O que esperar de 2022?

Até junho, o Ibovespa alcançava os 130 mil pontos, maior marca para o índice desde sua criação.

Mas, de lá para cá, o índice caiu e agora está próximo dos 105 mil pontos. O que esperar de 2022?

Juros maiores e inflação em queda

Se o juro em 9,25% ao ano, já está elevado, em 2022, é provável que a Selic alcance níveis ainda maiores.

Na próxima reunião do COPOM, já está praticamente certo que haverá mais um aumento de 1,5% na taxa de juro, havendo a possibilidade de mais aumentos nas próximas reuniões.

Tudo vai depender da resposta da inflação. Se o IPCA se manter comportado e em queda, é provável que mais um aumento pequeno seja feito e assim, o juro fique nivelado por um bom tempo, quem sabe por 2022 todo.

O dólar tinha grandes chances de terminar 2021 próximo dos R$ 5,00, mas não foi isso que aconteceu. Com mais juros e uma inflação menor, é provável que o dólar caia em 2022.

Mas tudo isso vai depender de alguns fatores, como a inflação. Por outro lado, as contas públicas e o crescimento do PIB podem acabar influenciando a inflação.

Caso haja mais despesas e o equilíbrio das contas públicas seja afetado em 2022, a inflação pode pressionar mais ainda a economia. Com um crescimento baixo, a inflação perde força e isso pode gerar estabilidade nos preços.

Enfim, são muitos indicadores que devem ser acompanhados daqui para frente, para conseguir determinar qual será a rota da bolsa e dos mercados.

Quais são as oportunidades em 2022?

A renda fixa será um dos principais focos dos investidores para 2022. Títulos atrelados ao CDI e a Selic são aqueles mais interessantes.

Depois existem os títulos atrelados à inflação, como o Tesouro IPCA e os CDB, LCI e LCA atrelados à inflação mais juros prefixados.

Acompanhados desses papéis de renda fixa, o investidor também deve olhar para ativos atrelados ao exterior, como é o caso dos ETFs que seguem o índice S&P 500.

Só em 2021, o S&P 500 subiu quase 30%, portanto, manter uma parcela do patrimônio alocado em tal índice é importante. Na bolsa de valores já há outras alternativas atreladas a outros índices de outros mercados, como é o caso do ETF EURP11 que segue um índice europeu.

Outro investimento atraente são as criptomoedas e ativos virtuais, como é o caso das NFTs. A melhor forma de investir neles é por meio de fundos de investimento. Uma vez que tais ativos são novos e possuem certa complexidade, tanto na negociação, manutenção, quanto na análise.

Por fim, nós temos as ações, ETF e BDR. Esses ativos devem ser analisados com bastante cuidado, uma vez que 2022 podemos ser muito voláteis para os mesmos. Mas, é possível que boas oportunidades apareçam e o investidor deve estar preparado para reconhecer esses momentos.

Brasil pode ter superávit primário em 2021.

O Brasil não consegue fechar as contas públicas no positivo desde 2013. Se conseguir tal feito, o que podemos esperar do Brasil em 2022?

2022 será um ano mais complicado

Aparentemente muitos indicadores relevantes sobre a economia vem dando sinais positivos. O desemprego está em queda, o Brasil terá crescimento substancial do PIB em 2021 e as contas públicas podem fechar no positivo, mas, as expectativas e alguns sinais, dão a entender que tal cenário, positivo, pode não perpetuar em 2022.

Com a inflação e o juro em alta, a atividade econômica pode diminuir. Essa redução, normalmente, é acompanhada de desemprego e queda do PIB.

Dentre todos os indicadores, o crescimento do PIB é aquele que sugere a possibilidade de uma estagnação em 2022.

No decorrer de 2021, o PIB dava sinais de crescimento, podendo chegar aos 5% ou mais, porém,  no meio de 2021 para frente, as expectativas mudaram e os indicadores referentes ao PIB mostraram que o crescimento, provavelmente, não alcançará os 5%.

