Café arábica recua e açúcar também cai

NOVA YORK (Reuters) – Os contratos futuros do café arábica caíram nesta segunda-feira pela segunda sessão seguida, enquanto o açúcar também recuou durante o dia.

CAFÉ

* O café arábica para março fechou em queda de 4,15 centavos de dólar, ou 1,8%, a 2,2705 dólares por libra-peso​​.

* Na semana passada, os futuros do café robusta na ICE atingiram a máxima em mais de uma década na quinta-feira, já que o fluxo de suprimentos continuou a ser interrompido por problemas da cadeia de suprimentos, incluindo a falta de capacidade de transporte de contêineres.

AÇÚCAR

* O açúcar bruto para março fechou em queda de 0,03 centavo de dólar, ou 0,2%, a 19,21 centavos de dólar por libra-peso.

(Reportagem de Stephanie Kelly)

Preços do trigo russo avançam acompanhando referências globais

MOSCOU (Reuters) – Os preços do trigo russo aumentaram ligeiramente na semana passada, após três semanas de quedas, acompanhando os preços mais altos em Chicago e Paris, disse a consultoria agrícola IKAR nesta segunda-feira.

O trigo russo com 12,5% de proteína carregado dos portos do Mar Negro para fornecimento em janeiro foi cotado a 330 dólares a tonelada livre a bordo (FOB, na sigla em inglês) no fim da semana passada, alta de 1 dólar em relação à semana anterior, disse a IKAR.

A Sovecon, outra consultoria, estima que a cevada caiu 2 dólares, a 297 dólares a tonelada.

As exportações de trigo da Rússia caíram 37,7% desde o início da campanha de comercialização de 2021/22 em 1º de julho, devido a uma safra menor e a um imposto de exportação que aumentará para 94,90 dólares por tonelada esta semana.

Os preços domésticos do trigo na Rússia caíram na semana passada em meio à fraca demanda de exportadores e processadores domésticos, disse a Sovecon, acrescentando que o setor pecuário ainda é o principal comprador do mercado, mas continua reduzindo suas ofertas.

“A aproximação do longo feriado de Ano Novo não levou a um aumento substancial na demanda. Os compradores ainda estão relaxados e não estão se apressando para comprar, já que qualquer aumento nos preços do rublo é limitado por rígidos impostos de exportação”, acrescentou Sovecon.

(Reportagem de Olga Popova e Polina Devitt)

Exportadores dos EUA vendem 269.240 t de milho para destinos desconhecidos, diz USDA

(Reuters) – Exportadores norte-americanos reportaram vendas de 269.240 toneladas de milho para destinos desconhecidos, com entrega no ano comercial de 2021/22, disse o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) nesta segunda-feira.

Por lei, os exportadores devem informar prontamente a venda de 100 mil toneladas ou mais de uma commodity, e 20 mil ou mais toneladas de óleo de soja, feita em um dia. Negócios em volumes menores são relatados semanalmente.

O ano comercial do milho começou em 1º de setembro.

(Reportagem de Swati Verma em Bengaluru)

Investimentos ESG e políticas ambientais podem impulsionar mineradoras

Com os investimentos ESG (Ambiental, Social e Governança, na sigla em inglês) ganhando impulso rapidamente e as metas de mudança climática se aproximando, as empresas de mineração estão sendo forçadas a alinhar os gastos de capital.

Com as promessas de redução de emissões, vários investidores ativistas e institucionais passaram a exigir a venda de portfólios inteiros de combustíveis fósseis e os demais que são nocivos para as metas de emissão de carbono.

Isso tem impactado fortemente as decisões de desinvestimento das principais mineradoras do mundo.

Três anos atrás, a Rio Tinto fez o que parecia ser impensável: vendeu todo o seu portfólio de carvão térmico em Queensland, Austrália. 

A companhia vendeu sua holding Coal & Allied para a concorrente Glencore por cerca de US $ 1,7 bilhão. 

Também vendeu sua participação na mina subterrânea de carvão Kestrel para um consórcio formado pela gestora de private equity EMR Capital e PT Adaro Energy Tbk por US $ 2,25 bilhões. 

Com essas vendas, a Rio Tinto se tornou a única grande empresa global com ativos zero de carvão.

Outra mineradora que tem avançado no mesmo sentido é a BHP, segunda maior empresa do setor. 

A diferença é que a BHP tem sido mais implacável em se distanciar da exploração de petróleo e gás.

