Dólar termina o dia em alta, cotado a R$ 5,59.

O BC teve que intervir para tentar reduzir a volatilidade. De certa forma o BC conseguiu e o dólar registrou alta de 1,3%.

Auxilio Brasil, uma das causas.

Uma das causas que vem sendo ventilada para o aumento do USD/BRL está baseada na divulgação do programa social, auxílio Brasil.

O programa social vai vir para substituir o bolsa família. Dentre os pontos que serão alterados está o valor.

Haverá um aumento e o valor do auxílio pode chegar aos R$ 400,00. Segundo vem sendo divulgado, o programa na forma que está, vai exigir maior investimento da máquina pública e pode acabar quebrando o teto de gastos.

Com essas notícias o mercado reagiu com pessimismo. Além do dólar, o Ibovespa registrou queda de 3,28%.

Vale destacar que em contraste ao mercado nacional, o S&P 500 terminou o dia com valorização. A alta do índice norte-americano ficou em 0,74%.

Descontrole fiscal pode cobrar juros maiores

Observando o cenário conturbado, o BC se manifestou dizendo que o descontrole fiscal, pode exigir uma política monetária mais rigorosa.

Ou seja, o juro pode subir mais. Se as expectativas apontam para uma Selic em 2022 de 8,75% a 9%, se o teto de gastos não for cumprido, ou se ocorrer algum tipo de aumento extraordinário nos gastos, sem que haja uma explicação, a Selic pode chegar aos dois dígitos.

Ao considerar todos os pontos citados, fica claro que o momento é de análise e de proteção. O investidor precisa ver como está a posição em dólar, e se não tem, é importante avaliar se não é uma boa posicionar um pouco do dinheiro em dólar.

Dentre os ativos dolarizados, há os fundos cambiais (dólar) e alguns outros investimentos, como é o caso do IVVB11 (ETF que segue o índice S$P 500) e os fundos passivos.

IVVB11 chegou a registrar valorização de 2,14% somente hoje, mas terminou o dia com alta de 1,56%.

Tanto o S&P 500 quanto o dólar impulsionam o ETF para cima. Só em 2021, o ETF subiu mais de 28%.

Se o investidor abrir ainda mais o gráfico, verá que em outubro de 2016 até hoje, IVVB11 se valorizou em mais de 292%.

A valorização é muito maior do que o Ibovespa. O principal índice brasileiro, em mesmo período, valorizou pouco mais de 72%.

Ao fazer essa comparação, fica claro que IVVB11 é um ETF extremamente interessante e importante para a carteira do investidor. O fundo passivo que segue o S&P 500 também pode ser uma alternativa.

PIB da China vem abaixo do esperado

Contra uma expectativa de crescimento de 5,1%, o PIB chinês cravou alta de 4,9%. Dentre as possíveis causas para um crescimento menor, existe a crise imobiliária vivida pelo país e as questões energéticas que vem preocupando o mundo.

China e Brasil abaixo das expectativas

O Brasil já divulgou resultado referente à sua economia, por meio do IBC-BR, e o mesmo também ficou abaixo das expectativas.

Uma eventual crise imobiliária na China e o aumento dos preços dos combustíveis no mundo vêm influenciando negativamente as economias.

Se por um lado a China vem reduzindo os seus investimentos na área de construção civil, do outro, os combustíveis vêm ficando cada vez mais caros, fato que prejudica a questão energética do país.

Grande parte da planta energética da China está baseada no gás e no carvão. Por mais que haja muitos investimentos em energia limpa e demais segmentos, o gás e o carvão são fundamentais para a China.

O encarecimento do combustível vem influenciando em cortes de energia. Os cortes tendem a gerar impacto na produção industrial. Desse modo, os pedidos são atrasados ou acabam ficando mais caros.

Assim, os preços são repassados das indústrias ao comércio e ao consumidor. Essa movimentação tem tudo para alimentar ainda mais a inflação.

No Brasil os impactos podem ser ainda potenciados através do dólar mais caro. Se na sexta-feira o dólar tinha caído, hoje, o USD/BRL recuperou a queda e fechou em R$ 5,51.

O momento é de análise

Mesmo sem uma crise estabelecida, o mundo vive tempos difíceis e com expectativas ruins para o curto prazo.

O negócio no Brasil ainda é mais delicado, uma vez que a inflação já está elevada e o dólar pode complicar ainda mais o momento.

Observando que há mais fatores para se preocupar do que para se animar, é importante avaliar a carteira de investimento, dando uma preferência para ativos líquidos, ou atrelados ao CDI (ou Selic).

