Importações de petróleo pela China se recuperam em novembro

Por Chen Aizhu

CINGAPURA (Reuters) – As importações de petróleo pela China se recuperaram em novembro em relação às mínimas do mês anterior, mas ainda estavam cerca de 8% abaixo dos níveis do ano passado, segundo dados alfandegários mostraram na terça-feira, à medida que novas cotas permitem que os refinadores tragam as importações mantidas em navios ancorados.

As chegadas de novembro foram de 41,79 milhões de toneladas, ou 10,17 milhões de barris por dia (bpd), de acordo com a Administração Geral das Alfândegas.

Isso foi maior do que o número de outubro de 8,9 milhões de bpd, mas inferior ao de novembro de 2020, de 11,04 milhões de bpd.

As chegadas de petróleo de janeiro a novembro somaram 466,84 milhões de toneladas, ou 10,2 milhões de bpd, queda de 7,3%.

Importadores, como a grande refinaria privada Zhejiang Petrochemical Corp, aumentaram significativamente as importações de novembro depois de obter novas licenças, transportando alguns carregamentos comprados anteriormente que estavam esperando ao largo de Zhoushan.

Mas as importações para o maior comprador de petróleo do mundo no ano até agora foram menores, já que os ingressos para refinadores independentes menores foram controlados depois que Pequim cortou suas cotas de importação e aumentou o escrutínio fiscal em uma tentativa de remover o excesso de capacidade de refino.

Os dados de terça-feira também mostraram que as exportações de combustíveis refinados da China aumentaram para 4,19 milhões de toneladas no mês passado, de 3,95 milhões em outubro, mas ficaram abaixo de 4,95 milhões de toneladas um ano antes.

As importações de gás natural aumentaram cerca de 17% no ano, para 10,73 milhões de toneladas, o maior valor mensal desde janeiro, o que os traders atribuíram a aumentos no fornecimento da Rússia.

As importações nos primeiros 11 meses aumentaram quase 22% no ano.

((Tradução Redação São Paulo 55 11 56447751))REUTERS RS

Resumo da semana para o petróleo: ômicron e OPEP+ guiaram preços

Os futuros do petróleo iniciaram o dia em alta nesta sexta-feira (03/12), apesar de uma semana em queda e sem brilho.

O Brent seguia avançando 2,49%, cotado a US$ 72,962 o barril. Já o WTI subia 2,18%, cotado a US$ 69,192 o barril.

As quedas iniciaram no início da semana, justificadas pelas incertezas derivadas do surgimento da variante ômicron do coronavírus. Porém, foi amenizado pelo tom da decisão da OPEP+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados) de cautela perante o cenário atual.

A decisão manteve a política de produção atual de aumentar o volume produzido mensal em 400.000 barris por dia em janeiro, o que surpreendeu os mercados, que esperavam uma queda na produção.

Reunião da OPEP+

O mercado acordou com otimismo nesta sexta-feira com os investidores analisando o comportamento do cartel internacional de petróleo, a OPEP+.

A OPEP e seus aliados concordaram ontem (02/12) em manter sua política atual de aumento mensal da produção de petróleo. 

A decisão surpreendeu devido aos temores de que o avanço da pandemia e da liberação dos EUA das reservas de petróleo levariam a uma nova queda no preço.

Fontes disseram que o grupo considerou uma série de opções nas negociações na quinta-feira, incluindo pausar seu aumento de 400.000 barris por dia (bpd) em janeiro ou aumentar a produção em menos do que o plano mensal.

O Brent caiu mais de US$ 1 depois da divulgação da decisão, antes de recuperar algum terreno para ser negociado em torno de US $ 70 o barril. 

Colocando em perspectiva, o petróleo se encontra bem abaixo das máximas de três anos de outubro, acima de US$ 86, mas ainda mais de 30% acima do início de 2021.

Expectativas para as próximas reuniões

De acordo com a Reuters, apesar da manutenção da estratégia atual de produção, a Arábia Saudita, o maior produtor mundial de petróleo e líder da OPEP, pode aumentar os preços em janeiro de seu petróleo árabe Light.

