Bancos passam a ver alta mais forte do juro na próxima semana e taxa acima de 10% em 2022

Por José de Castro

O UBS BB foi o mais agressivo até o momento e passou a ver alta dos juros de 150 pontos-base nas duas últimas reuniões do Copom de 2021, ante 100 pontos-base para cada do cenário anterior.

Com mais aperto contratado para o começo de 2022, a taxa básica de juros da economia concluiria o ano que vem em 10,25% nominal, maior patamar desde julho de 2017 e 825 pontos-base acima da mínima histórica de 2% que vigorou entre agosto de 2020 e março de 2021. A Selic está atualmente em 6,25%.

“O que for preciso é, de fato, o que for preciso”, disse o UBS BB em relatório, fazendo referência a fala recente do presidente do BC, Roberto Campos Neto, de que a autarquia fará o “que for preciso” para a ancoragem da inflação no médio e longo prazos.

Ainda na quinta, o Morgan Stanley elevou a 125 pontos-base o prognóstico de aperto monetário na próxima reunião do Copom. Para a instituição financeira, “125 pontos-base agora são os novos 100 pontos-base” –referindo-se à indicação do BC de não antecipar aumentos de forma agressiva.

Para o Morgan, contudo, agora ser mais duro na política monetária seria elevar os juros em 150 pontos-base –número precificado na curva de DI.

O banco diz que vai monitorar quatro itens principais.

Qualquer pista sobre a magnitude do ritmo da próxima reunião em dezembro estará no foco, assim como se os membros do Copom mencionarão explicitamente os riscos específicos do regime fiscal –decorrentes do possível enfraquecimento da principal âncora fiscal do Brasil–, em vez da menção mais moderada de riscos às contas públicas que normalmente incluem nas comunicações.

Além disso, a atenção se volta também para as projeções de inflação do BC para o próximo ano com novas premissas de câmbio, juros e preços de energia, assim como para a deterioração de expectativas de inflação e indicadores centrais desde a reunião anterior.

A magnitude de aumento de 125 pontos-base para a próxima semana agora é prevista também pelo Credit Suisse, que calcula ainda outra elevação de 125 pontos-base em dezembro e mais duas altas adicionais no começo de 2022 –a primeira de 100 pontos-base e a segunda de 75 pontos-base, levando a Selic a 10,5% ao fim do ano que vem.

“Embora a decisão final (sobre o teto de gastos) ainda esteja para ser vista, em nossa opinião ambas as soluções (para o impasse) representam uma mudança no quadro fiscal do Brasil e uma piora dos fundamentos e vão exigir ação mais assertiva da política monetária para ancorar expectativas de inflação e reduzir o atual patamar de inflação para o centro da meta”, disse o Credit Suisse em nota.

Na véspera, outro grande banco estrangeiro, o JPMorgan, havia aumentado a 125 pontos-base sua projeção de adição da taxa Selic pelo Banco Central nas próximas duas reuniões do Copom, com o BC forçado a acelerar o ritmo de aperto monetário devido à deterioração do balanço de riscos para os preços.

A onda de ajustes foi ditada pela percepção de piora do cenário para as contas públicas –que impacta inflação– após o governo pressionar por uma aumento do Auxílio Brasil (novo Bolsa Família) em parte bancado com recursos fora do teto de gastos.

A perspectiva de fim da âncora fiscal provocou uma liquidação nos mercados brasileiros na quinta, que se estendia para esta sessão, com nova alta do dólar e dos juros futuros e queda da bolsa.

 

(Edição de Luana Maria Benedito)

Nasdaq abre em queda após alerta da Intel; Dow e S&P tocam máximas recordes

Às 10:45 (horário de Brasília), o índice Dow Jones subia 0,37%, a 35.736 pontos, enquanto o S&P 500 perdia 0,169679%, a 4.542 pontos. O índice de tecnologia Nasdaq recuava 0,38%, a 15.158 pontos.

Os índices Dow Jones e S&P 500 tocaram máximas recordes intradiárias pouco depois da abertura.

