Exportações de café do Vietnã devem cair 2,7% em 2021

HANÓI (Reuters) – As exportações de café do Vietnã em 2021 devem registrar uma queda de 2,7%, para 1,5 milhão de toneladas, enquanto as exportações de arroz provavelmente cairão 0,5%, mostraram dados do governo divulgados nesta quarta-feira.

As exportações de café do país provavelmente cairão para o equivalente a 25,38 milhões de sacas de 60 kg, disse o Escritório Geral de Estatísticas.

A receita das exportações de café do Vietnã, maior produtor mundial de robusta, provavelmente aumentará 9,4%, para cerca de 3 bilhões de dólares neste ano, disse o relatório.

Os embarques de café do país em dezembro são estimados em 130 mil toneladas, avaliadas em 305 milhões de dólares, disse o relatório.

As exportações de arroz em 2021 do Vietnã devem cair 0,5%, para 6,2 milhões de toneladas. A receita com as exportações de arroz no ano caminham para aumentar 5%, para 3,3 bilhões de dólares.

As exportações de arroz do Vietnã, um dos maiores exportadores mundiais do grão, totalizaram 470 mil toneladas em dezembro, no valor de 242 milhões de dólares.

Café arábica recua e açúcar também cai

NOVA YORK (Reuters) – Os contratos futuros do café arábica caíram nesta segunda-feira pela segunda sessão seguida, enquanto o açúcar também recuou durante o dia.

CAFÉ

* O café arábica para março fechou em queda de 4,15 centavos de dólar, ou 1,8%, a 2,2705 dólares por libra-peso​​.

* Na semana passada, os futuros do café robusta na ICE atingiram a máxima em mais de uma década na quinta-feira, já que o fluxo de suprimentos continuou a ser interrompido por problemas da cadeia de suprimentos, incluindo a falta de capacidade de transporte de contêineres.

AÇÚCAR

* O açúcar bruto para março fechou em queda de 0,03 centavo de dólar, ou 0,2%, a 19,21 centavos de dólar por libra-peso.

(Reportagem de Stephanie Kelly)

Mercado avalia cafezais no Brasil enquanto preços atingem máxima em 10 anos

Por Marcelo Teixeira e Roberto Samora

NOVA YORK/SÃO PAULO (Reuters) – Especialistas em café que trabalham para tradings de commodities estão seguindo pelas estradas estreitas e sinuosas no Estado de Minas Gerais, em expedições técnicas pelo maior produtor do país, verificando as perspectivas da safra de 2022, enquanto os preços estão próximos dos níveis mais altos em 10 anos.

Este tem sido um ano difícil para a cafeicultura brasileira, maior produtor mundial. Os preços dispararam após uma seca e, posteriormente, geadas arruinaram até 20% dos cafeeiros, afetando a produção futura. Até agora, aqueles que acompanham as lavouras apontam estimativas variadas para a safra de 2022, embora os comerciantes por enquanto ainda apostem em uma colheita menos produtiva.

As pessoas que caminham pelos campos descobrirão a verdade sobre o tamanho da safra entre agora e o final de janeiro, o momento ideal para a avaliação dos cafezais.

“As chuvas que se seguiram às geadas e à seca produziram uma bela floração, mas agora temos que ver quantas delas vão se transformar em cerejas”, disse Ryan Delany, analista-chefe da Coffee Trading Academy LLC, dos Estados Unidos.

Os contratos futuros do café arábica no ICE subiram mais de 90% este ano após a seca, geadas e, em seguida, uma escassez global de contêineres que prejudicou o transporte. A alta de preços levou produtores no Brasil, na Colômbia e em outros lugares a não honrar as entregas de café pré-vendido.

Durante as viagens, os especialistas tentam contar os chumbinhos nos galhos para fazer projeções mais detalhadas. Até agora, as estimativas divulgadas variam enormemente.

A analista de soft commodities Judy Ganes, que esteve recentemente no Brasil com o colega analista Shawn Hackett, estimou a produção brasileira de arábica em cerca de 36 milhões de sacas, uma das menores projeções do mercado.

