Mercado Diário - 06/02/2018

S&P sobe com resultados corporativos; Ibovespa cai com receio sobre déficit fiscal

Os índices de ações dos EUA ganharam força nesta terça-feira, uma vez que as principais empresas continuaram a relatar fortes lucros no terceiro trimestre.

Os resultados foram importantes para diminuir as preocupações com os casos persistentes da Covid-19 e os custos crescentes derivados dos diversos choques de oferta.

Como resultado, o S&P 500 subia 0,75% até às 16h21. Já o Dow Jones Industrial Average subiu cerca de 175 pontos, ou 0,5%. O Nasdaq Composite avançou 0,7%.

O otimismo com os resultados corporativos fizeram com que as ações americanas se recuperarem das perdas de ontem, após os dados ruins da atividade econômica chinesa.

Já no Brasil, as negociações seguiram rumo contrário, tendo o Ibovespa mergulhando em queda de 3,32% no fim do pregão. 

No radar estavam as preocupações do mercado com as contas públicas do governo e o futuro do teto de gastos públicos.

Resultados corporativos nos EUA

A temporada de resultados começou nos EUA. Os resultados têm servido para avaliar como as empresas lidaram com as interrupções nas cadeias de suprimentos e o aumento das infecções por coronavírus no último trimestre.

Até o momento, 82% das empresas S&P 500 que relataram lucros nesta terça-feira superaram as expectativas, de acordo com a FactSet. 

Ainda de acordo com a FactSet, os relatórios de hoje e as estimativas para os que virão indicam um crescimento médio dos lucros no terceiro trimestre de 30%.

O dia começou com a divulgação dos resultados da Johnson & Johnson, com um lucro no terceiro trimestre que superou as expectativas.

A empresa apurou lucro líquido de US$ 3,67 bilhões no terceiro trimestre de 2021, uma alta de 3,2% em relação a igual período de 2020.

Quem também teve resultado acima das expectativas foi a Procter & Gamble, com lucros melhores do que o esperado. 

O resultado divulgado foi de um lucro líquido de US$ 4,11 bilhões no último trimestre, 4% menor do que o ganho de igual período do ano passado.

A gigante dos produtos de consumo disse que está aumentando os preços para cobrir o aumento dos custos das commodities e do frete e alertou que a inflação pode continuar.

Ruptura do teto de gastos e risco fiscal

No Brasil, o sentimento de pessimismo bateu forte nos mercados hoje. Além da queda no Ibovespa, o mal-estar dos mercados também afetou o câmbio.

O dólar chegou a ser cotado acima de R$5,60, com aumento de cerca de 1,62%.

Essa alta é explicada pelas movimentações do governo para expandir os gastos com o Bolsa Família, que passará a se chamar Auxílio Brasil.

Uma fonte próxima ao governo afirmou que o novo auxílio do governo federal será de R$ 400,00, com uma parte desse valor sendo paga por fora do teto de gastos.

Segundo essa fonte, o Auxílio Brasil manterá seu orçamento de R$ 34,7 bilhões, conforme já era previsto para o ano que vem. 

Porém, a mudança é que o programa alcance 17 milhões de famílias, ante 14 milhões atualmente. 

Para elevar os valores pagos aos beneficiários, será criado um auxílio temporário, ao custo de cerca de R$ 50 bilhões. 

Dessa forma, o arranjo desenhado pelo governo estabelece que parte do auxílio será pago dentro do teto de gastos e parte fora. 

No geral, o gasto adicional não fere a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), pois, por ter duração delimitada, esse gasto não precisa de compensação.

Com esse planejamento estipulado pelo governo, não será mais necessário a aprovação da tributação dos dividendos para compensar os gastos com o auxílio, conforme proposto na reforma do impostos de renda.