Crypto Weekend: 1 à 3 de Outubro

B3 como oráculo em blockchains no futuro

A B3 poderá ser responsável por um passo importante na aproximação do mercado de criptos aos investimentos mais tradicionais no Brasil ao se preparar para prestar serviços de oráculo para blockchains.

O objetivo, de acordo com Luis Kondic (diretor de dados e produtos listados na B3), seria de auxiliar na adição de informações externas para redes de criptomoedas enquanto o “Real Digital”, CBDC brasileira, fosse inserida gradativamente nestes mesmos sistemas. Além disso, há o interesse de colaboração em ferramentas de pagamentos em dinheiro programável.

“Podem existir várias aplicações, como sistemas capazes de programar a distribuição de retornos entre shareholders automaticamente de acordo com os rendimentos da companhia, agendamento do repasse automático de dinheiro em casos de contratos, fornecedores e afins sem a necessidade de uma cadeia de distribuição”, apontou Kondic.

Ainda em setembro, houveram apresentações do Banco Central envolvendo projetos de contratos inteligentes e finanças descentralizadas envolvendo o CBDC nacional, mas a expectativa é de que os primeiros testes sejam feitos somente em 2023.

Mineração acelerada no Irã ajuda mercado, mas levanta suspeitas

O Irã aparece como um possível novo polo de estímulo aos criptoativos no oriente, mas levantas suspeitas de órgãos econômicos internacionais com as intenções que os estímulos governamentais à mineração recém-retomadas de criptos possa conter.

A mineração e promoção sobretudo de criptoativos seria uma possibilidade de burlar as sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos frente à política iraniana de armamentos nucleares. Entretanto, relatórios indicam que enquanto as sanções atrapalharam os mercados mais tradicionais, os atuais campos de mineração do país teriam potencial para movimentar US$ 1 bilhão.

Depois de 3 meses de banimento, o governo do Irã permitiu que as atividades de mineração de criptomoedas voltasse à ativa em seu território. A paralização, que se iniciou em maio, foi motivada pela preocupação do presidente Hassan Houhani com a estabilidade das redes nacionais de energia elétrica no período em que as maiores temperaturas do ano são registradas no país (podendo chegar perto dos 50°C em algumas regiões específicas). As atividades por lá voltaram no dia 6 de agosto.

Dois meses após a volta de atividades de mineração no país, o Irã já indica ter aumentado seu impacto costumeiro na disponibilização de criptoativos. Comparado ao mês de agosto, setembro indicou aumento de praticamente 50% na produção nacional e alcançou 7% da disponibilidade do mercado mundial. Anteriormente, a fatia flutuava na casa dos 5%.

Outubro estabelece altas e pode ser início para arrancada no mercado até o fim do ano

Após muita turbulência entre agosto e setembro, o momento positivo de virada do mês seguiu no fim de semana e nessa segunda-feira para o mercado de criptomoedas. O Bitcoin (BTC) formou linha de resistência em US$ 47 mil após a alta do mercado na sexta-feira (dia 1º, motivada pelo posicionamento favorável do governo americano). Já nessa segunda (4), voltou a apresentar alta acima dos US$ 49 mil, flertando mais uma vez com o rompimento da barreira dos 50 mil.

A Ethereum (ETH), apesar de apresentar de ter apresentado leve baixa no início da manhã do dia 4, seguem em movimentação similar à do BTC, formando resistência nos US$3,3 mil e seguindo em viés de alta rumo aos US$ 3,5 mil, após semanas abaixo dos 3 mil.

Altcoins como Cardano (ADA), Polkadot (DOT), XRP e afins tiveram oscilação um pouco mais sentidas nessa segunda-feira, mas além de movimentos de alta já mais à tarde, seguem sem sustos no novo plateau estabelecido no primeiro dia de outubro.

O respiro para as criptomoedas chegou dos EUA

“Não temos nenhuma intenção de banir as criptomoedas”

A fala categórica é de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (FED), o banco central americano durante sua participação no Comitê Bancário do Senado americano, quando questionado por Ted Budd, Senador republicano e antigo defensor das criptomoedas, sobre a possibilidade do país seguir caminho similar ao escolhido pela China.

