O que esperar do petróleo em 2022?

De acordo com a International Energy Agency (IEA), o consumo de petróleo deve melhorar para 99,53 milhões de barris por dia (bpd), ante 96,2 milhões bpd neste ano, ficando a apenas um fio do consumo diário de 2019 de 99,55 milhões de barris. 

Isso, é claro, dependerá de o mundo colocar a nova variante Omicron da Covid-19 rapidamente sob controle.

A maior demanda de petróleo pressionará a OPEP e a indústria de xisto dos Estados Unidos para atender à demanda. 

Já entre os fatores relacionados à oferta, há fatores diversos que deverão movimentar o volume de produção ao longo dos próximos períodos.

Vários países da OPEP têm lutado para aumentar a produção, enquanto a indústria de xisto dos Estados Unidos tem lidado com as pressões investidores para conter os gastos. 

Até agora, a indústria de xisto dos EUA não respondeu aos preços mais altos do petróleo como havia feito anteriormente, com a produção geral dos EUA em média 11,2 milhões de bpd em 2021, em comparação com um recorde de quase 13 milhões de bpd no final de 2019. 

Espera-se que a produção dos EUA apenas aumente em 700.000 b/d em 2022 para 11,9 b/d, de acordo com o vice-presidente sênior de análise da Rystad Energy, Claudio Galimberti. 

Canadá, Noruega, Guiana e Brasil poderiam tentar preencher a lacuna de oferta e demanda, mas vários apostadores de Wall Street estão apostando que não será o suficiente e os preços do petróleo continuarão elevados.

Para o banco britânico Barclays, o preço do contrato WTI aumentará da taxa atual de US$ 73 para um preço médio de US$ 77 em 2022, observando que a venda de petróleo da Reserva Estratégica de Petróleo pelo governo Biden não é uma forma sustentável de derrubar preços. 

O Barclays entende que os preços podem subir ainda mais do que a previsão se os surtos de COVID-19 forem minimizados e, assim, permitir que a demanda cresça mais do que o esperado. 

O Goldman Sachs compartilha dessa perspectiva otimista e previu um preço do Brent de US$ 85 por barril em 2023, em comparação com os atuais US$ 76,30.

Aumento de custos e produção nos EUA

A indústria de petróleo dos EUA está enfrentando um aumento acentuado nos custos de produção, revelou a última edição da pesquisa de energia do Fed Dallas.

A pesquisa descobriu que, embora a atividade no canteiro de petróleo continuasse a se recuperar durante o quarto trimestre e a produção aumentasse mais rapidamente, os custos também aumentaram, pelo terceiro trimestre consecutivo, e aumentaram acentuadamente.

Em termos de expectativas de preços, o setor está cautelosamente otimista. 

Questionados sobre o preço que suas empresas estão usando para planejar seus gastos de capital, quase um terço disse que estava entre US$ 65 e US$ 70 o barril. 

Uma porção menor de cerca de 25% disse que faria um orçamento com base nos preços do petróleo de US$ 70 a US US$ 75 por barril.

Outra pergunta feita foi sobre os planos de expansão da produção em 2022. De acordo com 49% dos entrevistados na pesquisa, “aumentar a produção” era a meta principal de suas empresas. 

Apenas 15% escolheu como meta principal manter os níveis de produção atuais. Para 13% dos entrevistados, a redução da dívida era a meta principal para 2022.

Investimentos ESG e políticas ambientais podem impulsionar mineradoras

Com os investimentos ESG (Ambiental, Social e Governança, na sigla em inglês) ganhando impulso rapidamente e as metas de mudança climática se aproximando, as empresas de mineração estão sendo forçadas a alinhar os gastos de capital.

Com as promessas de redução de emissões, vários investidores ativistas e institucionais passaram a exigir a venda de portfólios inteiros de combustíveis fósseis e os demais que são nocivos para as metas de emissão de carbono.

Isso tem impactado fortemente as decisões de desinvestimento das principais mineradoras do mundo.

Três anos atrás, a Rio Tinto fez o que parecia ser impensável: vendeu todo o seu portfólio de carvão térmico em Queensland, Austrália. 

A companhia vendeu sua holding Coal & Allied para a concorrente Glencore por cerca de US $ 1,7 bilhão. 

Também vendeu sua participação na mina subterrânea de carvão Kestrel para um consórcio formado pela gestora de private equity EMR Capital e PT Adaro Energy Tbk por US $ 2,25 bilhões. 

Com essas vendas, a Rio Tinto se tornou a única grande empresa global com ativos zero de carvão.

Outra mineradora que tem avançado no mesmo sentido é a BHP, segunda maior empresa do setor. 

A diferença é que a BHP tem sido mais implacável em se distanciar da exploração de petróleo e gás.

Em agosto de 2021, a BHP anunciou que deslocaria seus ativos de petróleo e gás para uma joint venture com a australiana Woodside. 

