Política monetária: Dólar segue firme após falas de membros do Fed

As declarações de hoje do vice-chairman do Federal Reserve (Fed) Richard Clarida e do diretor Christopher Waller fortaleceram as expectativas de uma provável aceleração na política monetária contracionista nas próximas reuniões.

Com isso, os investidores correram para o dólar, o que contribuiu para que a moeda americana ultrapassasse os R$ 5,60, chegando a valorizar 0,83% às 16h35 de hoje (19/11).

O Dollar Index, índice que avalia o dólar dos Estados Unidos em comparação com uma cesta com as principais moedas do mundo, também subiu, ultrapassando os 96 mil pontos, com valorização de 0,49% no dia.

Waller e Clarida defendem dobrar velocidade de redução de compra de títulos

O diretor do Federal Reserve Christopher Waller disse nesta sexta-feira que o banco central dos EUA poderia dobrar o ritmo de redução de suas compras de títulos em janeiro.

Isso levaria a instituição a encerrar a política de quantitative easing até abril e dar início ao processo de aumento de juros. 

“Se você dobrar o ritmo de redução de estímulos em janeiro, poderá terminar no início de abril e isso lhe trará espaço de política monetária, se necessário. Não estou dizendo que precisamos disso, mas se você concluir a redução de estímulos, poderia ter um aumento de juros já no segundo trimestre”, disse Waller após discurso no Centro para Estabilidade Financeira, em Nova York.

A mesma análise fez o vice-chair do Fed, Richard Clarida. 

Segundo ele, em discurso feito nesta sexta-feira na Conferência de Política Econômica da Ásia de 2021 do Fed de San Francisco, “pode ​​muito bem ser apropriado” discutir a aceleração da redução das compras de ativos pelo banco central dos Estados Unidos em sua próxima reunião, em dezembro.

A justificativa para o comportamento hawkish é que há risco de alta para a inflação e a economia está “em uma posição muito forte” para suportar o aumento dos juros.

Venda de dólares pelo BC brasileiro

No Brasil, o destaque ficou por conta da fala de Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central do Brasil (BC), em sua participação no evento Meeting News, organizado pelo Grupo Parlatório nesta sexta-feira.

Na ocasião, Campos Neto respondeu às críticas sobre a falta de intervenção do BC no mercado cambial. Para ele, a atual gestão é a que mais vendeu câmbio, com as intervenções já feitas somando mais de US$ 80 bilhões, sem contar as operações já anunciadas relacionadas à demanda do overhedge

“Já vendemos US$ 80 bilhões em reservas. Até o fim do ano deve chegar a US$ 90 ou US$ 100 bilhões”, disse Campos Neto.

Para o presidente do BC as intervenções seguem regras bem definidas, devendo a instituição agir apenas quando há disfuncionalidade ou falta de liquidez no mercado. 

“Intervenção do câmbio atenua movimentos, mas não muda a trajetória. À medida que geramos credibilidade, a volatilidade do câmbio tende a cair. Câmbio é flutuante, o que é importante para absorver choques.”

Campos Neto finalizou dizendo que “o câmbio é um preço que avalia equação de risco e retorno” e que será preciso que o país volte a ser atraente para os investidores estrangeiros para o real se valorizar.