Petrobras em situação interessante.

O preço do barril de petróleo Brent vem subindo por um canal de alta desde abril de 2020, quando fez mínima após a forte queda ocorrida devido à pandemia. Entre a mínima e a máxima, o ativo já subiu mais de 420%, e o cenário é propício para que continue subindo ainda mais.

Conforme mostrado no gráfico semanal, com a movimentação de alta dos últimos dias o ativo acionou um pivô de alta que tem como terceiro alvo a região dos 100 dólares por barril, nível de preço que não é alcançado desde 2014.

Com o inverno se aproximando no hemisfério norte e a crise energética se agravando, fica difícil imaginar o preço do petróleo fazendo uma correção mais acentuada no curto prazo.

E a Petrobras?

Observando o gráfico semanal da Petrobras com os valores em dólar, é notado que o preço das ações não está acompanhando a alta do petróleo, ou pelo menos não com a mesma intensidade.

Enquanto o petróleo subiu mais de 420%, a Petrobras subiu cerca de 170%. Além disso, considerando os preços dos ativos antes da pandemia, o petróleo está cerca de 20% acima do topo formado em janeiro de 2020, e a Petrobras permanece mais de 20% abaixo.

Sem dúvida o que está fazendo com que as ações não subam com maior intensidade é a maior margem de segurança exigida pelos investidores. Além de todos os problemas políticos e econômicos do país, que fazem com que o real se desvalorize perante o dólar, o controlador da Petrobras continua sendo o governo brasileiro, o que também gera incertezas quanto ao rumo da companhia.

Porém, o fato é que nos patamares atuais, a empresa está com múltiplos fundamentalistas muito atraentes.

O lucro por ação esperado para o ano é de R$7,85 e o dividend yield na casa dos 8,4%. Além disso, o preço sobre valor patrimonial está em apenas 1,05, menor nível desde 2018. O ROE projetado para 2021 é de 28,75%, maior até mesmo que em 2008, quando foi descoberto o pré sal.

É claro que o “risco Brasil” deve ser levado em consideração, mas se o petróleo continuar subindo e o dólar se manter nos patamares atuais, a Petrobras tem tudo para subir com força nos próximos meses, caso isso não ocorra, pelo menos os dividendos serão generosos.