Ganes diz que a saúde vegetativa das árvores foi prejudicada pela seca e geadas, algo que outros não estão contabilizando totalmente. Ela espera que a safra total do Brasil (incluindo a variedade robusta) chegue a 55 milhões de sacas, longe da safra recorde de 2020, quando o país estava no ano de alta do ciclo produtivo do arábica e colheu ao todo cerca de 70 milhões de sacas.

Jonas Ferraresso, um agrônomo brasileiro especialista em café, diz que o florescimento foi generalizado depois das chuvas de outubro, mas a conversão em frutos foi abaixo do normal.

“Muitas árvores desenvolveram novas folhas nos galhos em vez de grãos, um desenvolvimento incomum provavelmente relacionado à forte seca no início do ano”, disse ele.

Segundo o engenheiro agrônomo Adriano Rabelo de Rezende, coordenador técnico da cooperativa Minasul, na região de Varginha (MG), o pegamento da florada foi “muito ruim”.

“Lavoura que a gente estava projetando safra média, tem muito pouco café. Onde projetava 30 a 40 sacas, deve ser 10 a 15 sacas, isso não é maioria, lógico que tem exceções. As lavouras que vinham de safra zero, esqueletadas, essas estão melhores um pouco, acha mais café. Agora, lavoura de carga média tem muito pouco. E lavoura que iria dar pouco café, não tem nada”, afirmou.

MAIS POSITIVOS

Outros especialistas são mais otimistas.

O Rabobank, especializado em financiamento agrícola, espera uma safra de 66,5 milhões de sacas, não muito longe do recorde, acrescentando que tal produção geraria um superávit global de 3 milhões de sacas e cortaria os preços para menos de 2 dólares por libra-peso em 2022.

O comerciante baseado nos EUA Cardiff Coffee tem estimativa de produção de 63,1 milhões de sacas.

Paulo Armelin administra uma fazenda de 220 hectares na região de Patrocínio, em Minas Gerais, onde as geadas foram mais fortes. Ele disse que cerca de 20% de seus campos foram atingidos pela onda de frio e não produzirão no próximo ano, mas o restante não foi afetado.

“Pelo menos na minha fazenda, a floração foi boa e a conversão em cerejas parece boa”, disse ele.

Com exportação em queda, Cooxupé usa ‘big bags’ de café para atenuar falta de contêiner

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) – A Cooxupé, maior cooperativa e exportadora de café do Brasil, revisou para baixo em quase 20% sua projeção de embarques em 2021 por problemas logísticos, e está encerrando o ano com despacho atípico de “big bags” direto no navio para atenuar o impacto da escassez de contêineres nas vendas externas.

“Foi um ano em que devemos ficar bem aquém do que esperávamos nos embarques… este foi o grande vilão do ano de 2021”, afirmou o presidente da Cooxupé, Carlos Augusto Rodrigues de Melo, em entrevista à Reuters, referindo-se à escassez de contêineres e alta dos custos do frete marítimo.

Antes do problema logístico se acentuar, a expectativa da Cooxupé era embarcar 7,2 milhões de sacas de 60 kg, das quais 6,5 milhões de sacas seriam de exportação, estimativas que caíram agora para embarque de 5,8 milhões de sacas, sendo 4,8 milhões de sacas ao mercado externo.

Com isso, os embarques totais (mercado externo e interno) ficarão 19,4% abaixo do previsto inicialmente e também recuarão na comparação com os 5,9 milhões de sacas de 2020, quando o Brasil colheu sua maior safra da historia.

Ele comentou que a safra menor pelo ciclo bianual do arábica reduziu os recebimentos de café pela cooperativa, conforme o esperado, mas o fator para a revisão de embarques é mesmo a questão logística.

Melo lembrou que a cooperativa costuma exportar maiores volumes em anos de baixa produtividade, como em 2021, para aproveitar os preços melhores. Mas o movimento foi frustrado pelos gargalos logísticos.

A pandemia é um dos fatores por trás da crise dos contêineres, cujos fluxos entre importações e exportações se alteraram à medida que lockdowns afetaram as atividades.

Buscando contornar o problema, o presidente da Cooxupé disse que a cooperativa participará do primeiro embarque de café em “big bags” de cerca de mil quilos neste ano, previsto para o próximo sábado.