A perspectiva de que o cartel possa rever sua decisão a qualquer instante aumentou o otimismo dos negociantes de que a oferta poderá ser reajustada caso o nível de demanda seja insuficiente para a manutenção dos preços atuais.

No entanto, as preocupações com a demanda de curto prazo, em face da nova variante, devem continuar pesando sobre os mercados.

“Já se passou uma semana desde a queda repentina do preço do petróleo e o ambiente de comercialização do petróleo ainda não saiu do túnel, mas a positividade geral hoje está ajudando os preços do Brent a US $ 72 por barril, apesar dos riscos ainda não quantificados da variante Omicron ”, Escreveu Louise Dickson, analista sênior de mercados de petróleo da Rystad Energy, em uma nota diária.

Dickson disse ainda que a decisão da OPEP+ de manter tecnicamente sua reunião “em sessão”, até o próximo encontro agendado para 4 de janeiro, transmite uma mensagem otimista sobre as perspectivas da demanda por petróleo.

Por outro lado, a decisão do grupo de manter sua política de produção e, eventualmente, aumentar no ano que vem, pode ser interpretada como baixista para os preços.

“A decisão relativamente rápida de ir em frente com um aumento de oferta planejado com modificações não é o que o mercado estava avaliando, com OPEP+ apontando para os impactos e gravidade ainda desconhecidos do omicron, aguardando orientações mais detalhadas dos fabricantes de vacinas e da Organização Mundial de Saúde, ”Escreveu o analista.

Previsões para o petróleo: Deutsche Bank, JP Morgan e Morgan Stanley

Prever o futuro do petróleo tem sido uma tarefa árdua para os analistas da commodity. As incertezas no cenário geopolítico, econômico e da pandemia tem aumentado a complexidade e a incerteza dos modelos de previsão.

Nos últimos dias, a preocupação entre os negociantes de petróleo com a descoberta de uma nova nova cepa da Covid-19 na África do Sul vem guiando os preços da commodity energética. 

O receio é de que a nova onda de contaminação possa levar à retomada das medidas de restrição do comércio e circulação de pessoas, mesmo com o avanço das vacinas.

Há também de se destacar as movimentações geopolíticas, que têm acirrado a guerra em torno do petróleo.

De um lado, a OPEP+ (Organização de Países Exportadores de Petróleo e aliados) insiste em limitar a oferta de petróleo, com seus planos de aumentar a produção da commodity a um nível aquém das necessidades da demanda global.

De outro lado tem a retaliação dos EUA que tem orquestrado, junto com outros países consumidores, a liberação de petróleo das reservas estratégicas. A tentativa é forçar uma queda nos preços com o aumento da oferta.

Em contrapartida, a OPEP+ tem ameaçado realizar cortes ainda maiores caso os EUA avancem na sua estratégia de liberação das reservas.

Vale destacar que os membros da OPEP+ concordaram nesta quinta-feira (02/12) em manter sua política atual de aumento mensal de 400 mil bpd da produção de petróleo. Porém, as incertezas quanto às próximas reuniões permanecem.

Se não bastasse isso, há também fatores climáticos, estruturais e econômicos que podem influenciar significativamente o jogo de demanda e oferta e, consequentemente, a precificação deste ativo tão importante para mover o mundo.

Esse cenário complicado tem feito com que os analistas das principais instituições financeiras do mundo prevejam rumos radicalmente distintos para o petróleo.

Deutsche Bank

O Deutsche Bank espera que os preços do petróleo Brent caiam consideravelmente no próximo ano. A expectativa é que a cotação caia abaixo de US$ 60 por barril

“Seria um equívoco pensar em uma pausa da Opep na quinta-feira como otimista, já que assumimos isso em nosso modelo e ainda assim terminamos com um superávit no primeiro trimestre”, disseram analistas do Deutsche, citados pela Bloomberg. 

“Seríamos os vendedores de um rali em petróleo bruto depois de uma pausa da Opep”, completaram.

JP Morgan

A maioria dos outros bancos estão prevendo preços mais altos para o petróleo bruto.

Analistas do JP Morgan recentemente estimaram o Brent chegando à US$ 125 por barril em 2022, e subindo ainda mais, para US$ 150 em 2023.