A taxa de juro no Brasil vem caminhando para terminar 2021 a 8,25% ao ano e em 2022, é provável que a Selic vá a 9% ao ano.

Com o juro maior, a rentabilidade dos papéis de renda fixa com liquidez diária será mais atraente. Na verdade, hoje, o CDB ou Tesouro Selic já vem entregando rentabilidade interessante.

Outros investimentos que precisam ser considerados são os fundos cambiais e o ouro. Em uma eventual crise na China, ou no mundo, o dólar e ouro tendem a se valorizar.

Em pequenas quantidades, os dois ativos podem proteger o patrimônio do investidor contra a volatilidade.

IBC-BR abaixo das expectativas

Enquanto as expectativas apontavam para uma queda de 0,05%, o índice referente setembro veio com 0,15% de redução.

Com uma retração maior, a expectativa para o PIB de 2021 pode sofrer alguma correção. Vale destacar que o IBC-BR abaixo das expectativas não é uma definição do PIB, mas é um sinal de alerta.

Com uma retração maior na economia, o que esperar?

A redução no índice IBC-BR está ligada à atividade econômica, que por sua vez pode influenciar o crescimento do PIB de 2021. Ou seja, uma queda superior àquela imaginada, pode acabar contribuindo para um PIB menor.

O PIB menor vai trazer mais preocupações com relação à economia brasileira, inclusive com questões fiscais.

Um crescimento menor tem tudo para influenciar em menos arrecadação que por sua vez pode desencadear para uma dívida pública maior.

Se o juro alto funcionar para reduzir a inflação em 2022, a dívida brasileira vai aumentar. Sob influência da Selic mais alta, os encargos da dívida tendem a subir e isso vai gerar mais gastos com a dívida.

Por isso, o PIB é um indicador muito importante. Caso o PIB não venha conforme as expectativas, o cenário pode ser difícil para o Brasil.

Oportunidades de investimento

Com a escalada dos juros, a renda fixa vem ganhando muita atenção dos investidores, mas, a renda variável também deveria chamar atenção.

Se todos vão para a renda fixa à procura da segurança e de boas rentabilidades, o investimento na renda variável deve chamar atenção pelos preços atraentes.

Considerando que a economia funciona em forma de ciclos, com momentos de alta e outros de queda, o momento atual pode ser considerado de manutenção ou queda.

O Ibovespa vem registrando queda de 3,72% em 2021, sendo que comparado ao pico do índice, ou seja, do ponto mais alto que o índice chegou, o Ibovespa está 12,5% abaixo.

Portanto, há uma boa caminhada para o índice se recuperar. Além do Ibovespa, outro índice que chama atenção é dos fundos imobiliários, ou IFIX.

Em 2021 o IFIX vem caindo 4,18%, sendo que em 2020, o índice chegou a perder 9,44%. Se o índice permanecer assim, o IFIX vai fechar dois anos em queda, fato que vem abrindo ótimas oportunidades de investimento.

Vale destacar que o IFIX chegou a alcançar a cotação de 3.253 pontos no início de 2020, hoje o índice de fundos imobiliários possui 2.747 pontos. Se o IFIX conseguir voltar ao pico de 2020, o índice pode gerar um ganho de aproximadamente 16%.

Vendas das incorporadoras abaixo das expectativas

A alta do juro junto da inflação vem reduzindo o poder de compra da população e isso vai afetar o consumo de diversas áreas.

A construção civil vinha aquecida e agora pode enfrentar problemas, principalmente com a alta do juro.

Influência do juro alto no financiamento.

Com a alta da Selic, o financiamento residencial vem ficando mais caro. Além do impacto do juro no financiamento, ainda existe a pressão inflacionária.

Como o ferro e demais itens que são matéria prima para a construção civil ficaram mais caros ao longo do ano, os empreendimentos registraram alta nos preços.

A combinação de preço maior com o juro maior pode estrangular o setor da construção civil em um futuro próximo.

Na verdade, os impactos da inflação e do juro já vêm acontecendo. No caso da incorporadora Cyrela, os resultados são bons, mas as vendas contratadas e a velocidade de vendas caíram.

Com menos vendas contratadas e com menos velocidade nas vendas, o cenário de queda pode ser evidenciado no próximo resultado da empresa.

Querendo ou não, a construção civil é um dos ramos que mais emprega no Brasil. Sendo que a queda do resultado das empresas com uma possível dificuldade em conseguir vender unidades, vai gerar redução nas construções e no investimento do setor.

