Bonds americanos finalmente dão trégua?

Com o início da pandemia, o governo norte americano adotou medidas para estimular a economia. Em 2020 foi aprovado um pacote de estímulos de US$ 3 trilhões. Já em 2021, o governo norte americano vem comprando mensalmente US$ 120 bilhões em títulos públicos para garantir a retomada da economia pós pandemia.

Toda essa injeção de dinheiro na economia vem fazendo o índice de inflação norte americano subir, o que traz preocupação ao mercado, quanto ao aumento da taxa de juros.

Os Bonds de 10 anos são usados como referência para o tesouro do governo americano. O ativo fez um forte movimento de alta a partir de julho de 2020, o que passou a preocupar os especialistas. O sinal de alerta era de que o valor pago pelos Bonds de 10 anos estava se aproximando do retorno médio que as empresas que compõem o S&P 500 pagam de 1,48%.

Ocorreu que este valor foi largamente superado e os Bonds de 10 anos chegaram a uma máxima de 1,774%. Contudo, ainda assim o Fed manteve os estímulos e não deu qualquer indicação que faria alguma alteração na taxa de juros antes do previsto.

Observando o gráfico semanal dos Bonds de 10 anos, é fácil entender o motivo das preocupações.

Conforme pode ser observado, entre julho de 2020 e março de 2021, o ativo fez um forte movimento de alta.

Após fazer topo o ativo começou a recuar. Como visto, a regressão foi feita até a retração de 50% de todo o movimento de alta, onde foi formada uma consolidação.

Gráfico diário.

Observando o gráfico diário, é visto que quando os Bonds saíram da consolidação formada sobre as retrações, subiram em direção aos alvos projetados pelo retângulo.

Quando o terceiro alvo foi alcançado, foi formado um padrão de reversão conhecido como “Engolfo de baixa”, e o ativo caiu até a média móvel de 20 períodos.

Nos últimos dias, o ativo permaneceu trabalhando abaixo da média e hoje, ao fazer um movimento forte de queda, chamou a atenção para um novo padrão de reversão.

Apesar de o movimento dos últimos dias não estar perfeitamente alinhado com o padrão, seria possível entender que se trata de um “Ombro-Cabeça-Ombro”.

Este padrão geralmente ocorre em uma região de topos e indica um movimento de queda, caso seja acionado. Desde modo, é interessante avaliar se amanhã o ativo irá trabalhar abaixo da linha tracejada, o que indicaria que o padrão está sendo acionado. Para uma maior confiança no padrão, seria interessante que o ativo fechasse abaixo da linha tracejada. Isto abriria caminho para a queda do ativo até algum dos alvos projetados.

Viés de baixa.

Como hoje o movimento dos Bonds de 10 anos foi de baixa, logo após a ata do FOMC de ontem, seria possível estimar que o mercado gostou dos resultados da reunião. Além disso, o padrão gráfico mostra que um movimento de baixa pode estar por vir. O que contribuiria para que a maior economia do mundo continuasse trabalhando a todo o vapor na recuperação pós pandemia.

Ouro sobe com força nesta manhã de sexta-feira!

O ouro já vem trabalhando em um canal de baixa desde meados de junho. O ativo já chegou a perder o canal, mas se recuperou nos dias seguintes e voltou para dentro da consolidação. Ao final de setembro, os vendedores levaram o preço para baixo novamente, mas, após perder a linha inferior do canal, os compradores voltaram a agir levando o preço para cima.

Hoje, com a forte alta ocorrida pela manhã, o ouro chegou a tocar na linha superior do canal. Contudo, logo após alcançar a resistência, por volta das 12 horas (horário de Brasília), o ativo começou a recuar e o preço voltou ao nível em que estava trabalhando no início do dia. Esta movimentação é possível de ser observada no gráfico horário, abaixo.

A barra das 12 horas, mostra que ocorreu um forte movimento de baixa. Na barra seguinte é observado que o ativo recuperou apenas cerca de metade da queda. Isso mostra que existe uma maior pressão vendedora, fazendo com que o ouro volte a cair na sequência.

Mas por quê essa alta repentina do ouro?

O ouro é considerado um dos ativos mais seguros do mundo. Deste modo, quando o cenário macroeconômico apresenta muitas incertezas, é normal ver o ouro se valorizar.

Outro ativo que é usado pelos investidores como uma “segurança”, são os bonds americanos. Observando o gráfico dos bonds de 10 anos, é notado que hoje o ativo vem caindo com força.

De forma similar ao ouro, porém em movimentos inversos, os bonds americanos realizaram um forte movimento de queda entre 9 horas da manhã e meio-dia. Uma hipótese que poderia ser dada, é que a correlação entre os mercados acarretou nestas movimentações para os ativos. Ou seja, uma vez que os bonds americanos caíram, o ouro subiu.

E pelo que parece, foram os bonds que iniciaram o movimento.