Embora, na prática, isso não signifique um abandono completo da exploração de petróleo e gás, ao menos é uma indicação clara de que a segunda maior mineradora do mundo está saindo da indústria de combustível à base de carbono.

Além disso, a BHP também está se desfazendo de seus ativos de carvão térmico. Recentemente vendeu sua participação na mina de carvão Cerrejon, em Columbia, para a Glencore. 

Enquanto isso, a empresa baixou o valor de sua mina Mt Arthur, em Hunter Valley, na Austrália, enquanto continua a procurar um comprador. 

Foco nos metais

Todo esse desinvestimento ainda não gerou queda de emissões de carbono, pois, na prática, o que foi visto até então foi apenas transferências de propriedade, de modo que a exploração continua no mesmo ritmo.

Tudo isso tem sido feito para agradar aos investidores ESG para que as companhias do setor de mineração diminuam suas emissões de carbono.

Por outro lado, as mineradoras têm outro motivo poderoso para se livrar de suas atividades poluentes e se concentrar em sua competência principal: os metais deverão sofrer um boom nas próximas décadas.

As mineradoras obtiveram grandes lucros este ano, à medida que os preços do metal e das commodities disparam.

A transição energética está impulsionando o próximo super ciclo de commodities, com imensas perspectivas para fabricantes de tecnologia e investimentos em energias sustentáveis.

De acordo com o provedor de pesquisa de energia BloombergNEF, estima-se que a transição global exigirá cerca de US$ 173 trilhões em fornecimento de energia e investimento em infraestrutura nas próximas três décadas. 

As expectativas são de que a energia renovável que deverá fornecer 85% das necessidades de energia do planeta até 2050.

Com isso, as perspectivas para a indústria de metais são as melhores possíveis. 

Isso porque as tecnologias de energia limpa requerem mais metais do que suas contrapartes baseadas em combustíveis fósseis. 

De acordo com uma análise recente da Eurasia Review, os preços do cobre, níquel, cobalto e lítio podem atingir picos históricos por um período sustentado sem precedentes em um cenário de emissões líquidas zero.

O valor total da produção pode subir mais de quatro vezes entre 2021 e 2040, e rivalizando até mesmo com o valor total da produção de petróleo bruto.

No cenário de emissões líquidas zero, o boom da demanda de metais deverá elevar o volume de metais negociados, totalizando US$ 13 trilhões acumulados nas próximas duas décadas apenas para os quatro metais citados.

Expectativas para o minério de ferro em 2022

As medidas de estímulo da China sustentaram o preço da tonelada do minério de ferro no quarto trimestre deste ano de 2021, com os preços se mantendo acima do patamar de US$ 110.

Há dois meses atrás, as expectativas dos analistas do mercado eram de que as cotações cairiam abaixo dos US$ 100 no quarto trimestre de 2021.

O Morgan Stanley previa que o preço do minério de ferro atingiria a média de US$ 85 a tonelada até o último trimestre de 2021. 

Enquanto isso, outros analistas ainda esperam que o preço caia para menos de U $ 100 a tonelada, mas só no ano que vem.

No geral, as previsões antecipavam a queda da demanda pela commodity, cuja qual entraria em colapso com a redução da produção de aço da China.

Porém, apesar da fraca demanda, os investidores apostam que os planos da China de reduzir as restrições ao setor imobiliário e injetar mais estímulos na economia podem aumentar a necessidade de insumos para a produção de aço.

“Uma série de medidas de ajuste visando o setor, combinadas com a flexibilização do crédito, geraram otimismo sobre a política da China se tornar mais favorável”, disse Wenyu Yao, estrategista sênior de commodities do ING.

“Os preços do minério de ferro começaram a subir junto com os preços do aço, montando preventivamente na curva de propriedades da China e nas expectativas de uma rodada de afrouxamento.”

Apesar de positivo, as medidas do governo chinês não devem ser suficientes para levar os preços do minério ao patamar anterior de US $ 200 a tonelada, pois o objetivo é manter a estabilidade do crescimento e não uma recuperação explosiva.

“A ‘prioridade de estabilidade’ fornecerá algum apoio à demanda, mas não significa que estamos retornando ao antigo regime de preços”, disse Yao.

Expectativas para 2022

Para o banco suísso UBS o cenário macro em 2022 será mais fraco do que 2021 e, embora o estímulo ajudasse a evitar um pouso forçado, o crescimento na China continuará a abrandar.

“Esperamos que a demanda de minério de ferro diminua e a oferta aumente no final de 2021, resultando em preços do minério de ferro caindo abaixo de US$ 100 a tonelada durante o quarto trimestre, e comercializando ainda mais baixo até 2022, para a média de US $ 85 a tonelada”, disseram em nota os analistas do UBS, na quarta-feira (15/12).

Com isso, o banco suíço prevê que o minério de ferro terá uma média de US$ 85 a tonelada até 2022.

Já o banco holandês ING estima que o minério de ferro deverá se manter perto dos US$ 110 a tonelada até o primeiro trimestre de 2022, mas cairá para US$ 95 até o final do ano que vem.

