Importações chinesas de petróleo da Arábia Saudita em novembro caem ante o ano anterior

PEQUIM (Reuters) – A importação de petróleo bruto da Arábia Saudita pela China caiu 13% em novembro em relação ao ano anterior, mas o reino manteve sua posição de principal fornecedor para o maior importador de petróleo do mundo.

O fluxo de petróleo da Arábia Saudita para a China chegou a 7,4 milhões de toneladas no mês passado, ou 1,8 milhão de barris por dia (bpd), mostraram dados da Administração Geral das Alfândegas nesta segunda-feira.

Isso se compara a 1,67 milhão de bpd em outubro e a 2,06 milhões de bpd em novembro do ano passado.

O aumento das importações na comparação anual ficou em linha com decisão em julho da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e seus aliados, conhecidos como Opep+, de aumentar a produção em 400.000 bpd por mês até pelo menos abril de 2022.

As importações chinesas de seu segundo maior fornecedor de petróleo, a Rússia, permaneceram em novembro em nível semelhante ao do mês anterior, em 6,7 milhões de toneladas, ou 1,63 milhão de bpd.

Refinarias independentes chinesas, que favorecem principalmente petróleo da Rússia, estão mantendo cotas de importação de petróleo para uso no final deste ano.

Entradas de petróleo bruto do Brasil e da Angola diminuíram 28% e 18%, respectivamente, ante um ano antes, embora vendedores da África Ocidental e Américas estejam se esforçando para conquistar uma participação de mercado maior na Ásia.

Traders disseram que compradores chineses não seriam facilmente atraídos por barris mais baratos dessas regiões, com refinarias alocando cotas de importação menores este ano e empresas estatais já bem abastecidas.

Embarques dos Emirados Árabes Unidos e do Kuwait, aumentaram 71% e 31%, respectivamente, em novembro em relação ao ano anterior.

Os dados oficiais vêm registrando de forma consistente zero importações do Irã ou da Venezuela desde o início deste ano.

(Por Muyu Xu e Dominique Patton)

Ômicron continua criando instabilidade nos mercados

Tudo indicava para um efeito limitado da variante Ômicron no sistema econômico global.

A baixa mortalidade (em comparação com a variante Delta) e a relativa eficácia das vacinas davam a entender que uma nova onda de contaminação não causaria grandes problemas.

Entretanto, o avanço da doença tem se acelerado nos últimos dias e aumentado as preocupações com seu impacto na economia e sistemas de saúde dos países.

Avanço na Europa e EUA

A variante Ômicron está se espalhando em todo o mundo com a aproximação da temporada de férias de inverno. 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a cepa foi encontrada por meio de testes em 43 dos 50 estados dos EUA e em cerca de 90 países. Além disso, o número de casos está dobrando rapidamente, entre 1,5 a 3 dias.

Os EUA estão chegando ao fim do ano com mais de 156.000 casos relatados na sexta-feira da semana passada, de acordo com dados do CDC (Center for Disease Control and Prevention).

Na Europa, vários países têm adotado medidas mais rígidas para o controle da contaminação. Este é o caso do Reino Unido, Alemanha e França.

No fim de semana, a Holanda impôs um novo lockdown, com bloqueio total de todas as lojas não essenciais até 14 de janeiro.

Ômicron no Brasil

No Brasil, a variante ainda não avançou fortemente, com apenas 19 casos confirmados até sexta-feira passada. Porém, há o receio que seja questão de tempo até que os números comecem a disparar.

Na cidade de São Paulo, a prefeitura já considera que há transmissão comunitária da variante na capital. 

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), as últimas transmissões descobertas da variante foram encontradas em três pessoas que não realizaram viagens para fora do País e nem tiveram contato com algum viajante que tenha chegado do exterior.

Efeitos no mercado financeiro

Embora dê a impressão de ser menos grave, o cenário da Ômicron tem sido suficiente para gerar pessimismo nos mercados.