(Por Devik Jain)

Atividade empresarial nos EUA acelera em outubro; escassez prejudica fábricas, mostra IHS Markit

Por Lucia Mutikani

A provedora de dados IHS Markit informou nesta sexta-feira que a leitura preliminar de seu índice PMI composto, que rastreia os setores de manufatura e serviços, se recuperou para 57,3 na primeira metade deste mês, ante 55,0 em setembro. Leitura acima de 50 indica crescimento do setor privado.

O ressurgimento das infecções por coronavírus, impulsionado pela variante Delta, pesou sobre a demanda por serviços em empresas voltadas ao consumidor, como restaurantes, hotéis e viagens aéreas. Junto com a escassez em quase todos os setores, o surto de infecções restringiu a atividade econômica.

As estimativas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para o terceiro trimestre estão majoritariamente abaixo de uma taxa anualizada de 3%. A economia cresceu 6,7% no segundo trimestre.

O governo divulgará o dado preliminar do PIB do terceiro trimestre na próxima quinta-feira.

Mais bancos passam a ver alta de pelo menos 1,25 p.p. da Selic na próxima semana e juro acima de 10% em 2022

Por José de Castro

SÃO PAULO (Reuters) -Mais três grandes instituições financeiras revisaram para cima suas projeções para o aumento da Selic a ser promovido pelo Banco Central na próxima semana, agora com um acréscimo de pelo menos 125 pontos-base no radar após a forte rodada de piora no balanço de riscos à inflação depois da ameaça concreta de furo do teto de gastos.

O UBS BB foi o mais agressivo até o momento e passou a ver alta dos juros de 150 pontos-base nas duas últimas reuniões do Copom de 2021, ante 100 pontos-base para cada do cenário anterior.

Com mais aperto contratado para o começo de 2022, a taxa básica de juros da economia concluiria o ano que vem em 10,25% nominal, maior patamar desde julho de 2017 e 825 pontos-base acima da mínima histórica de 2% que vigorou entre agosto de 2020 e março de 2021. A Selic está atualmente em 6,25%.

“O que for preciso é, de fato, o que for preciso”, disse o UBS BB em relatório, fazendo referência a fala recente do presidente do BC, Roberto Campos Neto, de que a autarquia fará o “que for preciso” para a ancoragem da inflação no médio e longo prazos.

Ainda na quinta, o Morgan Stanley elevou a 125 pontos-base o prognóstico de aperto monetário na próxima reunião do Copom. Para a instituição financeira, “125 pontos-base agora são os novos 100 pontos-base” –referindo-se à indicação do BC de não antecipar aumentos de forma agressiva.

Para o Morgan, contudo, agora ser mais duro na política monetária seria elevar os juros em 150 pontos-base –número precificado na curva de DI.

O banco diz que vai monitorar quatro itens principais.

Qualquer pista sobre a magnitude do ritmo da próxima reunião em dezembro estará no foco, assim como se os membros do Copom mencionarão explicitamente os riscos específicos do regime fiscal –decorrentes do possível enfraquecimento da principal âncora fiscal do Brasil–, em vez da menção mais moderada de riscos às contas públicas que normalmente incluem nas comunicações.

Além disso, a atenção se volta também para as projeções de inflação do BC para o próximo ano com novas premissas de câmbio, juros e preços de energia, assim como para a deterioração de expectativas de inflação e indicadores centrais desde a reunião anterior.

A magnitude de aumento de 125 pontos-base para a próxima semana agora é prevista também pelo Credit Suisse, que calcula ainda outra elevação de 125 pontos-base em dezembro e mais duas altas adicionais no começo de 2022 –a primeira de 100 pontos-base e a segunda de 75 pontos-base, levando a Selic a 10,5% ao fim do ano que vem.

“Embora a decisão final (sobre o teto de gastos) ainda esteja para ser vista, em nossa opinião ambas as soluções (para o impasse) representam uma mudança no quadro fiscal do Brasil e uma piora dos fundamentos e vão exigir ação mais assertiva da política monetária para ancorar expectativas de inflação e reduzir o atual patamar de inflação para o centro da meta”, disse o Credit Suisse em nota.