“A OPEP + não está imune aos impactos do subinvestimento. Estimamos que a capacidade ociosa ‘verdadeira’ da OPEP em 2022 será de cerca de 2 milhões de barris por dia (43%) abaixo das estimativas de consenso de 4,8 milhões”, disse em nota a equipe liderada por Christyan Malek.

Os analistas do JP Morgan não parecem esperar um superávit na oferta global de petróleo, mesmo no primeiro trimestre do ano que vem. 

Em vez disso, eles estão observando que a OPEP+ pode precisar adicionar mais algumas parcelas de 400.000 bpd mensais para aproximar o mercado do equilíbrio.

Morgan Stanley

O Morgan Stanley, no início desta semana, reduziu sua previsão do preço do petróleo com o susto causado pelo surgimento da variante ômicron. 

O banco previu anteriormente que o Brent seria negociado a uma média de US$ 95 por barril no primeiro trimestre de 2022, mas agora isso foi revisado para US$ 82,50 por barril.

De acordo com nota dos analistas do banco de investimento, o mercado de petróleo parece estar precificando uma demanda global mais lenta devido à nova variante, além de preocupações continuadas de que o saldo do mercado se tornaria superavitário já no primeiro trimestre de 2022.

Califórnia deveria cortar petróleo da floresta amazônica, dizem ONGs

Por Alexandra Valencia e Sharon Bernstein e Oliver Griffin

QUITO/SACRAMENTO (Reuters) – O Estado norte-americano da Califórnia precisa eliminar ou diminuir consideravelmente o consumo de petróleo extraído da floresta amazônica para proteger um ecossistema vital para se conter os efeitos da mudança climática, disseram dois grupos de ativistas em um relatório nesta quinta-feira.

Dados de importação da Agência de Informações de Energia dos Estados Unidos e de manifestos de carga ajudaram a Stand.earth e a Amazon Watch a concluírem que 50% do petróleo produzido na Amazônia vai para a Califórnia.

Cerca de um de cada nove galões de gasolina, diesel e combustível de aviação que abastecem veículos e aviões na Califórnia estão ligados à floresta tropical.

“Refinarias, negócios e consumidores da Califórnia estão desempenhando um papel desproporcional no consumo de petróleo de uma das regiões mais biodiversificadas da bacia do rio Amazonas”, disseram os grupos no relatório conjunto.

Cientistas dizem que proteger a Amazônia é essencial para conter a mudança climática por causa da quantidade vasta de gases de efeito estufa que a floresta absorve.

No Equador, que o relatório diz ser a fonte de 89% do petróleo proveniente da Amazônia, a perda de floresta primária em 2020 disparou para 19.101 hectares, o nível mais elevado desde 2002, de acordo com o programa Maap da Amazon Conservation baseado em dados da Universidade de Maryland.

(Por Alexandra Valencia, em Quito; Sharon Bernstein, em Sacramento; e Oliver Griffin, em Bogotá)

Queda do petróleo foi exagerada, segundo analista do Goldman Sachs

Para o estrategista do banco Goldman Sachs, Damien Courvalin, a recente queda dos preços do petróleo foi muito maior do que deveria quando se leva em conta os efeitos potenciais da nova variante do coronavírus, a ômicron.

Desde a sexta-feira da semana passada (24/11) o Brent e o WTI caíram cerca de 13%, devido às preocupações de que a nova variante prejudique a demanda global.

Esse movimento foi considerado exagerado, conforme cálculos feitos por Courvalin.

“A falta de atividade de compra discricionária em face de uma nova variante COVID incerta, portanto, deixou os preços em queda livre e precificação em uma perspectiva de demanda terrível. Estimamos com base em nosso modelo de precificação, que o mercado agora precificou uma queda na demanda de 0,7 mb/d [milhões de barris por dia] nos próximos três meses, sem nenhuma resposta compensatória da OPEP+”. 

Queda foi incoerente com a realidade

Para Courvalin, a precificação do petróleo pelo mercado em geral é compatível com três cenários radicalmente incoerentes com qualquer estimativa sobre possíveis efeitos do novo evento sobre a demanda futura.