O temor dos investidores é de que a variante desacelere a recuperação econômica, ao mesmo tempo que mantenha a inflação alta.

Nesta segunda-feira (20/12) o índice futuro do Ibovespa caía 1,63%, seguindo o mesmo sentido que os demais índices do exterior. O Dow Jones caía 1,48% agora pela manhã e o S&P 500 perdia 1,03%.

Por outro lado, as ações da Moderna tiveram um aumento de 5% após afirmar que sua dose de reforço da vacina fornece proteção significativa contra o Ômicron.

Outro fator para o pessimismo dos investidores vem do lado da política monetária do Fed.

Na semana passada, o Banco Central dos EUA anunciou um plano mais agressivo para reduzir suas compras de ativos e disse que potencialmente aumentará as taxas de juros três vezes em 2022.

O receio de desaceleração econômica também tem afetado o rendimento do Tesouro dos EUA de 10 anos, o qual recuou para menos de 1,40%. 

Petróleo

Quem também perdia com o receio do avanço da Ômicron era o petróleo.

Os futuros do petróleo despencaram quando a iniciativa da Europa de restringir a mobilidade gerou temores de medidas mais amplas para eliminar a demanda de outros países. 

Outro risco que os traders da commodity estão monitorando é a política da China de tolerância zero da Covid-19. 

O governo chinês tem se mostrado implacável na sua política de controle de contaminação, de modo que novos bloqueios podem ser rapidamente implantados no menor sinal de perigo de novos surtos de contaminação.

Com isso, o preço do petróleo Brent caía 3,81%, a US$ 70,72 o barril, enquanto o WTI recuava 4,43%%, a US$ 67,72.

Petrobrás atingindo alvo, possível ponto de inversão!

Observando o gráfico semanal do petróleo brent, é notado que a commodity vinha trabalhando desde maio em um canal de alta. Ao final de outubro, no entanto, foi iniciado um movimento de correção e o preço perdeu a linha de suporte.

Em uma sequência de 6 semanas de queda, o petróleo chegou a recuar 24%. Na semana passada, apesar da commodity ter voltado a subir, não conseguiu superar a Linha de tendência de alta. Isso pode estar indicando que na verdade a alta da semana passada foi um pullback.

Nesta semana o petróleo voltou a cair. Caso o movimento de baixa persista e o último fundo for perdido, provavelmente a commodity realizará um movimento de correção até alguma das retrações de Fibonacci.

Petróleo caindo abre sinal de alerta para Petrobras!

Assim como o petróleo, as ações da Petrobras também vem trabalhando em um canal de alta. Observando o gráfico semanal ajustado, fica claro que as ações superaram os preços pré-pandemia.

Entretanto, apesar do forte movimento de alta nas últimas semanas, existe um ponto que chama a atenção.

Se projetarmos os alvos com base no primeiro movimento de alta dentro do canal, temos que as ações acabaram de alcançar o alvo de 100% dessa projeção.

Além disso, entre meados de junho e o início de outubro, o ativo trabalhou de lado, formando uma consolidação. Fazendo a projeção desta consolidação, pode ser verificado que o alvo de 100% coincide com o alvo da primeira projeção.

E ainda, quando as ações da Petrobras tocaram pela última vez na LTA, formaram um fundo mais alto. Deste modo, quando o último topo foi rompido, o papel acionou um pivô de alta. Este pivô também tem seu alvo de 100% coincidindo com os outros alvos.

Uma região como essa onde 3 alvos de projeções diferentes coincidem é chamada de zona de confluência. Normalmente uma zona de confluência se comporta como uma importante região de suporte ou resistência.

Sinal de reversão?

Com o petróleo dando sinais de que não deve dar continuidade ao movimento de alta, e as ações da Petrobras alcançando um suporte importante, é difícil acreditar que o papel continue subindo.

