Petróleo desaba com notícias da nova variante do coronavírus

Os preços do petróleo caem drasticamente nesta sexta-feira (26/11) com o temor de que a nova variante do coronavírus identificada na África do Sul se mostre mais transmissível e evite vacinas com mais facilidade.

Essa notícia se junta ao contexto de incertezas quanto à recuperação da economia mundial e especulações envolvendo apertos monetários por parte dos principais bancos centrais, visto que a inflação é resistente em praticamente todo o mundo.

Em relação à commodity energética, temos também o embate entre os EUA e a OPEP+ no que tange o aumento da oferta de petróleo com o objetivo de diminuir os preços.

Diante desse cenário nebuloso, os futuros do Brent e do WTI desabam agora na parte da manhã. Até às 12h13, o Brent caía 7,69%, cotado a US$ 75.588 o barril, enquanto o WTI despencava -8,24%, aos US$ 72,107.

Nova variante desencadeia fuga para a segurança

O pânico inicial com o surgimento da pandemia, no início de 2020, parece ter gerado “sequelas” nos investidores dos mercados financeiros.

Se antes o fator “pandemia” dificilmente entrava na conta de risco dos agentes econômicos, agora ocorre que o simples rumor de uma variante tem sido suficiente para levar investidores a realizar a venda de ativos menos líquidos, como commodities e ações, e correr para a segurança, como dólar e ouro

Esse pânico se deve porque uma nova onda de contaminação poderá levar à retomada das medidas de restrição do comércio e circulação de pessoas, mesmo com o avanço das vacinas. 

Caso se confirmem as especulações sobre a capacidade de transmissão e resistência às vacinas, o impacto inicial da nova variante provavelmente será o prolongamento dos controles de viagens e atraso na recuperação na aviação internacional e no consumo de petróleo. 

O que se sabe da nova variante da Covid-19?

A Grã-Bretanha disse nesta quinta-feira (16/11) que está preocupada com a disseminação de uma variante do coronavírus recentemente identificada na África do Sul.

A justificativa é que esta nova variante, chamada de B.1.1.529, pode tornar as vacinas menos eficazes e colocar em risco os esforços de combate à pandemia.

A Agência de Segurança de Saúde do Reino Unido (UKHSA) disse que a variante tem uma proteína de pico que era totalmente diferente daquela do coronavírus original em que as vacinas COVID-19 se baseiam.

“Esta é a variante mais significativa que encontramos até agora e uma pesquisa urgente está em andamento para aprender mais sobre sua transmissibilidade, gravidade e suscetibilidade à vacina”, disse a presidente-executiva do UKHSA, Jenny Harries.

A variante foi identificada pela primeira vez no início desta semana, mas a Grã-Bretanha se apressou em introduzir restrições de viagens na África do Sul e cinco países vizinhos.

Desta vez, as medidas de segurança foram adotadas bem mais rapidamente do que com a variante Delta, que atualmente é dominante entre os infectados pelo vírus na Europa.

“O que sabemos é que há um número significativo de mutações, talvez o dobro do número de mutações que vimos na variante Delta”, disse o secretário de Saúde Sajid Javid às emissoras.

“E isso sugere que pode muito bem ser mais transmissível e as vacinas atuais que temos podem ser menos eficazes.”