Queiroga diz que vacina contra Covid-19 para eventual reforço em 2022 será comprada este ano

“As vacinas para o ano que vem, se nós tivermos que aplicar esse novo ciclo, como você bem definiu, serão adquiridas agora”, disse Queiroga em entrevista à CNN Brasil.

“Até porque, não há sentido em fazer uma campanha tão longa, de um ano de duração… foi longa porque não se dispunha no mundo de vacinas suficientes, então ano que vem, se for o caso de um reforço novamente para toda a população, isso será feito em um curto espaço de tempo”, acrescentou.

“E aí a gente já vai se programar no ano de 2021, como nós estamos fazendo, inclusive atraindo o interesse da indústria farmacêutica internacional.”

(Redação São Paulo)

Bolsonaro diz que 7 de setembro será ultimato aos que acusa de descumprir Constituição

Por Eduardo Simões

Em cerimônia em Tanhaçu, na Bahia, para assinatura de contrato de concessão da Ferrovia Integração Oeste Leste (Fiol), Bolsonaro disse que o recado das manifestações visará duas pessoas, que ele não citou os nomes, e que servirá para fazer com que elas se curvem à Constituição.

O presidente tem atacado frequentemente os ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, acusando-os de exceder os limites constitucionais.

Moraes conduz inquéritos que investigam Bolsonaro e aliados, enquanto Barroso, que também é presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), se opõe ao voto impresso para urnas eletrônicas, uma das principais bandeiras do chefe do Executivo, que constantemente alega, sem apresentar quaisquer provas, que o sistema eleitoral é fraudulento.

“Essas uma ou duas pessoas têm que entender o seu lugar, e o recado de vocês, povo brasileiro, nas ruas na próxima terça-feira, dia 7, será um ultimato para essas duas pessoas: curvem-se à Constituição, respeitem a nossa liberdade, entendam que vocês dois estão no caminho errado, porque sempre dá tempo de se redimir”, discursou Bolsonaro, enquanto algumas das pessoas na plateia gritaram “Fora Barroso”.

No discurso, Bolsonaro disse que atuará dentro das quatro linhas da Constituição, mas que saberá agir para, segundo ele, fazer valer a vontade do povo, caso entenda que outras pessoas descumpriram o texto constitucional.

“Nós não precisamos sair das quatro linhas da Constituição. Ali temos tudo que precisamos. Mas, se alguém quiser jogar fora dessas quatro linhas, nós mostraremos que poderemos fazer também valer a vontade e a força do seu povo”, afirmou.

Em um momento em que as pesquisas apontam para perda de sua popularidade e em que tensiona cada vez a relação com o STF, Bolsonaro vem colocando todas as suas fichas em fazer dos atos de 7 de setembro em Brasília e em São Paulo uma demonstração de força e de apoio popular.

O presidente repetiu que participará das manifestações pela manhã em Brasília, quando discursará, e à tarde irá à Avenida Paulista, em São Paulo, onde pretende fazer um discurso mais longo a seus apoiadores.

A retórica inflamada de Bolsonaro sobre os protestos da próxima terça-feira e a movimentação de apoiadores também com discurso incendiário em redes sociais –alguns prometendo comparecer armados– têm gerado preocupações com o risco de as manifestações descambarem para a violência.

Além disso, tanto em Brasília quanto em São Paulo, assim como em outras cidades do país, opositores de Bolsonaro também convocaram protestos contra o presidente, o que tem aumentado a preocupação das autoridades de segurança com um eventual confronto entre os dois grupos antagônicos.

Atividade de serviços nos EUA desacelera em agosto, restrições de oferta diminuem ligeiramente, diz ISM

O Instituto de Gestão de Fornecimento (ISM, na sigla em inglês) informou nesta sexta-feira que seu índice de atividade não-manufatureira caiu para 61,7 no mês passado, após disparar para 64,1 em julho, a maior leitura da série histórica.