“Vai no porão do navio, consegui um embarque, mais de 100 mil sacas, é uma maneira de driblar o preço do contêiner e a ausência do contêineres”, explicou.

“No passado se fazia exportação em sacas de estopa, hoje, mesmo que ensacado, vai em contêiner”, disse ele

Ele explicou que, normalmente, o contêiner recebe o café em sacas, a granel ou “big bags”.

Questionado sobre novos embarques diretamente no navio usando os grandes sacos, Melo disse que está “aparecendo outra oportunidade”, com outras empresas interessadas.

MENOR RECEBIMENTO

No ano passado, a Cooxupé teve o maior recebimento de café da história, totalizando 8,1 milhões de sacas, das quais 6,6 milhões entregues somente pelos cooperados. Mas, com a quebra de safra, o volume deve ficar cerca de 2 milhões de sacas abaixo em 2021.

“Esperávamos uma quebra, o que daria em torno de 6 milhões sacas de recebimentos (em 2021), de cooperados e terceiros”, afirmou ele, acrescentando que os cooperados deverão entregar volume de cerca de 4,5 milhões de sacas.

A Reuters publicou anteriormente que a cooperativa estava entre os compradores que tiveram problemas com cafeicultores que deixaram de entregar o produto previamente vendido, após uma disparada das cotações.

Mas o presidente não entrou em detalhes, afirmando que a Cooxupé atingiu suas metas de originação e que a safra teve qualidade muito boa, apesar de menor.

Segundo Melo, é importante que o problema logístico seja resolvido em breve, uma vez que a cooperativa precisa abrir espaço nos armazéns, para a safra de 2022, quando ele acredita que a produção será maior do que em 2021.

“2022 não será uma safra recorde, podemos ser taxativos… Mas deve ser maior que 2021, mas não muito”, disse ele, lembrando dos impactos da seca e das geadas.

Ele afirmou que não é possível estimar a próxima safra ainda, o que poderia ficar mais claro em janeiro e fevereiro, mas comentou que o pegamento dos chumbinhos não foi o ideal.

“Veio florada muito grande, muito bonita, mas o tempo não ajudou, o efeito de seca, altas temperaturas e chuvas em momento não propício causaram queda desses chumbinhos muito grande.”

A colheita de café arábica em geral começa entre maio e junho.

Para o próximo ano, ele disse que os produtores de café também serão impactados pela alta de custos, além de uma oferta apertada de adubos e defensivos, que tem preocupado o setor agrícola de forma geral.

Ele afirmou também que, se antes o produtor travava o preço do café a 800 reais a saca, agora pode travar a 1.400 reais, mas os custos, como fertilizantes, subiram muito, mais que dobrando em relação aos 2.800 reais por tonelada da safra anterior.

ENTREVISTA-Nespresso vê 2022 como o ano do Brasil e deve ampliar prêmios a cafeicultor

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) – A Nespresso deverá investir mais no Brasil em 2022, potencialmente ampliando a oferta de produtos, com impacto positivo na cadeia produtiva do país, vista pela empresa da Nestlé como referência para o mundo em termos de qualidade e sustentabilidade.

No próximo ano, a companhia líder em cafés no segmento de cápsulas tem o compromisso de zerar globalmente as emissões de carbono na atividade produtiva, com plantio de árvores e compra de créditos. E avalia que o Brasil, onde adquire a maior parte do café, tem papel importante no processo.

Os desafios serão enormes, considerando que as lavouras no maior produtor e exportador global foram duramente afetadas por seca nos últimos anos, além de geadas no inverno de 2021.

Mas a empresa vê os produtores com os quais trabalha, que recebem prêmios por qualidade e sustentabilidade, mais resilientes para atingir as principais metas.

“O Brasil vai ganhar muito espaço no próximo ano, acredito que isso se deve à liderança em sustentabilidade, à liderança brasileira em projetos, avançamos muito a nossa agenda de projetos e nos tornamos um benchmark”, disse Guilherme Amado, líder do Programa Nespresso AAA de Qualidade Sustentável no Brasil e no Havaí.

