Crypto Weekend: 8 à 10 de outubro

Mais uma semana em pauta no Brasil

Durante o Projeto de Lei (PL) 2303/15, referente aos primeiros passos regulatórios de negociação dos criptoativos no Brasil, segue tramitando no legislativo brasileiro, a ideia começa a sofrer críticas por parte do próprio poder legislativo.

O deputado federal Gilson Marques (Novo – SC) puxa o coro da primeira onda de criticismo mais forte de alguns parlamentares. De acordo com Marques, o projeto na verdade viria para “aumentar a burocracia e diminuir a liberdade”, indo contra os princípios básicos das transações em blockchains, ao invés de aproximar os ativos do alcance de mais brasileiros.

O posicionamento firme pode indicar debates mais intensos no andar do projeto, o que pode vir a causar demora ou até seu impedimento. De qualquer forma, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, voltou a reafirmar seu posicionamento contrário ao Bitcoin (BTC) como método de pagamento no Brasil, mas elogiou o potencial do setor de DeFi.

De acordo com Campos Neto, enquanto o Bitcoin é usado muito mais no país como um ativo especulativo, “o setor de DeFi é promissor com uso da tecnologia blockchain e nós temos que participar deste setor para construir o dinheiro programável.”

O mandatário do Banco Central ainda destacou os projetos feitos para a integração dos criptos com o Real Digital, CBDC brasileira, e também comentou sobre o PL regulatório que, por parte do BC, deve se iniciar focando nas normas dos novos ativos primeiramente como investimentos, para depois evoluir para o uso como meio de pagamentos.

Giro no resto do mundo

Em meio ao combate firme da China contra toda e qualquer atividade que envolva criptoativos, Hong Kong receberá uma subsidiária da engenharia de software em blockchains Powerbridge Technologies, que focará na mineração de Bitcoins e Ether (ETH). De acordo com as primeiras informações, a empresa pretende iniciar o projeto com 2600 equipamentos de mineração (600 para BTC, 2000 em ETH) com cerca de 1000 Gh/s.

O objetivo da PowerBridge é de reforçar a oferta dos dois principais criptoativos do mundo no mercado asiático e norte-americano. Vale ressaltar que Hong Kong é anexado ao território chinês e, apesar de ter sua liberdade econômica (abertamente capitalista e com moeda própria), o território ainda responde ao governo da China.

Na contramão da rede de blockchains, a Bitmain, maior fabricante de componentes eletrônicos com enfoque em mineração do mundo e que era sediada em Pequim, anunciou sua saída completa do território chinês ao oficializar durante o domingo (10) que não fará mais nenhum tipo de trabalho ou entrega no país, com exceção de Taiwan e da própria Hong Kong.

Enquanto isso, em El Salvador, o primeiro dos grandes frutos do Bitcoin como moeda oficial do país será colhido. Isso porquê de acordo com o presidente Nayib Bukele, o governo nacional investirá parte dos US$ 4 milhões de lucros obtidos até o momento com a alta do BTC na construção de um hospital veterinário em San Salvador, capital do país.

Segundo Bukele, a estrutura contará com 4 salas de operações, 4 clínicas de emergências, 19 salas de atendimento e uma área de reabilitação. O objetivo é de que, em uma média diária, o hospital teria capacidade de realizar 64 cirurgias, cerca de 130 emergências e quase 400 atendimentos gerais.

A cripto-revolução da Índia como resposta à China

Lacuna extensa prejudica mercado

Venhamos e convenhamos, é impossível substituir o impacto chinês em quase qualquer aspecto sócio-cultural. Se tratando então de questões econômicas, seja do presente posto de segunda economia mundial, ou na experiência milenar em comércio no passado, a troca fica ainda mais inviável.

No mundo dos criptoativos, portanto, a brusca saída chinesa foi sentida. De polo mundial em mineração (que já chegou a ser responsável por 90% dos criptos no mercado) e centro de desenvolvimento de novos projetos, o país se torna principal nação inimiga da iniciativa, causando queda considerável em todo o mercado no mês de setembro quando anunciou o banimento e a criminalização de atividades relacionadas aos criptoativos.