Uma leitura acima de 50 indica crescimento no setor de serviços, que responde por mais de dois terços da atividade econômica norte-americana. Economistas consultados pela Reuters previam que o índice cairia para 61,5.

Economistas reduziram drasticamente suas estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre para uma mínima de 2,9% em taxa anualizada, ante a previsão de um ritmo de expansão de 9%, mencionando a mais recente onda de infecções por coronavírus, a diminuição do estímulo fiscal e restrições de oferta, que desencadearam uma alta nos preços.

A economia cresceu a uma taxa de 6,6% no segundo trimestre. Economistas esperam que o crescimento acelere no quarto trimestre, conforme os gargalos de oferta e a inflação diminuem.

A medida de entregas de fornecedores da pesquisa do ISM caiu para 69,6 no mês passado, ante uma leitura de 72,0 em julho. Uma leitura acima de 50 indica entregas mais lentas. Com as entregas melhorando, os preços moderaram. A medida sobre os preços pagos pelo setor de serviços caiu para 75,4, após subir para 82,3 em julho, se aproximando de uma máxima em 16 anos.

Apesar da desaceleração da atividade em agosto, os setores de serviços continuam sendo sustentados pela mudança dos gastos de bens para serviços, à medida que a economia se normaliza após ter sido fortemente afetada pela pandemia.

A medida de novos pedidos da indústria de serviços na pesquisa do ISM caiu para 63,2, de 63,7 em julho.

Os setores de serviços mantiveram um ritmo constante de contratações no mês passado. A medida do ISM sobre empregos em serviços caiu para 53,7, ante 53,8 em julho, provavelmente refletindo uma escassez contínua de trabalhadores causada pela pandemia.

(Por Lucia Mutikani)

((Tradução Redação São Paulo, 55 11 5047 2838))

REUTERS PVB IV

Dólar sai de mínimas conforme mercado digere relatório de emprego dos EUA

Por Luana Maria Benedito

O Departamento do Trabalho norte-americano informou que foram criadas 235 mil vagas de trabalho na economia norte-americana em agosto, resultado muito abaixo da expectativa em pesquisa da Reuters de abertura de 728 mil.

Instantes após a divulgação dos números, a moeda norte-americana foi à mínima do dia de 5,1320 reais na venda contra a divisa brasileira, queda de 0,98%, acompanhando movimento global de desvalorização do dólar em meio a apostas de que o Federal Reserve manteria, por ora, seu forte estímulo à economia.

Mas a desvalorização intensa durou pouco, e às 11:35, o dólar recuava 0,05%, a 5,1805 reais na venda.

No exterior, o índice do dólar contra uma cesta de pares fortes reduzia suas perdas a 0,15%, a 92,089, depois de tocar uma mínima em 1 mês de 91,941 na esteira dos dados de emprego. Em Wall Street, os três principais índices acionários dos EUA abriram no vermelho. [.NPT]

“A criação de vagas no ‘payroll’ veio bem abaixo do esperado, mas, quando você analisa com atenção, vê que o reajuste salarial norte-americano veio bem acima das expectativas”, explicou à Reuters Thomas Giuberti, sócio da Golden Investimentos.

A renda média por hora dos trabalhadores do setor privado dos EUA subiu 0,6% em agosto. A expectativa em pesquisa da Reuters era de alta de 0,3%.

“Isso significa que pode começar a ser questionado o quanto será transitória a inflação nos Estados Unidos”, disse Giuberti, levantando também a possibilidade de que a desaceleração na abertura de vagas nos EUA leve o governo democrata no poder a intensificar seus gastos fiscais, o que poderia impulsionar a alta dos preços.

Sinais de inflação mais alta na maior economia do mundo tendem a elevar as apostas de que o Federal Reserve começará em breve a reduzir suas grandes compras mensais de títulos, o que, por sua vez, é visto como prejudicial para ativos arriscados.

BC vê crise hídrica mais como problema de preço do que de racionamento, diz Campos Neto

Por Marcela Ayres

Ao falar no evento Estadão Finanças Mais, ele também indicou que o BC abrirá em breve sua visão sobre o hiato do produto, entendendo que isso pode explicar a diferença entre os cálculos da inflação para 2022 vistos pelo BC e pelo mercado.

