Prévia do IPCA cai em dezembro e queda de juros em 2022 entra no radar

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) subiu 0,78% em dezembro e encerrou o ano de 2021 com alta acumulada de 10,42%.

A informação foi divulgada hoje (23/12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e é considerada uma prévia da inflação oficial. 

O valor veio em linha com o esperado por economistas do mercado, que estimavam uma alta de 0,8% dos preços. 

Em 12 meses, o indicador apresentou alta de 10,45%, uma queda frente aos 10,73% verificados em novembro. Ainda assim, o resultado foi o maior acumulado do ano desde 2015.

Dos 9 grupos de produtos e serviços pesquisados, 7 apresentaram alta em dezembro.

A maior variação veio do grupo de Transportes (2,31%), que encerrou o ano com alta acumulada de 21,35%. O resultado foi influenciado principalmente pelos preços dos combustíveis (3,40%).

Com a queda do petróleo no mercado internacional desde o fim de outubro, a esperança é que a gasolina e demais combustíveis acompanhem o ajuste.

Inclusive já é possível ver uma baixa nos postos. Porém, a queda ao consumidor final ainda é considerada pequena frente à baixa de mais de 10% no preço do barril de petróleo.

Impactos na política monetária

A queda da inflação, medida pelo IPCA-15, indica um arrefecimento da pressão inflacionária. 

Embora a desaceleração tenha sido em linha com as expectativas do mercado, foi suficiente para reforçar o discurso de alguns analistas sobre uma possível flexibilização no aperto monetário realizado pelo Banco Central.

Para Luiz Fernando Figueiredo o ex-diretor de política monetária do Banco Central e sócio da Mauá Capital, os juros poderão subir menos no futuro, ou ao menos em um ritmo mais lento, caso o aumento dos preços seja menor nos próximos meses.

Para ele, os dados decepcionantes da atividade econômica também têm ajudado a diminuir os preços, além de indicar os efeitos do aumento dos juros na demanda.

Esse conjunto de fatores, portanto, justifica um cenário futuro de menor aumento da Selic.

“Pela primeira vez, existe uma chance concreta de a gente estar num início de uma inflação menor. Se essa for a verdade, se for realmente o caso, diria que passa a ser provável que o Banco Central não tenha que subir 150 pontos”, disse Figueiredo.

Quem compartilha dessa mesma opinião é Rafaela Vitória, economista-chefe do Banco Inter. Para ela, o Banco Central deve maneirar a mão na alta dos juros já nas próximas reuniões.

“Nosso cenário base é uma alta de 1,0 p.p. em fevereiro e 0,75 p.p. em março, que pode até ser menor se as expectativas seguirem a leitura de inflação corrente desacelerando (já que BC está muito focado nas expectativas)”.