Na véspera, outro grande banco estrangeiro, o JPMorgan, havia aumentado a 125 pontos-base sua projeção de adição da taxa Selic pelo Banco Central nas próximas duas reuniões do Copom, com o BC forçado a acelerar o ritmo de aperto monetário devido à deterioração do balanço de riscos para os preços.

A onda de ajustes foi ditada pela percepção de piora do cenário para as contas públicas –que impacta inflação– após o governo pressionar por uma aumento do Auxílio Brasil (novo Bolsa Família) em parte bancado com recursos fora do teto de gastos.

A perspectiva de fim da âncora fiscal provocou uma liquidação nos mercados brasileiros na quinta, que se estendia para esta sessão, com nova alta do dólar e dos juros futuros e queda da bolsa.

(Edição de Luana Maria Benedito)

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BC russo eleva taxa básica de juros a 7,5% e sinaliza possibilidade de mais altas

Por Andrey Ostroukh

A decisão de elevar os juros em 75 pontos-base impulsionava o rublo, uma vez que superou a expectativa média do mercado de aumento de 50 pontos-base. Em setembro, o banco central havia anunciado alta de 25 pontos-base.

“Se a situação se desenvolver de acordo com a previsão básica, o Banco da Rússia mantém em aberto a perspectiva de novos aumentos dos juros básicos em suas próximas reuniões”, disse o banco central em comunicado, usando as mesmas palavras de um mês atrás.

O banco central elevou sua projeção média para a taxa de juros em 2022 para 7,3% a 8,3%, ante 6,0% a 7,0%, enviando um sinal “hawkish” (inclinado a uma política monetária mais apertada) ao mercado e apoiando o rublo.

Pessimismo cresce e Ibovespa tem novas mínimas do ano

Às 10:36, o Ibovespa tinha baixa de 1,6%, aos 106.004,17 pontos, buscando novas mínimas intradia desde novembro de 2020. Na véspera, após ter caído 2,75%, o Ibovespa já acumulou perda de 6% na semana e teve o menor fechamento em 11 meses.

Com o pedido de demissão do secretário especial do Tesouro e Orçamento, Bruno Funchal, e do secretário do Tesouro Nacional, Jeferson Bittencourt, após a aprovação da regra de alteração do teto dos gastos para viabilizar o pagamento do Auxílio Brasil até o fim de 2022, os agentes começavam a especular sobre a saída de Guedes.

Segundo o G1, o presidente Jair Bolsonaro autorizou sondagem de um nome para substituir Guedes, mesmo após ter reafirmado na véspera que manterá o atual ministro no cargo.

Simultaneamente, várias casas de análise pioravam suas perspectivas para crescimento econômico, inflação, juros e dívida pública para 2020, incluindo Morgan Stanley, Credit Suisse e UBS.

Com isso, a influência positiva dos mercados internacionais ficava em segundo plano. Na China, a incorporadora Evergrande pagou um cupom de 83,5 milhões de dólares de um título, evitando novo calote.

Nos Estados Unidos, após o índice S&P 500 ter fechado em nova máxima histórica na véspera, o Dow Jones testava nova pontuação máxima nesta manhã.

Esta sexta-feira marca a abertura da temporada de divulgação de balanços trimestrais na bolsa brasileira, com a farmacêutica Hypera divulgando seus números após o fechamento. Braskem também deve divulgar seus números prévios do terceiro trimestre.

 

(Por Aluísio Alves)

Negociações da Apple com fabricantes chineses de baterias para carros estão paralisadas, dizem fontes

Por Zoey Zhang e Julie Zhu e Stephen Nellis e Tim Kelly

As empresas informaram à Apple em algum momento nos últimos dois meses que não eram capazes de atender aos seus requisitos, disseram as fontes. Mas a empresa norte-americana não perdeu a esperança de retomar as negociações com CATL ou BYD, de acordo com uma fonte.

A CATL, maior fabricante de baterias para veículos elétricos do mundo, tem relutado em construir uma fábrica nos EUA devido às tensões políticas entre Washington e Pequim, bem como preocupações com os custos, disse uma das fontes com conhecimento direto das negociações.

A empresa chinesa também descobriu que é impossível formar uma equipe separada de desenvolvimento de produtos que trabalhe exclusivamente com a Apple devido à dificuldades em encontrar pessoal suficiente, acrescentou a fonte.