Sobre a crise hídrica, Campos Neto pontuou que os diversos reajustes de bandeira vermelha e a implementação da última bandeira, associada à crise hídrica, “realmente impactam bastante” a inflação, já que os preços de energia elétrica se disseminam pelas cadeias produtivas. Por isso, ele reforçou que o BC tem olhado esse movimento de perto.

“Vamos acompanhar, muito importante acompanhar essa parte hídrica nos próximos meses. Lembrando que a gente ainda entende que é mais um tema de preço do que de racionamento porque, se a gente tem uma chuva, mesmo que seja um pouco abaixo da média, ainda assim os reservatórios ficam acima de 10%”, disse.

“Então isso não implica racionamento. Mas é importante acompanhar no detalhe o que vai acontecer com essa próxima estação”, complementou, destacando que este é problema “bastante grave” para os próximos meses.

Segundo Campos Neto, a incorporação desse efeito dos preços de eletricidade tem afetado o aumento nas expectativas de inflação para este ano, também influenciando “um pouco” as expectativas de 2022.

Ele voltou a dizer que, nas contas do BC, o IPCA para o próximo ano é mais baixo que o que é visto pelo mercado. O presidente do BC reconheceu ainda que essa distância de visões tem aumentado, sendo objeto de estudo do BC.

Enquanto a autoridade monetária previu alta de 3,5% para o IPCA no ano que vem, exatamente no centro da meta, agentes econômicos têm sucessivamente elevado suas estimativas, que agora estão em 3,95%, segundo o Boletim Focus mais recente.

Campos Neto ponderou que há um grande desafio em fazer política monetária em regime de incerteza, destacando que no Brasil houve “crise hídrica em cima de todos os choques”. Ele sublinhou que alguns desses choques são de oferta e disrupção em cadeias, com grande parte deles sendo globais, sendo mais difícil, portanto, prever sua normalização.

“Fica mais difícil nesse regime de incertezas, a gente tem que olhar o nosso balanço de riscos com maior cuidado. Além disso, nós temos um processo eleitoral, que tem um ruído natural oriundo desse processo, que vários outros países não têm”, afirmou.

Ele ressaltou que, a despeito das dificuldades, a missão do BC é entregar a meta de inflação e a autoridade monetária está comprometida com isso.

“Nós entendemos que temos os instrumentos para fazer a inflação convergir para meta no horizonte relevante e o Banco Central vai fazer o que for necessário”, disse.

HIATO DO PRODUTO

Em sua participação, Campos Neto indicou que o BC será mais transparente em relação à modelagem que considera em seus cálculos para o hiato do produto para que o mercado entenda sua atuação.

O hiato, que consiste na diferença entre o PIB potencial e o crescimento efetivo da economia, é considerado um conceito chave na condução da política monetária, ao indicar se a economia está ou não crescendo acima de seu potencial.

De acordo com o presidente do BC, o Relatório Trimestral de Inflação, que será publicado pelo BC no fim deste mês, mostrará como a autarquia está vendo o fechamento do hiato e as expectativas nesse sentido à frente.

“Talvez isso explique um pouco a diferença do que o Banco Central tem achado em termos de inflação para o que o mercado acha e a gente vai começar a ser cada vez mais transparente na nossa modelagem para que o mercado entenda por que que nós tomamos as nossas medidas, por que que fazemos as coisas do jeito que a gente faz, qual é o objetivo das medidas”, afirmou.

China diz que conversas com Kerry foram “francas, profundas e pragmáticas”

Os dois maiores emissores mundiais de gases de efeito estufa trabalharão juntos para ter sucesso na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP-26) em Glasgow em novembro, na qual quase 200 países analisarão os esforços globais para combater a elevação das temperaturas, disse o Ministério da Ecologia e do Meio Ambiente chinês.