A colocação é oportuna por diversos fatores, considerando a posição de destaque que os criptos ganharam nas pautas governamentais recentes por lá. Desde a última semana, a ala econômica se debruçava sob questões regulatórias de criptos frente seu uso em pagamentos de terrorismo digital. Entretanto, pouco a pouco os debates foram evoluindo para outros aspectos, como a situação das stablecoins.

O ponto, alías, também foi abordado na fala de Powell: “Elas (stablecoins) são como fundos monetários e depósitos bancários, mas estão, de certa forma, fora do perímetro regulatório, e seria apropriado regulá-las. Se tomam parte da mesma atividade, é cabível contar com a mesma regulação. ”

Indicativos e impulso no mercado

As duas colocações somadas tiraram algumas dúvidas que pairavam sobre o andamento das tais medidas regulatórias que estão por vir. Desde março, de certa forma, pairava sobre os EUA a ideia do “Dólar Digital”, que de acordo com o próprio Jerome Powell, ainda em julho, poderia tornar tanto as criptomoedas quanto as próprias stablecoins “obsoletas”.

Mas a colocação que indica a permissibilidade do FED ao mercado de cripto e o novo debate de regulação – não mencionando eliminação ou substituição – das stablecoins indica que, pelo menos em primeiro plano, o objetivo é de aproximar as criptomoedas da “realidade” americana.

E o mercado reagiu positivamente a tudo isso, com diversas altcoins estabilizadas apresentando alta entre a quinta-feira (30) e a sexta (1º).

No mesmo período, o Bitcoin (BTC) saiu dos U$ 42 mil e saltou para perto dos US$ 48 mil, enquanto a Ethereum (ETH) rompeu a margem US$ 3 mil com que vinha flertando para bater quase US$ 3,3 mil, apontando alta girando em torno dos 10% nos principais criptoativos do mundo em apenas 1 dia.

O avanço da regulamentação de criptos no Brasil

Combate à crimes como ponto de retomada

O PL 2303/15, criado pelo deputado Áureo Ribeiro (Solidariedade-RJ) ainda em 2015, dispunha em sua ementa original o objetivo de “dispor sobre a inclusão das moedas virtuais e programas de milhagem aéreas na definição de arranjos de pagamento sob a supervisão do Banco Central.” Após 6 anos – em que as movimentações mais intensas da pauta ocorreram só até 2019 – teve seu relatório final e avançará, enfim, para votação na Câmara dos Deputados.

Como está ocorrendo nos Estados Unidos, a motivação inicial dessa renovação de debate acabou nascendo da preocupação de crimes que, de uma forma ou de outra, envolvam as criptomoedas.

Por lá, o governo americano quer combater atos de terrorismo virtual, como por exemplo os “sequestros de arquivos”, documentos importantes e afins que são bloqueados e somente liberados mediante pagamento feito em criptoativos.

Já por aqui, o sinal de alerta soou com o aumento considerável de esquemas financeiros criminosos que usavam os investimentos no mercado em questão como bandeira.

Os destaques negativos ficaram para os casos da GAS consultoria, que chegou acumular R$ 38 bilhões e é acusada de lavagem de dinheiro e esquema de pirâmide, e mais recentemente da Eagle Eye, que encerrou suas atividades sem devolver os capitais investidos e que respondem também à acusações similares as da GAS.

Agravante em lavagem de dinheiro

E as primeiras movimentações regulatórias, motivadas pela gravidade dos casos que ganharam a mídia, já começam a tomar forma no cenário brasileiro. Junto à aprovação do PL para seguir ao plenário, uma comissão especial formada por deputados federais acelera os trâmites do agravamento de pena em caso de lavagem de dinheiro que envolva as criptomoedas.

Até hoje, a pena descrita na Lei n. 9.613/98 varia de 3 a 10 anos de reclusão. Com a novidade, a movimentação em criptoativos servirá como agravante para adicionar dois terços do tempo previsto à pena total, podendo passar então dos 16 anos em casos mais graves.

Tomando como espelho a situação dos Estados Unidos, observa-se como a conversa evoluiu por lá. Do problema envolvendo terrorismo digital, muitas outras pautas necessárias foram abordadas, como por exemplo a estruturação de stablecoins em suas relações com dólar americano e fundos empresariais, aspecto que pode ser parte importante de uma possível “ponte” entre criptos e transações econômicas mais tradicionais.