Mas o mundo reagiu bem ao baque, com investidores mantendo a confiança para comprar nas baixas aos líderes de governos nacionais se movimentando mais positivamente (na maioria dos casos) frente às coins e tokens.

Ascenção notável da Índia – Sucessora ideal?

E enquanto tudo isso ocorria nos últimos 30 dias, movimentações ocorridas na Índia começaram a colocar o país como um dos protagonistas na retomada dos criptos na Ásia. Uma movimentação que pode ser muito mais impactante do que se imagina para o futuro, caso se concretize.

Isso porquê se a missão de substituir os chineses é árdua, talvez os indianos sejam a única nação, sobretudo no continente asiático, a suprir sua carência.

A China conta com a maior população do mundo, com cerca de 1,4 bilhão de habitantes, o que sob o olhar mais “frio” da economia, indica grande público consumidor e abundância de mão de obra mais barata.

Estas possibilidades também se aplicam à Índia, segunda maior população do mundo com 1,38 bilhão. De quebra, trata-se do país líder em redes móveis no planeta, se colocando entre as nações com o maior número de usuários ativos da internet mundial.

E apesar da China contar com o triplo da extensão territorial, melhor estrutura no geral e economia mais forte, quando o assunto é TI a Índia também é uma das referências mundiais.

A revolução tecnológica iniciada a mais de duas décadas atrás trouxe avanço econômico nunca antes visto pelo país, que se tornou potência em produção e desenvolvimento de softwares e afins, com as quase 1000 empresas de tecnologia existentes no país podendo ser avaliadas em US$ 1 trilhão até 2030, de acordo com o relatório do grupo McKinsey & Co. e SaaSBoomi.

A junção de todas estas características é o que promove a ascensão indiana no cenário de criptomoedas. O “solo propício” para o desenvolvimento em grande escala do mercado, aliás, já vai sendo agressivamente fertilizado. Um dos primeiros sinais recentes dados pelo país veio da própria população, que com números expressivos, demonstra abraçar os criptos.

Exchanges e carteiras virtuais que abriram seus serviços em território indiano não param de quebrar recordes de adesão, com destaque para a CoinSwitch Kuber, que no mês de setembro alcançou 10 milhões de usuários em menos de um ano e meio de existência.

Pesquisas ainda indicam que 1 a cada 5 indianos pretende investir em criptoativos nos próximos 6 meses. E tudo indica que a popularização do modelo de investimento deve acelerar em breve, com o anúncio de que a rede social Chingari, líder do segmento no país, vai lançar sua própria criptomoeda após captar US$ 19 milhões para o projeto. Sua Blockchain, aliás, funcionará na rede Solana (SOL).

Estes são apenas os últimos reflexos do crescimento de 40% na cripto-indústria indiana ocorrido nos últimos 5 anos, mas já foram suficientes para abrirem os olhos do mundo. Tanto que a gigante dos investimentos de risco Andreessen Horowitz, em parceria com o Coinbase Ventures, aportou US$ 260 milhões à CoinSwitch Kuber. A sociedade estabelecida catapultou o valor da ainda jovem Exchange para US$ 1,9 bilhão, indicando que a plataforma deve se tornar em breve a referência de toda essa revolução não só na própria Índia, mas em toda Ásia.

A China continuará sendo a China. Não vai falir caso mantenha a política extremamente anti-criptos para o resto dos tempos (o que duvido que ocorra), enquanto o mercado de criptoativos ainda terá todo o interesse do mundo em retornar às carteiras chinesas.

Mas fato é que alguns dos principais pilares dos criptoativos, a descentralização, seu dinamismo e a liberdade promovida, permitiram que as portas fechadas doessem menos. O resto do mundo se virou para suprir a carência chinesa, enquanto, de quebra, parece que desponta no horizonte um candidato digno à preencher a lacuna deixada no tão importante mercado asiático.

Um mês de Bitcoin em El Salvador

Início turbulento

O aporte base feito pelo governo para a revolução custou cerca de US$ 20 milhões (Cerca de R$ 103 milhões à época), além de outros US$ 130 milhões para apoiar toda a operação, como por exemplo os investimentos feitos nos 200 caixas eletrônicos preparados para as transações entre dólares americanos e Bitcoin (BTC).