Kerry, enviado do presidente norte-americano, Joe Biden, para temas ligados à mudança climática, conversou com seu equivalente chinês, Xie Zhenhua, em Tianjin, cidade do norte da China, na quarta e quinta-feiras, e também com os diplomatas graduados Yang Jiechi e Wang Yi por videochamada.

Wang rejeitou os esforços dos EUA para separar as questões do clima dos conflitos diplomáticos mais abrangentes entre os dois países, enquanto Kerry insistiu que a crise enfrentada pelo mundo não deveria ser uma questão de ideologia ou partidarismo político.

O Global Times, tabloide do Diário do Povo controlado pelo Partido Comunista chinês, disse em um editorial publicado nesta sexta-feira que os EUA estão tentando mostrar “uma face amistosa” no tema do clima depois de seguirem uma série de diretrizes “malévolas” que ameaçaram a segurança nacional da China.

Falando aos jornalistas na quinta-feira, Kerry disse que transmitirá as preocupações chinesas a Washington, mas que sua alçada se limita ao clima.

(Por David Stanway)

Criação de vagas de trabalho nos EUA desacelera com força em agosto; taxa de desemprego cai para 5,2%

A economia norte-americana abriu, fora do setor agrícola, 235 mil postos de trabalho no mês passado, após 1,053 milhão em julho, informou o Departamento do Trabalho em seu relatório de empregos nesta sexta-feira.

A taxa de desemprego recuou para 5,2%, ante 5,4% em julho. No entanto, o número tem sido subestimado por pessoas que se classificam erroneamente como “empregadas, mas ausentes do trabalho”.

Economistas consultados pela Reuters esperavam abertura de 728 mil vagas e uma queda da taxa de desemprego para 5,2%. As estimativas de criação de vagas variavam de 375 mil a 1,027 milhão de empregos.

Nos últimos anos, os dados de agosto ficaram abaixo das expectativas e mais lentos do que a média de criação de vagas dos três meses até julho, incluindo em 2020. A abertura de postos de trabalho em agosto foi posteriormente revisada para cima em 11 dos últimos 12 anos.

O relatório vem num momento em que economistas reduziram drasticamente suas estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre, mencionando o ressurgimento de casos impulsionados pela variante Delta do coronavírus, bem como a escassez implacável de matérias-primas, que estão reprimindo as vendas de automóveis e o reabastecimento.

Os dados serão analisados por investidores que tentam avaliar o momento do anúncio do Federal Reserve sobre quando o banco começará a reduzir seu enorme programa mensal de compra de títulos.

O chair do Fed, Jerome Powell, reafirmou na semana passada que vê uma recuperação econômica em curso, mas não deu nenhum sinal de quando o banco central dos EUA planeja cortar suas compras de ativos, dizendo somente que pode ser “neste ano”.

Alguns economistas não acreditam que os dados abaixo das expectativas sejam fracos o suficiente para que o Fed volte atrás na sua ideia de começar a reduzir o estímulo “neste ano”.

(Por Lucia Mutikani)

Chuvas recordes do Ida inundam lares da área de Nova York e deixam 44 mortos

Por Barbara Goldberg e Nathan Layne

Em grandes partes de Nova York, Nova Jersey, Pensilvânia e Connecticut, moradores passaram o dia lidando com porões alagados, blecautes, tetos danificados e pedidos de ajuda de amigos e familiares ilhados por inundações.

Ao menos 13 pessoas morreram na cidade de Nova York, assim como três no condado suburbano de Westchester. O governador de Nova Jersey, Phil Murphy, disse em um tuíte que ao menos 23 pessoas do Estado morreram por causa da tempestade.

Três pessoas foram encontradas mortas em um porão do bairro nova-iorquino de Queens, e quatro moradores de Elizabeth, em Nova Jersey, morreram em um complexo residencial público inundado por 2,4 metros de água.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, declarou emergência nos Estados de Nova Jersey e Nova York e ordenou assistência federal para complementar os esforços de reação locais devido às condições resultantes dos resquícios do furacão Ida, informou a Casa Branca na noite de quinta-feira.