“Temos casos de sucesso replicados em outros países, é um Brasil de café que dá gosto, e devido a isso a Nespresso decidiu investir mais em novos produtos, 2022 vai ser o ano do Brasil”, destacou.

Em entrevista, ele afirmou que as novidades para 2022 envolverão produtos, mas também projetos para fazendas e as pessoas envolvidas nos processos. No entanto, disse que não poderia adiantar detalhes.

O executivo contou também que a Nespresso, que completa 15 anos de atividade no Brasil em 2021, pretende ampliar em 2022 o pagamento de prêmios aos produtores que somaram 10 milhões de dólares neste ano.

“Nos últimos três anos, temos mantido o mesmo patamar de prêmios, e tem os dois anos de pandemia, que foram atípicos. Mas imaginamos que no próximo ano vai ser maior. Por quê? Porque vem coisa nova do Brasil…”

O prêmio é fixado em dólares por valor de saca preparada, e muitas vezes acaba sendo revertido para atividades ambientalmente sustentáveis.

“Temos dois prêmios, pagamos para quem está dentro do programa AAA (de qualidade sustentável) e para fazendas que avançaram em agenda de sustentabilidade, que conseguem obter um certificado externo da Rainforest Alliance”, contou o executivo.

Todas as 1.200 fazendas brasileiras que fornecem café para a empresa e fazem parte do Programa Nespresso AAA de Qualidade Sustentável estão contempladas pela iniciativa.

Segundo ele, se for um cafeicultor AAA, recebe um prêmio por saca que varia de 13 a 21 dólares. E se o produtor ainda é certificado Rainforest Alliance, recebe um prêmio adicional 6,6 dólares por saca, revelou o líder do programa no Brasil e no Havaí.

Os valores dos prêmios não consideram os investimentos que a companhia faz em sua equipe de assistência técnica, fundamental para que os cafeicultores atinjam seus objetivos. Nesse segmento, os investimentos somam 700 mil dólares. Há ainda uma terceira linha de aportes, que são os projetos.

DE NORTE A SUL

Com experiência de 15 anos no mundo do café, Amado destacou que o Brasil tem cafés de qualidade com uma variedade de características e aromas que se encaixam nos planos da empresa, que hoje atua em Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo.

“Temos uma diversidade de cafés incomparável. Do Paraná ao Ceará, do Espírito Santo a Rondônia, dentro desta área existem excelentes café…”, completou.

O Brasil, que está entre os dez maiores mercados de vendas da Nespresso, já é o maior fornecedor de café para a empresa da Nestlé, mas o setor no país não passará ileso às intempéries.

“Está sendo um ano difícil, nos meus 15 anos de café nunca vi situação que estamos passando, é um momento especial, onde tem desafio tem oportunidades”, comentou ele, em referência aos impactos da seca e geadas, que em geral deverão reduzir o potencial produtivo em 2022.

Mas “nós temos modelo de negócio que nos traz segurança, os cafeicultores com os quais trabalhamos contam com mais ferramentas para conseguir manejar essa crise toda e sair com melhores resultados, mas é um momento de atenção e cautela para todos nós.”

A Nespresso e seus parceiros, disse o executivo, querem ampliar o foco na chamada agricultura regenerativa, na qual há ações como redução do uso de fertilizantes nitrogenados, o que colabora com a redução de emissões.

“O próximo horizonte a ser desvendado se chama solo, que tem aptidão natural de sequestro e armazenamento de carbono… uso de adubação orgânica ou fertilizantes sintéticos que tenham uma proteção contra volatização”, destacou ele, lembrando que o objetivo é realizar mais plantios de cobertura de solo, como braquiária, nas entrelinhas dos cafezal, o que melhora também a capacidade de armazenamento de água.

Além de incentivar manejos mais sustentáveis dentro da lavoura, a Nespresso trabalha com cafeicultores para reintroduzir árvores dentro das propriedades, com programas que registraram o plantio de milhares de espécies nativas.

ENFOQUE-Acorde e sinta o cheiro do café… produzido nos EUA

Por Marcelo Teixeira

Mas Armstrong não está nos trópicos da América Central –ele está em Ventura, Califórnia, a apenas 97 km do centro de Los Angeles.