Enfim, um dos motores da economia pode estar sofrendo os impactos da alta inflação e do juro.

Ibovespa descolado do S&P 500

Além dos resultados preliminares das construtoras, o Ibovespa registrou queda de 0,24%, enquanto outros índices, como é o caso do S&P 500 registraram alta de 1,71%.

O USD/BRL ficou estável, terminando o dia cotado a R$ 5,51. O EUR/USD também ficou estável cotado a 1,16 dólares.

Por outro lado, outro ativo que ganhou hoje foi o ouro. A Onça Troy se valorizou, chegando ao valor de R$ 9.900,71.

Com a inflação ganhando atenção nos mercados, o ouro começou a se valorizar. Não faz muito tempo, a Onça Troy estava cotada abaixo dos nove mil reais e agora já está se aproximando dos dez mil.

Além da inflação, outros fatores vêm gerando medo no mercado. A situação da economia chinesa, com as incorporadoras em risco aliado à questão energética, vem influenciando no humor das bolsas.

Caso o petróleo e o gás continuem subindo, mais inflação e mais dificuldades vão aparecer no curto e médio prazo.

Por isso, é importante observar o dólar e o ouro. Ambos os ativos são considerados defensivos e de proteção, sendo que o investimento nos mesmos pode ajudar na redução das oscilações junto à carteira.

Sobe a expectativa de inflação nos Estados Unidos.

Com o aumento na expectativa, o Federal Reserve nos Estados Unidos está atento para a alta dos preços e eventual aumento da taxa de juro.

O aumento do juro nos Estados Unidos pode trazer mais pressão sobre os mercados, principalmente para os países emergentes, como é o Brasil.

Juro maior nos Estados Unidos e seus impactos

O Federal Reserve vê como provável a alta dos juros somente a partir de 2023. Ou seja, tanto 2021 quanto 2022 seriam anos onde a taxa de juro nos Estados Unidos permaneceria próximas a zero.

Com tais expectativas, o mercado recebeu grande estímulo, uma vez que a rentabilidade de títulos públicos e da renda fixa está em baixa.

Com uma taxa de juro baixa é natural que a renda variável ganhe notoriedade e atraia mais investidores.

Mas com uma inflação mais forte, o juro pode aumentar antes de 2023 e isso vai gerar impactos em todos os mercados.

Com o juro maior nos Estados Unidos, diversos investidores e instituições que alocam seus recursos em países mais arriscados, vão preferir trazer o dinheiro para os Estados Unidos na tentativa de conseguir manter o patrimônio em uma moeda forte e rendendo bons juros.

Observando isso, o capital de grau especulativo vai exigir “prêmios” ainda maiores para permanecer em regiões mais arriscadas, como ocorre com os recursos estrangeiros alocados no Brasil, ou em países da América Latina. Isso pode gerar volatilidade no câmbio além de inflação.

Como se posicionar visando o aumento do juro nos Estados Unidos?

Considerando o aumento do juro nos Estados Unidos antes de 2023 e com as eleições em 2022, é provável que haja bastante volatilidade no USD/BRL.

Observando isso, é interessante manter uma posição em dólar atares de fundos cambiais. A posição pode ser pequena, uma vez que o fundo cambial só vai ganhar devido à valorização do dólar.

O investimento em ativos influenciados pelo dólar também pode ser uma boa. Dentre eles existem os ETF, como o IVVB11.

O IVVB11 é um ETF que segue de perto as oscilações do índice S&P 500. Se o Ibovespa em 2021 vem se depreciando em 4,54%, o S&P 500 vem se valorizando em 17,92%.

Sendo que o IVVB11 vem ganhando mais de 24,08%. O aumento superior ao índice ocorre devido a valorização do dólar.

Vale destacar que se o mercado brasileiro melhorar, com menos desemprego e um ritmo de crescimento maior e melhor controle do gasto público, as coisas podem ser mais favoráveis e com menos volatilidade do dólar.

Dólar cai com ação do BC

Devido à política de câmbio flutuante, o Banco Central se manifestando pouco com relação à alta do dólar.

Talvez, observando a inflação alta e a volatilidade do dólar, o BC esteja planejando mais intervenções a fim de suavizar uma potencial valorização do dólar.

Impacto da alta do dólar

O dólar ganhando cada vez mais valor no Brasil tende a influenciar negativamente a inflação. Com a alta do dólar, produtos como o próprio petróleo e o gás vão subir.