Mesmo que haja crescimento no PIB, ele já vem perdendo força em 2021 e provavelmente ficará mais fraco em 2022. Isso sugere dificuldades no ano que vem.

O juro alto e a inflação acima da meta também vão influenciar no recrudescimento econômico. Por mais que haja mais pessoas empregadas, a renda das pessoas diminuiu boa parte, por conta da inflação.

A correção de salários e os aumentos que vão ocorrer no ano que vem, provavelmente vão alimentar ainda mais a inflação. Tudo isso, tende a conturbar mais ainda o ano de 2022.

Ibovespa em alta

No último pregão do ano, o Ibovespa conseguiu alcançar valorização de 0,69%. No ano de 2021, a queda foi de 11,81%.

Já o S&P 500 caiu no último pregão. A retração do índice foi de 0,30%, mas com valorização de 29,13% em 2021.

O dólar registrou forte queda frente ao real. A desvalorização do USD/BRL chegou a 2,31%. Com a bolsa mais volátil, o investimento em ações, ou em outros ativos negociados em bolsa pode ser mais difícil em 2022.

Observando essa volatilidade, a renda fixa aparece como ótima alternativa de investimento. O juro provavelmente vai subir mais 1,5% ainda na primeira reunião do COPOM em 2022 e há expectativas que mais aumentos possam ocorrer.

Sendo assim, papéis atrelados ao CDI, ou à Selic, são alternativas interessantes, tanto devido à rentabilidade quanto pela segurança e liquidez.

Ibovespa sobe e dólar cai com resultados fiscais melhores em novembro

O bom resultado das contas públicas animou os investidores no último pregão do ano.

Segundo informação do Banco Central, o setor público consolidado registrou superávit primário de R$15,0 bilhões em novembro, ante déficit de R$ 18,1 bilhões em novembro de 2020. 

Em doze meses, o superávit alcançou R$ 12,767 bilhões, ou 0,15% do PIB.

O resultado é positivo pois indica que as contas públicas estão sob controle, o que deve gerar menores pressões inflacionárias nos próximos períodos, caso seja mantido a trajetória atual.

Com isso, o Ibovespa subia 0,62% até às 11h58, alcançando os 104.778 pontos. Já o dólar caia 2,28%, cotado a R$ 5,573.

Resultado fiscal de novembro

O Governo Central e os governos regionais registraram, na ordem, superávits de R$ 3,5 bilhões e R$ 11,7 bilhões, e as empresas estatais, déficit de R$ 238 milhões. 

No acumulado no ano, o setor público consolidado registrou superávit primário de R$64,6 bilhões, ante déficit de R$651,1 bilhões no mesmo período de 2020. 

Nos últimos doze meses, o setor público consolidado atingiu superávit primário de R$ 12,8 bilhões (0,15% do PIB), resultado que havia sido deficitário em R$ 20,4 bilhões (0,24% do PIB) no acumulado em doze meses até outubro. 

Os juros nominais do setor público consolidado, apropriados por competência, alcançaram R$ 41,6 bilhões no mês, comparativamente a R$ 2,0 bilhões em novembro de 2020. 

Essa evolução foi influenciada pelo resultado menos favorável das operações de swap cambial no período (ganhos de R$ 25,3 bilhões em novembro de 2020 e de R$ 3,0 bilhões em novembro de 2021), e pelo aumento da taxa Selic. 

No acumulado em doze meses, os juros nominais alcançaram R$ 418,0 bilhões (4,86% do PIB), ante R$ 313,4 bilhões (4,23% do PIB) nos doze meses terminados em novembro de 2020. 

O resultado nominal do setor público consolidado, que inclui o resultado primário e os juros nominais apropriados, foi deficitário em R$ 26,6 bilhões em novembro de 2021.