“Acho que agora posso dizer que sou um produtor de café!” disse ele, depois de plantar as últimas mudas de variedades de café arábica de alta qualidade, tradicionalmente cultivadas em climas equatoriais escaldantes.

O café é amplamente produzido no cinturão cafeeiro, localizado entre o Trópico de Câncer e o Trópico de Capricórnio, onde países como Brasil, Colômbia, Etiópia e Vietnã têm proporcionado o melhor clima para os cafezais, que precisam de calor constante para se desenvolver.

A mudança climática está alterando as temperaturas ao redor do globo. Isso está prejudicando as safras em vários locais, mas abrindo possibilidades em outras regiões. O cenário inclui a Califórnia e a Flórida, onde fazendeiros e pesquisadores estão estudando o cultivo de café.

Armstrong recentemente se juntou a um grupo de produtores que participaram do maior empreendimento de cultivo de café de todos os tempos nos Estados Unidos. O país é o maior consumidor mundial da bebida, mas produz apenas 0,01% da safra cafeeira mundial –sendo toda a produção no Havaí, um dos únicos dois Estados norte-americanos com clima tropical, junto com o sul da Flórida.

Os produtores tradicionais de café, como Colômbia, Brasil e Vietnã, sofreram o impacto do calor extremo e da mudança nos padrões de chuva. Botânicos e pesquisadores estão procurando plantar variedades de safras mais resistentes para algumas das regiões de cultivo dessas nações.

Maior produtor, o Brasil vive a pior seca dos últimos 90 anos. Isso foi agravado por uma série de geadas inesperadas, que danificaram cerca de 10% das lavouras, prejudicando a produção de café neste ano e no próximo.

SONHO CALIFORNIANO

“Estamos chegando a 100.000 pés”, disse Jay Ruskey, fundador e executivo-chefe da Frinj Coffee, empresa que oferece aos produtores interessados ​​no cultivo de café um pacote de parceria que inclui mudas, processamento pós-colheita e comercialização.

Ruskey afirmou que iniciou o plantio experimental de café na Califórnia há muitos anos, mas contou a poucos sobre isso. Ele disse que só “saiu do armário como cafeicultor” em 2014, quando a Coffee Review, publicação que avalia os melhores cafés em cada safra, classificou seu produto, dando ao lote de grãos caturra arábica uma pontuação de 91 em uma escala de 100 pontos.

A Frinj ainda é uma pequena empresa de café voltada para compradores de especialidades sofisticadas. A companhia vende pacotinhos de 5 onças (140 gramas) por 80 dólares cada, em seu site. Como comparação, pacotes de 8 onças de Starbucks Reserve, o café de alta qualidade da rede americana, são vendidos por 35 dólares cada. Frinj produziu 2.000 libras-peso (907 kg) de café de sequeiro este ano em oito fazendas.

“Ainda somos jovens, ainda estamos crescendo em termos de fazendas, capacidades pós-colheita”, disse Ruskey. “Estamos tentando manter os preços altos e vendendo tudo o que produzimos. O empreendimento já é lucrativo”, acrescentou.

A empresa tem crescido lentamente desde então, com o Smith Hobson Ranch de 2.833 hectares de Armstrong, um dos maiores e mais recentes a ser parceiro de Ruskey.

“Não tenho experiência com café”, disse Armstrong, que normalmente cultiva frutas cítricas e abacates, entre outras safras.

Para aumentar suas chances de sucesso, ele instalou um novo sistema de irrigação para aumentar a eficiência do uso da água e plantou as árvores longe de partes da fazenda que foram atingidas por geadas no passado.

O café usa 20% menos água do que a maioria das árvores frutíferas e de nozes, de acordo com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês).

A água tornou-se escassa na Califórnia após as recentes secas e incêndios florestais. Muitos agricultores estão trocando de cultivos para lidar com os limites do uso de água.

Giacomo Celi, diretor de sustentabilidade do Mercon Coffee Group, um dos maiores tradings mundiais de café verde, disse que os riscos do cultivo de café em novas áreas são altos.

“Parece mais lógico investir em novas variedades de café que possam ser cultivadas nas mesmas geografias atuais”, disse ele.