Não existe nenhum sinal claro de que as ações iniciarão um movimento de baixa. Porém, simplesmente não devem continuar subindo com a mesma força.

Na verdade, o mais provável é que o ativo entre novamente em uma consolidação.

Mas, vários fatores podem interferir no preço como, o próprio preço do petróleo e, talvez ainda mais importante, o cenário político/fiscal.

Talvez por isso, o gráfico semanal seja mais indicado para avaliar os movimentos do ativo.

Petróleo cai com expectativas de excesso de oferta em 2022

A situação parece estar se normalizando no mercado de petróleo, o que tem contribuído para a acomodação dos preços na região próxima dos US$ 70.

De acordo com as previsões de analistas do mercado, o equilíbrio do mercado de petróleo deverá começar a ser afetado pelo excesso de oferta em relação a demanda já neste mês de dezembro.

Essa situação, da oferta excedendo a demanda, deverá permanecer também no primeiro trimestre de 2022.

Essa é a opinião dos analistas do Commerzbank, um dos maiores bancos comerciais da Alemanha, e da Agência Internacional de Energia (IEA).

Nesta quarta-feira (15/12), o petróleo Brent operava próximo à estabilidade, com ligeira queda de 0,12%, cotado a US$ 73,63. O mesmo rumo seguia o WTI, com queda de 0,17% e cotação de US$ 70,56. 

Os traders ainda seguem avaliando o impacto potencial da ômicron na demanda global de petróleo em meio a sinais crescentes de que um excesso de oferta no mercado.  

Estimativas

Para o Commerzbank, o Brent deve cair para US$ 70 por barril, devido a previsão de excesso de oferta de petróleo no primeiro trimestre de 2022.

A mesma perspectiva tem a Agência Internacional de Energia (IEA). Em seu relatório mensal, divulgado ontem (14/12), a agência disse que a produção global de petróleo deveria superar a demanda em dezembro, liderada pelo crescimento nos EUA e nos países da OPEP+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados).

“O alívio necessário para os mercados apertados está a caminho, com a oferta mundial de petróleo definida para superar a demanda a partir deste mês”, observou a IEA.

O cenário de excesso de oferta ocorre mesmo com a retirada mais lenta dos cortes de produção por parte da OPEP+.

Se a OPEP+ continuar no ritmo atual de crescimento da produção, o primeiro trimestre de 2022 terá um superávit de 1,7 milhão de barris por dia (bpd), e o excesso de oferta poderá crescer para 2 milhões de bpd no segundo trimestre de 2022, segundo a agência.

“Se isso acontecesse, 2022 poderia, de fato, ser mais confortável”, disse a IEA.  

A agência acredita que o aumento nos casos de COVID-19 deve desacelerar temporariamente a recuperação na demanda global de petróleo. Entretanto, o impacto da variante ômicron provavelmente será mais silencioso do que as ondas anteriores e não  deve afetar a recuperação da demanda atual. 

Ainda, a IEA revisou ligeiramente para baixo – em 100.000 bpd – sua previsão de crescimento da demanda para este ano e no próximo. 

Em 2021, a agência espera que a demanda de petróleo aumente 5,4 milhões de bpd em relação a 2020, e outros 3,3 milhões de bpd em 2022, atingindo os níveis pré-pandemia, que era de 99,5 milhões de bpd.

Expectativas da OPEP

Embora a IEA acredite em uma recuperação mais lenta da demanda global por petróleo, a OPEP continua confiante de que a demanda continuará a se recuperar fortemente de seus pontos baixos da pandemia.

Esta semana, a OPEP elevou sua previsão de demanda global de petróleo para o primeiro trimestre de 2022, argumentando que a ômicron teria apenas um impacto moderado e breve. 

Em seu relatório mensal, a OPEP espera que a demanda mundial de petróleo atinja uma média de 100,8 milhões bpd em 2022, superando as previsões da IEA e o nível pré-pandêmico de 2019.