No acumulado dos últimos doze meses, o déficit nominal alcançou R$ 405,2 bilhões (4,71% do PIB), ante R$ 398,7 bilhões (4,68% do PIB) no acumulado até outubro.

Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) e Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG)

A DLSP atingiu 57,0% do PIB (R$4,9 trilhões) em novembro, reduzindo-se 0,1 p.p. do PIB no mês.

Esse resultado refletiu, em especial, os impactos do crescimento do PIB nominal (redução de 0,5 p.p.), do superávit primário (redução de 0,2 p.p.) e dos juros nominais apropriados (aumento de 0,5 p.p.). 

No ano, a relação DLSP/PIB reduziu-se 5,5 p.p., evolução decorrente sobretudo dos efeitos do crescimento do PIB nominal (redução de 8,3 p.p.), da desvalorização cambial acumulada de 8,1% (redução de 1,3 p.p.), do superávit primário (redução de 0,8 p.p.), dos juros nominais apropriados (aumento de 4,6 p.p.) e da variação da paridade da cesta de moedas que integram a dívida externa líquida (aumento de 0,4 p.p.).

A DBGG – que compreende governo federal, INSS e governos estaduais e municipais – atingiu 81,1% do PIB (R$7,0 trilhões) em novembro, reduzindo-se 1,1 p.p. do PIB no mês.

Essa evolução decorreu basicamente dos resgates líquidos de dívida (redução de 1,0 p.p.), do crescimento do PIB nominal (redução de 0,8 p.p.), e da incorporação de juros nominais (aumento de 0,6 p.p.). 

No acumulado do ano, a redução de 7,5 p.p. na relação DBGG/PIB decorreu sobretudo do crescimento do PIB nominal (redução de 11,7 p.p.), dos resgates líquidos de dívida (redução de 1,4 p.p.), da incorporação de juros nominais (aumento de 5,1 p.p.) e da desvalorização cambial (aumento de 0,5 p.p.).

Em 2022, o rumo da bolsa (e da economia) dependerá do preço do petróleo

O Banco Central do Brasil (BC) já deixou claro que perseguirá implacavelmente a inflação, nem que isso tenha que custar a recuperação econômica e os empregos.

Para Roberto Campos Neto, presidente do BC, é preciso criar um choque recessivo para colocar a inflação no lugar e, no longo prazo, permitir que a economia cresça de forma sustentável.

O problema é que, como já mostrei aqui, o Banco Central (BC) está lutando com instrumentos errados, de modo que seus esforços têm pouco contribuído para controlar as principais variáveis que determinaram o ritmo da inflação desde o início da pandemia: o câmbio e os combustíveis.

O fato é que o descontrole do nível de preços é um fenômeno global, verificado em praticamente todos os países do mundo.

A principal crítica de alguns economistas é que os juros é um instrumento usado para combater a inflação quando esta é derivada de fatores de demanda e não de oferta, como é o caso de agora.

As restrições de mobilidade para o combate da pandemia desequilibrou as cadeias globais de produção e interrompeu o fornecimento de commodities e componentes industriais.

A forte subida do petróleo encareceu os combustíveis. No ano, só a gasolina aumentou mais de 70%. Isso torna os combustíveis o principal vilão da alta inflacionária.

Só esse componente foi responsável por 0,72 pontos percentuais do IPCA total de novembro, que ficou em 0,95%. Enquanto isso, os preços dos outros grupos, como alimentos, bebidas, saúde e gastos pessoais vêm caindo consideravelmente nos últimos meses.

Banco Central persegue algo que não pode controlar

Ao insistir no forte choque monetário, que levou a Selic de 2% para 9,75% em menos de um ano, o Banco Central se mostra como reagente de um fator externo que não está ao seu alcance. 

Isso porque a política de preços da Petrobras tem feito ajustes nos combustíveis com base no preço da commodity energética no mercado internacional.