Observando o gráfico diário dos bonds de 10 anos, é notado que o ativo fez um forte movimento de alta ao longo desta semana. Com essa movimentação o ativo alcançou o terceiro alvo de um retângulo no qual vinha trabalhando. Entretanto, hoje o ativo vem caindo, respeitando a resistência imposta pelo terceiro alvo.

É interessante notar como os ativos se correlacionam, pois assim como o ouro subiu devido a queda dos bonds de 10 anos, o S&P 500 também fez um movimento de alta pela manhã. Este tipo de movimentação está alinhado, pois a correlação entre o tesouro americano e o mercado de ações é inversa. Assim, quando um cai, se espera que o outro suba.

É preciso ressaltar, porém, que as correlações existem e se mostram verdadeiras na maior parte do tempo. No entanto, às vezes os ativos seguem por caminhos específicos, sem qualquer relação com o restante do mercado.

De qualquer forma, é interessante acompanhar as correlações entre os ativos que estamos analisando, pois elas contribuem para uma maior confiança nos padrões observados.

Dólar dispara novamente e o cenário começa a ficar preocupante!

O Dólar futuro negociado na B3 já vem trabalhando em um canal de alta desde junho. No início de outubro o ativo acionou um pivô de alta no gráfico semanal, o que deu ainda mais força para a continuidade do movimento. Com as incertezas políticas e fiscais desta semana, o dólar alcançou o primeiro alvo do pivô, e hoje, subiu com força novamente, rompendo a máximo anterior.

Apesar da forte alta, o ativo se segurou na linha superior do canal no qual vem trabalhando. Porém, devido ao cenário político, o mais provável é que o ativo supere esta linha e siga rumo aos demais alvos.

É importante destacar que o terceiro alvo do pivô semanal coincide com o topo histórico do ativo. Assim sendo, se o governo não apresentar um cenário mais favorável aos investidores, é possível que vejamos o dólar novamente próximo a região dos R $ 6,00 nas próximas semanas.

Com o dólar subindo, os juros disparam!

O depósito interbancário (DI) se refere a taxa de juros praticadas pelas instituições para a realização de empréstimos entre as mesmas. Estas taxas afetam diretamente o comportamento da taxa básica de juros do país, a SELIC. Ou seja, se os DI estão subindo, existe uma perspectiva de que o Banco Central também eleve um táxon SELIC.

Com a alta do dólar nos últimos dias, o DI 24, usado como referência para o juros futuro, disparou. O ativo superou um retângulo no qual já vinha trabalhando desde o início de setembro e superou o alvo de 100% de um pivô que foi acionado na terça-feira.

Com este comportamento do ativo, é possível que na próxima reunião do Comitê de Política Monetário (COPOM) uma taxa SELIC seja elevada em 1,50%, e não apenas 1% como havia sido programado.

Lá fora os juros sobem também.

A alta do dólar não foi somente perante o real. A moeda americana se valorizou perante várias moedas, inclusive o Euro. Com isso, outro ativo que fez um forte movimentação de alta foi o tesouro americano de 10 anos.

Com quatro dias de alta nesta semana, o ativo superou o topo anterior e foi em busca do terceiro alvo projetado pelo retângulo no qual vinha trabalhando.

O aumento dos juros do tesouro americano e preocupante, pois acarreta na valorização do dólar e pode frear a alta do S&P 500. Com um cenário como esse, os investidores estrangeiros procuram uma maior margem de segurança para investir em um país como o Brasil. Ou seja, taxas de juros do tesouro maiores, e ações mais baratas.

Bonds americanos seguem subindo, levando o dólar com eles.

Os bonds americanos de 10 anos são usados como ativo de referência para os títulos do tesouro dos Estados Unidos. Desta forma, é interessante acompanhar a cotação deste ativo, para estimar a taxa média de juros paga pelo governo americano.

O gráfico diário mostra que os bonds de 10 anos vêm trabalhando em um canal de alta desde meados de julho. Porém, na semana passada, o ativo fez um forte movimento de alta e acionou um pivô rompendo o canal para cima.

Ontem o ativo subiu novamente, alcançando assim o primeiro alvo projetado do pivô. Apesar de hoje estar corrigindo um pouco, a tendência de alta continua forte e a expectativa é que nos próximos dias os demais alvos sejam alcançados.

Tendência de alta no gráfico semanal.

O gráfico semanal mostra a força da tendência. Após fazer um forte movimento de alta, o ativo corrigiu até a retração de 50%, de onde passou novamente a subir em busca do topo.

Conforme mostrado, o terceiro alvo do pivô do gráfico diário, coincide com a região de topo. Isto reforça ainda mais a hipótese de que os títulos americanos continuarão subindo pelos próximos dias.

Bonds sobem e dólar vai junto!

Com os bonds americanos subindo, o dólar se fortalece perante as outras moedas.