Avenidas foram transformadas em correntezas semelhantes a rios em minutos quando os aguaceiros chegaram na noite de quarta-feira, prendendo motoristas nas águas que subiram rapidamente. Dezenas de veículos foram encontrados abandonados em avenidas da área na quinta-feira. No condado de Somerset, em Nova Jersey, ao menos quatro motoristas perderam a vida, disseram autoridades.

Uma vítima de Maplewood Township, em Nova Jersey, foi arrastada enquanto parecia retirar destroços de bueiros da área, disse a polícia.

“Infelizmente, mais do que algumas pessoas faleceram em resultado disto”, disse Murphy em uma entrevista coletiva em Mullica Hill, na parte sul do Estado, onde um vendaval destruiu várias casas.

O Serviço Nacional do Clima confirmou que dois vendavais que arrancaram árvores também atingiram Maryland na quarta-feira, um em Anápolis e outro em Baltimore. Um jovem de 19 anos supostamente morreu tentando resgatar a mãe de um apartamento inundado de Rockville, em Maryland, de acordo com o jornal Washington Post.

A devastação ocorreu três dias depois de o Ida, um dos furacões mais fortes a atingirem a Costa do Golfo dos EUA, chegar à terra firme no domingo na Louisiana, destruindo comunidades inteiras.

(Por Barbara Goldberg in Maplewood, Nova Jersey e Nathan Layne em Wilton, Connecticut; reportagem adicional de Kanishka Singh em Bengaluru, Maria Caspani e Peter Szekely em Nova York, Jarrett Renshaw em Conshohocken, Pensilvânia, Doina Chiacu, Susan Heavey e Nandita Bose em Washington, Daniel Trotta em San Diego e Dan Whitcomb em Los Angeles)

ENFOQUE-Seca força pecuaristas da América do Norte a vender seu futuro

Por Rod Nickel e Tom Polansek

O calor recorde e a chuva esparsa deixaram Riding praticamente sem pasto ou feno para alimentar seu gado nas proximidades do Lago Francis, em Manitoba. Ela vendeu 51 cabeças, cerca de 40% de seu rebanho, em um leilão em julho. As vendas incluíram 20 novilhas, vacas jovens que ainda não deram à luz e eram potenciais reprodutoras.

“Este é o seu futuro. À medida que meu rebanho diminui, minha renda também diminui”, disse Riding. “É angustiante.”

Essas liquidações de animais matrizes deverão limitar a produção de gado nos próximos anos, restringindo a oferta de carne bovina na América do Norte e elevando os preços ao consumidor, de acordo com duas dúzias de pecuaristas e especialistas no setor.

A seca que se estende por grande parte do oeste da América do Norte –do oeste do Canadá à Califórnia e ao México– queimou pastagens e safras de feno que alimentam o gado. A situação dos produtores é um dos diversos impactos causados pela seca, que também danificou o trigo na Dakota do Norte e as cerejas no Estado de Washington, além de ter enfraquecido as colônias de abelhas e forçado a Califórnia a fechar uma grande usina hidrelétrica.

Na Colúmbia Britânica, uma cidade inteira pegou fogo, enquanto a Califórnia espera que uma área recorde sofra com os incêndios neste ano.

Cientistas especializados nas questões climáticas afirmam que o aquecimento global faz com que o calor extremo e a seca ocorram com mais frequência, mas alguns pecuaristas ouvidos pela Reuters contestam a relação dos fenômenos com as mudanças climáticas. Eles veem a seca atual como uma mudança normal no clima, da qual a indústria se recuperará.

Riding disse que está cansada de cientistas que culpam a agricultura, entre outras indústrias, pelas emissões de gases do efeito estufa, causadores do aquecimento global.

“Sei que a mudança climática é a última palavra da moda, mas acho que isso é um ciclo”, disse Riding, de 60 anos, cuja fazenda a noroeste de Winnipeg fica em uma das áreas mais duramente atingidas pela seca. “Às vezes, os ciclos são mais longos do que o normal.”