Opep mantém previsão de demanda de petróleo em 2022; vê impactos moderados com Ômicron

Por Alex Lawler

LONDRES, (Reuters) – A Opep elevou nesta segunda-feira sua previsão de demanda mundial de petróleo para o primeiro trimestre de 2022, mas manteve estável sua previsão de crescimento para o ano inteiro, dizendo que a variante do coronavírus Ômicron teria um impacto moderado à medida que o mundo se acostuma a lidar com a pandemia.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) disse em um relatório mensal que espera que a demanda por petróleo atinja uma média de 99,13 milhões de barris por dia (bpd) no primeiro trimestre de 2022, 1,11 milhão de bpd acima de sua previsão no mês passado.

“Parte da recuperação anteriormente esperada para o quarto trimestre de 2021 foi transferida para o primeiro trimestre de 2022, seguida por uma recuperação mais estável ao longo do segundo semestre de 2022”, disse a Opep no relatório.

“Além disso, o impacto da nova variante Ômicron é projetado para ser moderado e de curta duração, à medida que o mundo se torna mais bem equipado para gerenciar a Covid-19 e seus desafios relacionados.”

A Opep manteve sua previsão de que a demanda mundial de petróleo crescerá 5,65 milhões de bpd em 2021, após o declínio histórico do ano passado no início da pandemia.

Em 2022, a Opep espera um novo crescimento na demanda de 4,15 milhões de bpd, inalterado em relação ao mês passado, o que empurrará o consumo mundial acima dos níveis de 2019.

Importações de petróleo pela China se recuperam em novembro

Por Chen Aizhu

CINGAPURA (Reuters) – As importações de petróleo pela China se recuperaram em novembro em relação às mínimas do mês anterior, mas ainda estavam cerca de 8% abaixo dos níveis do ano passado, segundo dados alfandegários mostraram na terça-feira, à medida que novas cotas permitem que os refinadores tragam as importações mantidas em navios ancorados.

As chegadas de novembro foram de 41,79 milhões de toneladas, ou 10,17 milhões de barris por dia (bpd), de acordo com a Administração Geral das Alfândegas.

Isso foi maior do que o número de outubro de 8,9 milhões de bpd, mas inferior ao de novembro de 2020, de 11,04 milhões de bpd.

As chegadas de petróleo de janeiro a novembro somaram 466,84 milhões de toneladas, ou 10,2 milhões de bpd, queda de 7,3%.

Importadores, como a grande refinaria privada Zhejiang Petrochemical Corp, aumentaram significativamente as importações de novembro depois de obter novas licenças, transportando alguns carregamentos comprados anteriormente que estavam esperando ao largo de Zhoushan.

Mas as importações para o maior comprador de petróleo do mundo no ano até agora foram menores, já que os ingressos para refinadores independentes menores foram controlados depois que Pequim cortou suas cotas de importação e aumentou o escrutínio fiscal em uma tentativa de remover o excesso de capacidade de refino.

Os dados de terça-feira também mostraram que as exportações de combustíveis refinados da China aumentaram para 4,19 milhões de toneladas no mês passado, de 3,95 milhões em outubro, mas ficaram abaixo de 4,95 milhões de toneladas um ano antes.

As importações de gás natural aumentaram cerca de 17% no ano, para 10,73 milhões de toneladas, o maior valor mensal desde janeiro, o que os traders atribuíram a aumentos no fornecimento da Rússia.

As importações nos primeiros 11 meses aumentaram quase 22% no ano.

((Tradução Redação São Paulo 55 11 56447751))REUTERS RS

Resumo da semana para o petróleo: ômicron e OPEP+ guiaram preços

Os futuros do petróleo iniciaram o dia em alta nesta sexta-feira (03/12), apesar de uma semana em queda e sem brilho.