O presidente e principal idealizador de todo o projeto, Nayib Bukele, foi à público algumas vezes para tentar esclarecer questões referentes à Bitcoin e seu plano de uso no país, mas as pesquisas indicavam que o povo de El Salvador ainda se sentia muito distante tanto da compreensão de como funciona efetivamente a moeda digital, quanto da aceitação dessa novidade como um todo. 

Isso porque de acordo com pesquisa feita pela Universidade Centro-Americana (UCA), praticamente 90% dos salvadorenhos declaravam saber “nada ou pouco” sobre a criptomoeda, enquanto de cada 10 entrevistados, 7 se opuseram à sua adoção. 

Muitas outras críticas e receios surgiram de dentro e de fora das fronteiras de El Salvador. Primeiramente, por conta da volatilidade da moeda, que num espaço de dois meses – entre maio e abril – viu seu valor despencar de US$ 64 mil para quase US$ 30 mil. Pela primeira vez em dois anos e meio de mandato, o presidente latino-americano com o maior índice de aprovação foi alvo de duras críticas e até mesmo manifestações.

Em meio à prós e contras, o primeiro dia do Bitcoin em El Salvador não foi necessariamente fácil. Além dos problemas de superlotação dos servidores da Chivo – carteira digital oficial do país – terem tirado a plataforma do ar em muitos momentos, o dia foi de queda na cotação do ativo, que chegou a bater U$57 mil com a euforia da novidade, mas se desvalorizou em cerca de US$ 10 mil ao fechar na casa dos US$ 47 mil, com a resistência se mantendo nesse patamar similar pelos dias subsequentes.

A prova de fogo veio mesmo a partir do dia 18, quando se iniciou um movimento brusco de queda no mercado, que perdurou até o dia 28 do mês de setembro. Nesse espaço de tempo, o Bitcoin chegou a desvalorizar mais de 10% em no espaço de 1 dia (entre os dias 19 e 20), além flutuar abaixo dos US$ 41 mil nos dias 21 e 28.

A baixa, no fim das contas, foi causada por fatores inerentes à economia salvadorenha, com investidores do mundo todo mudaram seus posicionamentos no mercado de BTC e de criptos como um todo frente aos aos problemas ocorridos na China (banimento de mineração e negociação de criptomoedas e crise interna no mercado imobiliário). Só que de qualquer forma, o temor tomou conta da população, enquanto os críticos ao ambicioso plano usaram do momento para embasar suas teses.

Ponto de virada

Enquanto uma “micro” crise econômica se instaurava, Bukele seguiu os protocolos de um investidor que acredita no ativo: “They can never beat you if you buy in the deep”, tweetou o presidente enquanto anunciava a compra de mais 150 Bitcoins para o país. A postura se manteve durante os períodos de baixa, para que que das 400 unidades originais, o total de moedas em posse do governo de El Salvador saltasse para 700.

E a decisão se pagou. A reação do mercado de criptos foi mais forte do que se imaginava junto aos investidores que também compraram na baixa, enquanto os ativos ganharam cada vez mais visibilidade em setores diversos, com destaque para as falas de Jerome Powell, (presidente do Banco Central dos Estados Unidos) negando qualquer chance de impedimento às criptomoedas e – pelo menos por hora –  indicando uma aproximação mais amistosa para novas possibilidades.

Do patamar de US$ 41 mil ainda no dia 28 de setembro, o Bitcoin voltou aos US$ 44 mil dois dias depois, em um movimento de crescimento que explodiu no começo de outubro, fechando o dia 1º acima dos US$ 48 mil (indicando crescimento acima dos 10%), e abrindo justamente o dia de hoje, 7, em US$ 55.345,85 – crescimento de mais de 35% desde a compra feita na baixa pelo governo Salvadorenho.

Enfim, otimismo

Com isso, os ventos de mudança começam a soprar em El Salvador. O primeiro e mais importante dos pilares estabelecidos por Bukele já mostra sinais de sucesso, com os números baixos de bancarização populacional, com somente 30% dos residentes (1,8 milhão) tinham contas em banco para movimentar seus recursos) já sendo superado em um mês pelo número de carteiras Chivo abertas com documentos locais (2,1) ainda no dia 27.