Aqui no Brasil, portanto, abre-se uma oportunidade ímpar de acelerar as políticas públicas que envolvam o inovador mercado. Pesquisas feitas à época da oficialização do Bitcoin (BTC) como moeda corrente em El Salvador, colocaram a população brasileira como consideravelmente amistosa à uma chegada mais concreta do recurso à economia nacional. Tratar então do assunto com compromisso e seriedade pode render frutos consideráveis à maturidade do povo brasileiro frente às criptomoedas.

O que é: Oracle

Do experiente investidor, que dedicou horas e horas de estudo para entender o mercado de criptomoedas, passando novato que ainda está se encontrando no meio e chegando até mesmo à programadores envolvidos em projetos no setor, todos tem a esperança de encontrarem a oportunidade certa para multiplicar sua renda.

Nesse processo, todo o indicador positivo possível é bem-vindo. Há quem se baseie puramente nos movimentos de compra e venda dos gráficos, formas de candles e afins. Outros, se cercam de conceitos referentes às análises fundamentalistas, que se tornam cada vez mais presentes na medida em que as moedas e suas blockchains se aproximam do “mundo real”.

Só que talvez não haja melhor e mais interessante indicador de que uma rede, e consequentemente seu token, estejam no caminho certo para o sucesso e a valorização, do que a chegada das oracles no projeto.

No dicionário: “divindades” consultadas em busca de respostas

Falando de maneira simples e objetiva, as oracles (oráculos)são sistemas capazes de serem integrados às blockchains para alimentar o sistema com dados dos mais variados campos vindos do mundo “off-chain”.

Suas aplicações podem ser feitas em diversas frentes. Além dos oráculos de software, os capazes de captarem dados e informações, existem ainda os oráculos de hardware, que objetivam o rastreamento de objetos do mundo real e a atualização de sua localidade/deslocamento, além dos classificados como de entrada – utilizados em processos que exijam complemento de informações à serem introduzidas por outra parte – e de saída – que realizam o processamento de dados dentro de sua blockchain e repassa o resultado para outros sistemas.

Oracles cumprindo suas funções de oráculos

Com essas informações e possibilidades à mercê de um token, eleva-se consideravelmente o potencial funcional da rede com as novas possibilidades. Por meio de aplicativos descentralizados e demais ferramentas oriundas deste cruzamento de dados, os chamados ‘contratos inteligentes’ podem ser firmados, monitorados de maneira automática e encerrados (com o cumprimento de seus protocolos ou não) de maneira independente e automatizada.

A chegada de oracles à uma rede é geralmente o momento-chave para a valorização não somente financeira de um criptoativo, mas também de toda a estrutura que o envolve. As parcerias geralmente são formadas após muito desenvolvimento, e atualizações e etapas de testes, indicando que se trata então de uma blockchain sólida e promissora.

O nome de “oráculo” foi dado a esse tipo de serviço somente por sua função de “guiar e orientar” contratos firmados com suas informações.

O funcionamento seguro de todo esse sistema mesmo em alta demanda, aliado ao atendimento eficiente de necessidades sociais objetivas, formam a receita ideal para o sucesso de um projeto pronto para romper não “somente” em sucesso no âmbito dos criptos. A expectativa é de que os oracles acompanhem os que podem ser ferramentas de aproximação do restante da sociedade aos benefícios que esse mundo tem a oferecer.

O “vai ou racha” da Ada Cardano começou

Reações em meio à tempestade

É bem verdade que a Ada Cardano (ADA) e seus investidores viveram uma montanha russa de emoções entre o final do mês de agosto e o começo de setembro. Após a moeda bater a marca dos US$ 3, um reajuste natural já era esperado.

Entretanto, o movimento de venda coincidiu com o vazamento de receios de programadores que faziam os primeiros testes na atualização da moeda, enquanto para para completar, a baixa se arrastou até a estreia do Bitcoin (BTC) em El Salvador, responsável por uma queda generalizada nos preços de criptoativos. Os golpes foram duros e seu patamar de preço definitivamente mudou. Após cruzar a barreira dos US$ 3, agora a moeda flutua muito mais próxima da casa dos US$ 2.

Agora, uma nova prova de resistência após breve respiro com a confirmação do sucesso da atualização: os ataques do governo chinês escalaram rapidamente e agora tanto mineração, quanto qualquer tipo de negociação e incentivo às criptomoedas são ilegais na segunda maior potência econômica mundial.