A BYD, que tem uma fábrica de baterias de fosfato de ferro na Califórnia, se recusou a construir uma nova fábrica e contratar uma equipe que se concentraria exclusivamente no fornecimento para a Apple, disseram duas das fontes.

As discussões paralisadas significam que a Apple está considerando os fabricantes japoneses de baterias. A companhia norte-americana enviou uma equipe ao Japão neste mês, acrescentaram as fontes.

A Panasonic é uma das empresas que a Apple está considerando, disse uma das fontes.

Representantes de Apple, BYD e Panasonic não quiseram comentar o assunto . A CATL disse em um comunicado à Reuters que nega “as informações relevantes”.

Fontes afirmaram à Reuters no ano passado que a Apple queria lançar um veículo elétrico até 2024.

Com menor fôlego da balança, déficit em transações correntes alcança US$1,699 bi em setembro

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) -O Brasil teve déficit em transações correntes de 1,699 bilhão de dólares em setembro, principalmente pela diminuição do superávit da balança comercial, apontou o Banco Central nesta sexta-feira.

Com isso, o rombo em transações correntes em 12 meses subiu a 1,30 do Produto Interno Bruto (PIB), de 1,22% em agosto.

O resultado veio ligeiramente pior que o déficit de 1,553 bilhão de dólares esperado por analistas em pesquisa Reuters. Os investimentos diretos no país (IDP) alcançaram 4,495 bilhões de dólares, também abaixo de expectativa no mercado de 5 bilhões de dólares.

Em setembro, o saldo da balança comercial ficou positivo em 2,461 bilhões de dólares, queda de 43,6% sobre igual mês do ano passado, com o aumento na ponta das importações (+58,2%) superando o observando nas exportações (+ 33,9%).

O desempenho acabou ofuscando a melhora vista no déficit da conta de serviços, que recuou a 1,357 bilhão de dólares de 1,747 bilhão de dólares em setembro de 2020, principalmente pela queda nas despesas líquidas de aluguel de equipamentos, diante da nacionalização de equipamentos no âmbito do Repetro.

Dentro dessa rubrica, os gastos líquidos com viagens internacionais subiram a 237 milhões de dólares, ante 138 milhões de dólares um ano antes, mas ainda permaneceram em patamares tímidos em meio à pandemia de Covid-19.

A conta de renda primária também melhorou, embora com menor ímpeto: o déficit passou a 3,073 bilhões de dólares, de 3,169 bilhões de dólares em setembro do ano passado.

No mês, a remessa de lucros e dividendos ficou praticamente estável em 1,961 bilhão de dólares frente a 1,915 bilhão de dólares no mesmo mês do ano passado.

Para outubro, o BC projetou um déficit em transações correntes de 4,2 bilhões de dólares e IDP de 4 bilhões de dólares. Até o dia 19 deste mês, o fluxo cambial ficou negativo em 1,209 bilhão de dólares, disse ainda o BC.

Em seu último Relatório Trimestral de Inflação, divulgado em setembro, o BC piorou sua visão para o déficit em transações correntes no ano a 21 bilhões de dólares, ante superávit de 3 bilhões de dólares projetado em junho, sob a influência de importações ligadas ao regime Repetro e pela compra de criptoativos pelos brasileiros.

No acumulado de janeiro a setembro, o rombo é de 8,082 bilhões de dólares, contra déficit de 13,303 bilhões de dólares de igual período de 2020.

(Por Marcela Ayres; Edição de José de Castro e Maria Pia Palermo)

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SAIBA MAIS-Mercado imobiliário endividado da China e a crise da Evergrande

Uma série de autoridades da China tentou tranquilizar os investidores de que a crise não sairá do controle e que os interesses dos credores serão protegidos, mas seu impacto de longo prazo no setor imobiliário e na economia do país é altamente incerto.

Veja o que precisa saber sobre o setor imobiliário da China:

QUÃO GRANDE É O SETOR?

O setor é o que mais contribui para o Produto Interno Bruto (PIB) da China, respondendo por mais de um quarto do resultado quando as indústrias relacionadas são incluídas, segundo economistas.