Os números indicam que, agora, mais salvadorenhos poderão transacionar Bitcoins nacional e internacionalmente sem pagar taxas, fator importante para um PIB que tem como maior fatia a recepção de remessas vindas dos Estados Unidos (22%). Outra aposta de Bukele e sua equipe que já se torna realidade em pouco espaço de tempo.

No dia 1º de outubro foram anunciados os primeiros Bitcoin minerados a partir da energia geotérmica produzida por vulcões, considerada renovável. A mineração ainda está em seus primeiros passos, mas além de caminhar junto à estrutura local sem promover muitos mais gastos (23% da energia em El Salvador já é geotérmica), torna-se uma solução satisfatória para o problema tradicional de altos custos energéticos no processo de mineração e seus posteriores danos ao meio ambiente.

Por fim, talvez o mais esperado. Cresce exponencialmente o número de relatos que envolvam a Chivo e o Bitcoin no dia-a-dia do povo de El Salvador, indo de seu uso no comércio à aproximação de conceitos de investimento do setor. Pouco a pouco, a fronteira do que antes era abstrato e desconhecido vai se revelando como uma tentativa válida de acender, em definitivo, a economia do país.

Ainda há muita coisa para acontecer na caminhada do Bitcoin em El Salvador. Mas por mais que haja quem torça o nariz, os números que abriram o mercado deste também importante 7 de outubro não indicam nada além de sucesso.

Bitcoin subindo com força enquanto o S&P 500 segue na corda bamba.

O bitcoin vinha a dois meses trabalhando dentro de uma zona de consolidação, sem uma definição mais concreta sobre a tendência que iria tomar. O ativo até chegou a perder uma consolidação e armou um pivô de baixa, mas na sequência voltou a subir e deu início a um forte movimento de alta.

Este movimento realizado pela criptomoeda acionou um pivô de alta no gráfico semanal. Conforme pode ser observado no gráfico abaixo, após fazer topo em abril, o bitcoin realizou um movimento de correção, e quando voltou a subir, ficou trabalhando entre agosto e início de outubro dentro das retrações do movimento de baixa.

 

Agora, com o pivô que foi acionado, a expectativa é que o ativo volte a subir em direção ao topo de abril, viso que este também coincide com o alvo de 100% do pivô do gráfico semanal.

Bitcoin é ouro digital?

O ouro sempre foi tido como um dos ativos mais seguros do mundo, de modo que, em momentos de incerteza, os investidores passam a alocar o capital no metal precioso a fim de guardar o mesmo.

Observando o comportamento dos mercados hoje, fica a dúvida se o bitcoin estaria se tornando um ativo defensivo, semelhante ao ouro.

Enquanto grande parte das bolsas ao redor do mundo trabalham em queda, o bitcoin realiza um forte movimento de alta, deixando para trás uma consolidação na qual vinha trabalhando a quase dois meses.

Outro ponto que reforça esta dúvida é o cenário em que os ativos se pesquisados!

O bitcoin, acionando um pivô de alta, sugere que dará sequência a sua tendência primária de alta, enquanto o S&P 500, após acionar um pivô de baixa, vem se segurando em uma consolidação para não realizar um movimento mais brusco de queda.

Follow the money!

Avaliando o início dos movimentos em cada ativo, é observado que o fluxo de dinheiro está mudando de mãos, ou melhor, de ativos.

O S&P 500 fez um forte movimento de baixa no dia 30 de setembro, rompendo o fundo anterior e acionando o pivô de baixa.

No mesmo dia, o bitcoin, que estava armando um pivô de baixa, fez um forte movimento de alta, dando início a formação do pivô de alta no gráfico semanal.

Situação parecida com a do ouro, que no dia 30 de setembro fez um forte movimento de alta, se recuperando assim do pivô de baixa que havia sido acionado dois dias antes.

Bitcoin supera US$50 mil pela primeira vez em 4 semanas

A moeda digital caiu abaixo desse nível em 7 de setembro em meio a uma venda mais ampla de ações de empresas relacionadas a criptomoedas e blockchain naquele dia. E continuou a recuar em setembro, chegando a 40.596 dólares no último dia 21.