Já Gloria Montaño Greene, autoridade do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) que trabalha na redução de riscos para a agricultura, disse que a conexão entre a seca na Costa Oeste e as mudanças climáticas é clara.

“Há um aumento no calor. Estamos vendo vários incêndios florestais”, afirmou. “Estamos vendo as mudanças climáticas.”

Ampliando os problemas para os pecuaristas, os preços de rações alternativas –como milho, soja e trigo– estão nos patamares mais altos em anos. Há tão pouca ração disponível que os agricultores de Manitoba compraram 280 toneladas de feno de lugares tão distantes quanto a Ilha do Príncipe Eduardo, cerca de 3.400 quilômetros a leste.

Em um ano normal, entre 10% e 12% do estoque de matrizes no oeste do Canadá, a principal região produtora de carne bovina do país, são eliminados devido à idade ou outras razões rotineiras, com os fazendeiros substituindo a maior parte delas, disse Brian Perillat, analista sênior da CanFax.

Neste ano, porém, os pecuaristas deverão abater de 20% a 30%, diminuindo o tamanho dos rebanhos, de acordo com a associação do setor Alberta Beef Producers. Isso representaria uma redução sem precedentes do estoque de matrizes, com base em registros que remetem a 1970, disse Perillat.

Nos EUA, terceiro maior exportador de carne bovina do mundo, analistas esperam um impacto menor, porque o rebanho está mais espalhado. Ainda assim, um terço do gado dos EUA está localizado em áreas de seca, de acordo com o U.S. Drought Monitor, o que faz com que os produtores tenham de tomar a dolorosa decisão de enviar animais para o abate mais cedo.

O pecuarista Pat Boone, 67 anos, do Novo México, reduziu seu rebanho de matrizes pela metade, para cerca de 200 cabeças, ao longo do último ano.

“Nossa terra está ferida, e muito ferida”, disse Boone, que mora em Elida, uma cidade com cerca de 200 habitantes no leste do Novo México. “Não vamos ter pressa para reabastecer.”

 

MENOS GADO, PREÇOS MAIS ALTOS

Enviar fêmeas para abate em 2021, em vez de mantê-las para reprodução, reduzirá os estoques de gado pronto para o mercado em 2023, segundo economistas. Os animais têm longos períodos de gestação e demoram a engordar após o nascimento.

“Quando liquidamos rebanhos de fêmeas, esses impactos de oferta acabam durando anos”, disse Mike von Massow, professor associado de alimentos, agricultura e economia dos recursos da Universidade de Guelph, Ontário. “Você tem essa ressaca.”

A Tyson Foods, maior empresa de carne dos EUA em termos de vendas, disse em uma recente conferência de resultados que espera que as margens operacionais de seu crescente negócio de carne bovina diminuam no próximo ano, em meio à liquidação dos rebanhos –embora os resultados ainda devam ser fortes.

Riding diz que irá precisar de quatro anos para reconstruir seu rebanho. Se a seca diminuir, ela poderá reter ou comprar novilhas no ano que vem, mas os animais não produzem seu primeiro bezerro até completarem dois anos.

Os consumidores também sentirão o aperto, afirmaram analistas. Em agosto, o USDA reduziu suas estimativas para a produção de carne bovina dos EUA neste ano e no próximo, já que os pecuaristas estão criando animais para pesos menores.

Depois de uma seca ocorrida em 2014, os preços da carne bovina no Canadá avançaram cerca de 25% no ano seguinte e permaneceram elevados por pelo menos dois anos, disse von Massow, citando dados da Statistics Canada.

Assim, os preços da carne bovina devem subir já neste outono (no Hemisfério Norte), refletindo os preços mais altos para a alimentação do gado, acrescentou o professor.

(Reportagem de Rod Nickel, em Winnipeg, e Tom Polansek, em Chicago; reportagem adicional de David Alire Garcia, na Cidade do México)