Como era de se esperar, mais uma vez tivemos reflexos severos no mercado. Só que além da boa reação (dentro do possível) dos criptoativos como um todo pós-anúncio, o CEO da Cardano, Charlie Hoskinson e seus programadores decidiram enfiar o pé no acelerador e aproveitar ao máximo das possibilidades disponíveis via contratos inteligentes.

Apostas na mesa

O primeiro e mais agressivo movimento foi em direção aos aspectos que permeiam a DeFi. A movimentação acompanha não somente o movimento natural dos ativos que buscam a estabilização definitiva no mercado ao se aprimorarem para operações econômicas, como também segue roteiro similar ao da Ethereum (ETH) – moeda-alvo da Cardano.

No movimentado Cardano Summit 2021, finalizado no último domingo (26), um dos principais destaques ficou para o anúncio da criação de uma stablecoin para servir de base em suas transações, a ‘Djed’. A ideia é que por meio dos estabelecimentos de contratos inteligentes, a moeda possa auxiliar preenchendo os espaços no pagamento de taxas, reforçando ainda mais a liquidez dos procedimentos e sua previsibilidade/segurança.

Também de suma importância foi o anúncio da parceria da rede Cardano com a Chainlink, trazendo oracles de eficácia já comprovada no mercado para o seu universo.

A parceria eleva as possibilidades de contratos híbridos na blockchain da moeda ao garantir, por meio dos sistemas que orbitam a Chainlink, o cruzamento de informações atualizadas em tempo real, de maneira segura e de nível institucional dos mais diferentes contextos imaginados.

De oscilações percentuais econômicas, estatísticas variadas de eventos esportivos e até, que sabe, previsão do tempo, tudo o que for “filtrado” e confirmado pelo ecossistema da Chainlink estará à disposição dos apps originários da rede Cardano.

Mais cedo no Summit, foram revelados também os planos da Input Output (IOHK), responsável pela rede de blockchain do ativo, referentes ao programa de certificação para projetos interessados em integrarem a rede, bem como a construção de uma dApp Store.

Ao atacar também o âmbito dos aplicativos descentralizados, a IOHK quer garantir segurança e qualidade para os posteriores usuários das ferramentas estabelecidas. Empresas especializadas em auditorias farão as verificações da integridade dos projetos – se estão seguindo as diretrizes propostas e, principalmente, se há algum malware escondido ou alguma cláusula camuflada que venha prejudicar usuários.

Com este processo bem ajustado, a ideia é que qualquer um possa acessar via navegador a “Plutus dApp Store”. Criadores poderão fazer o upload de seus projetos na plataforma, que servirá como um mostruário das múltiplas possibilidades oferecidas pela Cardano.

Por fim, o sistema vai mostrando também suas primeiras grandes atividades envolvendo a emissão de NFT’s. Abraçando o que é próximo entre a exclusividade do mundo da arte e os tokens não-fungíveis, foram emitidas na rede Cardano uma coleção de tokens que envolverão novas músicas de Billy Gibbons, vocalista da banda ZZ Top, icônica banda de Blues Rock formada no começo da década de 70.

Essa última ação, aliás, converge com um dos pontos em que a Ada Cardano e todo seu projeto se destaca de muitos concorrentes: poucas moedas souberam aproveitar tão bem a visibilidade oriunda dos momentos de alta para transforma-la em marketing.

Em partes, foi com uma colocação clara no mundo off-chain que a Cardano se manteve relevante em meio ao caos recente. O batismo de fogo “oficial” já foi concluído, e com novidades como as destacadas recentemente, o caminho também está traçado. Resta agora acompanhar com atenção para saber se o projeto já encontrou seu limite, ou se realmente a pedra do sapato da Ethereum está ganhando forma e assumirá o potencial esperado.

Crypto Weekend: 24 à 26 de Setembro

China fecha as portas para as criptomoedas

Em meio à sua própria crise interna no mercado imobiliário chinês, que aliás indicou alta nas bolsas após a injeção de US$ 15,5 bilhões por parte do próprio governo, a potência asiática eleva suas restrições aos criptoativos mais uma vez.