Nesta terça-feira, por volta de 8:00 (horário de Brasília), o bitcoin subia 1,58%, a 50.019,85 dólares. Na máxima até o momento, chegou a 50.400,00 dólares.

Produtos e fundos de investimento em criptomoedas registraram entradas pela sétima semana consecutiva, enquanto declarações mais favoráveis dos reguladores agradavam investidores institucionais, segundo dados da administradora de ativos digitais CoinShares na segunda-feira.

(Reportagem de Ritvik Carvalho)

Crypto Weekend: 1 à 3 de Outubro

B3 como oráculo em blockchains no futuro

A B3 poderá ser responsável por um passo importante na aproximação do mercado de criptos aos investimentos mais tradicionais no Brasil ao se preparar para prestar serviços de oráculo para blockchains.

O objetivo, de acordo com Luis Kondic (diretor de dados e produtos listados na B3), seria de auxiliar na adição de informações externas para redes de criptomoedas enquanto o “Real Digital”, CBDC brasileira, fosse inserida gradativamente nestes mesmos sistemas. Além disso, há o interesse de colaboração em ferramentas de pagamentos em dinheiro programável.

“Podem existir várias aplicações, como sistemas capazes de programar a distribuição de retornos entre shareholders automaticamente de acordo com os rendimentos da companhia, agendamento do repasse automático de dinheiro em casos de contratos, fornecedores e afins sem a necessidade de uma cadeia de distribuição”, apontou Kondic.

Ainda em setembro, houveram apresentações do Banco Central envolvendo projetos de contratos inteligentes e finanças descentralizadas envolvendo o CBDC nacional, mas a expectativa é de que os primeiros testes sejam feitos somente em 2023.

Mineração acelerada no Irã ajuda mercado, mas levanta suspeitas

O Irã aparece como um possível novo polo de estímulo aos criptoativos no oriente, mas levantas suspeitas de órgãos econômicos internacionais com as intenções que os estímulos governamentais à mineração recém-retomadas de criptos possa conter.

A mineração e promoção sobretudo de criptoativos seria uma possibilidade de burlar as sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos frente à política iraniana de armamentos nucleares. Entretanto, relatórios indicam que enquanto as sanções atrapalharam os mercados mais tradicionais, os atuais campos de mineração do país teriam potencial para movimentar US$ 1 bilhão.

Depois de 3 meses de banimento, o governo do Irã permitiu que as atividades de mineração de criptomoedas voltasse à ativa em seu território. A paralização, que se iniciou em maio, foi motivada pela preocupação do presidente Hassan Houhani com a estabilidade das redes nacionais de energia elétrica no período em que as maiores temperaturas do ano são registradas no país (podendo chegar perto dos 50°C em algumas regiões específicas). As atividades por lá voltaram no dia 6 de agosto.

Dois meses após a volta de atividades de mineração no país, o Irã já indica ter aumentado seu impacto costumeiro na disponibilização de criptoativos. Comparado ao mês de agosto, setembro indicou aumento de praticamente 50% na produção nacional e alcançou 7% da disponibilidade do mercado mundial. Anteriormente, a fatia flutuava na casa dos 5%.

Outubro estabelece altas e pode ser início para arrancada no mercado até o fim do ano

Após muita turbulência entre agosto e setembro, o momento positivo de virada do mês seguiu no fim de semana e nessa segunda-feira para o mercado de criptomoedas. O Bitcoin (BTC) formou linha de resistência em US$ 47 mil após a alta do mercado na sexta-feira (dia 1º, motivada pelo posicionamento favorável do governo americano). Já nessa segunda (4), voltou a apresentar alta acima dos US$ 49 mil, flertando mais uma vez com o rompimento da barreira dos 50 mil.

A Ethereum (ETH), apesar de apresentar de ter apresentado leve baixa no início da manhã do dia 4, seguem em movimentação similar à do BTC, formando resistência nos US$3,3 mil e seguindo em viés de alta rumo aos US$ 3,5 mil, após semanas abaixo dos 3 mil.