“O cenário da política chinesa no nível macro, incluindo movimentos em direção à descarbonização, permanece um limite sobre a perspectiva de demanda de médio prazo por minério de ferro”, disse Yao.

“Dessa forma, a produção de aço da China não deve retornar ao nível do primeiro semestre de 2021. Em média, esperamos que os preços caiam para US$ 100 a tonelada em 2022, com os principais riscos de alta ainda sendo potenciais interrupções na cadeia de suprimentos devido à variante ômicron.”

Nesta sexta-feira (17/12), o minério de ferro operava com alta de 1,80%, cotado a US$ 111,19 a tonelada. Já as ações da Vale (VALE3) corrigiam da alta de ontem, caindo 0,87%, ao preço de R$ 79,74.

Petróleo cai com expectativas de excesso de oferta em 2022

A situação parece estar se normalizando no mercado de petróleo, o que tem contribuído para a acomodação dos preços na região próxima dos US$ 70.

De acordo com as previsões de analistas do mercado, o equilíbrio do mercado de petróleo deverá começar a ser afetado pelo excesso de oferta em relação a demanda já neste mês de dezembro.

Essa situação, da oferta excedendo a demanda, deverá permanecer também no primeiro trimestre de 2022.

Essa é a opinião dos analistas do Commerzbank, um dos maiores bancos comerciais da Alemanha, e da Agência Internacional de Energia (IEA).

Nesta quarta-feira (15/12), o petróleo Brent operava próximo à estabilidade, com ligeira queda de 0,12%, cotado a US$ 73,63. O mesmo rumo seguia o WTI, com queda de 0,17% e cotação de US$ 70,56. 

Os traders ainda seguem avaliando o impacto potencial da ômicron na demanda global de petróleo em meio a sinais crescentes de que um excesso de oferta no mercado.  

Estimativas

Para o Commerzbank, o Brent deve cair para US$ 70 por barril, devido a previsão de excesso de oferta de petróleo no primeiro trimestre de 2022.

A mesma perspectiva tem a Agência Internacional de Energia (IEA). Em seu relatório mensal, divulgado ontem (14/12), a agência disse que a produção global de petróleo deveria superar a demanda em dezembro, liderada pelo crescimento nos EUA e nos países da OPEP+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados).

“O alívio necessário para os mercados apertados está a caminho, com a oferta mundial de petróleo definida para superar a demanda a partir deste mês”, observou a IEA.

O cenário de excesso de oferta ocorre mesmo com a retirada mais lenta dos cortes de produção por parte da OPEP+.

Se a OPEP+ continuar no ritmo atual de crescimento da produção, o primeiro trimestre de 2022 terá um superávit de 1,7 milhão de barris por dia (bpd), e o excesso de oferta poderá crescer para 2 milhões de bpd no segundo trimestre de 2022, segundo a agência.

“Se isso acontecesse, 2022 poderia, de fato, ser mais confortável”, disse a IEA.  

A agência acredita que o aumento nos casos de COVID-19 deve desacelerar temporariamente a recuperação na demanda global de petróleo. Entretanto, o impacto da variante ômicron provavelmente será mais silencioso do que as ondas anteriores e não  deve afetar a recuperação da demanda atual. 

Ainda, a IEA revisou ligeiramente para baixo – em 100.000 bpd – sua previsão de crescimento da demanda para este ano e no próximo. 

Em 2021, a agência espera que a demanda de petróleo aumente 5,4 milhões de bpd em relação a 2020, e outros 3,3 milhões de bpd em 2022, atingindo os níveis pré-pandemia, que era de 99,5 milhões de bpd.

Expectativas da OPEP

Embora a IEA acredite em uma recuperação mais lenta da demanda global por petróleo, a OPEP continua confiante de que a demanda continuará a se recuperar fortemente de seus pontos baixos da pandemia.

Esta semana, a OPEP elevou sua previsão de demanda global de petróleo para o primeiro trimestre de 2022, argumentando que a ômicron teria apenas um impacto moderado e breve. 

Em seu relatório mensal, a OPEP espera que a demanda mundial de petróleo atinja uma média de 100,8 milhões bpd em 2022, superando as previsões da IEA e o nível pré-pandêmico de 2019.

O que tem afetado o preço do boi gordo?

A carne bovina tem sofrido fortes oscilações desde setembro, quando a China aplicou o embargo ao gado brasileiro com a confirmação de dois casos de “doença da vaca louca” no país.

De lá pra cá, as cotações caíram de R$ 310,00 a arroba para R$ 255,00, entre setembro e outubro, e depois se recuperaram, subindo até R$ 330,00 agora no fim de novembro. 

Nos últimos dias, as quedas voltaram, com a arroba sendo negociada a R$ 306,00, nesta quinta-feira (09/12).

Além dos embargos da China, vários outros fatores têm contribuído para o sobe e desce das cotações. Vejamos os principais.