“Para colocar em contexto, isso representaria qualquer um destes resultados extremos: (1) nenhum avião voando ao redor do mundo por três meses, ou (2) metade da intensidade do bloqueio global do 2T20, ou (3) um mundo ainda pior do que antes das vacinações.”

Apesar de contra intuitivo, Courvalin entende que o motivo da queda está relacionado ao conjunto de incertezas que permeiam o ambiente econômico internacional.

“Vemos o movimento de queda nos preços como excessivo, mas compreensível no contexto de baixa liquidez de fim de ano e apetite pelo risco. Dadas as grandes incertezas neste momento, aguardamos mais notícias sobre o desenvolvimento da variante e restrições adicionais impostas antes de renovar nossa oferta e balanços de demanda e previsões do preço do petróleo, embora mais uma vez reiteramos nossa visão de que o mercado ultrapassou em muito o provável impacto da última variante sobre a demanda de petróleo com a reprecificação estrutural mais alta devido à mudança dramática na função de reação da oferta de petróleo ainda à nossa frente”.

Cotações

As ações das principais petrolíferas Exxon Mobil e BP caíram 7,2% e 9,8%, respectivamente, nas últimas cinco sessões. 

Já a Petrobras foi na contramão, subindo cerca de 9% desde o dia 24/11, com eventos internos direcionando as expectativas dos investidores.

Até às 12h de hoje (01/12), o Brent segue em alta de 1,38%, cotado a US$ 71,807 o barril, enquanto o WTI subia 1,51%, ao preço de US$ 68,403.

Refino de petróleo pesa e preços ao produtor no Brasil disparam em outubro para máxima em 6 meses

SÃO PAULO (Reuters) – Os custos do refino de petróleo pesaram e os preços ao produtor no Brasil aceleraram a alta a 2,16% em outubro, a mais forte em seis meses, mostraram dados divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em setembro, o Índice de Preços ao Produtor (IPP) havia subido 0,25%, e o resultado de outubro é o mais forte desde abril (+2,19, marcando uma série de mais de dois anos de inflação na indústria — a última taxa negativa do IPP foi em agosto de 2019.

O resultado de outubro leva o índice a acumular em 12 meses avanço de 28,83%.

Entre as 24 atividades analisadas, o IBGE apontou que 22 apresentaram alta em outubro, com destaque para refino de petróleo e produtos de álcool (7,14%).

“Essa taxa é reflexo da variação do óleo bruto de petróleo, cujo preço vem aumentando no mercado internacional”, explicou o gerente da pesquisa, Alexandre Brandão. A atividade acumula no ano alta 60,38%, a maior taxa para outubro desde o começo da série histórica, em 2014.

Também pesou com força a alta de 6,38% na atividade de outros produtos químicos, ligada principalmente aos preços internacionais e ao custo de diversas matérias-primas, como a nafta. Além disso, a demanda da indústria por produtos químicos está aquecida, segundo o IBGE.

“É um setor diretamente afetado pelo refino de petróleo. Então, a alta no refino acaba puxando o resultado de outros produtos químicos”, explicou Brandão.

O IPP mede a variação dos preços de produtos na “porta da fábrica”, isto é, sem impostos e frete, de 24 atividades das indústrias extrativas e da transformação.

 

(Por Camila Moreira)

Opep+ inicia dois dias de negociações em meio à queda do preço do petróleo

LONDRES (Reuters) – A Opep e seus aliados começam dois dias de reuniões nesta quarta-feira para decidir se liberam mais petróleo no mercado ou restringem o fornecimento em meio a uma queda do preço e temores de que a variante do coronavírus Ômicron possa enfraquecer a demanda global por energia.

Os preços do petróleo caíram para perto de 70 dólares o barril na terça-feira, ante 86 dólares em outubro, registrando sua maior queda mensal desde o início da pandemia, no momento em que a nova variante levantou temores de um excesso de oferta.

Em novembro, o Brent caiu 16,4%, enquanto o WTI caiu 20,8%, a maior queda mensal desde março de 2020.