Altcoins como Cardano (ADA), Polkadot (DOT), XRP e afins tiveram oscilação um pouco mais sentidas nessa segunda-feira, mas além de movimentos de alta já mais à tarde, seguem sem sustos no novo plateau estabelecido no primeiro dia de outubro.

Com a alta de hoje o Bitcoin volta para a zona de consolidação.

Em outubro de 2020 a maioria das criptomoedas realizaram um forte movimento de alta, o que não foi diferente para o Bitcoin. Depois de fazer um topo no dia 14 de abril, a criptomoeda fez um movimento de correção, fazendo assim um fundo,  e apesar de mostrar certa dificuldade, conseguiu voltar a subir.

Porém ao chegar na média móvel de 200 períodos, entrou em consolidação e está a quase dois meses trabalhando dentro das retrações de Fibonacci.

Com a queda no início da semana passada, o ativo chegou a perder a retração de 38,2% e armou um pivô de baixa. Com essa movimentação a média de 200 começou a inclinar para baixo, o que poderia conduzir o Bitcoin a uma maior movimentação de baixa para as próximas semanas.

No entanto, o pivô de baixa não foi acionado e a criptomoeda voltou a subir, superando inclusive a média de 200 e acionando um pequeno pivô de alta, que tem como terceiro alvo a retração de 61,8%.

Com essa movimentação é possível que o Bitcoin continue trabalhando dentro das retrações de Fibonacci e que a média móvel de 200 períodos passe a ser traçada de forma horizontal, sem que exista uma tendência primária clara para o ativo.

No gráfico semanal a condição pode ser diferente!

Avaliando o gráfico semanal, vemos uma condição mais favorável para que o Bitcoin continue subindo.

Conforme mostrado, o ativo ficou entre maio e julho trabalhando em um fundo, subiu até a retração de 61,8% superando a média móvel de 20 períodos, voltou a cair fazendo um fundo sobre a média de 20 e fechando a semana sobre a retração de 38,2%, e agora volta a subir indicando que irá romper topo, o que acionaria um pivô de alta.

Caso o pivô seja acionado, tem como alvo de 100% a região de topo histórico do ativo, o que se comporta como uma forte resistência e dificilmente será rompida sem uma pequena correção.

De qualquer forma, pode ser que um belo movimento de alta seja observado no ativo para as próximas semanas.

O respiro para as criptomoedas chegou dos EUA

“Não temos nenhuma intenção de banir as criptomoedas”

A fala categórica é de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (FED), o banco central americano durante sua participação no Comitê Bancário do Senado americano, quando questionado por Ted Budd, Senador republicano e antigo defensor das criptomoedas, sobre a possibilidade do país seguir caminho similar ao escolhido pela China.

A colocação é oportuna por diversos fatores, considerando a posição de destaque que os criptos ganharam nas pautas governamentais recentes por lá. Desde a última semana, a ala econômica se debruçava sob questões regulatórias de criptos frente seu uso em pagamentos de terrorismo digital. Entretanto, pouco a pouco os debates foram evoluindo para outros aspectos, como a situação das stablecoins.

O ponto, alías, também foi abordado na fala de Powell: “Elas (stablecoins) são como fundos monetários e depósitos bancários, mas estão, de certa forma, fora do perímetro regulatório, e seria apropriado regulá-las. Se tomam parte da mesma atividade, é cabível contar com a mesma regulação. ”

Indicativos e impulso no mercado

As duas colocações somadas tiraram algumas dúvidas que pairavam sobre o andamento das tais medidas regulatórias que estão por vir. Desde março, de certa forma, pairava sobre os EUA a ideia do “Dólar Digital”, que de acordo com o próprio Jerome Powell, ainda em julho, poderia tornar tanto as criptomoedas quanto as próprias stablecoins “obsoletas”.

Mas a colocação que indica a permissibilidade do FED ao mercado de cripto e o novo debate de regulação – não mencionando eliminação ou substituição – das stablecoins indica que, pelo menos em primeiro plano, o objetivo é de aproximar as criptomoedas da “realidade” americana.