Embargos da China

Em setembro, a China parou de importar carne do Brasil. O país declarou embargo às exportações brasileiras após a identificação de dois casos de vaca louca em frigoríficos em Minas Gerais e Mato Grosso.

O efeito foi imediato. Em outubro, os embarques de carne bovina caíram expressivos 43% em relação ao mesmo mês de 2020. 

Apesar de a Organização Mundial de Saúde Animal afirmar que os casos eram atípicos e espontâneos e que, portanto, não apresentavam risco para a cadeia produtiva, o embargo foi mantido. 

Com isso, em outubro, o Ministério da Agricultura concedeu autorização para o armazenamento de carne bovina em contêineres por até 60 dias do que foi produzido antes do bloqueio, em 4 de setembro.

Até então, a legislação sanitária permitia apenas o armazenamento em câmaras frias.

Assim, a indústria pôde manter o produto estocado e não precisou necessariamente disponibilizar o excedente para o mercado interno. 

Essa dinâmica ajudou a recuperar os preços elevados no mercado doméstico no mês de outubro.

Já no fim de novembro, a China deu o primeiro sinal de flexibilização e permitiu a exportação da carne certificada pelo menos até o dia anterior ao embargo (3 de setembro), que foi, então, embarcada para a Ásia.

De lá para cá, a indústria vem reequilibrando seus estoques, enquanto o bloqueio segue mantido.

Baixa demanda no mercado interno

Outro evento que tem impactado a dinâmica do preço da carne no Brasil é a baixa demanda do mercado.

Até então, os analistas e agentes ligados ao setor pecuário esperavam um aumento no consumo interno de carne bovina nas primeiras semanas de dezembro.

Acreditava-se que o pagamento do 13º salário, mais as proximidade das festividades de final de ano, quando teoricamente há uma maior procura pela carne vermelha, ajudaria a segurar o preço da carne nas alturas. 

Porém, o que se vê é que, segundo informações da Agrifatto, as vendas de carne bovina no mercado atacadista de São Paulo seguem fracas.

Na avaliação da consultoria, muitos consumidores seguem optando por proteínas concorrentes, como o frango e carne suína, que se mostram mais atrativas devido ao custo-benefício.

Alongamento das escalas de abate

A queda das vendas tem feito os grandes frigoríficos pressionarem os pecuaristas, devido ao desdobramento do avanço das escalas de abate na virada do mês.

“Com uma escala mais confortável, com capacidade para atender todos os pedidos do varejo no período de maior demanda do ano, não há tamanha necessidade em pagar tanto pela arroba do boi gordo.”, disse Fernando Henrique Iglesias, analista da Safras & Mercado. 

“Para que novos pontos de máxima sejam alcançados, há a necessidade de algum fato novo, a exemplo de um potencial recredenciamento da carne bovina brasileira por parte da China, que criaria um grande otimismo com potencial para alicerçar nova rodada de reajustes”, completou o analista.

Atualmente, não há indícios de quando a China voltará a comprar a carne bovina do Brasil. Inclusive, as expectativas indicam que qualquer autorização para nova produção de carne bovina com destino ao mercado chinês ocorra apenas em 2022.

Ciclo do boi gordo

Todos estes fatores devem ser analisados levando em conta o contexto do ciclo do boi gordo.

A cadeia de produção de carne bovina tem uma série de particularidades. Não é possível aumentar e diminuir a quantidade de bois no pasto de forma imediata, a depender do nível de demanda.

No geral, o tempo médio de gestação das vacas é de cerca de 9 meses. Já o período para que um bezerro se torne um animal pronto para o abate, por sua vez, gira em torno de dois anos. 

Tudo isso faz com que o ciclo de altas e baixas da produção dure cerca de 6 ou 7 anos.

Quando o preço do boi está elevado, como temos no cenário atual, a tendência é que os pecuaristas mandem as fêmeas (ou “matrizes”) para o abate. 

Consequentemente, a oferta de animais aumenta e o preço do gado tende a se reduzir.

Por outro lado, um volume menor de fêmeas significa uma menor produção de bezerros (chamados de “animais de reposição”). 

Por sua vez, isso dará início à próxima etapa do ciclo, com a tendência de elevação nos preços dos bezerros.

Essa alta, por sua vez, estimula a retenção de fêmeas, de forma que os preços dos bezerros tendem aos poucos a recuar. 

Por fim, com menos fêmeas disponíveis para o abate, é o preço do boi que começa a subir, e o ciclo se inicia novamente.

O que temos hoje é que o preço do boi vem subindo por conta de um abate de fêmeas elevado que ocorreu até 2019, o que fez faltar os animais de reposição. Agora os produtores estão retendo mais fêmeas para criar bezerros.

Clima mais quente nos EUA derruba cotações de Gás Natural

O gás natural dos EUA caiu fortemente nas últimas semanas para o nível mais baixo em quatro meses.

O receio dos mercados é que as altas temperaturas recordes nos EUA eliminem parte da demanda esperada antes do inverno.