Outros produtos cotados em dólar, como boa parte das commodities, também são influenciados pela alta da moeda norte-americana.

Observando esse cenário de alta em escala, a inflação tende a ganhar ainda mais força. Com o aumento dos preços, é provável que o juro continue subindo.

Mesmo com um cenário de Selic terminando 2021 em 8,25% ao ano, a alta em 2022 pode ser longa chegando aos dois dígitos.

Com esse cenário em vista, a dívida pública pode ganhar proporções alarmantes, uma vez que o juro vai subir até o momento onde a inflação iniciar uma queda.

Como boa parte da dívida está atrelada à Selic, então o aumento do juro vai encarecer ainda mais a dúvida pública.

O juro alto vai enfraquecer a captação de crédito no mercado, fato que vai reduzir o consumo e a criação de novos negócios. Enfim, o cenário à frente é perigoso e exige cuidados.

Investimento em dólar?

Observando que o dólar tem tudo para continuar se valorizando, o investimento na moeda americana é interessante.

Mesmo que o dólar não se valorize tanto nos próximos meses, manter uma posição em dólar é algo prudente.

O USD/BRL é considerado por muitos como um “seguro” para a carteira. Em momentos de forte stress no mercado, o dólar consegue compensar eventuais perdas.

Outro investimento que vem ganhando força também é o ouro e o Bitcoin. Os dois ativos são influenciados diretamente pelo dólar.

Uma vez que tanto o ouro quanto o Bitcoin são cotados em dólar e convertidos em reais. Nos últimos cinco dias, o Bitcoin vem se valorizando 6,44%, enquanto o ouro chegou a ganhar mais de 3% nos últimos cinco dias.

É importante destacar que além das condições inflacionárias no Brasil e no mundo, ainda há a crise imobiliária chinesa.

As incorporadoras na China vêm apresentando dificuldades para honrar com duas obrigações junto aos credores e isso pode desencadear uma crise relevante sobre os mercados.

O Bitcoin não é um ativo que pode ser considerado de proteção, como o dólar ou ouro, mas de qualquer forma, vem se apresentando atraente no momento.

Crise chinesa ganha proporções.

Além da Evergrande, outras incorporadoras já vêm mostrando dificuldades para honrar seus compromissos junto aos credores, dentre as incorporadora com problemas existem:

  • Sinic Holding Group;
  • Fantasia Holdings;
  • Modern Land.

Dentre essas incorporadoras, aparentemente a Fantasia Holding está enfrentando mais problemas.

Na última segunda-feira, dois diretores da empresa pediram demissão e deixaram a companhia.

Um dos motivos levantados para a saída dos diretores está ligado à situação financeira da importadora Fantasia.

Como a incorporadora deixou de pagar pouco mais de 200 milhões de dólares em bônus, os riscos sobre a empresa subiram. Inclusive, as ações da mesma deixaram de ser negociadas na bolsa no dia 29 de setembro.

Vendas em baixa na China provavelmente vão afetar o mercado

Com um estoque alto de imóveis e as vendas em baixa, a China vem enfrentando sérios problemas que podem influenciar outras economias no mundo.

Um dos grandes motores do mundo é a China e sua indústria imobiliária e de infraestrutura. A compra de ferro é um dos principais indicadores que mostram como a China vem freando os seus investimentos e consequentemente a sua alavancagem.

O minério de ferro que já chegou a valer mais de 218 dólares a tonelada, agora está próximo dos 130 dólares.

Como a procura pelo minério aumentou bastante, o preço caiu vertiginosamente. Isso provavelmente influenciará os resultados de empresas brasileiras, como é o caso da Vale e da economia nacional também.

A queda nas vendas vai influenciar no emprego e na renda da população chinesa também. Portanto, os efeitos da crise imobiliária chinesa, provavelmente, são mais extensos do que se imagina e terá efeitos sobre os indicadores, como é o caso do PIB.

O que fazer para se defender?

Além da crise imobiliária, existe a crise energética. O petróleo está subindo para o mundo inteiro e isso vai influenciar nos preços trazendo a alta do petróleo para todo mundo.

Como existe uma preocupação grande com a inflação e com o crescimento dos países, diversos indicadores são esperados com atenção, dentre eles o PIB.

Um crescimento abaixo das expectativas pode levar o mundo para uma onda de pessimismo e isso vai jogar as bolsas para baixo.

Como o momento é de precaução, o mais prudente é alocar parte dos recursos em algo de proteção, como é o caso do dólar. Como houve feriado no Brasil hoje, o USD/BRL permaneceu em R$ 5,54.