Um vasto ecossistema de fornecedores e prestadores de serviços floresceu em torno de grandes incorporadores imobiliários e o setor imobiliário desempenhou um papel crucial na criação de empregos e geração de caixa para os governos locais. As vendas de terrenos na China respondem por um terço de suas receitas, que chegaram a 27,3 trilhões de iuanes (4,3 trilhões de dólares) em 2020, de acordo com o banco japonês Nomura.

As propriedades respondem por 40% dos ativos pertencentes às famílias chinesas, de acordo com a Macquarie, levantando preocupações de que, se a bolha estourar, os consumidores se sentirão menos ricos e se tornarão mais econômicos, o que afetaria outros setores da economia.

O valor das vendas de terrenos em todo o país caiu 17,5% em agosto em relação ao ano anterior, de acordo com cálculos da Reuters usando dados do Ministério das Finanças, a maior queda desde fevereiro de 2020.

CIDADES FANTASMAS

A China tem cerca de 65 milhões de residências vazias, o que equivale ao número total de residências na França e no Reino Unido somados, devido a um grande boom de construção e especulação galopante.

Apostando no crescimento sustentado, uma grande proporção dos 1,4 bilhão de habitantes da China –algumas estimativas dizem que cerca de 70%– têm dinheiro empenhado em propriedades residenciais. De acordo com o banco central chinês, 93,6% das famílias urbanas possuíam casas no ano passado, uma das taxas mais altas do mundo.

O mercado imobiliário continuou a se expandir porque os investidores, incorporadores e compradores de casas geralmente acreditam que o setor é importante demais para a economia para que o governo permita qualquer correção significativa.

MONTANHA DE DÍVIDAS

O setor imobiliário da China depende fortemente de crédito e muitos incorporadores estão lutando contra o peso das dívidas. No final do segundo trimestre, as incorporadoras chinesas deviam 33,5 trilhões de iuanes (5 trilhões de dólares), ou um terço do PIB do país, mais do que o dobro de 2015, de acordo com o Nomura.

A dívida pendente do setor é aproximadamente equivalente ao PIB do Japão, a terceira maior economia do mundo.

Títulos no valor de 92,3 bilhões de dólares emitidos por incorporadoras chinesas têm vencimento no próximo ano, mostram os dados do Refinitiv. A inadimplência dos títulos saltou nos últimos trimestres, de 5,5 bilhões de iuanes no último trimestre de 2020 para 21,5 bilhões em meados de agosto, informou o Nomura.

EVERGRANDE

Fundada em 1996, a Evergrande tem dívida de mais de 300 bilhões de dólares, o que é equivalente aproximadamente ao PIB da África do Sul e maior do que a da Finlândia. A incorporadora possui mais de 1.300 projetos imobiliários em mais de 280 cidades chinesas. Agora, a incorporadora mais endividada do mundo, a Evergrande tem 19 bilhões de dólares em títulos nos mercados de capitais internacionais.

VENDAS DE IMÓVEIS

Em 2020, as vendas de residências aumentaram 3,2%, para 1.549 milhões de metros quadrados, em relação ao ano anterior, com vendas em valor de 10,8%, para 15,5 trilhões de iuanes, de acordo com o departamento de estatísticas da China. Isso se compara aos 970,3 milhões de metros quadrados vendidos em 2011 por 4,9 trilhões de iuanes.

Mas o mercado imobiliário da China começou a desacelerar em 2021, registrando a tendência de queda mais longa desde 2015 em novas construções, enquanto as vendas de propriedades por área útil caíram 15,8% em setembro, a terceira queda mensal consecutiva.

PREÇOS E ESTOQUES DE CASAS

Os preços das casas na China dispararam na última década. Variam muito entre as regiões do país, mas, em média, os preços aumentaram 99% para 9.980 iuanes por metro quadrado em 2020 de 5.011 iuanes em 2011, de acordo com cálculos da Reuters baseados em dados do departamento de estatísticas.

No final de setembro, os estoques não vendidos de casas estavam em 224,2 milhões de metros quadrados, de acordo com o departamento de estatísticas. Os estoques não vendidos eram de 223,8 milhões de metros quadrados no final de 2020.