Os contratos futuros para entrega em janeiro despencaram 12% na segunda-feira (06/12), tornando a commodity o pior desempenho entre as matérias-primas negociadas nos Estados Unidos. 

Nesta terça-feira (07/12), as cotações se recuperaram parcialmente, com avanço de 2,54% até às 11h30, com cotação de US$ 3,740 o contrato de 10.000 MMBTU (um milhão de Unidades Térmicas Britânicas).

Recuperação dos estoques e menor demanda nos EUA

O gás já caiu cerca de 40% de seu valor desde outubro, quando traders apostaram na escassez global de combustível que levou os preços ao nível mais alto em sete anos.

Os investidores, desde então, foram forçados a desfazer algumas dessas apostas. 

Embora os estoques de gás natural na Europa e na Ásia continuem baixos, alimentando os preços mais altos na região, o clima excepcionalmente quente nos EUA permitiu que os estoques domésticos se recuperassem, esvaziando a maior parte da alta deste ano.

De acordo com o repórter de commodities energéticas da Bloomberg, Gérson Freitas Jr., somente nos últimos sete dias, mais de 4.000 registros diários foram estabelecidos para temperaturas acima do normal. 

Para Bradley Harvey, meteorologista da agência de previsão comercial Maxar, espera-se que dezembro seja o terceiro mais quente desde 1950.

A temperatura pode chegar a 61 graus Fahrenheit (16 Celsius) em Nova York e 81 graus em Houston esta semana, de acordo com o Weather Channel. 

O menor receio de problemas relacionados à oferta fez com que os prêmios de risco dos contratos de inverno fossem quase completamente apagados. 

“As viúvas do mercado são aquelas que esperavam uma demanda de inverno realmente forte”, disse Gary Cunningham, diretor de pesquisa de mercado da Tradition Energy. “Não estamos vendo isso agora.”

Análise técnica, variante ômicron e fundos de hedge

As perdas nos futuros de primavera e verão foram bem menores. O gás para entrega em agosto caiu 7% na segunda-feira e está 18% abaixo da alta de 26 de novembro.

O gás natural para entrega em janeiro caiu 12%, a pior queda diária desde janeiro de 2019, em US $ 3,657 por milhão de unidades térmicas britânicas na Bolsa Mercantil de Nova York

A queda foi exacerbada pelas vendas disparadas automaticamente depois que os preços caíram abaixo de certos níveis, incluindo a média móvel de 200 dias para entrega em janeiro, que foi de US$ 4,15 por milhão de unidades térmicas britânicas. 

O Índice de Força Relativa de 14 dias para o combustível ficou em 32,8 na segunda-feira, ainda acima do nível 30, que normalmente sugere que os títulos estão sobre-vendidos.

Temores de que a disseminação da variante ômicron desencadeie mais restrições também pesaram sobre os preços do gás, disse Cunningham.

Por fim, os fundos de hedge reduziram suas apostas de alta no gás natural para o nível mais baixo desde junho na semana encerrada em 30 de novembro, segundo os últimos dados da Comissão de Comércio de Futuros de Commodities dos EUA.

Alguns fatores que influenciarão o gás natural daqui pra frente

As cotações do gás natural se comportaram como uma montanha russa neste ano. Desde as máximas de outubro, quando as cotações estavam 150% acima do início do ano, os preços passaram a cair fortemente e já acumulam queda de cerca de 40%.

A alta dos preços veio a partir do descompasso entre demanda e oferta.

No lado da demanda, tivemos um salto ocorrido pela rápida recuperação da crise da pandemia da COVID-19.

Soma-se a isso as expectativas de um inverno gelado para muitas partes do mundo, enquanto os temores de que o mercado poderia enfrentar escassez durante grande parte do próximo ano.

A pressão da procura da commodity energética nos preços se deveu principalmente por causa dos baixos estoques

A oferta restrita da Rússia e a forte demanda na China e na América Latina tornaram as economias europeias, incluindo Espanha, Holanda e Reino Unido, particularmente vulneráveis. 

Parte desse problema se deve ao movimento dos países nos últimos anos de fecharem as usinas movidas a carvão e tornarem-se mais dependentes do gás.

No passado recente, o setor de energia estava sendo orientado a lidar com o fato de que os preços do gás natural tenderiam a ser negociados a preços baixos por um longo tempo. Isso gerou um corte nos investimentos previstos para expandir a produção.

Porém, o aumento dos preços tem sido um ótimo incentivo para alterar este cenário de subinvestimento e fazer com que novos projetos saiam do papel.

Como consequência, a expansão da capacidade produtiva poderá abrir margem para um cenário futuro de preços mais baixos. 

A Bloomberg levantou alguns fatores, tanto do lado da oferta quanto da demanda, que poderão impactar as cotações do gás natural nos próximos períodos. 

Vejamos um pouco sobre estes pontos.

Nord Stream 2

Os preços altíssimos da Europa devem despencar quando o oleoduto Nord Stream 2 da Rússia começar, já que os novos fluxos diminuem os temores de escassez. 