Em relação a isso, não é difícil perceber que o BCB tem pouco poder para afetar os preços do petróleo no mundo.

Dessa forma, o futuro da inflação brasileira (e da economia como um todo) está, indiretamente, nas mãos dos negociantes de petróleo. Se estes aumentarem a demanda pelos contratos de compra, podemos esperar a manutenção da inflação nos próximos meses. Consequentemente, isso induzirá o BC reagir com mais aumentos de juros (além dos quais já estão programados). 

Como resultado, tanto a bolsa de valores quanto a economia podem ir pro vinagre, pois é inviável esperar investidores e empresários tomando risco em um cenário de estagnação e com juros maiores do que 12% ao ano.

O contrário ocorrerá se o petróleo melhorar de preço no mercado internacional. A queda dos combustíveis arrefecerá a inflação e poderá acalmar a mão pesada do BC sobre os juros.

Esse cenário causará uma melhora nas expectativas dos investidores, que irão correr para a renda variável motivados pela visão de um horizonte com juros mais baixos.

Resumindo: tudo dependerá de onde o petróleo irá nos próximos meses. Portanto, você, investidor brasileiro, fique atento a isso.

BC mira inflação mas acerta a recessão

Se tem uma coisa que a autoridade monetária brasileira tem total poder é de determinar os rumos do mercado financeiro e da atividade econômica.

Primeiramente, temos que o aumento desenfreado dos juros afetou fortemente o Ibovespa, que, desde junho, caiu cerca de 20% com o encarecimento do capital.

Mas não é só de bolsa de valores que vive a população, não é mesmo?

O aperto na Selic também tem penalizado intensamente a atividade econômica, jogando o país para uma recessão técnica (quando há dois trimestres seguidos de queda no PIB).

Entretanto, não dá para culparmos totalmente o Banco Central pelo fracasso econômico. A bagunça política e falta de planejamento das políticas econômicas e sociais têm contribuído com boa parcela do pessimismo dos agentes econômicos.

Há economistas, inclusive o próprio Campos Neto, que afirmam que a reação do BC de elevar a Selic é apenas um subproduto da condução irresponsável da política de gastos por parte do governo federal e do congresso, cuja aprovação da PEC dos Precatórios colocou um fim simbólico à regra do teto de gastos. 

Com o descontrole fiscal, sobrou para o BC o papel de compensar o conjunto de estímulos, com uma contração monetária, para tentar manter o nível de preços sob controle.

Porém, o aumento da Selic praticamente eliminaria os efeitos da própria PEC dos Precatórios. Isso porque a subida dos juros pressionará os gastos com serviço da dívida, o que diminuirá, consequentemente, o espaço fiscal aberto pela própria PEC.

A dívida do governo, sob uma taxa Selic que poderá chegar a 12% em 2022, vai subir consideravelmente, de modo que eliminará quase que totalmente o espaço fiscal aberto pela PEC 23.

Diante desse descompasso entre política fiscal e monetária, além dos imbróglios políticos que nos aguardam, é de imaginar que o brasileiro consciente dificilmente esperará algo positivo na economia em 2022. 

Já na bolsa de valores, a depender do petróleo e da reação do Banco Central, talvez dê para visualizar uma recuperação já nos primeiros meses do ano, pois economia real e mercado financeiro nem sempre andam juntos.

Brasil registra superávit em Novembro

Em novembro, o Tesouro Nacional registrou superávit de 3,8 bilhões de reais. O governo federal vem esperando um déficit de 0,4% em 2021, valor próximo dos 40 bilhões de reais, considerando o PIB de 2020 mais um crescimento de 5%.

Ao somar os resultados de janeiro até novembro, o déficit está em 49,3 bilhões de reais. Como podemos ver, o governo espera por mais um superávit em dezembro para conseguir fechar o déficit com 0,4% do PIB, ou um PIB maior.

Contas públicas estão, ou não sob controle?