“A ameaça à demanda de petróleo é genuína”, disse Louise Dickson, analista sênior de mercados de petróleo da Rystad Energy. “Outra onda de lockdowns pode resultar em uma perda de demanda de petróleo de até 3 milhões de barris por dia no primeiro trimestre de 2022.”

Também pressionando os preços, o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, disse que o banco central dos EUA provavelmente discutirá acelerar a redução das compras de títulos em meio a uma economia forte e às expectativas de que um aumento na inflação persistirá.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) se reúne nesta quarta-feira, seguida por um encontro na quinta-feira da Opep+, que agrupa a Opep com aliados, incluindo a Rússia.

Vários ministros da Opep+, incluindo da Rússia e da Arábia Saudita, disseram que não havia necessidade de uma reação automática do grupo.

Mas alguns analistas sugeriram que a Opep+ pode suspender os planos de adicionar 400 mil barris por dia (bpd) ao fornecimento em janeiro.

O grupo já estava avaliando os efeitos do anúncio da semana passada pelos Estados Unidos e outros países de liberar reservas emergenciais de petróleo para moderar os preços.

(Reportagem equipe da Opep, texto de Dmitry Zhdannikov)

EUA versus OPEP: quem ganhará a batalha pelo preço do petróleo?

Nos últimos dias, a preocupação entre os negociantes de petróleo com a descoberta de uma nova nova cepa da Covid-19 na África do Sul vem guiando os preços da commodity energética. 

O receio é de que a nova onda de contaminação poderá levar à retomada das medidas de restrição do comércio e circulação de pessoas, mesmo com o avanço das vacinas.

Ainda se sabe pouco sobre a ômicron, mas caso se confirmem as especulações sobre a capacidade de transmissão e resistência às vacinas, o impacto inicial da nova variante provavelmente será o prolongamento dos controles de viagens e atraso na recuperação na aviação internacional e no consumo de petróleo.

A queda dos preços tem fortalecido a estratégia dos EUA de liberar parte de suas reservas de emergência para combater as pressões da OPEP+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados). 

Porém, o cartel internacional não deverá tolerar preços muito baixos por muito tempo e, dessa forma, poderá retaliar com restrições adicionais à oferta de petróleo.

EUA pode ofertar mais do que o anunciado

As últimas notícias mostram que os Estados Unidos estão prontos para liberar ainda mais barris de petróleo bruto de seus estoques de emergência, disse um consultor sênior do Departamento de Estado à CNBC hoje.

A administração do presidente Joe Biden anunciou na semana passada que iria liberar 50 milhões de barris de petróleo bruto das Reservas Estratégicas de Petróleo (SPR na sigla em inglês) para derrubar os preços da gasolina.

Mas, de acordo com Amos Hochstein, consultor sênior do Departamento de Estado dos EUA para segurança energética global, os Estados Unidos têm o suficiente para liberar ainda mais.

“Esta é uma ferramenta que estava disponível para nós e estará disponível novamente”, disse Hochstein.

OPEP+ pode restringir ainda mais a oferta

A declaração ousada de que os Estados Unidos poderiam liberar ainda mais petróleo bruto vem a alguns dias antes da reunião da OPEP+ que decidirá se deve manter o curso com seu aumento de produção planejado de 400.000 barris por dia, interromper o aumento ou até mesmo cortar a produção.

Na esteira das decisões dos EUA, surgiram relatórios quase imediatamente após o anúncio do SPR de que a Arábia Saudita e a Rússia, os líderes da aliança ampliada OPEP +, já estavam considerando uma suspensão da política de aumento da produção.

Segundo documento citado pela Bloomberg, o Conselho da Comissão Econômica do grupo – um órgão consultivo dentro da organização – disse esta semana que os estoques de petróleo liberados pelos Estados Unidos e seus parceiros aumentariam o superávit global de petróleo em cerca de 1,1 milhão de bpd (barris por dia) em janeiro e fevereiro.

Ainda segundo o documento, se 66 milhões de barris fossem adicionados à oferta global pelos EUA e seus aliados, o excesso de petróleo global aumentaria para 2,3 milhões de bpd em janeiro de 2022 e 3,7 milhões de bpd em fevereiro. 