O problema é que ninguém sabe ao certo quando isso acontecerá.

Nord Stream 2 da Rússia pode precisar de mais alguns meses para começar a bombear gás natural para a Alemanha e ajudar a aliviar a crise na Europa crise de energia.

O projeto de 1.230 quilômetros está envolto em burocracia, esperando por uma aprovação do regulador alemão e uma revisão pelas autoridades da União Europeia. 

Isso significa que o continente pode passar a maior parte do inverno sem os bilhões extras de metros cúbicos que a Rússia poderia bombear.

O processo de aprovação pode atrasar o início das operações até a primavera ou mesmo o verão de 2022. 

Um cenário de “sem pipeline” pode levar o armazenamento a um nível criticamente baixo no final do inverno, de acordo com a Bloomberg NEF. 

Isso poderia pressionar os governos a aprovar o gasoduto de alguma forma antes disso para manter as famílias mais aquecidas e as contas mais baixas.

Demanda chinesa

O apetite aparentemente insaciável da China por gás natural liquefeito (GNL) continua surpreendendo o mercado.

O país está prestes a se tornar o maior importador mundial do combustível super-resfriado este ano – bem antes do previsto pelos analistas.

A atual escassez de energia se deve em parte à necessidade da China de impulsionar sua economia enquanto se afasta dos combustíveis mais sujos, especialmente o carvão, em busca de metas climáticas ambiciosas. 

“A China claramente terá aumentado a demanda de gás”, disse Steve Hill, vice-presidente executivo da Shell Energy. 

“Se a China tiver que encontrar soluções para reduzir suas emissões, o gás terá que desempenhar um papel maior porque, em última análise, parte do carvão precisará ser deslocado.”

Novos projetos

Dos EUA a Moçambique, há um campo lotado de projetos de exportação de GNL disputando as decisões finais de investimento. 

O mais recente é o desenvolvimento de Scarborough da Woodside Energy Ltd. na Austrália, que é parte de um plano de investimento de US$ 12 bilhões.

Desenvolvedores americanos – incluindo Cheniere Energy Inc., Venture Global LNG Inc. e Tellurian Inc. – estavam ocupados assinando acordos de fornecimento para seus projetos de exportação propostos. 

As empresas afirmam que vão conseguir financiamento no próximo ano.

Os governos da Austrália e do Japão dizem que o mundo precisa de mais investimentos no fornecimento de gás natural para evitar outra escassez. 

Se isso se concretizar em 2022, pode ajudar a determinar se haverá gás suficiente no final da década.

Projetos dos EUA

Duas novas instalações de exportação de GNL na Louisiana podem transformar os Estados Unidos no maior exportador mundial. 

O processo de comissionamento do Train 6, em Sabine Pass e Calcasieu Pass LNG, foi iniciado, e agora é apenas uma questão de quando eles enviarão suas primeiras cargas.

Sabine Pass já produziu suas primeiras gotas de GNL e deverá estar em serviço comercial no final do primeiro trimestre, cerca de um ano antes da data de conclusão original garantida do trem. 

Usando uma abordagem modular para construção, Calcasieu Pass está recebendo pequenas quantidades de gás natural como matéria-prima para seus primeiros trens.

Atualmente os Estados Unidos são o terceiro país com maior capacidade de produção de GNL, atrás do Catar e da Austrália. Porém, com os novos projetos há o potencial da produção americana atingir o primeiro lugar.

Questões ambientais

O debate sobre o papel do combustível na transição energética se intensificará nas próximas décadas. 

Além de ser um grande emissor de CO2, toda a cadeia de valor do gás natural vaza metano, ameaçando interromper os esforços globais para reduzir os gases de efeito estufa.

As empresas enfrentam uma pressão crescente de investidores, governos e consumidores para reforçar suas credenciais verdes. 

A gigante italiana de energia Enel SpA estabeleceu um prazo de 2040 para deixar o gás para trás, dizendo que o combustível não é mais competitivo para geração de eletricidade. 

O francês La Banque Postale planeja sair da indústria de gás até 2030, tornando-se o primeiro banco a fazer tal promessa.

Ainda assim, o gás natural oferece flexibilidade para um sistema baseado em energias renováveis. É menos poluente que o carvão e pode ser usado para criar hidrogênio azul. 

BP Plc, Sinopec, Equinor ASA e Royal Dutch Shell Plc estão entre os produtores que buscam o hidrogênio como forma de fazer parte da próxima geração de energia.

Resumo da semana para o petróleo: ômicron e OPEP+ guiaram preços

Os futuros do petróleo iniciaram o dia em alta nesta sexta-feira (03/12), apesar de uma semana em queda e sem brilho.

O Brent seguia avançando 2,49%, cotado a US$ 72,962 o barril. Já o WTI subia 2,18%, cotado a US$ 69,192 o barril.

As quedas iniciaram no início da semana, justificadas pelas incertezas derivadas do surgimento da variante ômicron do coronavírus. Porém, foi amenizado pelo tom da decisão da OPEP+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados) de cautela perante o cenário atual.