 

ESPERANÇA NA FLÓRIDA

À medida que o clima esquenta no sul dos Estados Unidos, pesquisadores da Universidade da Flórida (UF) estão trabalhando com um plantio piloto para ver se as árvores sobreviverão naquele Estado.

Cientistas acabam de mover mudas de cafezais do tipo arábica cultivadas em uma estufa para a área exterior, onde ficarão expostas, criando o risco de que as plantas sejam mortas pelo frio quando o inverno chegar.

“Será a primeira vez que elas serão testadas”, disse Diane Rowland, pesquisadora líder do projeto.

Rowland afirmou que os pesquisadores estão plantando cafezais próximos aos citros, uma técnica de consórcio usada em outras partes do mundo, já que árvores maiores ajudam a conter os ventos e fornecem sombra as lavouras de café.

O projeto, no entanto, é mais do que apenas o cultivo do café. Alina Zare, pesquisadora de inteligência artificial na Faculdade de Engenharia da UF, disse que os cientistas também estão tentando melhorar a forma de estudar o sistema de raízes das plantas. Isso, por sua vez, poderia ajudar na seleção das variedades de café ideais para a região no futuro.

De acordo com a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional, a agência meteorológica dos EUA, as temperaturas médias anuais foram de pelo menos 1,1 grau Celsius (C) acima da média por mais da metade do tempo nas estações de medição de longo prazo, na região sudeste dos Estados Unidos em 2020.

A Flórida experimentou um calor recorde no ano passado, com temperaturas médias de 28,3 graus C em julho e 16,4 graus em janeiro. Isso é mais quente do que a área de Varginha, em Minas Gerais, a maior região produtora de café do mundo, que tem uma média de 22,1 graus no mês mais quente e 16,6 graus no mais frio.

“Com a mudança climática, sabemos que muitas áreas do mundo terão dificuldades para cultivar café porque estará muito quente, então a Flórida pode ser uma opção”, disse Rowland.

OIC vê déficit global no mercado de café em 2021/22

“Espera-se uma redução substancial da produção mundial no ano cafeeiro de 2021/22, uma vez que algumas origens importantes foram afetadas por choques relacionados ao clima. A oferta total deverá cair abaixo do consumo mundial”, disse o órgão intergovernamental.

A OIC não forneceu um número para o déficit projetado na próxima temporada, mas elevou sua estimativa de superávit para 2020/21 de 2,30 milhões para 2,6 milhões de sacas, principalmente devido a uma projeção de menor consumo.

O consumo agora é estimado em 167,01 milhões de sacas nesta temporada, de uma projeção de 167,58 milhões de sacas em seu relatório anterior e abaixo das 167,6 milhões de sacas vistas antes da pandemia.

As exportações mundiais de café totalizaram 10,65 milhões de sacas de 60 kg em julho, 1,7% a mais que em julho de 2020, disse a OIC, acrescentando que as exportações nos primeiros dez meses da temporada aumentaram 2,2% ano a ano, para 108,96 milhões de sacas.

(Por Maytaal Angel)

Colheita de café dos cooperados da Cooxupé atinge 90,59% da área

Na mesma época de 2020, os cooperados já haviam colhido 92,54% da área. Na última safra de baixa no ciclo do arábica, em 2019, produtores da Cooxupé tinham colhido neste período do ano 97,80%.

Segundo relatório, os trabalhos estão mais avançados no Sul de Minas Gerais, onde os cooperados já colheram 91,78% da área cultivada.

Em São Paulo, 86,57% dos cafezais já tiveram colheita, enquanto no Cerrado de Minas o índice atingiu 88,91%.

 

(Por Roberto Samora)

Brasil arranca alguns cafezais queimados por geadas; grãos podem ocupar áreas

Por Roberto Samora e Marcelo Teixeira

O arranquio do café, que pode dar lugar a novas mudas ou em alguns casos ser substituído por culturas como milho, soja e feijão, mostra também o desânimo daqueles que colheram pouco em meio à seca em 2021, após o cafezal ter sido podado visando uma maior colheita em 2022, o que não será possível com as geadas.

A erradicação, ainda restrita a algumas áreas do maior produtor e exportador global de café, ocorre antes mesmo da chegada de temporada de chuvas, contrariando recomendação técnica de aguardar a possível brotação nos pés antes de qualquer poda, para que seja obtido um melhor manejo dos danos no cafezal.