E o mercado reagiu positivamente a tudo isso, com diversas altcoins estabilizadas apresentando alta entre a quinta-feira (30) e a sexta (1º).

No mesmo período, o Bitcoin (BTC) saiu dos U$ 42 mil e saltou para perto dos US$ 48 mil, enquanto a Ethereum (ETH) rompeu a margem US$ 3 mil com que vinha flertando para bater quase US$ 3,3 mil, apontando alta girando em torno dos 10% nos principais criptoativos do mundo em apenas 1 dia.

O avanço da regulamentação de criptos no Brasil

Combate à crimes como ponto de retomada

O PL 2303/15, criado pelo deputado Áureo Ribeiro (Solidariedade-RJ) ainda em 2015, dispunha em sua ementa original o objetivo de “dispor sobre a inclusão das moedas virtuais e programas de milhagem aéreas na definição de arranjos de pagamento sob a supervisão do Banco Central.” Após 6 anos – em que as movimentações mais intensas da pauta ocorreram só até 2019 – teve seu relatório final e avançará, enfim, para votação na Câmara dos Deputados.

Como está ocorrendo nos Estados Unidos, a motivação inicial dessa renovação de debate acabou nascendo da preocupação de crimes que, de uma forma ou de outra, envolvam as criptomoedas.

Por lá, o governo americano quer combater atos de terrorismo virtual, como por exemplo os “sequestros de arquivos”, documentos importantes e afins que são bloqueados e somente liberados mediante pagamento feito em criptoativos.

Já por aqui, o sinal de alerta soou com o aumento considerável de esquemas financeiros criminosos que usavam os investimentos no mercado em questão como bandeira.

Os destaques negativos ficaram para os casos da GAS consultoria, que chegou acumular R$ 38 bilhões e é acusada de lavagem de dinheiro e esquema de pirâmide, e mais recentemente da Eagle Eye, que encerrou suas atividades sem devolver os capitais investidos e que respondem também à acusações similares as da GAS.

Agravante em lavagem de dinheiro

E as primeiras movimentações regulatórias, motivadas pela gravidade dos casos que ganharam a mídia, já começam a tomar forma no cenário brasileiro. Junto à aprovação do PL para seguir ao plenário, uma comissão especial formada por deputados federais acelera os trâmites do agravamento de pena em caso de lavagem de dinheiro que envolva as criptomoedas.

Até hoje, a pena descrita na Lei n. 9.613/98 varia de 3 a 10 anos de reclusão. Com a novidade, a movimentação em criptoativos servirá como agravante para adicionar dois terços do tempo previsto à pena total, podendo passar então dos 16 anos em casos mais graves.

Tomando como espelho a situação dos Estados Unidos, observa-se como a conversa evoluiu por lá. Do problema envolvendo terrorismo digital, muitas outras pautas necessárias foram abordadas, como por exemplo a estruturação de stablecoins em suas relações com dólar americano e fundos empresariais, aspecto que pode ser parte importante de uma possível “ponte” entre criptos e transações econômicas mais tradicionais.

Aqui no Brasil, portanto, abre-se uma oportunidade ímpar de acelerar as políticas públicas que envolvam o inovador mercado. Pesquisas feitas à época da oficialização do Bitcoin (BTC) como moeda corrente em El Salvador, colocaram a população brasileira como consideravelmente amistosa à uma chegada mais concreta do recurso à economia nacional. Tratar então do assunto com compromisso e seriedade pode render frutos consideráveis à maturidade do povo brasileiro frente às criptomoedas.

O “vai ou racha” da Ada Cardano começou

Reações em meio à tempestade

É bem verdade que a Ada Cardano (ADA) e seus investidores viveram uma montanha russa de emoções entre o final do mês de agosto e o começo de setembro. Após a moeda bater a marca dos US$ 3, um reajuste natural já era esperado.

Entretanto, o movimento de venda coincidiu com o vazamento de receios de programadores que faziam os primeiros testes na atualização da moeda, enquanto para para completar, a baixa se arrastou até a estreia do Bitcoin (BTC) em El Salvador, responsável por uma queda generalizada nos preços de criptoativos. Os golpes foram duros e seu patamar de preço definitivamente mudou. Após cruzar a barreira dos US$ 3, agora a moeda flutua muito mais próxima da casa dos US$ 2.