A decisão manteve a política de produção atual de aumentar o volume produzido mensal em 400.000 barris por dia em janeiro, o que surpreendeu os mercados, que esperavam uma queda na produção.

Reunião da OPEP+

O mercado acordou com otimismo nesta sexta-feira com os investidores analisando o comportamento do cartel internacional de petróleo, a OPEP+.

A OPEP e seus aliados concordaram ontem (02/12) em manter sua política atual de aumento mensal da produção de petróleo. 

A decisão surpreendeu devido aos temores de que o avanço da pandemia e da liberação dos EUA das reservas de petróleo levariam a uma nova queda no preço.

Fontes disseram que o grupo considerou uma série de opções nas negociações na quinta-feira, incluindo pausar seu aumento de 400.000 barris por dia (bpd) em janeiro ou aumentar a produção em menos do que o plano mensal.

O Brent caiu mais de US$ 1 depois da divulgação da decisão, antes de recuperar algum terreno para ser negociado em torno de US $ 70 o barril. 

Colocando em perspectiva, o petróleo se encontra bem abaixo das máximas de três anos de outubro, acima de US$ 86, mas ainda mais de 30% acima do início de 2021.

Expectativas para as próximas reuniões

De acordo com a Reuters, apesar da manutenção da estratégia atual de produção, a Arábia Saudita, o maior produtor mundial de petróleo e líder da OPEP, pode aumentar os preços em janeiro de seu petróleo árabe Light.

A perspectiva de que o cartel possa rever sua decisão a qualquer instante aumentou o otimismo dos negociantes de que a oferta poderá ser reajustada caso o nível de demanda seja insuficiente para a manutenção dos preços atuais.

No entanto, as preocupações com a demanda de curto prazo, em face da nova variante, devem continuar pesando sobre os mercados.

“Já se passou uma semana desde a queda repentina do preço do petróleo e o ambiente de comercialização do petróleo ainda não saiu do túnel, mas a positividade geral hoje está ajudando os preços do Brent a US $ 72 por barril, apesar dos riscos ainda não quantificados da variante Omicron ”, Escreveu Louise Dickson, analista sênior de mercados de petróleo da Rystad Energy, em uma nota diária.

Dickson disse ainda que a decisão da OPEP+ de manter tecnicamente sua reunião “em sessão”, até o próximo encontro agendado para 4 de janeiro, transmite uma mensagem otimista sobre as perspectivas da demanda por petróleo.

Por outro lado, a decisão do grupo de manter sua política de produção e, eventualmente, aumentar no ano que vem, pode ser interpretada como baixista para os preços.

“A decisão relativamente rápida de ir em frente com um aumento de oferta planejado com modificações não é o que o mercado estava avaliando, com OPEP+ apontando para os impactos e gravidade ainda desconhecidos do omicron, aguardando orientações mais detalhadas dos fabricantes de vacinas e da Organização Mundial de Saúde, ”Escreveu o analista.

Previsões para o petróleo: Deutsche Bank, JP Morgan e Morgan Stanley

Prever o futuro do petróleo tem sido uma tarefa árdua para os analistas da commodity. As incertezas no cenário geopolítico, econômico e da pandemia tem aumentado a complexidade e a incerteza dos modelos de previsão.

Nos últimos dias, a preocupação entre os negociantes de petróleo com a descoberta de uma nova nova cepa da Covid-19 na África do Sul vem guiando os preços da commodity energética. 

O receio é de que a nova onda de contaminação possa levar à retomada das medidas de restrição do comércio e circulação de pessoas, mesmo com o avanço das vacinas.

Há também de se destacar as movimentações geopolíticas, que têm acirrado a guerra em torno do petróleo.

De um lado, a OPEP+ (Organização de Países Exportadores de Petróleo e aliados) insiste em limitar a oferta de petróleo, com seus planos de aumentar a produção da commodity a um nível aquém das necessidades da demanda global.

De outro lado tem a retaliação dos EUA que tem orquestrado, junto com outros países consumidores, a liberação de petróleo das reservas estratégicas. A tentativa é forçar uma queda nos preços com o aumento da oferta.

Em contrapartida, a OPEP+ tem ameaçado realizar cortes ainda maiores caso os EUA avancem na sua estratégia de liberação das reservas.

Vale destacar que os membros da OPEP+ concordaram nesta quinta-feira (02/12) em manter sua política atual de aumento mensal de 400 mil bpd da produção de petróleo. Porém, as incertezas quanto às próximas reuniões permanecem.

Se não bastasse isso, há também fatores climáticos, estruturais e econômicos que podem influenciar significativamente o jogo de demanda e oferta e, consequentemente, a precificação deste ativo tão importante para mover o mundo.

Esse cenário complicado tem feito com que os analistas das principais instituições financeiras do mundo prevejam rumos radicalmente distintos para o petróleo.

