Bolsas sobem no mundo todo com sensação de risco sistêmico menor

Nesta terça-feira (07/12), as principais bolsas de valores dos quatro cantos do globo subiram fortemente, com os investidores precificando a visão de que a variante ômicron da COVID-19 não causará grandes danos econômicos.

Soma-se a isso, as perspectivas positivas vindas da China, com o governo se comprometendo a fornecer estímulos pontuais para fortalecer a recuperação econômica do gigante asiático. 

Até às 16h05 desta tarde, o S&P 500 subia 2,09%, aos 4.686,43 pontos. O Dow Jones somou 1,43% e a Nasdaq 3,13%. 

Na Europa, o CAC francês disparou 2,91% e o DAX 2,83%.

Aqui no Brasil, o Ibovespa seguia a alta de ontem e avançava 0,79%, superando os 107.700 pontos.

Impacto reduzido da Ômicron

Os investidores já se decidiram sobre a ômicron e acreditam que outro grande choque econômico será evitado, disse Fawad Razaqzada, analista de mercado da Think Markets.

“Após uma consideração cuidadosa, eles acham que provavelmente não é mais perigoso do que a variante Delta do coronavírus e que os bloqueios e restrições preventivos que vimos irão diminuir em breve”, disse Razaqzada em uma nota.

Nas últimas notícias sobre o coronavírus, as agências de saúde da União Européia recomendaram que as vacinas COVID-19 fossem misturadas e combinadas tanto para injeções iniciais quanto para doses de reforço, enquanto a região enfrenta casos crescentes antes do Natal.

A evolução da ômicron foi positiva para os preços do petróleo, que subiram cerca de US$ 3 na esperança de que a nova variante se mostre menos prejudicial e com a perspectiva de um aumento iminente na demanda da commodity energética. 

Agora à tarde, o Brent subia 3,38%, cotado a US$ 75,55 o barril, e o WTI 3,83%, cotado a US$ 72,16 o barril.

Atenção se volta para o Fed

As expectativas de que o Federal Reserve (Fed) acelerará a redução de seu programa de compra de títulos na próxima semana, em resposta a um aperto no mercado de trabalho, incentivou a corrida dos investidores globais para o dólar.

O Dollar Index, índice que avalia o dólar dos Estados Unidos em comparação com uma cesta com as principais moedas do mundo, subia 0,15%, mantendo-se acima dos 96 mil pontos.

As expectativas com a possível decisão do Fed de apertar sua política monetária também apareceram nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA de 10 anos, que aumentaram 1,4 pontos base, para 1,448%.

No geral, os agentes de mercado acreditam que o Fed fará mais do que foi estabelecido no seu plano inicial, e intensificará o combate à inflação.

Estímulos na China

Os ânimos dos mercados também melhoraram depois que o banco central da China injetou sua segunda rodada de estímulos desde julho, cortando a quantidade de dinheiro que os bancos devem manter em reserva.

No entanto, a incerteza sobre o setor imobiliário se mantém, à medida que Evergrande oscilava à beira do default novamente. 

Mas os dados que mostram um crescimento mais forte das importações foram “um sinal positivo sobre a força da demanda doméstica”, disse o analista do RBC, Adam Cole.

Mercado europeu na corda bamba.

O índice que representa as 50 maiores empresas da zona do euro, o Euro Stoxx 50, vinha trabalhando dentro de um canal de alta desde março deste ano quando conseguiu superar o topo histórico, formando antes da pandemia.

Conforme observado no gráfico semanal, o índice por diversas vezes violou a linha inferior do canal, porém em seguida a força compradora entrava em ação, levando o preço novamente para dentro da figura.

Entretanto, no final de setembro isso não aconteceu. Em uma semana de forte queda, o índice perdeu a linha inferior do canal e fechou abaixo da figura. Desde então o ativo não conseguiu mais subir o suficiente para entrar no canal novamente.

Situação complicada no gráfico diário.

No gráfico diário, o padrão que está sendo montado pode indicar um forte movimento de correção. Após perder o canal, o índice tentou subir, mas bateu na média móvel de 20 períodos e voltou a cair.

Caso o ativo perca o fundo deixado no início de outubro, estará formando um pivô de baixa alinhado com a média de 20. Para a análise técnica, este é um dos padrões mais poderosos de continuidade do movimento, que neste caso é de baixa.

Aumento de volatilidade.

É interessante observar como a volatilidade nos demais índices europeus aumentou após o índice Euro Stoxx 50 perder o canal.

O índice DAX, que representa as 30 maiores empresas da Alemanha, vem formando grandes barras de baixa, e também de alta. Além disso, grandes gaps são observados ao longo dos dias.

O índice Francês CAC40, que representa as 40 maiores empresas da França, também vem apresentando barras maiores e sem uma direção clara de movimento.

De forma similar, o Ibex 35, que representa as 35 maiores empresas da Espanha, vem fazendo grandes movimentos ao longo dos dias, porém sem uma tendência clara que poderia indicar para onde o ativo vai.

O aumento de volatilidade mostra que existe uma forte correlação entre os ativos, pois se o principal índice europeu não apresenta uma tendência clara, os demais índices passam a trabalhar da mesma forma.

O cenário continua incerto, mas a análise técnica começa a dar indícios de que um movimento maior de correção dos ativos pode estar por vir.

Bolsas da Europa trabalhando no negativo!

O índice que representa as principais empresas da Alemanha, o DAX, abriu hoje com um grande gap de baixa, e por enquanto continua caindo. O ativo vai ao encontro da média móvel de 200 períodos e também ao terceiro alvo do pivô acionado com a perda do canal de alta que o ativo vinha seguindo. Tudo indica que nos próximos dias o índice alemão alcançará a média móvel de 200 períodos, que é uma região importante, pois se for perdida poderá indicar maior correção.

A bolsa Francesa já indicava sinais de fraqueza por parte dos compradores, visto que não conseguiu superar a média móvel de 20 períodos após regredir do topo formado em meados de agosto. Hoje o índice francês abriu em alta, porém agora está caindo e se aproximou do último fundo, que se for perdido pode indicar a continuidade da queda.

O índice Euro Stoxx 50, que reúne as 50 maiores empresas da zona do euro, já havia sinalizado baixa na sexta-feira ao acionar um pivô de baixa sobre a média móvel de 20 períodos, e hoje continua caindo, já tendo inclusive atingido o alvo de 100% do pivô acionado na sexta-feira. O mais provável é que nos próximos dias o ativo alcance o terceiro alvo, que também está próximo à média de 200 períodos e uma região de fundo que já foi testada por diversas vezes. Caso essa região seja perdida, é provável que uma correção maior seja realizada.

No Reino Unido a situação não é diferente. O índice FTSE 100, que contempla as 100 maiores empresas do Reino Unido, já caiu com força na sexta-feira e hoje continua caindo. Neste momento opera sobre a média móvel de 200 períodos, que tem logo abaixo um suporte importante, visto que é um fundo já testado anteriormente. Caso a região seja perdida, é provável que a queda continue por mais algum tempo.