Opinião de analistas

Considerando ainda o cenário de incertezas geradas pela nova variante do coronavírus, analistas começam a apostar numa possível suspensão das adições de produção dos 400.000 bpd, ou até mesmo restrições ainda maiores por parte dos membros da OPEP+.

“Eu acho que enquanto nos dirigimos para a reunião da OPEP na quinta-feira, a questão não é apenas fazer uma pausa, mas sim se eles poderão realmente diminuir a produção de barris por causa das preocupações sobre esta nova variante junto com a liberação excessiva de SPR”, disse Helima Croft, Chefe de estratégia global de commodities da RBC Capital Markets.

Para John Kilduff, do Again Capital, a OPEP fará seu movimento se o WTI cair abaixo de US$ 70. 

“Certamente, a OPEP e os sauditas podem vencer porque estão na posse de todas as cartas. Eles podem manter mais óleo fora do mercado do que a liberação de reservasd dos EUA pode colocar no mercado. Se o WTI ficar abaixo de US$ 70, eu esperaria uma resposta da OPEP +”.

Petróleo recupera cotações, mas investidores seguem monitorando efeitos da ômicron

Após o pânico da sexta-feira (26/11) que derrubaram as bolsas do mundo todo, os investidores retomaram as compras nesta segunda-feira (29/11) com as notícias preliminares que indicam a possibilidade da ômicron (nova variante da Covid-19) ser mais leve do que a variante Delta.

Entretanto, não há ainda informações consolidadas sobre o tema, o que contribui para que a incerteza continue pairando no ar.

De qualquer forma, isso já foi o bastante para elevar os preços do petróleo. Até às 11h30, o Brent subia 4,50%, cotado a US$ 75,49 por barril. Já o WTI seguia o mesmo rumo, subindo 6,32%, aos US$ 72,53.

Análises

A alta desta segunda é resultado do entendimento dos investidores de que a forte queda de sexta-feira abriu oportunidades para entrada no ativo.

Além da nova variante do coronavírus, os investidores também estão precificando notícias referentes à possibilidade da Opep+ de suspender seus aumentos de produção em resposta às ações coordenadas dos EUA para liberar parte de suas reservas estratégicas.

Com isso, as expectativas de queda no petróleo estão contidas, ao menos enquanto não aparecem novas informações sobre a gravidade da situação envolvendo a ômicron.

No geral, os analistas estão divididos quanto ao futuro das cotações.

Entre os que preveem alta nos preços, Jefrey Halley, diretor de pesquisa da OANDA para a Ásia, afirma que “as mínimas de sexta-feira provavelmente foram a barganha do ano, para quem queria se posicionar no petróleo, seja no mercado físico ou especulativo”.

O mesmo pensamento é compartilhado por Phil Flynn, analista do Price Futures Group, de Chicago, que acha o WTI a US$72 por barril uma barganha.

“Não sei qual é a gravidade dessa nova variante e se ela acabará provocando lockdowns de grandes proporções. Se essa variante, de fato, acabar sendo muito pior do que a delta, tudo é possível”.

Outros analistas pensam o contrário, ou seja, que as altas de hoje é apenas uma correção do tombo de sexta, e que o fundo do poço ainda não chegou.

Para Samie Madani, especialista em rastreamento de petroleiros, essa alta de hoje é considerada uma “armadilha para os touros”, escreveu em seu Twitter no domingo.

“A China não vai comprar nesses preços. Ela só o fará se os preços caírem mais. Levaremos pelo menos duas semanas para entender essa variante ômicron e para que haja um consenso entre os especialistas. Podemos ver uma desvalorização maior até lá”, complementou Madani.

Nova variante representa risco global muito alto

A variante ômicron do coronavírus foi reportada à OMS em 24 de novembro de 2021 pela África do Sul.

O primeiro caso confirmado foi de uma amostra coletada em 9 de novembro de 2021. De acordo com a OMS, a variante apresenta um “grande número de mutações”, algumas preocupantes.

A médica sul-africana que fez o primeiro alerta sobre a variante, Angelique Coetzee, citou sintomas leves em seus pacientes. 