O Brent seguia avançando 2,49%, cotado a US$ 72,962 o barril. Já o WTI subia 2,18%, cotado a US$ 69,192 o barril.

As quedas iniciaram no início da semana, justificadas pelas incertezas derivadas do surgimento da variante ômicron do coronavírus. Porém, foi amenizado pelo tom da decisão da OPEP+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados) de cautela perante o cenário atual.

A decisão manteve a política de produção atual de aumentar o volume produzido mensal em 400.000 barris por dia em janeiro, o que surpreendeu os mercados, que esperavam uma queda na produção.

Reunião da OPEP+

O mercado acordou com otimismo nesta sexta-feira com os investidores analisando o comportamento do cartel internacional de petróleo, a OPEP+.

A OPEP e seus aliados concordaram ontem (02/12) em manter sua política atual de aumento mensal da produção de petróleo. 

A decisão surpreendeu devido aos temores de que o avanço da pandemia e da liberação dos EUA das reservas de petróleo levariam a uma nova queda no preço.

Fontes disseram que o grupo considerou uma série de opções nas negociações na quinta-feira, incluindo pausar seu aumento de 400.000 barris por dia (bpd) em janeiro ou aumentar a produção em menos do que o plano mensal.

O Brent caiu mais de US$ 1 depois da divulgação da decisão, antes de recuperar algum terreno para ser negociado em torno de US $ 70 o barril. 

Colocando em perspectiva, o petróleo se encontra bem abaixo das máximas de três anos de outubro, acima de US$ 86, mas ainda mais de 30% acima do início de 2021.

Expectativas para as próximas reuniões

De acordo com a Reuters, apesar da manutenção da estratégia atual de produção, a Arábia Saudita, o maior produtor mundial de petróleo e líder da OPEP, pode aumentar os preços em janeiro de seu petróleo árabe Light.

A perspectiva de que o cartel possa rever sua decisão a qualquer instante aumentou o otimismo dos negociantes de que a oferta poderá ser reajustada caso o nível de demanda seja insuficiente para a manutenção dos preços atuais.

No entanto, as preocupações com a demanda de curto prazo, em face da nova variante, devem continuar pesando sobre os mercados.

“Já se passou uma semana desde a queda repentina do preço do petróleo e o ambiente de comercialização do petróleo ainda não saiu do túnel, mas a positividade geral hoje está ajudando os preços do Brent a US $ 72 por barril, apesar dos riscos ainda não quantificados da variante Omicron ”, Escreveu Louise Dickson, analista sênior de mercados de petróleo da Rystad Energy, em uma nota diária.

Dickson disse ainda que a decisão da OPEP+ de manter tecnicamente sua reunião “em sessão”, até o próximo encontro agendado para 4 de janeiro, transmite uma mensagem otimista sobre as perspectivas da demanda por petróleo.

Por outro lado, a decisão do grupo de manter sua política de produção e, eventualmente, aumentar no ano que vem, pode ser interpretada como baixista para os preços.

“A decisão relativamente rápida de ir em frente com um aumento de oferta planejado com modificações não é o que o mercado estava avaliando, com OPEP+ apontando para os impactos e gravidade ainda desconhecidos do omicron, aguardando orientações mais detalhadas dos fabricantes de vacinas e da Organização Mundial de Saúde, ”Escreveu o analista.

Previsões para o petróleo: Deutsche Bank, JP Morgan e Morgan Stanley

Prever o futuro do petróleo tem sido uma tarefa árdua para os analistas da commodity. As incertezas no cenário geopolítico, econômico e da pandemia tem aumentado a complexidade e a incerteza dos modelos de previsão.

Nos últimos dias, a preocupação entre os negociantes de petróleo com a descoberta de uma nova nova cepa da Covid-19 na África do Sul vem guiando os preços da commodity energética. 

O receio é de que a nova onda de contaminação possa levar à retomada das medidas de restrição do comércio e circulação de pessoas, mesmo com o avanço das vacinas.