Em agosto de 2021, a BHP anunciou que deslocaria seus ativos de petróleo e gás para uma joint venture com a australiana Woodside. 

Embora, na prática, isso não signifique um abandono completo da exploração de petróleo e gás, ao menos é uma indicação clara de que a segunda maior mineradora do mundo está saindo da indústria de combustível à base de carbono.

Além disso, a BHP também está se desfazendo de seus ativos de carvão térmico. Recentemente vendeu sua participação na mina de carvão Cerrejon, em Columbia, para a Glencore. 

Enquanto isso, a empresa baixou o valor de sua mina Mt Arthur, em Hunter Valley, na Austrália, enquanto continua a procurar um comprador. 

Foco nos metais

Todo esse desinvestimento ainda não gerou queda de emissões de carbono, pois, na prática, o que foi visto até então foi apenas transferências de propriedade, de modo que a exploração continua no mesmo ritmo.

Tudo isso tem sido feito para agradar aos investidores ESG para que as companhias do setor de mineração diminuam suas emissões de carbono.

Por outro lado, as mineradoras têm outro motivo poderoso para se livrar de suas atividades poluentes e se concentrar em sua competência principal: os metais deverão sofrer um boom nas próximas décadas.

As mineradoras obtiveram grandes lucros este ano, à medida que os preços do metal e das commodities disparam.

A transição energética está impulsionando o próximo super ciclo de commodities, com imensas perspectivas para fabricantes de tecnologia e investimentos em energias sustentáveis.

De acordo com o provedor de pesquisa de energia BloombergNEF, estima-se que a transição global exigirá cerca de US$ 173 trilhões em fornecimento de energia e investimento em infraestrutura nas próximas três décadas. 

As expectativas são de que a energia renovável que deverá fornecer 85% das necessidades de energia do planeta até 2050.

Com isso, as perspectivas para a indústria de metais são as melhores possíveis. 

Isso porque as tecnologias de energia limpa requerem mais metais do que suas contrapartes baseadas em combustíveis fósseis. 

De acordo com uma análise recente da Eurasia Review, os preços do cobre, níquel, cobalto e lítio podem atingir picos históricos por um período sustentado sem precedentes em um cenário de emissões líquidas zero.

O valor total da produção pode subir mais de quatro vezes entre 2021 e 2040, e rivalizando até mesmo com o valor total da produção de petróleo bruto.

No cenário de emissões líquidas zero, o boom da demanda de metais deverá elevar o volume de metais negociados, totalizando US$ 13 trilhões acumulados nas próximas duas décadas apenas para os quatro metais citados.

Açúcar e café avançam na ICE com recuperação dos mercados globais

NOVA YORK/LONDRES (Reuters) – Os contratos futuros de açúcar e café na ICE avançaram nesta quarta-feira devido à oferta restrita e à recuperação dos mercados financeiros globais, embora os receios sobre a variante do coronavírus Ômicron tenham limitado os ganhos.

AÇÚCAR

* O açúcar bruto para março fechou em alta de 0,52 centavo de dólar, ou 2,8%, a 19,26 centavos de dólar por libra-peso.​​

* Operadores disseram que o mercado provavelmente está subvalorizado devido ao déficit esperado nesta temporada, mas acrescentaram que a história da Ômicron está longe de terminar e pode prejudicar ainda mais o crescimento global e, portanto, a demanda por açúcar.

* A empresa de serviços de cadeia de fornecimento Czarnikow adotou um tom mais otimista, observando que os especuladores têm vendido para o consumidor final e agora têm espaço para aumentar sua posição comprada.

* O açúcar branco para março subiu 10,80 dólares, ou 2,2%, a 502,90 dólares a tonelada.

CAFÉ

* O café arábica para março fechou com avanço de 5,3 centavos de dólar, ou 2,3%, a 2,3355 dólares por libra-peso​​, recuperando terreno pelo segundo dia após recuar 4,5% na segunda-feira.

* Operadores disseram que os preços estão sob pressão devido a temores de que os casos da Ômicron afetem a demanda, assim como a política monetária restritiva do Federal Reserve dos EUA.

* Mas eles disseram que o arábica deve encontrar algum apoio devido à compra de torrefação.

* O café robusta para março fechou em alta de 22 dólares, ou 0,9%, a 2.339 dólares a tonelada.