Em entrevista ontem (28/11) ao jornal britânico “The Telegraph”, ela disse que notou um aumento de pessoas jovens e saudáveis com sinais de fadiga em seu consultório.

“Os sintomas que eles apresentavam eram muito diferentes e mais leves dos que eu havia tratado antes”, afirmou a profissional da saúde.

Apesar da baixa letalidade verificada até então, o cenário preocupa devido à elevada probabilidade do espalhamento do vírus no mundo, ao surgimento de novas mutações e à necessidade da retomada de medidas de distanciamento e restrição do tráfego aéreo mundial.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a variante ômicron deve se espalhar internacionalmente e representa um risco muito alto de surtos de infecção que podem ter consequências graves em alguns lugares.

“A ômicron tem um número sem precedentes de mutações da (proteína) spike, algumas das quais são preocupantes por seu potencial impacto na trajetória da pandemia”, disse a OMS.

“O risco global geral relacionado à nova variante é avaliado como muito alto.”

Petróleo desaba com notícias da nova variante do coronavírus

Os preços do petróleo caem drasticamente nesta sexta-feira (26/11) com o temor de que a nova variante do coronavírus identificada na África do Sul se mostre mais transmissível e evite vacinas com mais facilidade.

Essa notícia se junta ao contexto de incertezas quanto à recuperação da economia mundial e especulações envolvendo apertos monetários por parte dos principais bancos centrais, visto que a inflação é resistente em praticamente todo o mundo.

Em relação à commodity energética, temos também o embate entre os EUA e a OPEP+ no que tange o aumento da oferta de petróleo com o objetivo de diminuir os preços.

Diante desse cenário nebuloso, os futuros do Brent e do WTI desabam agora na parte da manhã. Até às 12h13, o Brent caía 7,69%, cotado a US$ 75.588 o barril, enquanto o WTI despencava -8,24%, aos US$ 72,107.

Nova variante desencadeia fuga para a segurança

O pânico inicial com o surgimento da pandemia, no início de 2020, parece ter gerado “sequelas” nos investidores dos mercados financeiros.

Se antes o fator “pandemia” dificilmente entrava na conta de risco dos agentes econômicos, agora ocorre que o simples rumor de uma variante tem sido suficiente para levar investidores a realizar a venda de ativos menos líquidos, como commodities e ações, e correr para a segurança, como dólar e ouro

Esse pânico se deve porque uma nova onda de contaminação poderá levar à retomada das medidas de restrição do comércio e circulação de pessoas, mesmo com o avanço das vacinas. 

Caso se confirmem as especulações sobre a capacidade de transmissão e resistência às vacinas, o impacto inicial da nova variante provavelmente será o prolongamento dos controles de viagens e atraso na recuperação na aviação internacional e no consumo de petróleo. 

O que se sabe da nova variante da Covid-19?

A Grã-Bretanha disse nesta quinta-feira (16/11) que está preocupada com a disseminação de uma variante do coronavírus recentemente identificada na África do Sul.

A justificativa é que esta nova variante, chamada de B.1.1.529, pode tornar as vacinas menos eficazes e colocar em risco os esforços de combate à pandemia.

A Agência de Segurança de Saúde do Reino Unido (UKHSA) disse que a variante tem uma proteína de pico que era totalmente diferente daquela do coronavírus original em que as vacinas COVID-19 se baseiam.

“Esta é a variante mais significativa que encontramos até agora e uma pesquisa urgente está em andamento para aprender mais sobre sua transmissibilidade, gravidade e suscetibilidade à vacina”, disse a presidente-executiva do UKHSA, Jenny Harries.

A variante foi identificada pela primeira vez no início desta semana, mas a Grã-Bretanha se apressou em introduzir restrições de viagens na África do Sul e cinco países vizinhos.

Desta vez, as medidas de segurança foram adotadas bem mais rapidamente do que com a variante Delta, que atualmente é dominante entre os infectados pelo vírus na Europa.

“O que sabemos é que há um número significativo de mutações, talvez o dobro do número de mutações que vimos na variante Delta”, disse o secretário de Saúde Sajid Javid às emissoras.

“E isso sugere que pode muito bem ser mais transmissível e as vacinas atuais que temos podem ser menos eficazes.”