Evergrande pode colapsar.

Evergrande é uma incorporadora que possui uma das maiores dívidas do planeta. Até o presente momento, a dívida da companhia chega ao patamar dos 300 bilhões de dólares.

Para manter um crescimento exuberante, a China se utilizou de algumas ferramentas para impulsionar diferentes setores da economia.

Desse modo, companhias privadas conseguiram gerar forte expansão. Mas, agora, a Evergrande, uma das maiores empresas da China, vem enfrentando uma crise de liquidez e pode ficar sem pagar os seus fornecedores no curto prazo.

Porque da crise da Evergrande?

Uma das causas está na alavancagem que a economia chinesa possui. O governo liberava financiamento barato às empresas e isso gerava recursos abundantes para as companhias.

O problema é que o crescimento não está se sustentando e isso influencia nos recebimentos das companhias.

Se a empresa já possui um custo alto, é preciso um faturamento alto. Se as receitas vêm abaixo do esperado, o fluxo de caixa fica desequilibrado e a firma precisa repensar a sua estratégia de investimento e como proceder com os próximos projetos, por exemplo.

No meio disso, há reclamações por parte de consumidores que já fizeram o pagamento por empreendimentos da incorporadora, mas os mesmos ainda não foram entregues.

Ou seja, a firma já está passando por problemas inclusive em sua produção.  Como o governo chinês vem tentando tirar os estímulos e reduzir a alavancagem do sistema, Evergrande pode ser só uma das primeiras empresas chinesas a sofrer tamanha crise.

Quais são os possíveis impactos no mundo?

Por mais que seja somente uma empresa, Evergrande traz com sua crise, péssimas lembranças do Lehmann Brothers (pivô da crise do subprime, nos Estados Unidos).

Por se tratar de uma firma que possui dívida gigantesca, os primeiros prejudicados seriam todos os credores e os clientes.

Todos aqueles que compraram seus empreendimentos e não receberam, podem ficar sem o dinheiro e sem uma moradia.

A partir daí, uma crise de confiança vai assolar o mundo e posteriormente uma crise econômica e sistemática.

Todos aqueles prejudicados de forma indireta vão contaminar o sistema, reduzindo as compras e evitando gastar.

Isso vai gerar retração econômica em diversos segmentos, jogando o mundo em uma nova crise econômica.

A extensão não pode ser medida e nem imaginada, uma vez que há variáveis que podem amortizar os impactos ou ampliar ainda mais os danos.

Se a China não entrar para tentar reduzir os eventuais impactos, é possível que os danos sejam gigantescos e maiores do que o Lehman Brothers provocou. Uma entrada da China, evitando até a falência da incorporadora, pode simplesmente salvar a economia mundial.

De qualquer forma os principais índices chineses vêm registrando forte queda em 2021 e isso abre uma boa oportunidade de investimento. Uma forma de investir é através dos ETF ou fundos de investimento. Vale destacar que a relação USD/CNY tem ficando mais atraente para o Yuan.

Desaceleração da economia chinesa.

No início da pandemia da Covid-19, ainda no início de 2020, a China foi fortemente impactada. Houve restrições para locomoção dentro da China e tudo isso, influenciou de forma negativa o desempenho econômico do país.

Só para ter uma ideia, o PIB referente ao primeiro trimestre de 2020 ficou em -6,8%. Uma queda substancial. No trimestre anterior, a China estava crescendo em 6%.

Com a redução dos casos e uma sensação de controle sobre o vírus, a China conseguiu retomar o crescimento e no primeiro trimestre de 2021, o país asiático conseguiu crescer 18,3%.

Agora no segundo trimestre o crescimento caiu para 7,9%, sendo que alguns dados econômicos vêm preocupando também.

Segundo dados divulgados pelo Escritório Nacional de Estatísticas (NBS), a China registrou crescimento de 2,5% nas vendas de varejo. Havia uma expectativa de crescimento na ordem de 7%.

Com um crescimento abaixo das expectativas e com o PIB ficando tão longe do indicador registrado no primeiro trimestre, o mercado fica mais receoso.

Quais são as possíveis causas para isso?

É importante salientar que o crescimento chinês ainda é muito bom e muito maior do que boa parte dos países do globo.

Mas é claro, uma desaceleração dá medo, uma vez que menos produtos serão vendidos, menos dinheiro vai rodar pelo mercado.

Uma das causas para esse derretimento dos números está baseado na variante delta da Covid-19.

Com a variante ganhando mais terreno pelo mundo, medidas de lockdown, ou de restrição para a população são tomadas e isso gera uma volatilidade nos dados econômicos.

Outra causa está centrada na redução dos incentivos do governo chinês para o mercado imobiliário.

Ainda com relação às medidas econômicas do governo chinês, há uma percepção que o governo vem reduzindo os incentivos, a fim de evitar uma possível bolha.

Essa falta de interação, ou de não haver expectativas claras de maiores injeções de capital na economia, deixa o mercado ainda mais preocupado.

Oportunidades

Da mesma forma que existem sinais mistos na China, com uma economia crescendo, mas dando sinais de desaceleração, o índice MSCI China vem registrando queda em 2021.

A queda do índice chinês fica próxima dos 15% em 2021. Por outro lado, o Yuan, ou Renminbi, vem se valorizando frente ao dólar em 1,43%, aproximadamente.

Por mais que o momento na China inspire certos cuidados, o mercado ainda é atraente. Observando isso, dá para ver que existe uma possibilidade de investimento bem interessante.

Uma das alternativas são os ETF, principalmente o XINA11 ou as alternativas por meio de fundos de investimento que replicam índices chineses, como é o caso do próprio MSCI China.