(Reportagem de Stephanie Kelly e Maytaal Angel)

Paraná corta projeção para safra de soja a 18,4 mi t após problemas climáticos

Por Nayara Figueiredo

SÃO PAULO (Reuters) – Depois de estimar um recorde de quase 21 milhões de toneladas no mês passado, o Paraná passou a projetar a safra de soja 2021/22 em 18,4 milhões, com queda de 7% no comparativo anual, em meio a problemas com clima no Sul, mostraram dados do Departamento de Economia Rural (Deral) nesta quarta-feira.

O corte na estimativa confirma as expectativas do mercado de que já há perda decorrente da seca e altas temperaturas em determinadas regiões produtoras, condições causadas pelo fenômeno climático La Niña.

“É uma primeira avaliação do impacto da estiagem e desse período mais quente, com aproximadamente 12% de redução de produtividade na cultura da soja, em relação ao que estimávamos inicialmente”, disse à Reuters o economista do Deral Marcelo Garrido.

Ele calcula que na região oeste, uma das mais afetadas do Estado, a quebra na safra de soja seja de no mínimo 32%. “Monitoramos mês a mês, mas essa redução já está consolidada”, comentou.

Garrido ainda lembrou que o Paraná –um dos principais Estados produtores de soja do país– recebeu chuvas em altos volumes em outubro, durante grande parte do plantio. Mas a partir de novembro as condições se inverteram, o clima ficou muito quente e com precipitações abaixo da média, cenário que se estendeu até dezembro.

Na terça-feira, o departamento ligado ao governo estadual cortou suas avaliações de qualidade para soja e milho, e somente 57% das lavouras da oleaginosa foram consideradas boas, contra 71% na semana anterior. Outros 13% das áreas foram classificados como ruins.

Com relação ao plantio, a área da soja ficou praticamente estável, em 5,64 milhões de hectares, contra 5,63 milhões na projeção anterior, mostraram os dados divulgados nesta quarta-feira.

Para o milho verão, o Deral também reduziu as expectativas de produção, de 4,19 milhões de toneladas para 3,68 milhões. No entanto, o volume ainda supera em 18% o total colhido na primeira safra do cereal 2020/21.

A área de verão 2021/22, entretanto, foi novamente revisada para cima, de 430 mil para 434,8 mil hectares. A nova estimativa representa avanço de 17% sobre o ciclo anterior.

Ainda de acordo com o levantamento, a produção de trigo 2021 foi projetada em 3,22 milhões de toneladas, quase estável em relação à última análise, com 1% de avanço comparado à safra passada.

Com uma safra recorde em 2021, o Rio Grande do Sul ultrapassou o Paraná e se tornou o maior produtor do cereal no Brasil. Nesta semana, a Emater-RS estimou a safra gaúcha em 3,4 milhões de toneladas.

 

(Por Nayara Figueiredo)

Agricultores da Argentina venderam 36,3 mi t de soja em 2020/21, diz governo

BUENOS AIRES (Reuters) – Os agricultores argentinos venderam 36,3 milhões de toneladas de soja da temporada de 2020/21 até agora, disse o Ministério da Agricultura nesta quarta-feira em um relatório que inclui dados até 15 de dezembro.

O ritmo de vendas ficou aquém em relação à temporada anterior. Naquela época, no ano passado, haviam sido registradas vendas de 37 milhões de toneladas da oleaginosa, segundo dados oficiais.

A colheita de 2020/21 da soja na Argentina encerrou junho em 43,1 milhões de toneladas, segundo a Bolsa de Grãos de Buenos Aires, que estimou a safra anterior de 2019/20 em 49 milhões de toneladas.

O câmbio das exportações agrícolas é essencial para a economia prejudicada da Argentina, que só agora começa a crescer depois de mais de dois anos de estagflação exacerbada em 2020 pela pandemia de Covid-19.

Os agricultores argentinos agora estão plantando soja de 2021/22. A expectativa da bolsa de grãos é de 44 milhões de toneladas.

(Reportagem de Agustin Geist, texto de Maximilian Heath e Hugh Bronstein)

Preços de minério e aço na China recuam diante de Covid-19 e temores com demanda

Por Enrico Dela Cruz

(Reuters) – Os contratos futuros de minério de ferro de Dalian caíram nesta quarta-feira, uma vez que as preocupações com as restrições ligadas à Covid-19 na China e a proximidade da baixa temporada para a atividade de construção na maior produtora de aço do mundo azedaram o ânimo.

O minério de ferro mais negociado para entrega em maio na bolsa chinesa de Dalian encerrou o dia com uma queda de 0,4% a 693,50 iuanes (108,84 dólares) a tonelada, recuando após quatro sessões de alta.