Após o estabelecimento de “caça aos mineradores” em seu território com ameaças de punições e até promessas de recompensas por denúncias, o comunicado do Banco Popular da China, publicado em seu site na sexta-feira (24), informou que “as atividades comerciais vinculadas a moedas virtuais são atividades financeiras ilegais”.

Como justificativa, o PBOC (sigla em inglês para o banco), o órgão reforçou a intenção de proteger seus cidadãos dos “riscos” de lidar com moedas não fiduciárias, além de destacar mais uma vez que a medida auxiliará o país a atingir seus objetivos ecológicos ao reduzir a emissão de carbono.

Agora, carteiras, exchanges virtuais e demais agentes de transações e investimentos estão proibidas de fornecer serviços direcionados aos criptoativos para investidores chineses. Para reforçar a inibição, o governo chinês também proibiu instituições financeiras, empresas de pagamento e de internet de facilitarem as operações com criptomoedas.

Como reflexo imediato do comunicado, o mercado de criptomoedas caiu em 5%, com o Bitcoin (BTC) desvalorizando mais de US$ 2 mil assim que a notícia começou a correr.

Entretanto, o mercado já voltou a crescer apesar do duro golpe, promulgando a confiança dos investidores nos ativos mesmo frente à pressão da China. No início da tarde dessa segunda-feira, o Bitcoin estava sendo cotado na casa dos US$ 42.250.

Criptomoedas nas Américas

Enquanto isso, no experimento de El Salvador, o fim de semana contou com atualizações do governo local sobre as primeiras semanas do Bitcoin como moeda oficial do país (ao lado do dólar americano).

De acordo com levantamentos feitos pelo próprio secretariado de economia e por analistas do mercado cripto, 2,1 milhões de Salvadorenhos não somente abriram a carteira digital Chivo como estão movimentando seus ativos.

O número representa praticamente um terço de todos os habitantes do país (o total é de 6,4 milhões) e já representa um grande sucesso frete a um dos objetivos estabelecidos pelo presidente Nayib Bukele no início do projeto.

Isso porquê o número já é superior aos 1,8 milhões que possuem contas em banco, o que indica que o problema de bancarização já começou a ser suprido pela praticidade dos criptoativos, permitindo que mais pessoas transacionem seus recursos.

Um pouco acima, na América do Norte, os Estados unidos e o Canadá avançam nas suas respectivas regulamentações em torno das movimentações de criptomoedas em seus territórios.

A Organização Regulatória da Indústria de Investimentos do Canadá, junto do setor de Segurança de Administração nacional, estabeleceu também durante o fim de semana para as empresas de trading que oferecem seus serviços para residentes do país que não usem de propagandas que coloquem os ativos como “apostas”.

Louis Morisset, presidente da Segurança Administrativa, anunciou que “propagandas enganosas ou propositalmente dúbias podem encorajar investidores a assumirem riscos que normalmente evadiriam. ” Ainda de acordo com o Morisset, caso esse tipo de ações ocorram, além das dúvidas que podem ser levantadas para os criptoativos no país, a empresa responsável terá “problemas para registrar suas atividades no Canadá.”

Os Estados Unidos, por sua vez, já tinham anunciado a ideia de regulamentação com o intuito de inibir o uso das criptomoedas como forma de pagamento para ataques de hackers e sequestros de arquivos, mas a conversa sobre os ativos como um todo pode ser atualizada (e também regulamentada) junto ao governo americano.

Agora, o debate segue para as stablecoins, por conta de seu potencial de servir como “ponte” entre os criptos e o sistema bancário mais tradicional. Os reguladores estão agora interessados em saber se o sistema de stablecoins como USDT e USDC se manteriam seguras o suficiente para fazerem valer de sua liquidez em meio aos processos que poderão ser necessários.

As dúvidas vão de questões práticas, como garantir que os sistemas operacionais por trás dessas moedas são capazes de se manterem em funcionamento pleno mesmo com uma alta demanda de operações, até suas funcionalidades junto aos chamados “papéis comerciais”, como recurso que pode ser captado e transformado efetivamente em dólares.

A expectativa de atualização regulamentar das stablecoins e dos demais criptos na situação de crimes virtuais é prevista para ser ao menos apresentada em mais detalhes já no decorrer desta semana.