Por um lado nós temos aumento dos gastos públicos, por meio de novos programas sociais e liberação de emendas, do outro há sinais claros que a arrecadação está aumentando.

Com dados e expectativas inversas, fica difícil determinar o que está ocorrendo e o que pode acontecer.

O déficit de 2021 provavelmente vai ficar abaixo das expectativas do início do ano. Lá no início de 2021, o governo acreditava que o déficit poderia ficar em 1,1% do PIB, número que provavelmente será menor.

O desemprego também vem caindo. Porém, o PIB não está se desenvolvendo. O mercado e o governo esperavam alta do PIB acima dos 5%, porém é provável que o PIB cresça abaixo desse patamar.

Outro ponto que vem perturbando o mercado é a inflação alta e o juro alto. Os dois indicadores, provavelmente, vão permanecer elevados em 2022 também.

Coisa que pode prejudicar as contas públicas e o desenvolvimento do PIB. Portanto, os dados de hoje provavelmente serão piores em 2022.

O que precisamos identificar é se essas expectativas, de um cenário pior, vão se concretizar, ou não.

Se não, é provável que a renda variável comece a reagir e volte aos patamares mais elevados, como os 130 mil pontos que o Ibovespa alcançou em junho de 2021.

Mas, se o mercado cumprir com as expectativas negativas, então o momento deverá ser da renda fixa, com olho na renda variável para capturar oportunidades.

Ibovespa em queda S&P 500 em alta

Hoje foi mais um dia de queda do Ibovespa. O principal índice da bolsa brasileira caiu 0,72%, sendo que o S&P 500 subiu 0,14%. O dólar por sua vez terminou o dia cotado a R$ 5,70, alta de 1,33% frente ao real.

Com um mercado tão volátil, a renda fixa vem se consolidando como uma das melhores alternativas para 2022.

IGP-M de dezembro veio acima do esperado e derruba Ibovespa

A Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgou hoje (29/12) o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado). O índice subiu 0,87% em dezembro, ante alta de 0,02% verificada em novembro.

O índice é normalmente utilizado para reajustes de contratos de aluguel e acumulou alta de 17,78% no ano. Em 2020 a alta dos preços medida pelo IGP-M foi de 23,14%.

O resultado veio maior do que o esperado para o mês de dezembro, enquanto as expectativas apontavam para um índice de 0,65%, de acordo com o site Investing.

Entre os responsáveis pela alta estão os preços da carne bovina e algumas commodities agrícolas.

“O resultado deste mês foi influenciado pela aceleração dos preços de bovinos, reflexo da demanda doméstica e da retomada das exportações e, pela aceleração dos preços de safras afetadas por geadas e seca, como café e cana-de-açúcar”, afirma André Braz, coordenador dos Índices de Preços.

Decomposição do IGP-M

O IGP-M é composto pela ponderação de 3 outros índices: IPA 60%, IPC 30% e INCC 10%.

Para Braz, a alta do IGP-M se deve, em grande medida, pelo valor elevado do IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo), que foi de 20,57% no ano.

Os preços da cana-de-açúcar avançaram 57,13% no ano, enquanto o preço do café subiu 152,35%, no mesmo período.

O IPA  subiu 0,95% em dezembro, após queda de 0,29% em novembro. A principal contribuição para este resultado partiu do subgrupo combustíveis para o consumo, cuja taxa passou de 8,60% para 0,25%, no mesmo período.

Já sobre o IPC (Índice de Preços ao Consumidor), os itens que tiveram maior influência positiva foram a carne bovina (11,69%), café em grãos (12,52%), cana de açúcar (2,83%), adubos e fertilizantes.

Em contrapartida, os produtos que ficaram mais baratos no período foram batata-inglesa (-29,67%), milho em grão (-2,68%), aves (-5,08%), soja em grão (-1,03%) e leite in natura (-3,48%).

