O presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto

O que esperar do Banco Central com o fim do teto de gastos?

Não é de hoje que o presidente do BC, Roberto Campos Neto, se mostra incomodado com os rumos da política fiscal implementada pelo governo federal.

Vários foram os recados dados por Campos Neto nos últimos meses sobre os riscos do desequilíbrio fiscal em relação ao controle inflacionário.

Em agosto, o presidente do BC disse que “A coisa mais importante em um país que tem o nível de dívida que o Brasil tem é passar uma mensagem de credibilidade fiscal. É essa mensagem é que vai permitir ao BC fazer o trabalho com o menor nível de juros e maior eficiência”.

Há duas semanas atrás, Campos Neto voltou a mostrar insatisfação com as decisões do governo.

“Credibilidade é super importante. Eu sempre dizia que o BC não era piloto, que o piloto era o fiscal. Mas o que eu queria dizer é que o fiscal é muito importante nesse momento para a gente ganhar credibilidade, para poder aumentar a transmissão de política monetária”, comentou em evento na Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

O receio com o descontrole fiscal pode, inclusive, ofuscar os dados econômicos mais fracos, como o arrefecimento da maioria dos componentes do IPCA e queda da atividade econômica.

O diretor de Política Econômica do Banco Central, Fabio Kanczuk, deu indícios de que se o teto de gastos for mesmo rompido, o aperto monetário poderá ser intensificado caso os problemas de gastos do governo indiquem uma pressão maior sobre a inflação.

Em evento promovido pelo banco JPMorgan, Kanczuk disse que “a reação de política monetária à maior probabilidade de cenário de risco fiscal para nós não há dúvida que é uma política monetária mais apertada”.

Na ocasião, sugeriu-se que o BC poderia, inclusive, optar por um aumento maior na Selic caso entenda que o cenário inflacionário para 2022 piore. 

Recentemente, as últimas decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) têm levado a taxa básica de juros a aumentar gradualmente em 1 ponto percentual em cada reunião. 

Neste caso, se entender como necessário, a autoridade monetária poderá passar a considerar um ritmo mais firme de aperto monetário, passando a reajustar a Selic não mais em 1%, mas sim em 1,25%.

A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 26 e 27 de outubro.

De acordo com o parecer do último encontro, a expectativa é de que o novo aumento seja de 1%, visto que a inflação no Brasil segue em alta. Porém, como surpresas são sempre possíveis, um aumento de 1,25% começa a ser aventado no mercado.