Deutsche Bank

O Deutsche Bank espera que os preços do petróleo Brent caiam consideravelmente no próximo ano. A expectativa é que a cotação caia abaixo de US$ 60 por barril

“Seria um equívoco pensar em uma pausa da Opep na quinta-feira como otimista, já que assumimos isso em nosso modelo e ainda assim terminamos com um superávit no primeiro trimestre”, disseram analistas do Deutsche, citados pela Bloomberg. 

“Seríamos os vendedores de um rali em petróleo bruto depois de uma pausa da Opep”, completaram.

JP Morgan

A maioria dos outros bancos estão prevendo preços mais altos para o petróleo bruto.

Analistas do JP Morgan recentemente estimaram o Brent chegando à US$ 125 por barril em 2022, e subindo ainda mais, para US$ 150 em 2023.

“A OPEP + não está imune aos impactos do subinvestimento. Estimamos que a capacidade ociosa ‘verdadeira’ da OPEP em 2022 será de cerca de 2 milhões de barris por dia (43%) abaixo das estimativas de consenso de 4,8 milhões”, disse em nota a equipe liderada por Christyan Malek.

Os analistas do JP Morgan não parecem esperar um superávit na oferta global de petróleo, mesmo no primeiro trimestre do ano que vem. 

Em vez disso, eles estão observando que a OPEP+ pode precisar adicionar mais algumas parcelas de 400.000 bpd mensais para aproximar o mercado do equilíbrio.

Morgan Stanley

O Morgan Stanley, no início desta semana, reduziu sua previsão do preço do petróleo com o susto causado pelo surgimento da variante ômicron. 

O banco previu anteriormente que o Brent seria negociado a uma média de US$ 95 por barril no primeiro trimestre de 2022, mas agora isso foi revisado para US$ 82,50 por barril.

De acordo com nota dos analistas do banco de investimento, o mercado de petróleo parece estar precificando uma demanda global mais lenta devido à nova variante, além de preocupações continuadas de que o saldo do mercado se tornaria superavitário já no primeiro trimestre de 2022.

Ouro se recupera após queda na terça, mas segue sem tendência definida

O preço do ouro se recuperou de uma baixa de três semanas, com os investidores continuando a pesar a propagação da nova variante do coronavírus, ômicron, contra os últimos comentários do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, sobre a necessidade de conter a inflação.

Nesta quarta-feira (01/12), até às 16h, os futuros de ouro subiam 0,47% para US$ 1.784,30/onça. Já o ouro à vista estava sendo negociado em alta de 0,31%, cotado a US$ 1.780,62/onça.

O resultado permitiu a recuperação da maior parte das perdas de ontem após as observações de Powell de que o Fed pode considerar encerrar o suporte à pandemia em um ritmo mais rápido do que o esperado. 

A movimentação da commodity vem junto com uma forte recuperação nos mercados de ações, com os investidores usando a queda nos preços para apostar que a última variante covid-19 não atrapalhará a recuperação econômica. 

Isso sugere que a fuga para a segurança do ouro podem não ser tão fortes quanto o antecipado. 

Como consequência, no curto prazo o ouro segue sem tendência nos mercados, com os investidores indecisos sobre os rumos do futuro da economia.

Cenário atual

O ouro registrou uma perda marginal no mês passado, com os investidores avaliando as perspectivas de que o Fed deverá desacelerar a retirada dos estímulos monetários, em meio à insistência da inflação de permanecer em patamares elevados.

As expectativas indicam que o banco central dos EUA está programado para concluir seu programa de compra de ativos em meados de 2022.

Mais recentemente, as notícias sobre a variante ômicron e as especulações sobre sua capacidade de contágio e mortalidade vem dando pitadas adicionais nas incertezas quanto à recuperação global. 

Juntos, estes dois fatores têm dividido a atenção dos investidores nos últimos dias e anulando seus respectivos efeitos sobre as cotações do ouro.

Isso porque, de um lado, o aumento dos juros tende a causar uma fuga para os títulos públicos, visto que a commodity metálica não possui rendimentos. 

Por outro lado, períodos de pânicos generalizados, ocasionados por eventos como o surgimento da nova variante da Covid-19, tendem a causar uma fuga para a segurança, empurrando investidores globais para ativos mais líquidos, como o ouro e dólar.

Apostas no futuro

Alguns analistas acreditam que a força vendedora poderá ganhar força à medida que as notícias sobre a variante ômicron evidenciarem efeitos mais amenos do que as cepas anteriores, como a Delta.

Neste caso, a intensidade das quedas será balizada pelos dados sobre a atividade econômica dos EUA e da reação do Fed sobre a política monetária.

A narrativa principal permanece focada no que o Fed fará, e o ouro pode enfrentar pressão se os dados de emprego dos EUA de sexta-feira confirmarem o fortalecimento do mercado de trabalho.

Entretanto, vale ficar atento para as chances de uma nova onda de contaminação ganhar força e, consequentemente, ressuscitar as medidas de restrição da circulação de pessoas e mercadorias.