Taesa (TAEE11): boa pagadora de dividendos, mas endividamento preocupa

A Taesa (TAEE11) é um dos maiores grupos privados de transmissão de energia elétrica do Brasil. Como toda empresa, ela tem seus pontos positivos e negativos. 

Do lado positivo, podemos destacar o bom histórico de resultados nos últimos anos e a constância no pagamento dos dividendos.

É praticamente um consenso entre analistas que as ações do setor elétrico são as mais estáveis da bolsa e também ótimas escolhas para quem procura ganhos com dividendos.

A primeira justificativa é que este é um dos setores menos voláteis da economia, o que indica receitas pagamentos de dividendos mais estáveis.

O segundo ponto é o fato das empresas destes setores já estarem bem consolidadas, o que implica que elas precisarão fazer menos investimentos para se manterem firmes em seus negócios. 

Como consequência, partes maiores dos lucros poderão ser liberadas para serem distribuídas na forma de dividendos e juros sobre capital próprio (JCP).

Porém, a parte negativa pode ser dividida em dois pontos: 1) o elevado endividamento, que deverá pressionar as margens futuras na medida em que o Banco Central executa sua política de aperto monetário para enfrentar a inflação; 2) a escassez de vetores de crescimento, visto que a empresa já está consolidada e apresenta poucos projetos para expansão.

Vejamos a seguir o comentário dos analistas sobre os pontos levantados e se vale ou não a pena investir nesta ação.

Vantagens da Taesa

Para o banco BTG Pactual uma das vantagens da Taesa é que a companhia conseguiu elevar suas margens dentro deste contexto de estabilidade e gerar ganho para os acionistas.

“Ela conseguiu manter uma estabilidade positiva em sua receita líquida – o que demonstra a resiliência de seu modelo operacional e do setor de transmissão de energia, mesmo em momentos mais difíceis da economia – e elevou sua margem líquida de 48% para 81%, com uma margem Ebitda estável próxima a 80% (maior Ebitda do setor de transmissão)”, afirma o BTG Pactual.

Outro ponto positivo para a Taesa, segundo o BTG Pactual, é a disciplina financeira da companhia e sua boa reputação frente ao mercado financeiro. 

“Ela tem rígido controle de custos, a mais alta nota de crédito nas três agências de classificação de risco e uma alta diligência no processo de alocação de capital, buscando sempre bons projetos com alta rentabilidade. Sua eficiência operacional garantiu uma sólida geração de caixa ao longo dos anos e permitiu a distribuição de uma boa parcela de seus lucros para os acionistas.”

Outra casa que tem boa perspectiva para a Taesa é a Ativa Investimentos.

Os analistas da casa destacam que “Ela promove ampla distribuição de proventos, com payouts que passam de 90% do lucro líquido, bem como dividend yields atrativos.”

Para a Ativa, os dividendos elevados somente são possíveis porque as 20 de suas 39 concessões são atualizadas anualmente pelo IGP-M. Isso permite a companhia compensar a queda de receita anual das concessões que entraram em seu 16º ano com os reajustes tarifários indexados à inflação e a entrada em operação de novos projetos. 

Fatores para ter atenção com a Taesa

Apesar do histórico da Taesa entregar segurança aos acionistas, é bom ter em mente que nem tudo são flores.

Para os analistas da Genial Investimentos, a remuneração consistente não é motivo suficiente para comprar a ação.

O principal problema é que o endividamento da Taesa deve começar a pesar agora, com o início do ciclo de alta de juros.

A Genial vê isso como um fator negativo para o resultado financeiro da companhia, uma vez que diminuirá o poder de fogo da mesma para a aquisição de novos projetos nos próximos leilões de transmissão.

O analista Vitor Sousa enfatizou a relação de 4,3 vezes a dívida líquida sobre Ebitda para 12 meses, contra as estimativas de 3,8 vezes em 2021.

“A companhia deve fechar o ano com um endividamento elevado, o que deve limitar o poder de fogo da empresa na aquisição de novos projetos e/ou aquisições relevantes”, comentou Souza.

A corretora manteve recomendação de venda para a elétrica, após participar do evento que a companhia realizou com investidores. 

Com preço-alvo de R$ 36 estipulado pela Genial, o papel tem baixo potencial de valorização (cotação atual de R$ 38,05) e já precifica boa parte dos projetos em desenvolvimento.

Porém, apesar dos pontos problemáticos, o time de analistas continuam acreditando que a Taesa deve seguir entregando bons dividendos aos acionistas nos próximos anos. 

Vale a pena investir em Taesa?

A Taesa é uma empresa com sólidos fundamentos e pertencente a um setor caracterizado pela forte estabilidade em termos de geração de receitas. Por isso, as ações da companhia podem ser uma boa escolha para aqueles que focam em obter ganhos com dividendos ao longo do tempo.

Entretanto, o investidor não deve negligenciar os riscos. Se do lado das receitas as coisas vão bem, do lado do passivo a situação requer atenção. Isso porque as dívidas tendem a crescer com o aperto monetário do Banco Central, que vem elevando a Selic e, consequentemente, os juros das dívidas das empresas.

Neste caso, o investidor deve ter em mente um cenário de maiores dificuldades e com os juros pressionando os dividendos e a capacidade de crescimento, que ocorre via aquisição de novos projetos em leilões de transmissão.