Queda no setor de serviços impulsiona Ibovespa

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou nesta terça-feira os dados do setor de serviços para o mês de outubro. Novamente, os números vieram ruins, com queda mensal de 1,2%. O mercado estimava uma baixa de apenas 0,1%.

É o segundo mês consecutivo que o setor de serviços cai na variação mensal. Em setembro, a queda foi de 0,7% em relação a agosto.

Em 12 meses, o setor cresceu 8,2%. Já no acumulado anual, o crescimento foi de 11%. Com isso, os serviços se encontram em patamar de 2,1% acima do pré-pandemia.

A queda do setor de serviços, um dos componentes de maior peso no PIB, é um forte indicativo de desaceleração econômica. 

A notícia animou os mercados, pois sugere uma pressão menor sobre o Banco Central e os juros no futuro.

Até às 11h o Ibovespa subia 1,55%, ultrapassando os 108 mil pontos. O desempenho do mercado de capitais brasileiro destoava das bolsas mundo afora, que caíam na expectativa da decisão do Fed em relação à política monetária norte-americana.

Já o dólar caía 0,72%, cotado a R$ 5,63.

PIB em baixa é estímulo para a bolsa

A reação dos mercados a cada resultado negativo sobre o PIB – que têm levado à subida do Ibovespa e à queda dos juros dos títulos longos do Tesouro Direto – tem sido um indicativo relevante de que o mercado espera um ajuste monetário mais brando pela frente.

Pode parecer contra intuitivo, mas, na maioria das vezes, a bolsa de valores costuma subir bastante quando a economia vai mal.

Isso porque os investidores estão sempre procurando a melhor alocação com base nos rendimentos pagos pelos diversos ativos. Com a atividade econômica indo de mal a pior, temos um alívio na pressão sobre a inflação e, consequentemente, na taxa de juros.

Sabemos que o Banco Central prioriza o combate à inflação na sua tomada de decisão sobre a política monetária. Porém, o aumento dos juros tem um custo, que é a desaceleração econômica.

Esse custo, por sua vez, pode ficar caro demais a partir de certa medida. E é justamente isso que está acontecendo no Brasil.

O aperto monetário tem gerado efeitos desproporcionais sobre a inflação e o PIB, ou seja, a desaceleração da atividade econômica tem sido bem maior do que a queda da inflação.

No segundo e terceiro trimestre, o PIB brasileiro caiu 0,4% e 0,1%, respectivamente.

Já a inflação tem apresentado uma ligeira melhora, o que poderia ser melhor se não fosse a disparada dos combustíveis. Em novembro, os preços de alimentos, bebidas e gastos pessoais caíram e contribuíram para um IPCA mais baixo do que o esperado.

Seja como for, o fato é que a desaceleração econômica começa a gerar incômodo no governo, com um custo político bastante elevado.

Com isso em mente, faz sentido esperar que em 2022 o Banco Central do Brasil possa optar por levar a Selic para um patamar menor do que o estimado atualmente pelo mercado, que é de 11,50%, de acordo com o último relatório Focus.