Petróleo cai com expectativas de excesso de oferta em 2022

A situação parece estar se normalizando no mercado de petróleo, o que tem contribuído para a acomodação dos preços na região próxima dos US$ 70.

De acordo com as previsões de analistas do mercado, o equilíbrio do mercado de petróleo deverá começar a ser afetado pelo excesso de oferta em relação a demanda já neste mês de dezembro.

Essa situação, da oferta excedendo a demanda, deverá permanecer também no primeiro trimestre de 2022.

Essa é a opinião dos analistas do Commerzbank, um dos maiores bancos comerciais da Alemanha, e da Agência Internacional de Energia (IEA).

Nesta quarta-feira (15/12), o petróleo Brent operava próximo à estabilidade, com ligeira queda de 0,12%, cotado a US$ 73,63. O mesmo rumo seguia o WTI, com queda de 0,17% e cotação de US$ 70,56. 

Os traders ainda seguem avaliando o impacto potencial da ômicron na demanda global de petróleo em meio a sinais crescentes de que um excesso de oferta no mercado.  

Estimativas

Para o Commerzbank, o Brent deve cair para US$ 70 por barril, devido a previsão de excesso de oferta de petróleo no primeiro trimestre de 2022.

A mesma perspectiva tem a Agência Internacional de Energia (IEA). Em seu relatório mensal, divulgado ontem (14/12), a agência disse que a produção global de petróleo deveria superar a demanda em dezembro, liderada pelo crescimento nos EUA e nos países da OPEP+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados).

“O alívio necessário para os mercados apertados está a caminho, com a oferta mundial de petróleo definida para superar a demanda a partir deste mês”, observou a IEA.

O cenário de excesso de oferta ocorre mesmo com a retirada mais lenta dos cortes de produção por parte da OPEP+.

Se a OPEP+ continuar no ritmo atual de crescimento da produção, o primeiro trimestre de 2022 terá um superávit de 1,7 milhão de barris por dia (bpd), e o excesso de oferta poderá crescer para 2 milhões de bpd no segundo trimestre de 2022, segundo a agência.

“Se isso acontecesse, 2022 poderia, de fato, ser mais confortável”, disse a IEA.  

A agência acredita que o aumento nos casos de COVID-19 deve desacelerar temporariamente a recuperação na demanda global de petróleo. Entretanto, o impacto da variante ômicron provavelmente será mais silencioso do que as ondas anteriores e não  deve afetar a recuperação da demanda atual. 

Ainda, a IEA revisou ligeiramente para baixo – em 100.000 bpd – sua previsão de crescimento da demanda para este ano e no próximo. 

Em 2021, a agência espera que a demanda de petróleo aumente 5,4 milhões de bpd em relação a 2020, e outros 3,3 milhões de bpd em 2022, atingindo os níveis pré-pandemia, que era de 99,5 milhões de bpd.

Expectativas da OPEP

Embora a IEA acredite em uma recuperação mais lenta da demanda global por petróleo, a OPEP continua confiante de que a demanda continuará a se recuperar fortemente de seus pontos baixos da pandemia.

Esta semana, a OPEP elevou sua previsão de demanda global de petróleo para o primeiro trimestre de 2022, argumentando que a ômicron teria apenas um impacto moderado e breve. 

Em seu relatório mensal, a OPEP espera que a demanda mundial de petróleo atinja uma média de 100,8 milhões bpd em 2022, superando as previsões da IEA e o nível pré-pandêmico de 2019.