A “gamificação” dos criptoativos

Tecnicamente, quando nos referimos ao termo aplicado junto à educação, a “tradução” mais correta seria “ludificação”, mas no caso dos criptos a terminologia vai se mantendo mesmo mais próxima do original em inglês com a expansão dos jogos virtuais baseados em blockchains.

Os jogos em questão se baseiam na criação de NFT’s (Non-Fungible Tokens), que, em resumo, se refere à um processamento que garante a autenticidade e a exclusividade do ativo gerado, validando sua posse a quem o originou.

Por meio da plataforma do jogo, os seus jogadores competem, interagem e negociam por itens que auxiliarão na geração desses tokens únicos. Após a geração e a confirmação de posse do usuário, o próprio ecossistema do game, somado das movimentações de seus jogadores e do mercado de cripto em si, é capaz de estabelecer um valor para os ativos gerados.

Prós e contras durante a concretização do mercado

Estes aliás são os aspectos que atraem cada vez mais pessoas para os jogos para este tipo de cenário. A possibilidade de obter ativos de valor substancial enquanto joga, ainda com a segurança de que o tempo e o esforço empregado na plataforma não correm risco de simplesmente sumirem de suas mãos (por conta do registro imutável de cada NFT nas blockchains) não só aguça ainda mais o interesse social dos criptoativos, como também aproxima o público de conceitos desse mercado que podem ser amadurecidos futuramente.

Mas é importante apontar também que existem algumas desvantagens sobretudo para quem procura novos jogos deste perfil para investir de maneira mais agressiva.

Primeiramente, por conta da própria natureza especulativa criada em torno das plataformas, baseando os preços em expectativas de que outros usuários estarão dispostos a pagar um preço acima do pago inicialmente. Games que estejam em ascensão podem atrair muitos novos jogadores de uma vez que, por sua vez, podem inundar o mercado interno com novos ativos (mesmo que variados).

Em segundo lugar, jogadores/investidores mais desatentos ou desinformados das características de NFT’s podem ter problemas com cópias. Assim como obras de arte e artigos de colecionador, pessoas mal-intencionadas podem tentar negociar cópias e similares de tokens, a depender da disponibilidade de condições dentro do jogo para que a “receita” que originou o original possa se repetir. Entretanto, com um pouco de atenção ao sistema e (Se necessário) à blockchain, não é difícil evitar esse tipo de problema.

Exemplos de jogos baseados em NFT’s

Kryptokitties – Um dos primeiros jogos em blockchain desenvolvidos (2017) e pioneiro em sucesso de projeto e adesão, dá ao jogador o simples objetivo de gerar novos gatinhos virtuais ao mesclar itens do jogo. Apesar de já ter passado pelo seu período de auge, segue ainda em 2021 com movimentações diárias de vendas na casa dos US$ 30 mil.

Axie Infinity – Atual sensação do mercado, também se baseia na obtenção de novas criaturas que podem ser exclusivas. Entretanto, ao contrário de Kryptokitties, os bichinhos gerados se aproximam mais aos icônicos Pokémons, uma vez que cada um deles tem habilidades únicas para serem postos em batalhas.

Baseado na blockchain da Ethereum, as criaturas (chamados axies) são compradas por tokens que se encontram na faixa dos US$65, com os monstros menos raros custando fragmentos destas moedas, enquanto mais fortes e exclusivos podem ser vendidos por centenas destes ativos.

Guild of Guardians – Talvez o mais elaborado dos jogos baseados em NFT’s feitos ou em desenvolvimento até aqui, sendo o que chega mais próximo de um grande título do mundo dos games, contando até com gráficos 3D. O foco do jogo PvE (Player vs Enemies) será de juntar heróis com diferentes habilidades e vencer os inimigos para passar de fase.

A moeda utilizada no jogo está custando US$ 0,05, com seu pré-lançamento já contando com mais de 130 mil pessoas na sua lista de espera. A previsão é de que o game seja lançado no início de 2022.

A força dos criptoativos junto aos emergentes asiáticos

Emergentes asiáticos acreditam nas criptomoedas

Uma pesquisa feita pela plataforma de investimentos Finder, que conta com operações em quase 30 países, apontou a Ásia como o centro de maior adoção de criptomoedas nos mais variados níveis. Seja já considerando amplo domínio, ou simplesmente aceitação/vontade de entender melhor, os 5 países mais receptivos às criptomoedas se encontram no continente.