Por fim, o INCC (Índice Nacional de Custo da Construção) variou 0,30% em dezembro, percentual inferior ao apurado no mês anterior, quando o índice registrou taxa de 0,71%. 

Com este resultado, o índice acumula alta de 14,03% no ano, ante 8,66% em 2020. 

A taxa do índice relativo a Materiais, Equipamentos e Serviços passou de 1,11% em novembro para 0,49% em dezembro. O índice referente à Mão de Obra variou 0,10% em dezembro, contra 0,28%, em novembro.

Efeito na bolsa de valores

O aumento maior do que o esperado no IGP-M afetou negativamente a bolsa brasileira. O resultado frustrou os agentes de mercado, que estimavam o arrefecimento dos preços neste mês de dezembro.

O receio dos analistas é de que a inflação não caia como o projetado pelo Banco Central e, consequentemente, atue como combustível para o movimento do aumento dos juros (Selic).

Por volta das 12h40 o Ibovespa caía 0,66%, aos 104.215 pontos. Já o dólar subia 0,81%, cotado a R$ 5,67.

Desemprego em queda

Taxa inferior em comparação ao mesmo trimestre móvel de 2020, quando o desemprego estava em 14,6%.

Mas, mesmo com mais empregos no mercado, a renda da população vem caindo. Realizando a mesma comparação entre os trimestres móveis de 2020 e 2021, a queda na renda foi de 11,1%.

Boa parte dessa queda está vinculada à inflação. Querendo ou não, em 2021, o IPCA vem crescendo e até o momento está em 10,74% nos últimos 12 meses.

Inflação e poder de compra

Com mais pessoas empregadas, é possível que mais pessoas venham a se tornar ativas no mercado, consumindo, porém, com a inflação alta, o poder de compra fica reduzido, fato que vai contribuir para um consumo mais tímido.

Mesmo aqueles que já estavam empregados, podem enfrentar problemas em manter o poder de compra e o padrão de vida.

Na verdade, tudo isso gera dúvidas para 2022. Com o novo ano, muitos trabalhadores vão sofrer correções em seus salários.

O aumento vai proporcionar mais pressão sobre os resultados das empresas, fato que pode exigir maior repasse nos preços, coisa que funciona como um combustível para a inflação. Se 2021 já foi um ano difícil, 2022 pode ser ainda mais complexo.

Mercados em baixa

Hoje foi um dia negativo para as bolsas. No início do dia, até houve um movimento de valorização, mas até o final do dia, as bolsas caíram.

O Ibovespa fechou o dia em queda de 0,6% enquanto o S&P 500 fechou com retração de 0,10%. O dólar ficou estável, cotado a R$ 5,63.

A volatilidade do mercado nacional provavelmente vai permanecer em 2022. Observando isso, o investidor precisa analisar melhor as oportunidades na renda fixa e em investimentos no exterior.

Com a crescente entrada de ETF e formação de fundos de índices, há diversas oportunidades de investimento.

Enquanto ETFs que acompanham os mercados brasileiros, como é o caso de BOVA11 e SMAL11 amargaram queda de 11,42% e 16% em 2021, IVVB11, ETF que segue o S&P 500, vem alcançando valorização de 39,48%.

Além do IVVB11 e de outros ETF que seguem o mercado norte americano, há também opções focados em outros mercados, como é o caso de EURP11 (que segue o índice MSCI Europe).

Só em 2021, o ETF vem ganhando mais de 18%. Ao diversificar a carteira com investimentos de outras regiões os riscos diminuem e cresce a oportunidade de conseguir ganhos mais consistentes e com menos volatilidade.

Taxa de desemprego cai mais do que o esperado e derruba Ibovespa

A taxa de desemprego no Brasil caiu para 12,1% no trimestre encerrado em outubro, de acordo com dados divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os dados foram melhores do que as expectativas dos agentes de mercado, que esperavam uma queda da taxa de desemprego para 12,3%.