O maior destaque fica para a moeda japonesa. O gráfico diário do dólar/yen mostra que após acionar o pivô de alta, a moeda americana subiu com força alcançando em apenas um dia o alvo de 100%. Hoje o dólar segue subindo, rumo ao terceiro alvo.

O euro também vem caindo perante a moeda americana, conforme já foi explicado no artigo “Com o euro caindo, o dólar ganha força perante outras moedas”.

E o real…

Com o real não é diferente. A moeda brasileira vem perdendo valor perante o dólar nas últimas seis semanas. Neste período o dólar já subiu mais de 8%, e ontem a moeda americana subiu novamente, chegando a romper a máxima da semana passada.

Com os bonds americanos subindo e o dólar ganhando força perante outras moedas, é provável que o real continue se desvalorizando. Isso pode fazer o dólar continuar subindo, em busca do topo histórico próximo aos R$6,00.

Mercados sem correlação geram cenário de dúvidas.

No mundo globalizado em que vivemos, é esperado que os mercados também se conversem. Deste modo, normalmente se observa padrões de comportamento entre um mercado e outro, o que leva a entender que existem correlações entre os ativos, como já foi explicado no artigo “O que são Correlações entre ativos”.

Uma correlação que se espera ocorre entre o dólar e os bonds americanos, pois a negociação destes é feita somente em dólar, de modo que se os bonds sobem, é esperado que o dólar suba também.

Em contrapartida, quando os bonds americanos estão subindo, se deduz que os investidores estão com aversão ao risco, logo, é esperado que as ações, assim como seus respectivos índices, caiam.

Hoje, porém, esta correlação não se mostra verdadeira, pois os bonds americanos seguem sua tendência de alta e sobem cerca de 2,6%, enquanto o S&P 500, recuperando-se da forte queda de ontem, trabalha em alta de 1,3%.

Este cenário de incertezas é gerado, pois os ativos se encontram em situações delicadas. Os bonds americanos de 10 anos, mostrados no primeiro gráfico, seguem a tendência de alta, trabalhando dentro de um canal e se preparando para acionar um pivô, o que poderia levar o ativo a uma alta ainda mais expressiva.

Já o S&P 500, que perdeu o seu canal de alta e acionou um pivô de baixa, vem se segurando buscando permanecer dentro de uma zona de consolidação, evitando assim maiores perdas.

Caso os bonds americanos acionem o pivô de alta e façam um forte movimento ascendente, é esperado que as ações do mercado americano realizem uma correção, levando o índice para baixo.

No Brasil o dia também está confuso.

No mercado brasileiro o cenário também é de incertezas. Enquanto o Ibov se recupera depois da forte queda de ontem subindo 1,14%, considerando a máxima do dia, o dólar também segue subindo, em alta de 0,40% frente ao real.

O cenário brasileiro também é preocupante, pois nos últimos 4 meses o Ibov vem caindo, enquanto o mercado americano continuava subindo. Agora, caso o S&P 500 realize um movimento de correção mais forte, é possível que o Ibov acompanhe levando assim o mercado brasileiro para baixo.

Queda nos bonds americanos pode dar fôlego aos mercados.

Os bonds de 10 anos do governo americano são usados como referência para uma comparação entre o rendimento oferecido pelos títulos americanos e o yield médio do S&P 500. Em meados de março deste ano os bonds ultrapassaram a marca de 1,48%, valor que corresponde à média de proventos pagos pelas empresas que compõem o principal índice americano. Deixando assim os investidores em dúvida sobre onde devem aplicar o seu dinheiro, já que os bonds do governo, que são considerados o investimento mais seguro do mundo, estão oferecendo o mesmo retorno que os yields das ações.

Observando o gráfico semanal dos bonds de 10 anos, é notado que após fazer topo próximo a taxa de 1,8%, a força compradora cessou, juntamente com o movimento de alta. Na sequência o ativo veio até a regressão de 50% de toda a alta e começou a formar uma bandeira em direção à média de 20.

Com o resultado do CPI de agosto, dado que mede a evolução dos preços de bens e serviços, os bonds de 10 anos realizaram um forte movimento de baixa, visto que o CPI veio abaixo do esperado. Este movimento de baixa fez com que o gráfico diário perdesse uma bandeira que estava se formando abaixo da média de 200. Caso o ativo não se recupere hoje e fecha abaixo da linha de suporte, é esperado que nos próximos dias a taxa paga pelos bonds volte a 1,13%, ou ainda busque valores menores, visto que o ativo pode buscar a região de 61,8% do gráfico semanal, mostrado acima.

Com a redução da taxa paga pelos bonds, o mercado de ações ganha força, pois além de os investidores se sentirem mais atraídos a investir neste tipo de ativos, o governo americano fica mais livre para continuar emitindo dívidas a fim de injetar dinheiro na economia.