Brasil não pode se dar ao luxo de perder uma oportunidade como essa. A melhor ferramenta que temos para garantir a integração dos brasileiros nessa nova época econômica e tecnológica – com protagonismo, vale ressaltar –  é justamente a educação.