A população desocupada caiu 10,4% na comparação com o trimestre anterior – de 14,4 milhões de pessoas para 12,9 milhões. 

Na comparação anual, a queda foi de 11,3% – eram 14,6 milhões de desempregados no trimestre encerrado em outubro de 2020.

Apesar da queda do desemprego, o rendimento médio da população ocupada encolheu 11,1% em 12 meses, para R$ 2.449,00, sendo o menor nível desde o início da série histórica, em 2012.

Outro fator negativo foi o recorde no número de trabalhadores por conta própria, o que significa aumento da informalidade.

A taxa de informalidade manteve a trajetória de alta, atingindo 40,7% da população ocupada, ou 38,2 milhões de trabalhadores. No trimestre anterior, a taxa havia sido 40,2% e, no mesmo trimestre de 2020 estava em 38,4%.

Desemprego em baixa pressiona bolsa de valores

Se, de um lado, a melhora dos dados de desemprego é um sinal positivo para a retomada da economia, de outro, isso tem efeito negativo sobre a renda variável.

Isso porque a sinalização de uma recuperação econômica mais rápida do que a esperada gera uma pressão adicional sobre os índices de inflação

Consequentemente, as expectativas de que o Banco Central manterá sua política de aumento dos juros ganham força frente à tese de que uma provável desaceleração arrefeceria a elevação dos preços.

De acordo com o relatório Focus, os economistas de mercado estimam uma Selic de 11,50% em 2021, embora as previsões de juros acima dos 12% estejam no radar de muitos analistas.

Com isso, o Ibovespa operou em queda de 0,83% na primeira parte do pregão de hoje, indo na contramão dos principais mercados mundiais, que sobem nesta terça-feira (28/12).

Queda da Vale

Outro fator que explica a queda do Ibovespa no dia de hoje é o desempenho negativo das ações da Vale (VALE3).

Até às 13h26 as ações da mineradora caíam 2,76%. Entre os motivos estão a queda de mais de 3% dos contratos futuros do minério negociados em Dalian, devido a preocupações com excesso de oferta, já que as usinas retomarão a produção nos próximos meses.

Soma-se a isso o contratempo nas negociações envolvendo a joint venture Samarco – que pertence à Vale e BHP – com credores em conversas para um acordo de recuperação judicial.

Último Boletim Focus do ano

A redução foi pequena, mas ao considerar a elevada inflação que existe, mais uma semana de retração nas expectativas traz mais tranquilidade ao mercado.

Com relação ao juro, o mercado ainda espera a Selic por volta dos 11,5% em 2022, sendo que para 2023 é esperado Selic em 8% e 7% em 2024.

Mercados em alta

Hoje foi um bom dia para os mercados. O S&P 500 registrou alta de 1,38% enquanto o Ibovespa fechou o dia em alta de 0,63%.

O dólar fechou o dia em queda de 0,82%, cotado a R$ 5,63. A expectativa é que os mercados continuem bem até o final de semana.

Normalmente, os últimos dias do ano são marcados por um bom desempenho dos mercados, devido ao fechamento do ano.

Na tentativa de rentabilizar fundos e carteiras, muitos gestores e investidores veem o final do ano como uma oportunidade de incrementar os desempenhos da carteira.

Bom humor continua em 2022?

Há muitas dúvidas com relação ao bom humor dos mercados para 2022. O ano de 2021 não foi livre da pandemia e além da COVID-19, o mundo enfrentou diversos outros problemas, como é o caso da crise imobiliária na China, as variantes da COVID-19, além da alta inflação.

Mas ainda sim, mesmo com tantos problemas, os mercados reagiram e entregaram ótimos resultados. Só o S&P 500 vem registrando valorização de 29,47%.

Já com relação ao Brasil, a inflação aconteceu mais rápido e com mais força do que o esperado.