Vietnã, Indonésia, Índia, Filipinas e Malásia compõem o top 5 que vai na contramão da China. O apoio engloba ainda muitas outras nações da região, mesmo que em intensidade um pouco menor, com as diferenças de posicionamento entre a superpotência asiática e seus vizinhos mais modestos justificando o porquê da discrepância.

A futura primeira economia mundial conta com um regime fechado e, sobretudo, protecionista. Economicamente, o Bitcoin (BTC) e seus pares representam um tipo de “rebeldia” aos olhos dos reguladores econômicos.

Em meio à tanta fiscalização – dentro e fora do âmbito econômico –  e confiança depositada na economia já estabelecida, um ativo descentralizado, que não responde à estado ou aos grandes agentes financeiros, que pode ser transacionado livremente e que ainda por cima conta com características capazes de lucratividade aguda é extremamente oposto ao processo sob o qual a China construiu sua posição perante o mundo.

Ferramenta para atender anseios econômicos específicos

Em contrapartida, os mercados emergentes asiáticos não se encontram efetivamente inclusos na versão mais atual e vantajosa dos modelos econômicos vigentes. Tanto o cidadão quanto os próprios governantes (principalmente os mais jovens) inseridos nesses contextos, apresentam comportamentos diferentes nas suas relações com bancos e demais modernizações em pagamentos digitais.

Nesse contexto, a diferença para economias emergentes ocidentais fica por conta da baixa bancarização. O relatório mundial dos bancos em 2017 já apontava mais de 2 bilhões de pessoas fora do sistema bancário, com a enorme maioria dos “ausentes” sendo de países subdesenvolvidos/em desenvolvimento orientais (já que nas nações ocidentais, a média de bancarização flutuou entre 80 e 90%).

O dinamismo, a praticidade e a ausência de burocracia das criptomoedas podem ser as respostas para que a significativa parcela populacional isolada da economia tenha assumam finalmente que lhes é de direito ocupar nesse âmbito.

Mas os dados corroboram, no fim das contas, para a maior semelhança com os emergentes do ocidente quanto aos anseios econômicos. Países que buscam alternativas para se estabelecerem em definitivo no mercado mundial enquanto atendem as necessidades do seu povo olham para a novidade com curiosidade e esperança.

Não à toa, pesquisas de opinião e intensão de uso do Bitcoin feitas na África e na América Latina indicam aumento considerável de apoio. Depois de tanto tempo à margem do império econômico mundial, países como El Salvador querem relevância e autonomia. Na Ásia, mesmo com a forte pressão chinesa que vai se desenhando, os criptoativos vão galgando seus espaços e não devem se render sem lutar.

Chipz.io: mercado cripto chega às apostas esportivas

Após o sucesso precoce ter se transformado em estabelecimento de mercado no caso da plataforma Socios.com, agora é a vez das “Chipz” estreitarem o contato entre as criptomoedas e o multimilionário mercado do esporte – mais especificamente, no setor de apostas.

O que é e como funcionará

Criada a partir da blockchain da Ethereum (ETH), a plataforma Chipz.io apresenta potencial para revolucionar o mercado das bet’s como um todo ao dar para o usuário maior autonomia nas entradas que fizer.

Estabelecendo contatos com bases informacionais atualizadas em tempo real sobre os principais eventos esportivos do mundo, os apostadores da Chipz e terão a possibilidade de criarem suas próprias entradas, tornando-se então o próprio bookkeeper (pessoa/sistema responsável por contabilizar os percentuais envolvidos) de todo o processo.

Seus usuários usufruirão da privacidade e do dinamismo proposto pelo setor de DeFi’s, onde as transações não contarão com intermediários e suas taxas, com as movimentações sendo muito mais rápidas e práticas do que costumeiramente ocorre em plataformas mais tradicionais.

Essa remodelação do papel da “casa”, aliás, permitirá também que as odds (multiplicadores do possível retorno da aposta feita) possam se tornar mais atrativas ao se aproximarem mais da realidade, baseando-se somente em probabilidades e estatísticas.

Para o início do projeto, as transações de depósitos, apostas e retiradas serão feitas por meio da stable coin de dólar USDC, mas não é difícil imaginar que uma vez ambientado, o sistema venha a permitir outras criptomoedas, sobretudo que sejam baseadas em camadas similares da Ethereum.