Agora, uma nova prova de resistência após breve respiro com a confirmação do sucesso da atualização: os ataques do governo chinês escalaram rapidamente e agora tanto mineração, quanto qualquer tipo de negociação e incentivo às criptomoedas são ilegais na segunda maior potência econômica mundial.

Como era de se esperar, mais uma vez tivemos reflexos severos no mercado. Só que além da boa reação (dentro do possível) dos criptoativos como um todo pós-anúncio, o CEO da Cardano, Charlie Hoskinson e seus programadores decidiram enfiar o pé no acelerador e aproveitar ao máximo das possibilidades disponíveis via contratos inteligentes.

Apostas na mesa

O primeiro e mais agressivo movimento foi em direção aos aspectos que permeiam a DeFi. A movimentação acompanha não somente o movimento natural dos ativos que buscam a estabilização definitiva no mercado ao se aprimorarem para operações econômicas, como também segue roteiro similar ao da Ethereum (ETH) – moeda-alvo da Cardano.

No movimentado Cardano Summit 2021, finalizado no último domingo (26), um dos principais destaques ficou para o anúncio da criação de uma stablecoin para servir de base em suas transações, a ‘Djed’. A ideia é que por meio dos estabelecimentos de contratos inteligentes, a moeda possa auxiliar preenchendo os espaços no pagamento de taxas, reforçando ainda mais a liquidez dos procedimentos e sua previsibilidade/segurança.

Também de suma importância foi o anúncio da parceria da rede Cardano com a Chainlink, trazendo oracles de eficácia já comprovada no mercado para o seu universo.

A parceria eleva as possibilidades de contratos híbridos na blockchain da moeda ao garantir, por meio dos sistemas que orbitam a Chainlink, o cruzamento de informações atualizadas em tempo real, de maneira segura e de nível institucional dos mais diferentes contextos imaginados.

De oscilações percentuais econômicas, estatísticas variadas de eventos esportivos e até, que sabe, previsão do tempo, tudo o que for “filtrado” e confirmado pelo ecossistema da Chainlink estará à disposição dos apps originários da rede Cardano.

Mais cedo no Summit, foram revelados também os planos da Input Output (IOHK), responsável pela rede de blockchain do ativo, referentes ao programa de certificação para projetos interessados em integrarem a rede, bem como a construção de uma dApp Store.

Ao atacar também o âmbito dos aplicativos descentralizados, a IOHK quer garantir segurança e qualidade para os posteriores usuários das ferramentas estabelecidas. Empresas especializadas em auditorias farão as verificações da integridade dos projetos – se estão seguindo as diretrizes propostas e, principalmente, se há algum malware escondido ou alguma cláusula camuflada que venha prejudicar usuários.

Com este processo bem ajustado, a ideia é que qualquer um possa acessar via navegador a “Plutus dApp Store”. Criadores poderão fazer o upload de seus projetos na plataforma, que servirá como um mostruário das múltiplas possibilidades oferecidas pela Cardano.

Por fim, o sistema vai mostrando também suas primeiras grandes atividades envolvendo a emissão de NFT’s. Abraçando o que é próximo entre a exclusividade do mundo da arte e os tokens não-fungíveis, foram emitidas na rede Cardano uma coleção de tokens que envolverão novas músicas de Billy Gibbons, vocalista da banda ZZ Top, icônica banda de Blues Rock formada no começo da década de 70.

Essa última ação, aliás, converge com um dos pontos em que a Ada Cardano e todo seu projeto se destaca de muitos concorrentes: poucas moedas souberam aproveitar tão bem a visibilidade oriunda dos momentos de alta para transforma-la em marketing.

Em partes, foi com uma colocação clara no mundo off-chain que a Cardano se manteve relevante em meio ao caos recente. O batismo de fogo “oficial” já foi concluído, e com novidades como as destacadas recentemente, o caminho também está traçado. Resta agora acompanhar com atenção para saber se o projeto já encontrou seu limite, ou se realmente a pedra do sapato da Ethereum está ganhando forma e assumirá o potencial esperado.