Com receio da influência da inflação, o Banco Central subiu o juro. Se antes havia uma Selic de 2% ao ano, agora a taxa de juro está em 9,25%, sendo esperado um juro ainda maior para 2022.

Como o juro está elevado e a inflação também, a renda fixa ganhou notoriedade em 2021 e tem tudo para iniciar 2022 no centro das atenções.

Tanto letras do Tesouro quanto títulos, como os CDBs, LCIs e LCAs são ativos interessantes para se manter na carteira.

Dentre as opções de CDB, LCI, LCA e letras do Tesouro, aquelas mais vantajosas no momento, são as pós fixadas e atreladas ao IPCA.

As prefixadas, que possuem a rentabilidade atrelada à taxa de juro prefixada, ainda não são tão interessantes, devido a probabilidade de a Selic subir ainda mais.

Quando a Selic estabilizar e a inflação mostrar sinais de queda, aí as prefixadas entram no radar para serem adquiridas.

Último relatório Focus do ano mostra mercado pessimista com crescimento

O Banco Central divulgou nesta segunda-feira (27/12) o último relatório Focus do ano de 2021. Os dados mostram as expectativas dos agentes de mercado para as diversas variáveis macroeconômicas.

Em linha com a tendência de piora dos últimos relatórios, os economistas das principais instituições financeiras estimaram uma piora no ritmo de crescimento econômico. 

Para este ano, os agentes preveem uma alta de 4,51% do PIB. O valor é abaixo das estimativas anteriores, de 4,58% na semana passada e 4,78% há quatro semanas atrás.

Para 2022 as previsões também são mais pessimistas, e vêm caindo há várias semanas. Atualmente, os analistas enxergam um crescimento de 0,42%, ante 0,50% na semana passada, e 0,58% há um mês.

Inclusive, há instituições que preveem recessão para a economia brasileira no ano que vem.

Inflação e câmbio

Para a inflação as expectativas são um pouco melhores, mas não animadoras. Isso porque as quedas dos componentes do IPCA dão a entender que o pior já passou.

Dessa forma, as estimativas para o aumento dos preços se estabilizaram, com o mercado esperando uma inflação de 5,03% no próximo ano, e 10,02% para 2021.

Para 2022, as previsões são as mesmas já fazem um mês, enquanto que para 2021 as projeções vêm caindo (a inflação esperada para o período era de 10,15% há um mês atrás).

Outra variável que também tem apresentado estabilidade nas expectativas é o câmbio. De acordo com o Focus, é esperado que o dólar termine 2021 cotado a R$ 5,63. Para 2022, a moeda norte-americana é estimada para ficar ao redor dos R$ 5,60.

Selic

A Selic é uma das variáveis mais importantes para a determinação da direção dos mercados. 

Quando há expectativas de alta, a tendência é que a bolsa de valores caia, pois isso eleva o custo de oportunidade dos investimentos, além de afetar negativamente a precificação dos ativos pelo modelo do fluxo de caixa descontado.

Conforme o relatório Focus, os agentes de mercado estimam que a Selic encontrou seu topo na faixa dos 11,50%, não devendo subir mais do que isso em 2022.

Essa previsão é a mesma das semanas anteriores, o que indica uma estabilização das expectativas.

Para 2023 temos a mesma estabilidade, com os economistas de mercado estimando uma Selic mais baixa, na casa dos 8%.

Porém, tudo isso pode mudar, uma vez que os agentes ficarão de olho na inflação dos próximos meses e seu impacto no comportamento do Banco Central.

Uma inflação melhor do que a esperada pode fazer com que as previsões para a Selic comecem a cair e, por sua vez, confirmar a recuperação da renda variável. 

Por outro lado, uma inflação pior do que a esperada tende a causar o efeito contrário.

Portanto, o investidor deverá se manter atento ao comportamento destas variáveis e das expectativas para se posicionar bem e aproveitar a volatilidade do próximo ano, que ainda contará com o fator das eleições.