Já uma parcela maior do patrimônio precisa ficar líquida e de preferência em investimentos seguros, como é o caso do Tesouro Selic ou um CDB de um bom banco.

Assim, o investidor tem ferramentas para aproveitar boas oportunidades na renda variável, caso ocorram. Lembrando que o Ibovespa está bem baixo.

O índice que já chegou a se valorizar 10% em 2021, agora vem derretendo em mais de 5,6%. Mostrando que existe uma boa oportunidade aí.

Relatório Focus mostra mais inflação em 2021

Com mais pressão dos preços, outros indicadores sofreram correções. O dólar subiu dos R$ 5,20 para R$ 5,25 enquanto a Selic para 2022 registrou alta de 8,5% para 8,75% ao ano.

Os preços vêm subindo

A inflação medida pelo IPCA vem sofrendo bastante com a alta dos preços. Se por um lado o ferro registrou grande depreciação, do outro os combustíveis vêm influenciando bastante os preços.

Semana passada a Petrobras passou mais um aumento referente à gasolina e o gás de cozinha. Ambos os produtos sofreram com um aumento de 7,2% da Petrobras junto às refinarias.

Com isso toda a economia recebe o impacto e repassa à alta dos preços para aqueles que fazem parte da cadeia, como é o caso das empresas de transporte, restaurantes, autônomos, prestadores de serviços e demais.

O que fazer com os investimentos?

Com mais expectativas sobre a inflação e o juro, o negócio é ficar atento sobre a Selic. Investir em produtos atrelados ao CDI e a própria Selic são boas alternativas.

O Tesouro Selic e os CDBs com liquidez diária são boas opções de investimentos. Além da liquidez, a rentabilidade estará atraente.

Desse modo os recursos aplicados rendem bons ganhos e ainda estão prontos para serem utilizados em outras oportunidades.

Como há expectativa para um dólar maior, o USD/BRL também é interessante. Na segunda-feira o dólar registrou alta de 0,45% cotado a R$ 5,54.

Já o EUR/USD teve queda de 0,12%, cotado a 1,16 dólares, enquanto o USD/CNY marcou ligeira alta de 0,14% cotado a 6,45 Yuan.

Diferente do Euro ou do Yuan, o Real é uma moeda muito volátil. Questões políticas e até de contexto nacional, como nossa própria economia influenciam na sensibilidade maior do Real, além, do cenário de inflação no mundo.

Com a alta dos combustíveis e sinais relevantes de crise na China, por exemplo, o Real vem enfrentando bastante volatilidade.

Mas ainda sim, é importante pontuar que outras divisas da América do Sul também bem experimentando certa volatilidade e vem performando pior do que o Real, como é o caso do USD/ARS que vem se valorizando em mais de 17% em 2021 e o USD/CHI que vem ganhando quase 16% em 2021.

Comparado a moedas mais estáveis, o Real vem obtendo uma performance pior, mas comprado a pares regionais, o Real vem conseguindo se manter mais estável.

De qualquer forma, fundos cambiais em dólar podem ser uma boa solução para parcela menor do patrimônio, ainda mais quando há possibilidade de alta do juro nos Estados Unidos no médio a curto prazo.

A redução de liquidez norte-americana possivelmente vai impactar o mundo como um todo.

IPCA abaixo das expectativas.

Mesmo registrando uma inflação menor, o IPCA dos últimos 12 meses alcançou os 10,25%. A expectativa do BC é que em setembro, o IPCA tenha alcançado o seu pico. Será que isso realmente aconteceu?

Agora o IPCA vai cair?

Com mais inflação e mais juro, o consumo normalmente contrai. Isso acontece porque os preços estão subindo e o juro também.

Se uma empresa pensa em incrementar seus investimentos, captando recursos com bancos, por exemplo, o momento talvez não seja o mais oportuno.

Além dos empréstimos e financiamentos estarem mais caros, os produtos e serviços vêm sofrendo com a alta da inflação.

Tudo isso vem colaborando para um cenário perigoso para o Brasil. O cenário em questão é a estagflação.

Em uma situação de estagflação o país para de crescer e mesmo assim, ainda convive com a inflação alta.

Normalmente a inflação cresce porque o consumo cresce mais do que a oferta de produtos e isso vai gerar um aumento dos preços. Geralmente, quando há um aumento do consumo a tal nível, o desemprego cai e demais índices, como o próprio PIB, cresce.