“O que já tem de lavoura arrancada, já tem bastante. Já está tudo acumulado nas propriedades. Com o passar do tempo, de cima pra baixo foi morrendo mais”, disse Airton Gonçalves, por telefone, diretamente de Patrocínio, no Cerrado Mineiro, citando casos de propriedades próximas.

Há também lavouras novas atingidas pelas geadas que serão replantadas ou substituídas por cereais. Cafezais de produtores não tradicionais também estão mais propensos a virar plantação de milho, soja ou feijão, o que poderia reduzir a cultura cafeeira em regiões tradicionais de Minas Gerais.

“Vai ter muita área que vai migrar para grãos. Um amigo meu, de 350 hectares, vai arrendar parte para soja”, disse Gonçalves, lembrando que um colega atingido pelas geadas chegou a chorar sob o pivô de irrigação, ao ver os efeitos do frio mais intenso para os cafezais desde 1994.

O produtor disse que cafeicultores como ele, que estão há mais tempo na atividade, relutam em trocar de cultura, mas não é o caso daqueles que têm no café uma segunda fonte de renda e são novos na atividade, como médicos e empresários. “Esses que entraram há pouco tempo desistem, não voltam mais”, comentou.

Gonçalves citou um colega da região que estava se preparando para uma safra maior no ano que vem, mas “queimou tudo, em torno de 150 mil pés, vai ter que arrancar”.

Ele próprio disse que avalia a erradicação de 30 mil pés, mas aguarda para saber qual será a resposta da brotação, além de avaliação do seguro rural.

“O cara do seguro vai determinar o que fazer em cada área. Se eu discordar da orientação dele, eu abro mão do seguro e faço o que eu achar melhor”, acrescentou ele, projetando uma redução de 75% na sua safra de 2022, para 1.200 sacas de 60 kg.

CAFÉ NOVO AFETADO

O engenheiro agrônomo José Braz Matiello, da fundação de pesquisa Procafé, confirmou que alguns produtores já estão se antecipando com a erradicação das árvores afetadas.

Na avaliação dele, esse processo deverá se concentrar mais em áreas mais baixas e frias, também sujeitas a mais doenças devido à maior umidade, e nos pés mais novos.

Mas ele considera prematuro dizer quanto será arrancando.

“Às vezes em lugar muito no fundo… onde de forma recorrente está queimando, aí tem muita gente que vai arrancar e plantar uma cultura anual, milho, soja, feijão…”, disse ele, que recebeu vídeos mostrando escavadeiras arrancando o cafezal.

Já o agrônomo Adriano Rabelo de Rezende, coordenador técnico da cooperativa Minasul, concorda que a situação só ficará mais clara quando as chuvas chegarem, o que explica a recomendação técnica para produtores aguardarem na maioria dos casos.

“Em áreas mais frias, lavouras novas, que provavelmente o produtor teria que replantar, aí em alguns casos sim o produtor pode optar por entrar com cereais, não vai plantar de novo em áreas mais planas e mais baixas.”

Apesar das orientações, o produtor Mário Alvarenga já iniciou os trabalhos de poda para tentar agilizar os processos que poderão impulsionar a produção em 2023, dependendo da intensidade do corte.

“Já tem bastante gente podando café. Eu estou podando. Como a chuva vai demorar, estamos fazendo muita análise, talhão a talhão”, disse ele, destacando que o trabalho é criterioso para separar aqueles pés que morreram. As chuvas de primavera começam a chegar em setembro, sazonalmente.

“Estamos vendo onde houve morte mesmo (da árvore)… Os que já se sabe que estão vivos, já iniciei o processo de poda”, disse, argumentando que o trabalho agora lhe permite sair na frente, pois vai “arejar mais a planta, vai receber mais luz”, diante da expectativa de um ano complicado em termos de manejo.

Ele disse que mesmo as áreas que não foram queimadas pelas geadas vão produzir menos no ano que vem, devido aos efeitos da seca e às baixas temperaturas por vários dias, o que permitiu também o aparecimento de doenças típicas do frio.