A China está mantendo uma política de tolerância zero em relação aos casos locais de Covid-19, agindo rapidamente para conter qualquer surto local impondo restrições de mobilidade.

A China deve seguir essa abordagem rígida enquanto Pequim se prepara para sediar os Jogos Olímpicos de Inverno que serão realizados em fevereiro.

Os preços do minério de ferro atingiram altas em várias semanas no início desta semana, apesar dos estoques importados da China atingirem um pico de três anos e meio, em uma recuperação alimentada pela perspectiva de demanda impulsionada pelo estímulo na China no próximo ano.

Os preços spot da principal matéria-prima da siderurgia saltaram para 129 dólares a tonelada na terça-feira, o maior preço desde 12 de outubro, com base nos dados da consultoria SteelHome.

Analistas, no entanto, alertaram que a demanda por aço na China está prestes a enfraquecer novamente nos próximos dias mais frios, quando a atividade de construção desacelerar.

“(A demanda de aço) está mudando gradualmente da temporada de pico para o ciclo de entressafra, e o consumo deve recuar gradualmente em relação ao mês anterior”, disseram analistas da Huatai Futures em nota.

O vergalhão de aço para construção na Bolsa de Futuros de Xangai caiu 0,9%, enquanto a bobina a quente caiu 1,2%, estendendo suas perdas para uma segunda sessão após uma alta de seis dias. O aço inoxidável aumentou 0,9%.

O carvão de coque de Dalian avançou 0,4%, enquanto o coque subiu 1,5%.

(Por Enrico Dela Cruz em Manila)

CORREÇÃO-Soja avança com preocupações de clima na América do Sul, milho e trigo também sobem

(Corrige primeiro parágrafo para informar que os contratos estão na Bolsa de Chicago e não na ICE)

CHICAGO (Reuters) – Os contratos futuros da soja dos Estados Unidos fecharam em alta na Bolsa de Chicago nesta terça-feira e atingiram a máxima desde agosto, com preocupações com a seca na América do Sul.

Os futuros do trigo também avançaram, diante de preocupações de dificuldades enfrentadas nas safras dos EUA com a seca, disseram traders.

Na bolsa de Chicago, o trigo soft vermelho de inverno para março fechou em alta de 21,25 centavos de dólar a 7,99 dólares por bushel.

A soja para janeiro fechou em alta de 15,75 centavos de dólar a 13,08 dólares por bushel. O primeiro contrato atingiu seu maior patamar desde 30 de agosto.

O estresse da safra no sul do Brasil abrange cerca de um terço da soja e do milho, disse o Commodity Weather Group. Menos de 10% do milho e da soja da Argentina estão sob estresse, disse o analista.

O milho para março subiu 7,25 centavos de dólar a 5,9825 dólares por bushel.

A recuperação nos preços do petróleo ajudou a sustentar os ganhos do milho, uma vez que o apetite dos investidores por risco melhorou, disseram os traders. O milho está vinculado ao preço do petróleo porque o grão é usado para fazer etanol.

(Reportagem de Tom Polansek)

Vale fecha venda de mina de carvão Moatize e logística de Nacala por US$270 mi

SÃO PAULO (Reuters) – A mineradora Vale informou nesta terça-feira que fechou acordo vinculante com a Vulcan Minerals para vender a mina de carvão Moatize e o Corredor Logístico Nacala pelo total de 270 milhões de dólares, de acordo com nota ao mercado.

O valor será composto por 80 milhões de dólares na conclusão da transação e 190 milhões de dólares do negócio existente até a conclusão.

A mineradora informou também um Acordo de Royalty de 10 anos sujeito a certas condições de produção da mina e preço do carvão.

“Tenho o prazer de anunciar este importante passo para o desinvestimento responsável de Moatize e CLN, em uma transação que beneficia as comunidades e governos onde essas operações estão localizadas e oferece um futuro sustentável para as operações”, disse Eduardo Bartolomeo, CEO da Vale, em nota.

A conclusão da transação está sujeita ao cumprimento das condições precedentes usuais, incluindo a aprovação do Ministério de Recursos Minerais e Energia de Moçambique, onde está a mina.

“A Vale está empenhada em trabalhar em conjunto com os governos de Moçambique e do Malawi para garantir uma transição suave para a nova operadora”, afirmou.

No início de 2021, a Vale anunciou seu objetivo de não mais possuir ativos de carvão, “focando em seus negócios core e em sua ambição de se tornar líder na mineração de baixo carbono”.

 

(Por Roberto Samora)