O PIB vem crescendo em parte porque em 2020 houve uma queda relevante, devido aos impactos da pandemia. Portanto, o crescimento de 2021 vem sendo influenciado por números ruins de 2020.

Em 2022 as expectativas são para um crescimento próximo dos 1,5%, por exemplo.

O que fazer?

Sem uma certeza, se o IPCA vai continuar subindo ou não, o negócio é manter parte do patrimônio líquido e aplicado em investimentos que rendem o CDI, ou estão atrelados à Selic.

Já uma parte menor, precisa estar alocada em proteção, como é o caso do dólar. O USD/BRL em 2021 vem se valorizando em mais de 6%, com o dólar alcançado a cotação de R$ 5,51.

As expectativas para 2021 eram de queda da moeda norte-americana, uma vez que os Estados Unidos estão investindo pesado na economia e tentando se recuperar da pandemia.

Com isso, há uma grande quantidade de dólares no mercado, mas ainda sim, aqui no Brasil, o dólar não cedeu.

O EUR/USD, por exemplo, vem caindo em mais de 3,7%, cotado a 1,16 dólares. Não é só o real que vem perdendo valor.

Já o USD/CNY vem caindo 1,35% aproximadamente. O Yuan vem conseguindo se valorizar frente ao dólar, mesmo com todos os problemas referentes à Evergrande.

Como o dólar é uma moeda forte e amplamente conhecida por sua estabilidade, manter uma parcela do patrimônio alocado em fundos cambiais é uma ótima opção.

Inflação de setembro vem com forte alta; impacto vem de energia e combustíveis

Essa foi a maior taxa de inflação para meses de setembro desde o início do Plano Real, em 1994.

Apesar disso, o resultado ficou próximo do esperado por analistas do mercado. Conforme consulta feita pelo Valor Data, a mediana das projeções de 38 instituições financeiras e consultorias apontava para um IPCA de 1,25%. 

Esse valor elevado das expectativas se deveram aos aumentos dos combustíveis e da energia elétrica.

Em setembro, entrou em vigor a bandeira Escassez Hídrica, que acrescenta R$14,20 na conta de luz a cada 100 kWh consumidos.

No mais, dos 10 grandes grupos do índice, apenas três tiveram aumento em relação a agosto: Habitação, Transportes e Saúde e Cuidados Pessoais.

Os demais componentes, como alimentação e vestuário, aumentaram menos do que em agosto.

Grupo Variação (%) Impacto (p.p.)
Agosto Setembro Agosto Agosto
Índice Geral Índice Geral 1,16 0,87 1,16
Alimentação e Bebidas 1,39 1,02 0,29 0,21
Habitação 0,68 2,56 0,11 0,41
Artigos de Residência 0,99 0,9 0,04 0,04
Vestuário 1,02 0,31 0,04 0,01
Transportes 1,46 1,82 0,31 0,38
Saúde e Cuidados Pessoais -0,04 0,39 -0,01 0,05
Despesas Pessoais 0,64 0,56 0,06 0,06
Educação 0,28 -0,01 0,02 0
Comunicação 0,23 0,07 0,01 0
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Índices de Preços

O que esperar daqui pra frente?

Diante dos dados divulgados hoje, é possível projetar uma inflação menor nos próximos meses. Isso se a desaceleração verificada na maioria dos componentes do IPCA se mantiver.

Se considerarmos o relatório Focus, as expectativas são de que a inflação termine o ano em 8,51%. Esse valor é menor do que o IPCA acumulado dos últimos 12 meses (10,78%.) 

Uma desaceleração mais rápida da inflação, combinado com a queda da produção industrial e das vendas do varejo, poderia contribuir para uma revisão da política monetária

Porém, outros fatores permanecem no radar, como o risco político e a retomada dos serviços.

Atenção para o setor de serviços

A inflação brasileira poderia ser mais alta se não fosse a fraca recuperação do setor de serviços. Os preços deste grupo vem acumulando alta de 4,41% em 12 meses, bem abaixo do IPCA.

Isso ocorre porque o setor ainda está em processo de recuperação. Os serviços ainda sentem os efeitos do elevado nível de desemprego e as paralisações causadas pela pandemia.

Com a queda dos índices de mortalidade e contaminação pela Covid-19, o esperado é que o setor volte a funcionar normalmente. 

Sendo assim, um possível aumento da demanda por serviços contribuiria para aumentar a capacidade de repasse dos acréscimos dos custos ao longo dos últimos períodos. Isso, por sua vez, retroalimentaria a inflação.