Há também de se destacar as movimentações geopolíticas, que têm acirrado a guerra em torno do petróleo.

De um lado, a OPEP+ (Organização de Países Exportadores de Petróleo e aliados) insiste em limitar a oferta de petróleo, com seus planos de aumentar a produção da commodity a um nível aquém das necessidades da demanda global.

De outro lado tem a retaliação dos EUA que tem orquestrado, junto com outros países consumidores, a liberação de petróleo das reservas estratégicas. A tentativa é forçar uma queda nos preços com o aumento da oferta.

Em contrapartida, a OPEP+ tem ameaçado realizar cortes ainda maiores caso os EUA avancem na sua estratégia de liberação das reservas.

Vale destacar que os membros da OPEP+ concordaram nesta quinta-feira (02/12) em manter sua política atual de aumento mensal de 400 mil bpd da produção de petróleo. Porém, as incertezas quanto às próximas reuniões permanecem.

Se não bastasse isso, há também fatores climáticos, estruturais e econômicos que podem influenciar significativamente o jogo de demanda e oferta e, consequentemente, a precificação deste ativo tão importante para mover o mundo.

Esse cenário complicado tem feito com que os analistas das principais instituições financeiras do mundo prevejam rumos radicalmente distintos para o petróleo.

Deutsche Bank

O Deutsche Bank espera que os preços do petróleo Brent caiam consideravelmente no próximo ano. A expectativa é que a cotação caia abaixo de US$ 60 por barril

“Seria um equívoco pensar em uma pausa da Opep na quinta-feira como otimista, já que assumimos isso em nosso modelo e ainda assim terminamos com um superávit no primeiro trimestre”, disseram analistas do Deutsche, citados pela Bloomberg. 

“Seríamos os vendedores de um rali em petróleo bruto depois de uma pausa da Opep”, completaram.

JP Morgan

A maioria dos outros bancos estão prevendo preços mais altos para o petróleo bruto.

Analistas do JP Morgan recentemente estimaram o Brent chegando à US$ 125 por barril em 2022, e subindo ainda mais, para US$ 150 em 2023.

“A OPEP + não está imune aos impactos do subinvestimento. Estimamos que a capacidade ociosa ‘verdadeira’ da OPEP em 2022 será de cerca de 2 milhões de barris por dia (43%) abaixo das estimativas de consenso de 4,8 milhões”, disse em nota a equipe liderada por Christyan Malek.

Os analistas do JP Morgan não parecem esperar um superávit na oferta global de petróleo, mesmo no primeiro trimestre do ano que vem. 

Em vez disso, eles estão observando que a OPEP+ pode precisar adicionar mais algumas parcelas de 400.000 bpd mensais para aproximar o mercado do equilíbrio.

Morgan Stanley

O Morgan Stanley, no início desta semana, reduziu sua previsão do preço do petróleo com o susto causado pelo surgimento da variante ômicron. 

O banco previu anteriormente que o Brent seria negociado a uma média de US$ 95 por barril no primeiro trimestre de 2022, mas agora isso foi revisado para US$ 82,50 por barril.

De acordo com nota dos analistas do banco de investimento, o mercado de petróleo parece estar precificando uma demanda global mais lenta devido à nova variante, além de preocupações continuadas de que o saldo do mercado se tornaria superavitário já no primeiro trimestre de 2022.

Califórnia deveria cortar petróleo da floresta amazônica, dizem ONGs

Por Alexandra Valencia e Sharon Bernstein e Oliver Griffin

QUITO/SACRAMENTO (Reuters) – O Estado norte-americano da Califórnia precisa eliminar ou diminuir consideravelmente o consumo de petróleo extraído da floresta amazônica para proteger um ecossistema vital para se conter os efeitos da mudança climática, disseram dois grupos de ativistas em um relatório nesta quinta-feira.