EMPRÉSTIMOS ÀS FAMÍLIAS

No final de junho, os empréstimos às famílias em moeda nacional e estrangeira, a maioria dos quais hipotecários, estavam em 67,8 trilhões de iuanes (10,6 trilhões de dólares), de acordo com os últimos dados do Banco Popular da China.

(Reportagem de Anne Marie Roantree, Clare Jim e Ryan Woo)

Embargo da China à carne brasileira gera excesso de oferta e queda na cotação do boi gordo

Desde o início de setembro, quando surgiu a confirmação de dois casos atípicos da doença “mal da vaca louca”, um em Mato Grosso e outro em Minas Gerais, a cotação do boi gordo caiu cerca de 15%.

Desde 4 de setembro que o Ministério da Agricultura deixou de emitir a certificação para exportação de carne bovina para a China.

Na ocasião, o mercado acreditava em um breve retorno dos embarques, pois se tratava de casos atípicos, que não oferecem riscos à saúde. Porém, não foi isso que aconteceu.

O problema é que desse período até hoje as indústrias não paralisaram totalmente a produção.

Conforme Lygia Pimentel, CEO da consultoria Agrifatto, os frigoríficos seguiram com a produção para a China com a ideia de manter “a roda girando”. 

Para ela, os participantes do mercado tinham em mente o histórico de 2019, quando a suspensão durou apenas 13 dias, e a dificuldade de se encontrar contêineres podem ter pesado na decisão.

“As empresas continuaram produzindo para não perder a oportunidade de venda e o booking do navio. Justamente por essa dificuldade [de contêineres], essas empresas embarcaram cerca de US$ 600 milhões para a China [após a suspensão] sem ter certeza de que as cargas seriam recebidas”, disse Lygia em entrevista concedida ao Valor Econômico. 

Nota do Ministério da Agricultura

No dia 19 (terça-feira), o Ministério da Agricultura publicou um ofício suspendendo a produção para o país asiático e autorizando, pelo período de 60 dias, que os fabricantes habilitados a exportar para a China realizassem a estocagem de produtos bovinos congelados, fabricados anteriormente à suspensão.

Na nota, o Ministério disse que não houve nenhuma nova orientação aos frigoríficos e que o ofício apenas atendeu ao pedido formalizado pelo setor produtivo para estocar os cortes produzidos antes de 4 de setembro.

Nesta quinta-feira (21/10), o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Carlos França, conversou com o ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, sobre a retomada das importações de carne bovina brasileira pelo país asiático.

Segundo informou o Itamaraty no Twitter, os ministros “conversaram sobre abertura e diversificação de mercados, incluindo retomada das exportações de carne bovina brasileira”.

Vantagens e riscos

Para alguns especialistas, essa demora na retirada do veto pela China se configura como uma estratégia do país para barganhar por preços menores, visto o contexto de preços elevados.

“O risco sanitário não é motivo real para esse veto, assim como não foi naquela época. É, antes de mais nada, uma questão de barganha. A carne está cara no mundo todo. Eles querem negociar”, disse Tulio Cariello, diretor de conteúdo e pesquisa do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), à CNN.

Por outro lado, esse imbróglio pode ser positivo para os frigoríficos, ao menos no curto prazo. 

Para Lygia Pimentel “O preço do boi caiu mais do que o da carne no atacado Com isso, a margem doméstica melhorou para a indústria. Agora [com a decisão do governo], o frigorífico consegue tirar o ‘prêmio China’ das negociações e consegue pagar menos pelo animal”. 

Porém, no longo prazo, a manutenção da interrupção chinesa poderá atrapalhar o planejamento de pecuaristas e frigoríficos. 

Os números de confinamento estão caindo desde o embargo de 4 de setembro. Caso a suspensão se mantenha por mais tempo, pode ocorrer do fornecimento de carne declinar mais ainda, o que levará a disparada dos preços no começo de 2022. 

Diante disso, podemos dizer que a bola está nos pés da China e o futuro da cotação do boi gordo dependerá da decisão sobre a suspensão ou manutenção do embargo.