Primeiros grandes mercados e cenário brasileiro

Três das principais ligas esportivas dos Estados Unidos já estão anunciadas como mercados de apostas que estarão disponíveis em breve por meio da Chipz: NHL (hóquei no gelo), MLB, (baseball) e NBA (Basquete). Além das três organizações, também há destaque para o MMA, modalidade de luta que engloba artes marciais mistas.

O principal dos padrinhos anunciados até o momento, aliás, é o lutador Nick Diaz, que volta aos holofotes do UFC – a maior organização de MMA do planeta – neste sábado (25), em luta contra Robbie Lawler na categoria dos pesos médios (até 84 kg). A expectativa é de que em suas últimas aparições para o público antes do confronto, Diaz use um boné da Chipz.

No Brasil, o mercado de apostas esportivas pode ser então mais uma porta de entrada para as criptomoedas.

Ainda em 2018, o então presidente Michel Temer sancionou a lei 13.756/18, autorizando a elaboração de regras mais específicas para a prática de apostas de cotas fixas no país e, de lá para cá, o mercado não para de crescer.

Desde então, o mercado já registra movimentos anuais de valores no patamar de R$ 4 bilhões, enquanto especialistas indicam que a probabilidade para que o montante anual salte para R$ 12 bi em poucos anos seja, na verdade, bem alta.

“Mynt” pode ser a primeira das grandes portas de entradas dos criptoativos no Brasil

Aproximação entre brasileiros e as criptomoedas

Pouco a pouco, o Brasil vai tendo mais contato com as criptoativos. Sejam por meio de manchetes (mesmo que polêmicas), estudos ou até mesmo pela própria necessidade de entender novas fontes de renda frente à um período de clara recuperação econômica, foram diversos os fatores que colocam a chegada da plataforma Mynt, novidade do Banco BTG, como oportuna.

Logo após a adoção do Bitcoin (BTC) como uma das moedas oficias em El Salvador, um estudo encomendado pela Sherlock Communications mostrou que, pelo menos na opinião popular, a criptomoeda teria respaldo em solo tupiniquim.

Para 48% dos entrevistados, o Brasil deveria adotar o Bitcoin como moeda, sendo deste recorte, 31% “concordam”, enquanto 17% “concordam fortemente” com o tema. De quebra, dos 52% restantes, 30% são indiferentes ou curiosos, sem opinião completamente formada ainda. Isso deixaria 21% de posicionamento contrário à mudança, sendo somente de 9% os que “discordam fortemente”.

BTG ocupa espaço com potencial

Agora, mesmo para indecisos e descrentes, as criptomoedas chegam ao sistema bancário nacional pela porta da frente. Desde junho desse ano, o Grupo BTG Pactual superou a XP investimentos em desempenho na bolsa e passou sua “rival” de mercado. Ao fim do mesmo mês, o BTG tinha valor de mercado de R$ 147,4 bilhões, e a XP, de R$ 115,8 bilhões, consolidando-o como o maior do segmento em toda a américa latina.

“O BTG entendeu que havia uma grande oportunidade e lacuna no mundo de cripto”, disse André Portilho, responsável pela área de Ativos Digitais do BTG. “Seremos a primeira instituição financeira no Brasil a oferecer acesso direto ao mercado cripto. Os clientes do banco poderão investir de forma simples, direta e segura, nas criptomoedas bitcoin e ethereum (ETH). A solução estará disponível de maneira gradual aos clientes do BTG Pactual digital e do BTG+, por meio da plataforma Mynt.”

A previsão é que o banco liste em seu sistema outras criptomoedas para seguir desbravando o mercado. Por hora, o objetivo é de apresentar aos seus clientes as oportunidades de mercado com os ativos mais estabelecidos, enquanto ajusta a plataforma e oferece suporte especializado.

Tudo isso acarreta não somente em mais competitividade no setor para as corretoras que operam no Brasil com a nova opção de negociação, mas também para o amadurecimento da cultura no país. Tanto que para se “apresentar”, o BTG Pactual oferecerá um curso sobre investimentos em criptomoedas gratuito.

Em um meio tão promissor, mas que muitas vezes é inibido pela falta de clareza e informação, o BTG adentra no mercado já se colocando como candidato a ajudar no processo de aproximação das carteiras virtuais com as carteiras das famílias brasileiras.