Dados de importação da Agência de Informações de Energia dos Estados Unidos e de manifestos de carga ajudaram a Stand.earth e a Amazon Watch a concluírem que 50% do petróleo produzido na Amazônia vai para a Califórnia.

Cerca de um de cada nove galões de gasolina, diesel e combustível de aviação que abastecem veículos e aviões na Califórnia estão ligados à floresta tropical.

“Refinarias, negócios e consumidores da Califórnia estão desempenhando um papel desproporcional no consumo de petróleo de uma das regiões mais biodiversificadas da bacia do rio Amazonas”, disseram os grupos no relatório conjunto.

Cientistas dizem que proteger a Amazônia é essencial para conter a mudança climática por causa da quantidade vasta de gases de efeito estufa que a floresta absorve.

No Equador, que o relatório diz ser a fonte de 89% do petróleo proveniente da Amazônia, a perda de floresta primária em 2020 disparou para 19.101 hectares, o nível mais elevado desde 2002, de acordo com o programa Maap da Amazon Conservation baseado em dados da Universidade de Maryland.

(Por Alexandra Valencia, em Quito; Sharon Bernstein, em Sacramento; e Oliver Griffin, em Bogotá)

Queda do petróleo foi exagerada, segundo analista do Goldman Sachs

Para o estrategista do banco Goldman Sachs, Damien Courvalin, a recente queda dos preços do petróleo foi muito maior do que deveria quando se leva em conta os efeitos potenciais da nova variante do coronavírus, a ômicron.

Desde a sexta-feira da semana passada (24/11) o Brent e o WTI caíram cerca de 13%, devido às preocupações de que a nova variante prejudique a demanda global.

Esse movimento foi considerado exagerado, conforme cálculos feitos por Courvalin.

“A falta de atividade de compra discricionária em face de uma nova variante COVID incerta, portanto, deixou os preços em queda livre e precificação em uma perspectiva de demanda terrível. Estimamos com base em nosso modelo de precificação, que o mercado agora precificou uma queda na demanda de 0,7 mb/d [milhões de barris por dia] nos próximos três meses, sem nenhuma resposta compensatória da OPEP+”. 

Queda foi incoerente com a realidade

Para Courvalin, a precificação do petróleo pelo mercado em geral é compatível com três cenários radicalmente incoerentes com qualquer estimativa sobre possíveis efeitos do novo evento sobre a demanda futura.

“Para colocar em contexto, isso representaria qualquer um destes resultados extremos: (1) nenhum avião voando ao redor do mundo por três meses, ou (2) metade da intensidade do bloqueio global do 2T20, ou (3) um mundo ainda pior do que antes das vacinações.”

Apesar de contra intuitivo, Courvalin entende que o motivo da queda está relacionado ao conjunto de incertezas que permeiam o ambiente econômico internacional.

“Vemos o movimento de queda nos preços como excessivo, mas compreensível no contexto de baixa liquidez de fim de ano e apetite pelo risco. Dadas as grandes incertezas neste momento, aguardamos mais notícias sobre o desenvolvimento da variante e restrições adicionais impostas antes de renovar nossa oferta e balanços de demanda e previsões do preço do petróleo, embora mais uma vez reiteramos nossa visão de que o mercado ultrapassou em muito o provável impacto da última variante sobre a demanda de petróleo com a reprecificação estrutural mais alta devido à mudança dramática na função de reação da oferta de petróleo ainda à nossa frente”.

Cotações

As ações das principais petrolíferas Exxon Mobil e BP caíram 7,2% e 9,8%, respectivamente, nas últimas cinco sessões. 

Já a Petrobras foi na contramão, subindo cerca de 9% desde o dia 24/11, com eventos internos direcionando as expectativas dos investidores.

Até às 12h de hoje (01/12), o Brent segue em alta de 1,38%, cotado a US$ 71,807 o barril, enquanto o WTI subia 1,51%, ao preço de US$ 68,403.